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Lourenço Fernandes da Cunha

Lourenço Fernandes da Cunha foi um nobre e cavaleiro medieval do Reino de Portugal. Cerca do ano de 1214 mandou escrever o que é considerado o primeiro documento escrito em português, a chamada Notícia de Torto.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/07/2026
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Filiação

Foi filho de Fernão Pais da Cunha (1103 - c. 1180), 2.º Senhor da Honra da Cunha e 2.º senhor consorte de Tábua e de sua mulher Mor Uzbertiz.

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Biografia

Segundo alguns historiadores[quem?] nasceu no solar da família, na antiga freguesia de São Miguel da Cunha, concelho de Braga, e criado em casa de Pedro Silvestre, na freguesia de São Tomé de Moimenta. Em junho de 1171, com os pais já falecidos, sua irmã Elvira Fernandes, com a outorga de seus tios e primos de Coimbra, procedeu-lhe à venda, pela quantia de 40 morabitinos, do solar que possuía em freguesia da Cunha, local onde Lourenço se encontrava a fazer uma quinta com a respectiva torre senhorial. Este facto mostra que já era de maior idade e proprietário abastado. Era um cavaleiro da Honra de Varzim (Honrra de Veracim), sistema feudal que floresceu na Europa do século XI e XII, com heranças mantidas juntas e administradas em conjunto, com caput no centro da Póvoa de Varzim (Villa Veracin), onde tinha o seu palácio e de seus filhos. Neto paterno de Paio Guterres da Cunha, que o conde D. Henrique reconheceu como Senhor de Varzim, ganhou vários domínios pelo reino, o poder deste cavaleiro e por acreditar que a sua família conspirava contra o rei, levou D. Sancho a destruir-lhe a torre de Cunha, várias propriedades agrícolas em Cunha e Varzim, e capturou o Porto de Varzim, este último persistirá a ser uma questão entre a honra de Varzim e os réis portugueses até ao reinado de D. Dinis.

Ataque a Sevilha

Em 1176 Lourenço Fernandes, foi um dos Cavaleiros que acompanharam o infante D. Sancho I no ataque à cidade de Sevilha, detida pelos mouros. Lourenço procedeu nesta cidade ao saque do Bairro de Triana, tendo regressado a Portugal e aos seus domínios com os despojos.

Domínios

Com o seu casamento ocorrido com Sancha Lourenço de Macieira, Lourenço recebe importantes bens; fez numerosas compras, de que ainda existem 24 escrituras, recebeu doações de particulares e doações régias e ainda além disso procedeu a ocupações territoriais abusivas, todos estes factores levaram Lourenço a acumular uma vasta fortuna territorial, distribuída pelos concelhos de Barcelos, Braga e Póvoa de Varzim, Guimarães, Santo Tirso, Coimbra, Tábua, termos de Águeda e Vouga e a outras terras. Embora de forma mais concentrada nos concelho de Barcelos, Braga e Povoa de Varzim. Foi quem em 1099 procedeu ao povoamento de Aver-o-Mar, freguesia da Póvoa de Varzim. As Inquirições reais de 1258 informam que Aver-o-Mar é "a terra é honra de Cavaleiros". Foram os habitantes ou os cavaleiros que procederam à construção, por volta do século XV de uma capela dedicada a Nossa Senhora das Neves que actualmente é a padroeira da freguesia.

Ataques de D. Sancho I

No documento «Mentio de malefactoria» ele queixa-se de o rei de D. Sancho I de Portugal lhe ter mandado “ermar 70 casais com cem homens de maladia e incendiar a quinta e casais” que tinha na freguesia de Cunha. Este documento leva à conclusão de que se tratava de um rico cavaleiro, a quem, na mesma altura, “tomaram 40 escudos, capacetes de ferro e muitas outras armas…capellos de ferro et multa alia arma”. Esta perseguição por parte do rei exposta no «Mentio de malefactoria», deu-se nos fins do reinado de D. Sancho I, e depois do mês de abril de 1210. A torre de Cunha foi destruida. O rei ordenou a destruição de várias das suas propriedades em Varzim, incluindo 10 dos 17 casais de Varzim. O rei tomou a terra, destruiu as propriedades e expulsou os povoadores.

Falecimento

Embora não sejam conhecidos documentos de óbito os historiadores de deduzem que deve ter falecido entre Outubro de 1225 e Outubro de 1228, dado que em Outubro de 1225 aparece a fazer uma compra juntamente com a esposa, enquanto na segunda data, Outubro de 1228, é somente a esposa que aparece a fazer uma compra, não voltando Lourenço a intervir em qualquer outro documento conhecido. Todos os filhos de Lourenço Fernandes foram fidalgos de fortuna e com influência, embora como é natural, houve uns que sobressaíram como foi o caso informado pelo Nobiliário do Conde D. Pedro; “D. Gomez Louremço foy muito honrrado e de gram fazemda e foy padrinho delrey Dom Dinis de Portugal” e “Egas Loureraço foy o melhor e mais honrrado de seus irmãaos”.

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Casamentos e descendência

Casou por duas vezes, a primeira a 24 de Outubro de 1198 com D. Sancha Lourenço de Maceira, documentada nas Inquirições de 1258 e 1288, filha de Lourenço Gomes de Maceira, de quem teve: O segundo casamento foi com: Maria Martins do Vinhal (c. 1190 -?), de quem não teve descendência.

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Fontes consultadas

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