Kofi Annan
Kofi Atta Annan GColL foi um diplomata ganês. Foi, entre 1 de janeiro de 1997 e 31 de dezembro de 2006, o sétimo secretário-geral da Organização das Nações Unidas, tendo sido laureado com o Nobel da Paz em 2001. Annan e as Nações Unidas foram correceptores do Prêmio Nobel da Paz de 2001 pela criação do Fundo Global de Luta contra Aids, Tuberculose e Malária para ajudar países em desenvolvimento em seus esforços para cuidar de seu povo.
Kofi Annan nasceu no distrito de Kofandros de Cumasi, Gana — a qual era, na época, colônia britânica da Costa do Ouro. Ele foi irmão gêmeo, o que dá uma posição de respeito na cultura de Gana. Sua irmã gêmea, Efua Atta, que morreu em 1991, compartilhava seu nome do meio Atta, que em fanti e acã significa justamente gêmeo. Annan e sua irmã nasceram em uma das famílias aristocráticas de seu país; tanto seus avós e seu tio eram chefes tribais. Na tradição antroponímica de acã, algumas crianças são nomeadas de acordo com o dia da semana em que nasceram, e/ou em relação a quantas crianças as precederam. Kofi em acã é o nome que corresponde a sexta-feira. De 1954 a 1957, Annan frequentou o colégio elitista Mfantsipim, um internato metodista em Cape Coast fundado na década de 1870. Annan disse que o colégio o ensinou "que o sofrimento em qualquer lugar preocupa pessoas em todo lugar". Em 1957, o ano em que Annan graduou-se em Mfantsipim, Gana tornou-se independente do Reino Unido.
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Em 1962, Kofi Annan começou a trabalhar como Diretor de Orçamento para a Organização Mundial da Saúde, uma agência das Nações Unidas (NU). De 1974 a 1976, ele trabalhou como Diretor de Turismo em Gana. No final dos anos 1980, Annan voltou a trabalhar para as Nações Unidas, onde foi nomeado secretário-geral Adjunto em três posições consecutivas: Gestão dos Recursos Humanos e Coordenador para as Medidas de Segurança do Sistema das Nações Unidas (1987–1990); Subsecretário-Geral para Planeamento de Programas, Orçamento e Finanças e de Controlador (1990–1992); e Operações de Manutenção da Paz (março de 1993 – dezembro de 1996). O Genocídio em Ruanda ocorreu em 1994 enquanto Annan dirigia a Operações de Manutenção da Paz. Em 2003 o ex-general canadense Roméo Dallaire, que foi comandante da força da Missão de Assistência das Nações Unidas para Ruanda, afirmou que Annan foi excessivamente passivo em sua resposta ao genocídio iminente. Em seu livro Shake Hands with the Devil: The Failure of Humanity in Rwanda (2003), o General Dallaire declarou que Annan reteve as tropas da NU de intervir para resolver o conflito, e de fornecer mais apoio material e logístico. Dallaire afirmou que Annan falhou em fornecer respostas aos seus repetidos faxes pedindo acesso a um depósito de armas; tais armas poderiam ter ajudado Dallaire a defender os quase extintos Tutsis. Em 2004, dez anos depois do genocídio em que um número estimado de 800 000 pessoas foram assassinadas, Annan disse, "Eu poderia e deveria ter feito mais para soar o alarme e reunir apoio".
Nomeação
Em 13 de dezembro de 1996, o Conselho de Segurança das Nações Unidas recomendou Annan para substituir o secretário-geral anterior, Boutros Boutros-Ghali do Egito, cujo segundo mandato enfrentou o veto dos Estados Unidos. Confirmado quatro dias depois pelo voto da Assembleia Geral, ele começou seu primeiro mandato como secretário-geral em 1 de janeiro de 1997.
Atividades
Em abril de 2001, Annan divulgou um "Apelo à Ação" com cinco pontos com o objetivo de vencer a pandemia de HIV/AIDS. Classificando-a como "prioridade pessoal", Annan propôs a criação de um Fundo Global de Luta contra Aids, Tuberculose e Malária para estimular o aumento dos gastos internacionais necessários para ajudar os países em desenvolvimento a confrontarem a crise. Em 10 de dezembro de 2001, Annan e as Nações Unidas foram juntamente premiados com o Prêmio Nobel da Paz, "por seu trabalho por um mundo melhor organizado e mais pacífico". Durante a preparação para a invasão do Iraque em 2003, Annan inquiriu os Estados Unidos e o Reino Unido a não invadir sem o apoio das Nações Unidas. Em setembro de 2004, em uma entrevista para a BBC, quando questionado sobre a autoridade legal da invasão, Annan disse que ele acreditava que não estava em conformidade com a CHARTER das NU e era ilegal.
Relações entre os Estados Unidos e as Nações Unidas
Kofi Annan apoiou seu secretário-geral adjunto, Mark Malloch Brown, que criticou abertamente os Estados Unidos em um discurso em 6 de junho de 2006: "A prática vigente de tentar usar a ONU, quase sub-repticiamente, como ferramenta diplomática e, ao mesmo tempo, eximir-se de apoiá-la contra seus críticos internos é simplesmente insustentável. Vocês vão perder a ONU de um jeito ou de outro. [...] Grande parte do discurso público que atinge o coração dos EUA tem sido deixada nas mãos dos seus [da ONU] detratores mais ruidosos, como Rush Limbaugh e a Fox News. Isso é o que eu quero dizer com diplomacia "sub-reptícia": o papel da ONU é praticamente secreto na América Central, enquanto é realçado no Oriente Médio e em outras partes do mundo."
