Cascais
Cascais é uma vila portuguesa situada na Área Metropolitana de Lisboa, pertencente à região homónima e ao Distrito de Lisboa. Conta com 64 310 habitantes (2021) no seu perímetro urbano.
Cascais e o seu município encontram-se no extremo sul-ocidental da Península de Lisboa, que limita a norte com Sintra, a leste com Oeiras e a sul e a oeste com o Oceano Atlântico. Possui o seu ponto mais ocidental no Cabo Raso, e o mais oriental em Talaíde, na margem direita da Ribeira da Laje. O seu ponto mais setentrional, bem como o mais alto, encontra-se na Peninha, que se eleva em 465 metros. De forma semelhante aos restantes municípios da Península de Lisboa, apresenta um relevo cujos elementos mais marcantes da paisagem são normalmente os vales das ribeiras, estreitos e encaixados, e cujos exemplos mais relevantes são os vales das ribeiras da Foz do Guincho, das Vinhas, da Penha Longa, de Caparide e Ribeira da Laje. Acrescentam-se a estes alguns relevos pontuais, como são o Cabeço de Mouro, o Alto de Bicesse e o Monte da Cabeça Gorda. O quadrante nordeste é dominado pela Serra de Sintra, sendo aí que se registam as maiores altitudes que vão diminuindo suavemente quando mais a sul, na sua transição para a plataforma de Cascais. Esta plataforma, bastante regular, possui uma vertente suave para sul (até ao Cabo Raso) e corresponde a uma superfície de abrasão marinha. A altitude média nestas áreas encontra-se entre os 250 e os 350 metros (Malveira da Serra, Janes, Biscaia), sendo que raramente ultrapassa os 400 metros Nesta zona, a costa é predominantemente escarpada, com a formação de várias grutas como a Boca do Inferno, e cujas arribas podem chegar aos 100 metros. A única exceção dá-se na zona da Praia Grande do Guincho, uma extensa área arenosa que, a nível hidrológico, potencia a ocorrência de fenómenos de infiltração e a desorganização da rede de drenagem. A predominância dos ventos frescos de norte leva à formação de dunas, que se prolongam desde a Cresmina até à zona de Oitavos, onde se situa a única duna consolidada do município.
O município está atualmente dividido em quatro freguesias (Alcabideche, Carcavelos e Parede, Cascais e Estoril e São Domingos de Rana), que anteriormente à reforma administrativa de 2013 eram seis (com Cascais, Estoril, Carcavelos e Parede como entidades autónomas). Por sua vez, as freguesias integram várias localidades definidas geograficamente mas sem valor administrativo. Várias localidades concelhias encontram-se divididas entre freguesias (caso de Atibá, Pau Gordo, Penedo, Rebelva) e entre municípios (Cabra Figa — cuja área no município adquire o nome de Pomar das Velhas —, Carrascal de Manique — com a AUGI do Barrunchal pertencente à freguesia de Sintra — e Talaíde, cujo contínuo urbano se expande para Oeiras [onde se inclui o Taguspark] e Sintra [Casal do Penedo, em Rio de Mouro]).
Existem várias linhas de água em Cascais, divididas por duas regiões hidrográficas, que possuem importância por marcarem, juntamente com a Serra de Sintra, a orografia do município. A maioria delas são de curta extensão e não possuem caudal durante a maior parte do ano. Para além dos cursos de água, existem também três áreas de interesse hidrogeológico para a recarga e proteção de aquíferos. No quadrante ocidental do município encontra-se o Sistema Aquífero de Pisões-Atrozela. A delimitação deste sistema foi efetuada numa cooperação entre o Instituto da Água e o Centro de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, sendo o único aquífero existente no norte da Área Metropolitana de Lisboa. Para além deste aquífero, existe também o Maciço Subvulcânico de Sintra e as áreas de Calcários e Arenitos do Cretácico da região de Cascais. Está também presente em território concelhio uma albufeira de águas públicas classificadas de utilização protegida, a do Rio da Mula, situada na Malveira da Serra e pertencente à bacia hidrográfica do mesmo rio.
