João Artur da Silva
João Artur da Silva é um artista e fotógrafo português que atualmente vive na Colúmbia Britânica, Canadá.
João Artur Cordeiro da Silva nasceu a 5 de outubro de 1928 no Monte Estoril, Portugal. É filho de Alfredo Lopes da Silva, empresário e de Georgina Cordeiro, a primeira escultora da Academia Nacional de Belas Artes. Cresceu em Cascais onde frequentou a escola privada internacional britânica St. Julian's School. Aos 18 anos, em vez de se juntar aos negócios do pai, João Artur começou a desenhar e pintar. No final da década de 1940, após participar em diversas exposições coletivas de arte em Lisboa, foi apresentado a Mário Cesariny, Cruzeiro Seixas e António Maria Lisboa do Grupo Surrealista de Lisboa (Os Surrealistas) por Mário-Henrique Leiria. Devido a estas ligações, a obra de João Artur foi exposta na 1ª Exposição Surrealista de Lisboa, em 1949. Continuou a expor com o Grupo Surrealista de Lisboa até 1953. Muitos dos artistas deste grupo eram abertamente críticos do regime de Salazar e a filiação de João Artur ao grupo dificultou a obtenção do passaporte até 1958. Quando finalmente conseguiu deixar o país, João Artur fixou residência no sudoeste de Manchester, numa propriedade em Wilmslow. Por lá, passou dois anos a trabalhar para uma exposição individual de esculturas e pinturas na Woodstock Gallery em Londres. Em Inglaterra, João Artur continuou a expor na Piccadilly Gallery de Londres, ao mesmo tempo que procurava novos meios artísticos, como os têxteis. Alguns dos seus designs, encomendados pela Hull Stafford Ltd, foram exibidos na exposição “Best Designs of 1960” no London Design Centre. No mesmo ano, várias pinturas e esculturas de João Artur foram expostas na reconhecida exposição Art Alive!.
Imagem: Rodrigo_Soldon · BY-ND · Openverse
João Artur iniciou a sua prática artística a trabalhar com óleos e guache . Durante o seu tempo em Inglaterra, começou a incorporar tinta à prova de água, o que lhe permitiu obter um efeito em camadas que lembrava vitrais . Essa técnica, que continuou a desenvolver ao longo da sua carreira, confere às suas pinturas uma estética geométrica. A sua prática escultórica também evoluiu ao longo dos anos, começando com um foco na forma linear e na sua interação expressiva com o espaço. Na década de 70, essas formas tornaram-se mais arredondadas e reconhecidamente humanas, uma tendência que permaneceu consistente no seu trabalho daquele momento em diante. As formas humanas das esculturas posteriores de João Artur contrastam com as terras despovoadas e as paisagens urbanas das suas pinturas. Embora João Artur tenha iniciado a sua carreira com os surrealistas de Lisboa, a sua estética já não se alinha com as técnicas surrealistas típicas. O próprio Cruzeiro Seixas admirou a sua aptidão técnica na mudança de formas docemente curvilíneas para formas angulares, quase agressivas. Em 1960, João Artur chamou à atenção do conceituado crítico de arte Eric Newton, que elogiou o escultor e pintor pelas suas obras bem construídas, "baseadas em triângulos de arestas vivas engenhosamente entrelaçados e dotados de harmonias agradavelmente variegadas e discretas... [cuja] estrutura matemática subjacente tem uma certa tensão"
Imagem: Rodrigo_Soldon · BY-ND · Openverse
A atividade expositiva de João Artur da Silva desenvolveu-se sobretudo a partir da década de 1950, tendo o artista apresentado a sua obra em Portugal e no Reino Unido. Durante o período em que viveu em Londres, entre 1958 e 1978, expôs em diferentes galerias e instituições e integrou o circuito artístico da cidade. Após regressar a Portugal na década de 1980 e, posteriormente, estabelecer-se no Canadá, em 1991, reduziu significativamente a sua participação em exposições públicas. A partir de 2024, a obra de João Artur da Silva voltou a ser apresentada regularmente em exposições, na sequência da representação do artista pela Perve Galeria. Em janeiro desse ano, realizou-se na Casa da Liberdade – Mário Cesariny, em Lisboa, a exposição individual Regresso, Desvelamento e Vida. Em abril, a sua obra foi apresentada numa exposição individual na feira internacional Art Vancouver, no Canadá, seguindo-se, em julho, uma exposição individual na Seattle Art Fair, nos Estados Unidos. Esta última constituiu a primeira exposição individual do artista nos Estados Unidos da América.


