Alexandra David-Néel
Alexandra David-Néel, pseudônimo de Louise Eugénie Alexandrine Marie David foi uma famosa escritora espiritualista, budista, anarquista, reformadora religiosa e exploradora francesa.
1868-1904: infância e juventude
Nascida em Paris, mudou-se com a família aos seis anos para Ixelles. O pai de Alexandra foi professor (e militante republicano aquando da revolução de 1848, amigo do geógrafo anarquista Élisée Reclus), e a sua mãe era uma mulher católica que quis dar-lhe uma educação religiosa. Alexandra frequentou durante toda a sua infância e adolescência a casa do anarquista Élisée Reclus. Este levou-a a interessar-se pelas ideias anarquistas da época (de Max Stirner, Mikhail Bakunin...) e pelas ideias feministas que a inspiraram a publicar Pour la vie. Por outro lado, converteu-se em colaboradora livre de La fronde, uma publicação feminista administrada de forma cooperativa por mulheres, criada por Marguerite Durand, e participou em várias reuniões do «conselho nacional de mulheres francesas» ou italianas embora tenha recusado algumas das posições adotadas nestas reuniões (por exemplo, o direito ao voto), preferindo a luta pela emancipação a nível económico, que era, segundo ela, a causa essencial da desgraça das mulheres que não podiam desfrutar de independência financeira. Por outro lado, Alexandra foi-se afastando destas « amáveis aves, de preciosa plumagem », referindo-se às feministas procedentes da alta sociedade, que esqueciam a luta económica que a maior parte das mulheres enfrentava.
1904-1911: como mulher casada
Em 4 de agosto de 1904 Alexandra casou em Tunes com Philippe Néel, conhecido no casino de Tunes, engenheiro-chefe dos caminhos-de-ferro tunisinos, de quem era amante desde 15 de setembro de 1900. Embora a sua vida em comum fosse por vezes tempestuosa, esteve sempre impregnada de respeito mútuo. A relação terminou definitivamente em 9 de agosto de 1911 com a sua partida para a segunda viagem à Índia (1911-1925). Não obstante, depois desta separação, ambos os esposos encetaram uma abundante correspondência que não acabaria senão com a morte de Philippe Néel em fevereiro de 1941. Infelizmente, desta correspondência só se conservam atualmente as cópias das cartas escritas por Alexandra; parece que as escritas pelo seu marido se perderam devido às tribulações de Alexandra na guerra civil chinesa, em meados da década de 1940.
Viagens e vida mística
Os seus interesses ideológicos atraíram-na desde cedo, por meio das famosas viagens. Com as largas estadias no Tibete foi adquirindo grande conhecimento dos lamas budistas. Alexandra chegou a passar longos anos de ensino e, muito curiosa, estava motivada a querer sempre ampliar o seu conhecimento. Em especial, uma prática, um jogo perigoso, algo que não deveria nunca ter conhecido, foi o início do seu particular inferno. Alexandra mostrou-se muito interessada por uma prática budista denominada criação de um tulpa. Os lamas budistas advertiram-na que era uma aprendizagem nada recomendável, pois consiste na criação de um fantasma gerado através da nossa mente. Alexandra foi advertida de que estas criações poderiam tornar-se perigosas ou incontroláveis. Demasiado tarde, pois Alexandra estava fascinada com tal ideia e ignorou a advertência dos seus educadores.