Resolução n º 61/225: Dia Mundial do Combate ao Diabetes
Kofi Annan testemunhou a promulgação da Resolução 61/225 pela Assembleia Geral das Nações Unidas para estabelecer o Dia Mundial do Combate ao Diabetes. A Resolução foi a segunda Resolução da Assembleia Geral da ONU sobre uma questão relacionada à saúde (a outra sendo sobre HIV/AIDS). A Resolução 61/225 é a única questão sobre saúde a ser aprovada por consenso pela ONU. Patrocinada pela República da África do Sul e por Bangladesh, a Resolução foi aprovada em 20 de dezembro de 2006.
Cartas de despedida
Em 19 de setembro de 2006, Annan fez um discurso de despedida aos líderes mundiais reunidos na sede da ONU em Nova York, em antecipação de sua aposentadoria em 31 de dezembro. No discurso ele destacou três grandes problemas de "uma economia mundial injusta, a desordem mundial e o desprezo generalizado pelos direitos humanos e do Estado de Direito", que ele acredita "não ter resolvido, mas aguçado" durante seu tempo como secretário-geral. Ele também apontou a violência na África, e o conflito árabe-israelense como duas grandes questões que justificam atenção. Em 11 de dezembro de 2006, em seu discurso final como secretário-geral, entregue na Biblioteca e Museu Presidencial Harry S. Truman em Independence, Missouri, Annan lembrou a liderança de Truman's na fundação da Organização das Nações Unidas. Ele pediu aos Estados Unidos para voltarem à políticas externas multilateralistas do Presidente Truman, e a seguir a doutrina Truman que diz que "a responsabilidade dos grandes Estados é servir e não dominar os povos do mundo". Ele também disse que os Estados Unidos devem manter seu compromisso com os direitos humanos, "inclusive na luta contra o terrorismo".
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Logo após assumir o cargo em 1997, Annan lançou dois relatórios sobre uma reforma na gestão. Em 17 de março de 1997, O relatório "Gestão Organizacional e Medidas" (A/51/829) introduziu novos mecanismos de gestão através da criação de um órgão do gabinete para ajudá-lo e para agrupar atividades da ONU, de acordo com quatro missões principais. A agenda de reformas abrangente foi emitida em 14 de julho de 1997, intitulado "Renovar as Nações Unidas: um programa para a Reforma" (A/51/950). As principais propostas incluíram a introdução de gestão estratégica para fortalecer a unidade de propósito, a criação do cargo de secretário-geral adjunto, uma redução de 10 por cento nas postagens, uma redução dos custos administrativos, a consolidação da ONU a nível de país, e alcançar a sociedade civil e o setor privado como parceiros. Annan também propôs a realização da Cúpula do Milênio em 2000. Depois de anos de pesquisa, Annan apresentou o relatório de progresso, In Larger Freedom, para a Assembleia Geral da ONU em 21 de março de 2005. Annan recomendou a expansão do Conselho de Segurança e uma série de outras reformas na ONU.
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Após seu regresso a Gana, Annan foi imediatamente apontado como candidato para se tornar o próximo presidente do país. Ele envolveu-se com inúmeras organizações com foco tanto global quanto africano. Em 2007, Annan foi nomeado presidente do comitê de premiação do Mo Ibrahim Prize for Achievement in African Leadership, foi escolhido para liderar a nova formação da Aliança para a Revolução Verde em África (AGRA) , tornou-se membro do Global Elders, foi designado presidente do Fórum Humanitário Global em Genebra, e foi selecionado para o prêmio da Fundação MacArthur por Justiça Internacional. No começo de 2008, como chefe do Painel de Personalidades Africanas Ilustres, Annan participou de negociações para o fim da agitação civil no Quênia. Ele ameaçou abandonar as negociações como mediador, se uma decisão rápida não foi feita. Em 26 de fevereiro de 2008 ele suspendeu as negociações para acabar com a violência da crise pós-eleição do Quênia. Em 28 de fevereiro, Annan conseguiu que o presidente Mwai Kibaki e Raila Odinga assinassem um acordo de coalizão de governo e foi amplamente elogiado por muitos quenianos por esta conquista histórica. Este foi o melhor negócio realizado até então, sob os esforços de mediação.
Casamento
Kofi Annan se casou duas vezes. Sua primeira esposa foi a nigeriana Titi Alakija. Eles tiveram dois filhos, Kojo e Ama. Foi também casado com a advogada e artista sueca Nane Maria Annan, que tem uma filha, Nina, de seu casamento anterior.
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Annan morreu em 18 de agosto de 2018 num hospital de Berna na Suíça. As causas da morte não foram reveladas. A morte de Annan teve repercussão imediata na mídia mundial, com inúmeros líderes de estado do mundo todo lamentando o falecimento de Annan.


