Jonas Savimbi
Jonas Malheiro Sidónio Sakaita Savimbi foi um sociólogo, político e guerrilheiro angolano, líder da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) durante mais de trinta anos.
Jonas Malheiro Sidónio Sakaita Savimbi nasceu a 3 de agosto de 1934, na vila-comuna de Munhango, uma localidade pertencente ao município do Cuemba, na província Bié. Seu pai era Lotte Malheiro Savimbi, um funcionário da Companhia do Caminho de Ferro de Benguela e também pastor da Igreja Evangélica Congregacional em Angola (IECA). Sua mãe era Helena Mbundu Sakaita Malheiro Savimbi, trabalhadora doméstica. Os pais eram originários de Chilesso, uma aldeia de Andulo, na mesma província, pertencentes ao grupo bieno da etnia ovimbunda. Sakaita Savimbi — pai de Lotte, avô de Jonas — esteve envolvido nas batalhas contra os portugueses na Segunda Guerra Luso-Ovimbundo em 1902.
Juventude
Jonas Savimbi passou a sua juventude em Chilesso, onde frequentou o ensino primário e parte do ensino secundário em escolas da IECA. Como naquele tempo os diplomas das escolas protestantes não eram reconhecidos, repetiu a parte secundária no Huambo, numa escola católica mantida pelo Instituto dos Irmãos Maristas. Destacou-se academicamente e foi elegível para uma bolsa de estudos providenciada pela IECA estadunidense para concluir o ensino secundário e estudar medicina na Universidade de Lisboa, em Portugal, a partir de 1958. Não conseguiu matricular-se em medicina devido à recusa de frequentar o curso liceal obrigatório de "Organização Política Nacional", sustentado no espírito do salazarismo e do lusotropicalismo colonialista. O período em Lisboa, entretanto, lhe serviu para entrar em contacto com um grupo de estudantes angolanos vinculados ao Partido Comunista Português que propagavam em segredo a descolonização e discutiam a fundação de uma organização de luta anticolonial. Encontrou-se particularmente com Agostinho Neto, já uma importante liderança anticolonial, e que posteriormente se tornaria o primeiro presidente de Angola independente.
Luta anticolonial
Savimbi tornou-se membro da liderança da FNLA/UPA no exterior, com Roberto lhe garantindo extensos contactos entre os dirigentes africanos, o ocidente, a China e as Nações Unidas. Em novembro de 1961 viajou para Quinxassa para assumir como secretário-geral da FNLA/UPA. Na formação do Governo Revolucionário de Angola no Exílio (GRAE) em 1962, Savimbi recebeu o cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros. Mostrou excelentes habilidades diplomáticas, período em que passou a fortalecer seus contactos com a China e o Egito. As divergências com Roberto começaram a aparecer em função do conservadorismo e do tribalismo que este impunha aos rumos da FNLA/GRAE, completamente em desacordo com as opiniões de Savimbi, ainda um nacionalista de esquerda e republicanista radical. Outro ponto era a ambição de Savimbi por maior protagonismo no GRAE.
Protagonista da Guerra Civil
Numa fase inicial da Guerra Civil Angolana, as forças da FNLA e da UNITA, apoiadas principalmente pelo Zaire e pela África do Sul, obtiveram uma clara vantagem sobre o MPLA que teve apenas um certo apoio da parte de militares portugueses "reconvertidos". A situação mudou radicalmente quando Cuba decidiu intervir militarmente a favor do MPLA, com o suporte logístico da União Soviética. Na data marcada para a independência, a 11 de novembro de 1975, o MPLA dominava a capital, o litoral e a parte setentrional de Angola, conseguindo declarar a independência em Luanda, sendo imediatamente reconhecido a nível internacional como o governo legítimo. Face a este cenário político-militar, Jonas Savimbi fez uma aliança com a FNLA; juntos, os dois movimentos declararam, na mesma data e de forma simultânea, a independência de Angola no Huambo e no Ambriz e formaram a República Popular Democrática de Angola. Porém, as forças conjuntas do MPLA e de Cuba conquistaram rapidamente a parte maior da metade austral de Angola. O governo conjunto da FNLA e da UNITA, que não havia sido reconhecido por nenhum país dado as denúncias no exterior pela aliança com os estadunidenses e o regime sul-africano, dissolveu-se em fevereiro de 1976. A FNLA retirou-se por completo do território angolano e foi incapaz de fazer qualquer oposição armada relevante contra o MPLA. Com a derrota militar, Savimbi conduziu seus militantes na "Longa Marcha" até a base partidária de Sandona (Moxico). Lá, Savimbi realizou uma conferência da UNITA na qual, em 10 de maio de 1976, foi lido o "Manifesto do Rio Cuanza", onde declarava estar disposto a conduzir "vitoriosamente" a guerra, listando como inimigos o MPLA, Cuba e União Soviética.
Em fevereiro de 2002, Savimbi, juntamente com as forças especiais de Dembo, empreendeu uma travessia arriscada pela província do Moxico, sendo caçado pelas forças especiais governamentais do general Carlitos Simão Wala no vale do rio Luvuei. Foi morto em combate a 22 de fevereiro de 2002, perto da vila-comuna de Lucusse, pertencente ao município de Moxico-Luena, na província do Moxico, após uma longa perseguição efectuada pelas Forças Armadas Angolanas. Recebeu quinze tiros e morreu com uma arma na mão. Foi substituído no comando do partido e da autoproclamada República Popular Democrática de Angola por António Dembo. Em 2008, Francisco Lopes Gonçalves Afonso "Hanga", então comandante da Força Aérea Nacional de Angola, declarou sobre a morte de Savimbi: "Havia algo verdadeiramente mágico neste homem. Portanto, destruindo-o, não derrotamos a UNITA, libertamos a organização do seu feitiço".
Enterro e reenterro
Jonas Savimbi foi originalmente enterrado na cidade de Luena, capital provincial do Moxico. No seu túmulo, com a aprovação das autoridades, foi instalada uma placa memorial em bronze. A 3 de janeiro de 2008 um grupo de jovens militantes do MPLA cometeu um acto de vandalismo no túmulo. Os jovens foram detidos pela polícia e sofreram punição administrativa. Desde então reacendeu-se o problema político acerca da questão do reenterro de Jonas Savimbi que, de acordo com a UNITA, deveria seguir a tradição tribal. O corpo deveria ser levado de Luena ao Andulo, onde estão enterrados os seus ancestrais e familiares. A decisão final foi tomada numa reunião entre o líder da UNITA, Isaías Samakuva, e o presidente angolano João Lourenço, a 30 de maio de 2019.
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Savimbi teve 30 relacionamentos diferentes, entre esposas e amantes. Teve vários filhos de muitas mulheres e relacionamentos diferentes.
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Os filhos exilados de Savimbi processaram, na justiça francesa, a fabricante Activision Blizzard responsável pelo videogame Call of Duty: Black Ops II por difamação ao representá-lo como um "bárbaro". A família estava pedindo, à época (2016), 1 milhão de euros em danos. A família perdeu a batalha na justiça, que considerou que o processo continha falhas processuais e que eles não tinham jurisdição sobre o caso. Por ter lutado no processo de descolonização liderando um dos movimentos de libertação nacional, Jonas Savimbi é tido como uma das maiores personalidades de Angola no século XX.