Linhas de água
O município de Cascais possui diversos sistemas ribeirinhos que se dividem entre as regiões hidrográficas do Vouga, Mondego, Lis e Ribeiras do Oeste e a Região Hidrográfica do Tejo. A primeira ocupa apenas o extremo noroeste do município, sendo delimitada pela bacia hidrográfica da Ribeira da Foz do Guincho, e contando com onze bacias hidrográficas. Nesta região, a orientação dos cursos de água dá-se de nordeste para sudoeste. Os restantes cursos de água de Cascais pertencem já à Região Hidrográfica do Tejo, caracterizando-se pela sua maior extensão e caudal relativamente às primeiras. Dentro do município, esta região hidrográfica é dividida por 15 bacias hidrográficas cujas linhas de água, vindas de norte, desaguam na sua costa sul
Águas balneares
O município de Cascais possui diversas praias, diversificadas entre si e pertencentes à zona designada por Costa do Estoril. Destas, duas apresentam atualmente uso suspenso devido à falta de segurança decorrente da inexistência de sedimentos: a Praia da Baforeira e a Praia do Abano. Em 2016, a grande maioria das águas balneares do município apresentaram níveis de água excelentes, excetuando-se apenas as da Duquesa e Conceição. Para além das praias constantes dos Planos de Ordenamento da Orla Costeira, existem outras dez, a norte do Abano, de difícil acesso e extensão média de 60 m. As praias do ocidente do município, inseridas no Parque Natural de Sintra-Cascais, apresentam-se como aquelas com maior afluência para a prática de desportos aquáticos, sendo aí realizados campeonatos mundiais de várias modalidades. É também de destacar a Praia da Parede, procurada pelas suas características terapêuticas graças à exposição ao iodo e ao sol. As praias do município são geralmente estreitas e curtas, à exceção da Praia Grande do Guincho e da de Carcavelos, e recebem em média 10 horas de sol na época balnear, com ausência de precipitação e temperaturas médias da água de 15º a 19º e do ar de 18º a 28º. Todas elas possuem uma hidrodinâmica dominada pela maré, semi-diurno e mesotidal de 2-4 m, estando moderadamente expostas. Na costa sul, as praias pertencem à Região Hidrográfica do Tejo e são de tipologia urbana, regidas pelo POOC Cidadela–São Julião da Barra. As praias da costa oeste são de tipologia não urbana e regidas pelo POOC Sintra–Sado, já na Região Hidrográfica das Ribeiras do Oeste.
O município de Cascais apresenta um clima mediterrânico de verão fresco (Classificação climática de Köppen-Geiger: Csb). Os invernos são bastante suaves, sendo um dos locais mais aprazíveis da área metropolitana graças ao efeito de ilha urbana, à proximidade com o mar, à boa exposição ao sul, à serra de Sintra (que abriga parte do município dos ventos norte) e à passagem da corrente quente do golfo. Os verões seguem a mesma tónica, devido ao facto de este ser o município mais ocidental de Portugal, por conseguinte possuindo uma maior proximidade do oceano. Em concreto, deve-se ao afloramento costeiro causado pelos ventos de norte, que fazem emergir as águas mais fundas e frias e afastam as águas mais quentes, de superfície.
