Lassa
Lassa ou Lhasa é a capital administrativa da Região Autónoma do Tibete, na República Popular da China. Está localizado no sopé do Monte Gephel.
Em meados do século VII, Songtsen Gampo tornou-se o líder do Império tibetano, que tinha subido ao poder no vale rio Bramaputra (localmente conhecido como o Rio Yarlung). Depois de conquistar o reino de Zhangzhung no oeste, ele mudou a capital do castelo Chingwa Taktse no condado de Chongye (pinyin: Qonggai), a sudoeste de Yarlung, para Rasa (atual Lassa) onde, em 637, ele fundou os primeiros edifícios do Palácio de Potala no Monte Marpori. Em 641, ele fundou o Rasa Trulnang ou Templo de Jokhang. Lassa logo se tornou não apenas o centro religioso, mas o centro político. Lassa permaneceu a capital durante todo o desenvolvimento do Império tibetano até o reinadoo de Ü Dumtsen (Langdarma) no século IX, quando os locais sagrados foram destruídos e profanados e o império fragmentado. Em 641, Songtsen Gampo, que nesta época tinha conquistado toda região tibetana, casou-se com a princesa Bhrikuti do Nepal e com a Princesa Wen Cheng da corte imperial Tang. Através destes casamentos, ele se converteu ao budismo e começou a construir o Templo de Ramoche, em Lassa, a fim de abrigar duas estátuas de Buda trazidas para sua corte pelas princesas. Outros edifícios construídos por volda desta época incluíam o Eremitério de Pabonka (Pha bong kha) e sua torre de nove andares, e os gompas (templos) de Meru Nyingba, Tsamkhung e Drak Lhaluphuk.
Em uma altitude de 3.490 metros, Lassa é uma das cidades mais altas do mundo, localizada em um vale plano do Himalaia. O ar contém apenas 68% de oxigênio comparado com o nível do mar. A prefeitura de Lassa cobre uma área de 31.662 km². A área central (Distrito de Chengguan) possui 523 km² A prefeitura possui população total de 464.736 e a cidade de Lassa 181.991 habitantes (2007). Lassa está situada no centro do planalto tibetano rodeada por montanhas de 5.500 metros. O rio Kyi (ou Kyi Chu), um afluente do rio Bramaputra, corta a cidade. Este rio, conhecido pelos tibetanos locais como "ondas azuis agradáveis", corre através de picos cobertos de neves e voçorocas das montanhas Nyainqêntanglha, estende-se por 315 km, e deságua no rio Yarlung Zangbo em Qüxü, onde forma uma área de grande beleza cênica.
Clima
Lassa possui um clima semi-árido frio. Devido a sua elevada altitude, Lassa possui um clima fresco e seco com invernos muito frios. Em média, Lassa possui 178 dias por ano com temperaturas abaixo de 0 °C. Recebe cerca de 3.000 horas de sol por ano e às vezes é chamada de "cidade ensolarada" pelos tibetanos. Lassa possui precipitação anual em torno de 400 mm com as chuvas caindo principalmente nos meses de junho a setembro. O período chuvoso é considerado o "melhor" do ano, chove principalmente à noite e a cidade fica ensolarada durante o dia. A umidade relativa média anual é de 45%, sendo janeiro e fevereiro os meses com menores taxas, em torno de 26%, e julho e agosto com as maiores, 68% e 72% respectivamente.
De acordo com o último censo de 2020, a população da prefeitura de Lassa era de 867 900 habitantes e do Distrito de Chengguan, a divisão administrativa que contém a cidade de Lassa, 300 000 habitantes. De acordo com o Anuário Estatístico do Tibet de 2008, a população estimada da prefeitura em 2007 era de 464.736 habitantes e da cidade de Lassa 181.991 habitantes.
Em termos administrativos, Lassa é uma prefeitura que consiste de um distrito e sete condados. O distrito de Chengguan, em azul no mapa, compreende a cidade de Lassa, sede da prefeitura.
