Litografia
A litografia, também conhecida como litogravura, é um tipo de gravura que se distingue pela criação de marcas em uma matriz utilizando um lápis gorduroso. Sua base é o princípio da repulsão entre água e óleo, diferindo de outras técnicas de gravura por ser planográfica. Isso significa que o desenho é formado pelo acúmulo de gordura na superfície da matriz, e não por sulcos ou fendas. Originalmente chamada de 'poliautografia', a técnica visava a produção de múltiplas cópias de manuscritos e desenhos originais.
Pontos-chave
- A litografia baseia-se na repulsão entre água e óleo.
- É uma técnica planográfica, onde o desenho é feito com gordura.
- Foi inventada por Alois Senefelder por volta de 1796.
- A técnica envolve quatro etapas: limpeza, desenho, entintagem e impressão.
- A cromolitografia permite a impressão de desenhos em cores.
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Inventada por volta de 1796 pelo alemão Alois Senefelder, a litografia surgiu da busca por um método de impressão econômico e rápido para seus textos e partituras. Senefelder aprimorou o conceito de usar a pedra como matriz, inspirado em experiências anteriores de Simon Schmidt. A técnica revolucionou a imprensa moderna no século XIX, sendo amplamente utilizada para documentos, rótulos, cartazes, mapas e jornais, além de se tornar uma nova ferramenta expressiva para artistas. Pode ser aplicada em diversos materiais como plástico, madeira, tecido e papel.
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A litografia é um processo que pode ser dividido em quatro etapas fundamentais para a criação da gravura.
Limpeza da Matriz
A primeira etapa consiste em apagar qualquer imagem anterior da pedra, utilizando grãos abrasivos (pó de esmeril ou areia fina) e água. A pedra é lixada em movimento circular contínuo para garantir uma superfície uniforme. Caso a imagem persista, uma solução de ácido acético a 10% pode ser usada para remover a gordura residual. As bordas da pedra são chanfradas a 45º para evitar lascas e marcas no papel. Após a secagem, a superfície deve ser protegida do contato com gorduras para evitar manchas.
Desenho sobre a Pedra
Na segunda etapa, desenha-se sobre a pedra com materiais gordurosos. Uma margem é criada com goma arábica, que impede a aderência da gordura. A criatividade do artista é explorada com diversas técnicas, como o uso de lâminas, pontas secas para texturas, papel carbono e aguadas, além dos métodos tradicionais de desenho.
Acidulação e Entintagem
Após o desenho secar, a pedra passa pela acidulação e entintagem para fixar a gordura. Breu é pulverizado sobre a imagem e espalhado, seguido por uma solução de goma arábica, ácido tânico, nítrico e fosfórico. Isso divide a matriz em áreas que retêm água (sem desenho) e gordura (com desenho). A superfície é limpa com um removedor (aguarrás ou querosene) para preservar apenas a gordura e umedecida com água, não devendo secar a partir deste ponto.
Impressão da Gravura
A etapa final é a impressão, com as primeiras tiragens servindo como testes. A pedra, com no mínimo 5 cm de espessura, é colocada em uma prensa litográfica. O papel é alinhado sobre a pedra e a pressão é aplicada cuidadosamente por uma trave chamada 'ratora'. O desenho é transferido de forma espelhada para o papel, e a litografia permite a produção de múltiplas cópias da mesma matriz.
Cromolitografia
A cromolitografia é uma variação da litografia que permite a impressão em cores, derivando do grego 'chroma' (cor), 'lithos' (pedra) e 'graphein' (desenho). Desenvolvida principalmente pelo litógrafo Godefroy Engelmann, que patenteou o processo em 1837, essa técnica foi utilizada em obras notáveis como 'Kunstformen der Natur' de Ernst Haeckel e 'Plantas Medicinais de Köhler'.
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A técnica litográfica também marcou presença no cenário artístico brasileiro, com destaque para a primeira oficina dedicada à atividade artística em Minas Gerais.
Oficina de Litografia em MG
Em São João del-Rei, Minas Gerais, funcionou a primeira oficina litográfica voltada para a arte, estabelecida em 1961 no Centro Artístico Cultural. A iniciativa partiu do artista baiano João Quaglia, que adquiriu equipamentos e pedras litográficas de uma gráfica extinta. Ele se uniu a artistas locais e padres para montar a oficina. O trabalho desenvolvido chamou a atenção em Belo Horizonte, levando a Escola Guignard a organizar um curso ministrado por Quaglia para seus alunos, a partir do interesse de uma aluna que conheceu as atividades da oficina em 1963.