Definida pelo Ministério de Obras Públicas e Transportes como «a manifestação externa, imagem, indicador ou chave dos processos que têm lugar no território, quer correspondam ao âmbito natural ou ao humano», esta tem sofrido nas últimas décadas, no município de Cascais, uma crescente degradação. Foram delimitadas no âmbito do Plano Diretor Municipal de Cascais diversas unidades de paisagem que ponderam a integração dos elementos naturais (topografia, hidrologia, fauna ou a flora) e culturais/humanas (economia e história) de cada zona, onde estas se «apresentam com um padrão específico, e a que está associado um determinado carácter». Em Cascais, foram caracterizadas seis unidades de paisagem que, por sua vez, se dividem em macro-unidades de paisagem:
O município sofreu, desde meados do século XX, um elevado crescimento demográfico, o que se traduziu numa construção desordenada e dispersa, ocupando áreas de importância em termos ecológicos. A estrutura ecológica municipal foi sendo relegada para segundo plano em relação a estruturas habitacionais, de transportes e sociais. As atuais normas para espaços verdes urbanos indicam que o município carece de espaços verdes principais, cuja área mínima deveria ser de 510 hectares. Em Cascais, está definida uma Rede Ecológica Concelhia, que define a sua «Estrutura Verde Principal» e «Secundária», integrada na Rede Ecológica Metropolitana. As áreas de influência das principais linhas de água concelhias (as linhas de água, as zonas com bons solos e as áreas sujeitas a cheias, as zonas de máxima infiltração e as cabeceiras das ribeiras) concentram em algumas das suas zonas o pouco que resta do património natural de Cascais, e integram a Rede Ecológica Metropolitana. Em Cascais, outras ligações naturais apontadas como vitais para a Rede Ecológica Concelhia são as ribeiras de Manique, Marianas, Carcavelos e Laje. O quadrante noroeste do município encontra-se ocupado pelo Parque Natural de Sintra-Cascais, classificado no PROT-AML como uma Área Estruturante Primária e em conjunto com os anteriores, contribui para a salvaguarda dos componentes naturais e humanos, solo, água, flora e fauna, e paisagem de grande valia.
Parques urbanos
Um correto ordenamento do território exige, no mínimo, 10 metros quadrados de espaços verdes secundários por habitante, o que em Cascais implicaria entre 170 e 310 hectares deste tipo de espaços. O município possuía, até meados de 2000, quatro parques urbanos (Parque Marechal Carmona, Parque da Ribeira dos Mochos, Parque Palmela e a Quinta da Alagoa), apenas complementados pelos Espaços Verdes de Área Reduzida, mantidos pelos moradores. A estes foram adicionados, mais recentemente, outros, como o Parque Morais, o Bosque dos Gaios e os Parques Urbanos do Outeiro de Polima, da Quinta de Rana, das Penhas do Marmeleiro e do Outeiro dos Cucos. Existem também vários parques infantis espalhados por todo o território concelhio.
Quintas
De passado agrícola, o município foi outrora pontilhado por quintas onde os seus proprietários buscavam aliar o caráter de recreio e lazer à função agrícola. Situavam-se em zonas do interior do município, onde os solos eram férteis e os recursos naturais abundantes, tendo desaparecido progressivamente a favor da urbanização de diversas zonas e com o declínio da atividade agrícola, sendo fragmentadas e hoje praticamente reduzidas às às áreas de habitação e suas dependências. As mais afamadas devem a sua notoriedade à produção do Vinho de Carcavelos, hoje produzido nas Quintas da Ribeira e dos Pesos (Caparide), da Samarra (Livramento) e na Quinta do Marquês (Oeiras).
Flora
O município de Cascais inclui-se no Reino Holártico e na região biogeográfica mediterrânica. A sua flora divide-se por duas unidades principais, a primeira das quais se encontra na Serra de Sintra, um maciço granítico, e a outra a sul, na área mais aplanada da Plataforma de Cascais cujos solos são de natureza calcária. Nas encostas graníticas da serra, dão-se florestações de pinheiro e eucalipto, bem como espécies invasoras como as acácias e pitósforos-ondulados. Restam alguns indivíduos dispersos de sobreiro e medronheiro, com uma sub-coberta de tojais e urzais, assim como formações de carvalhiça. Nas zonas calcárias, a vegetação característica é composta por bosques de carvalho-cerquinho e zambujais, sendo que os primeiros possuem um peso residual devido às alterações humanas e a sua área potencial limita-se aos vales frescos das ribeiras dos Marmeleiros e Penha Longa. Atualmente, no seu lugar, encontram-se matagais de carrasco, tojais de tojo-durázio e prados vivazes de braquipódio ricos em orquídeas. Os zambujais, por sua parte, podem ocorrer potencialmente em toda a área calcária do município incluindo em solos basálticos e calcários mais pesados (vertissolos), mas a sua presença é novamente escassa devido ao uso tradicionalmente agrícola destes solos. Assim, estas zonas estão cobertas por etapas mais baixas da sucessão ecológica (carrascais ou espinhais de carrasco, estrepe, espinheiro-preto, sanguinho-das-sebes e madressilva-caprina, e tojais de tojo-gatunho e salva-do-sul em mosaico com arrelvados vivazes de Brachypodium phoenicoides e panasco), que são delimitadas normalmente por sebes espinhosas de abrunheiro-bravo, que também ocorrem pelos muros de pedra solta que separavam os campos agrícolas. Nos campos agrícolas onde os solos se encontram alterados, caso também das zonas urbanas e margens de caminhos, surgem espécies vivazes nitrófilas (caso da tágueda, talha-dente e funcho).