A prefeitura de Lassa é a maior economia do Tibete. Em 2007, a cidade teve um PIB de RMB 12,0 bilhões (US$ 1,6 bilhão), um aumento de 16,7% sobre o ano anterior, representando cerca de 35,1% do total do Tibete. O PIB per capita da cidade atingiu RMB 19.267 (US$ 2.561) por ano em 2007, contra RMB 16.692 em 2006. O setor secundário de Lassa (indústria e construção) gerou um valor adicionado na produção industrial de RMB 2,6 bilhões, representando apenas 26% do total da cidade. As principais indústrias da cidade incluem a da mineração, a de materiais de construção, o artesanato e a medicina tibetana. Em 2007, o setor terciário (serviços) representou 68,6% do PIB total da cidade. O turismo tem sido um pilar importante da atividade econômica. Lassa atraiu 2,7 milhões de turistas. O turismo gerou receitas de RMB 2,8 bilhões, aumento de 55,6% em relação ao ano anterior. Dentro do mesmo ano, o comércio exterior total de Lassa atingiu US$ 376 milhões, um aumento de 25,5% sobre 2006, representando 95,7% do total do Tibete. Os principais produtos exportação incluem fungos de lagartas chinesas (Cordyceps sinensis), lã, alho, produtos de madeira e nêspera, enquanto que os principais itens de importação são as escavadoras. O Japão, Hong Kong, os Estados Unidos e a Rússia são os principais parceiros comerciais da cidade.
Ferrovias
A nova Ferrovia Qinghai-Tibete, liga Lhasa a capital da província chinesa de Qinghai, Xining, em um percurso de cerca de 2000 quilômetros. É a mais alta estrutura ferroviária do mundo e se conecta a outras ferrovias, permitindo que se vá de Lhasa a Pequim de trem. Cinco trens chegam e partem diariamente da estação de trens de Lhasa. O trem numerado T27 leva 47 horas e 28 minutos da Estação Beijing West até Lhasa, chegando na cidade as 20:58 todos os dias. A passagem custa 389 yuans por um assento rígido, 813 yuans por um assento para dormir rígido ou 1262 yuans por um assento para dormir flexível. O trem T28 de Lhasa para Beiging West parte às 08:00 e chega em Pequim às 08:00 do terceiro dia, levando 48 horas. Também existem trens de Chengdu, Chongqing, Lanzhou, Xining, Guangzhou e Shangai para a cidade.
Aeroportos
O Aeroporto Gonggar de Lassa está localizado a uma hora de táxi do sul da cidade. Existem voos para muitas cidades chinesas, incluindo Pequim e Chengdu, e a capital do Nepal, Kathmandu. O aeroporto é servido por quatro empresas aéreas: Air China, China Eastern, China Southern Airlines e Sichuan Airlines.
Rodovias
A Rodovia Qinghai-Tibete(G109) corre para o noroeste até Xining e depois conecta-se a Pequim. É a rodovia mais usada pelos tibetanos. A Rodovia Sichuan-Tibete(G318) vai para o leste em direção a Chengdu e depois conecta-se a Shangai. A Rodovia xinjiang-Tibete(G219) segue para o norte até Yecheng, província de Xinjiang. Esta estrada é raramente usada devido a falta de postos de gasolina.
Lassa possui muitos locais de interessa histórico, incluindo o Palácio de Potala, Templo de Jokhang, Mosteiro de Sera, Templo de Zhefeng, Mosteiro de Drepung e Norbulingka. Entretanto, muitos locais importantes foram danificados ou destruídos na maior parte, mas não somente, durante a Revolução Cultural. inaA cidade contém três caminhos concêntricos usados por peregrinos para circundar (andar em volta) o sagrado Templo de Johkhang, muitos dos quais fazem prostrações total ou parcial ao longo dessas rotas a fim de ganhar mérito espiritual. O caminho mais interno, o Nangkor (Nang-skor), está contido dentro do Templo de Jokhang, e circunda o santuário de Jowo Shakyamuni, a estátua mais sagrada do budismo tibetano. O caminho do meio, o Barkor (Bar-skor), passa pela Cidade Antiga e circunda o Templo de Jokhang e várias outras construções em seus arredores. O caminho de fora, o Lingkor (Gling-skor) circunda toda a cidade tradicional de Lhasa. Devido a construção de uma grande rua, a Beijing Lam, o Lingkor não é geralmente usado pelos peregrinos.
De acordo com autoridades da região, 1,1 milhão de pessoas visitaram o Tibete em 2004. As autoridades chinesas tem um plano ambicioso de crescimento do turismo na região com o objectivo de 10 milhões de visitantes em 2020, estes visitantes são esperados para a maioria étnica chinesa. Os defensores de uma maior autonomia do Tibete estão preocupados que o aumento do turismo vai levar a uma erosão da cultura indígena do Tibete, em particular, esses defensores afirmaram que a renovação em torno de locais históricos, como o Palácio de Potala, um Patrimônio Mundial da UNESCO, são criações como a Disneylândia do local sagrado.


