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Jomo Kenyatta

Jomo Kenyatta foi primeiro-ministro do Quênia de 1963 até 1964 e o primeiro presidente do Quênia de 1964 até 1978. É considerado o fundador da nação queniana.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 08/07/2026
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Primeiros anos

Kenyatta, da etnia kikuyu, recebeu o nome de Kamau wa Ngengi ao nascer na vila de Ngenda, Gatundu, na África Oriental Britânica (atual Quênia). Após a morte de seus pais, seu tio Ngengi e seu avô Kũngũ wa Magana o criaram. Ele ficou particularmente próximo de Kũngũ. Estudou na escola missionária escocesa de Thogoto e converteu-se ao cristianismo em 1914, assumindo o nome "John Peter", o qual posteriormente modificou para Johnstone Kamau. Durante a Primeira Guerra Mundial ele residiu com parentes de etnia masai em Narok. Em 1922, casou-se com Grace Wahu e trabalhou no departamento de águas. Seu filho Peter Muigai nasceu a 20 de novembro. Jomo Kenyatta ingressou na política em 1924 e se interessou pela atividade política de James Beauttah e Joseph Kang'ethe, líderes da KCA (Associação Central Kikuyu). Também se interessou por questões envolvendo terras dos kikuyu. Em 1928 começou a editar o jornal Muigwithania (Reconciliador).

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No exterior

Imagem: Prez001 · BY-SA · Openverse

Em 1929, Kenyatta vai para Londres como representante do KCA para tratar de interesses ligados à posse de terras dos kikuyu. Foi recebido pela West African Students' Union, uma associação inspirada por Marcus Garvey, que lhe ofereceu hospitalidade. É acompanhado por Isher Dass, um activista anticolonialista de origem indiana, que o coloca em contacto com a Liga contra o Imperialismo e o Partido Comunista da Grã-Bretanha. Seus artigos sobre revoltas negras são publicados pela revista comunista Sunday WorkerKenyatta retornou ao Quênia a 24 de Setembro de 1930 em meio a intensos debates sobre mutilação genital feminina. Ele e sua esposa foram recebidos em Mombassa por James Beauttah. Em seguida, Kenyatta foi trabalhar em escolas kikuyu em Githunguri. Em 1931 ele retornou ao Reino Unido e foi trabalhar em um colégio de Birmingham. Em 1932 e 1933, com o apoio financeiro de George Padmore, um rico ativista comunista e pan-africano de Trinidad, ele deixou a Grã-Bretanha para se estabelecer em Moscovo, onde estudou economia. Quando Padmore foi expulso do internacional comunista por "tendência à unidade racial contra a unidade de classes" e deixou a URSS, Kenyatta optou por interromper os seus estudos e regressar a Londres. Distancia-se, portanto, do movimento comunista, do qual parece ter-se aproximado apenas devido a uma rejeição comum do colonialismo, principalmente devido à atitude hostil de Padmore e aos seus camaradas comunistas em relação a certas práticas tribais (uma campanha contra a mutilação genital feminina nas colónias tinha sido iniciada no início dos anos 30). Em todo este período ele representou os interesses dos kikuyu referentes à posse de terras. Em 1938 ele publicou uma tese já sob seu novo nome, Jomo Kenyatta. Durante este período ele também foi um membro ativo de um grupo de intelectuais africanos, caribenhos e americanos que também incluiu C.L.R. James, Eric Williams, W.A. Wallace Johnson, Paul Robeson e Ralph Bunche. Kenyatta também trabalhou como figurante em um filme, Sanders of the River (1934).

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Retorno ao Quênia

Imagem: li yong · BY-SA · Openverse

Em 1946 Kenyatta fundou a Federação Pan-Africana, junto com Kwame Nkrumah. No mesmo ano retornou ao Quênia, casou-se pela terceira vez, e tornou-se professor titular no Kenya Teachers College. Em 1947 tornou-se presidente da União Africana do Quênia (KAU), passando a receber ameaças de morte de colonos brancos após sua eleição. Grace Wanjiku morreu em 1950 durante o parto de sua filha Jane Wambui. Em 1951 Kenyatta casou-se com Ngina Muhoho. Sua reputação, junto ao governo britânico, foi prejudicada por seu envolvimento com a rebelião Mau Mau. Preso em outubro de 1952, foi indiciado com mais seis pessoas sob acusação de “comandar e integrar" a Sociedade Mau Mau. O julgamento durou cinco meses. A principal testemunha de acusação cometeu perjúrio e o juiz, que recebera uma grande pensão pouco antes do julgamento, e que mantivera um contato secreto com Evelyn Baring, barão de Glendale durante o julgamento – era abertamente hostil à causa dos acusados. A defesa argumentou que os colonos brancos buscavam em Kenyatta um bode expiatório, e que não havia nenhuma evidência que o ligasse aos Mau Mau. Louis Leakey atuou como tradutor, e foi acusado de não traduzir corretamente por preconceito. Após Leakey, o missionário da Igreja Escocesa, Robert Philp, passou a atuar como tradutor da corte. Kenyatta foi sentenciado, em 8 de abril de 1953, a 7 anos de trabalhos forçados e permanente vigilância. Em seguida, foi mandado para o exílio em Lodwar, uma parte remota do Quênia.

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Liderança

Imagem: Unknown authorUnknown author · BY-SA · Openverse

O estado de emergência foi suspenso em Dezembro de 1960. Em 1961, os dois partidos que sucederam o antigo KAU, a União Nacional Africana do Quênia (KANU) e a União Democrática Africana do Quênia (KADU) exigiram que Kenyatta fosse libertado. A 14 de maio de 1960, Kenyatta foi eleito in absentia presidente do KANU. Ele foi solto em 21 de agosto de 1961 e admitido no Legislativo no ano seguinte, quando um membro do parlamento renunciou, contribuindo assim para a criação da nova constituição queniana. Sua tentativa inicial de reagrupar o KAU fracassou. O KANU ganhou 83 das 124 cadeiras nas eleições de Maio de 1963. A 1º de Junho Kenyatta tornou-se primeiro-ministro do governo autônomo do Quênia, tornando-se conhecido como mzee (palavra em Suaíli que significa ancião ou homem velho). Neste momento ele pediu aos colonos brancos que não deixassem o país e apoiou a reconciliação. Ele manteve o cargo de primeiro-ministro após a independência, declarada a 12 de Dezembro de 1963. Um ano mais tarde, a 12 de Dezembro de 1964, o Quênia tornava-se uma república, tendo Kenyatta como presidente.

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Família

Imagem: Wayan Vota · BY-NC-SA · Openverse

Kenyatta teve dois filhos de seu primeiro casamento, com Grace Wahu: o filho Peter Muigai Kenyatta (n. 1920), que posteriormente tornou-se ministro, e a filha Margaret Kenyatta (n. 1928), que foi prefeita de Nairóbi entre 1970-76. Grace Wahu morreu em Abril de 2007. Kenyatta teve um filho, Peter Magana Kenyatta (n. 1943) de seu curto casamento com Edna Clarke. A terceira esposa de Kenyatta, Grace Wanjiku, morreu durante o parto em 1950. A filha Jane Wambui sobreviveu. Sua quarta esposa foi Ngina Kenyatta (n. Muhoho), também conhecida como Mama Ngina. Ela quase sempre o acompanhava em público. Eles tiveram 4 filhos: Christine Wambui (n. 1952), Uhuru Kenyatta (n. 1963), Anna Nyokabi (também conhecida como Jeni) e Muhoho Kenyatta (n. 1964). Uhuru Kenyatta é atualmente o presidente do Quênia.

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