O município de Cascais possui uma grande diversidade de formações geológicas, de características litológicas, idades e espessuras diferentes, variadas inclinações e direções das camadas geológicas, com morfologia e estruturas diversificadas. A maioria do município de Cascais é moldado pelo Maciço Eruptivo de Sintra, de especial importância em termos geológico, orográfico e climático. De forma elíptica alongada, seguindo um eixo este-oeste, consiste num conjunto de rochas magmáticas, com um núcleo de rochas sieníticas, envolvidas por um anel granítico e um anel gabro diorítico descontínuo. Encontram-se os seus afloramentos nas zonas a norte e noroeste do município, com granitos, gabros, dioritos e sienitos. O maciço data de há 82–75 milhões de anos (final do Cretácico), fazendo ascender correntes de magma que arrefecem no interior da crosta terrestre, dando origem às rochas já referidas. Devido a isto, os estratos mais antigos do Jurássico Superior e do Cretácico foram deformados e metamorfizados, o que origina uma série de filões de rochas paralelos e perpendiculares ao maciço, compostos de basalto, traquibasalto, riolítico e rochas alteradas não identificadas.
O Brasão de Cascais remonta aos trabalhos do arqueólogo Affonso Dornellas, em 1930, por disposição do Ministério do Interior. Nos quatro anos posteriores, seriam desenvolvidos vários esboços que acabariam por não ser aprovados na sessão da Comissão Administrativa da Câmara Municipal, a 15 de Junho de 1934. O desenho do selo foi também remetido em Abril desse ano. O selo da vila é encabeçada por uma coroa mural em prata, seguida de um escudo onde se inclui um castelo vermelho. Este simboliza a primeira sentinela de defesa da entrada do Tejo e, portanto, Lisboa. A cor vermelha tem como significados a vida, alegria, sangue e força, bem como a guerra, os ardis e a vitória. O campo de armas é dominado pela cor cinza, e remetem para a humildade e riqueza enquanto qualidades naturais da região. No seu umbigo, por debaixo do castelo, encontram-se uma capa de rochedos sobrepostos à cor preta, por debaixo do qual se encontra um ondado de prata e verde sobreposto de uma rede amarela, que simboliza a vida ativa e o sustento dos seus habitantes.
Pré-história
A presença humana no atual território do município de Cascais dá-se pela primeira vez na pré-história, em cerca de 2000 a.C., com a presença de alguns povos nómadas do Paleolítico Inferior. Estabelecendo-se em povoados, teriam feito uso de objetos de sílex e quartzito, juntando-se, no Paleolítico Superior, objetos feitos também a partir de osso, que se traduziram em numerosos utensílios recolhidos na zona costeira do Guincho, entre as quais uma mó neolítica. O primeiro povoado desta origem conhecido no município situava-se na atual Alameda do Casino, no Estoril, com alguns materiais recolhidos por Félix Alves Pereira. Porém, é na zona da Parede que se dão as descobertas mais transcendentes. No Murtal foi reconhecido outro povoado por Leonel Ribeiro, sendo descoberto outro novo assentamento em 1953, no decorrer de escavações na zona do Bairro Octaviano (Parede). Concluídas em 1957, estas permitiram verificar que a sua parte inferior consistia de uma camada de terras intacta, com diversos materiais arqueológicos. A este sítio, considerado por Manuel Afonso do Paço como «o documento mais antigo e precioso de Cascais», deu-se o nome de Parede I. Outros materiais arqueológicos aí encontrados, mais tardios e sob o nome de Parede II, levam a crer que os primitivos habitantes do município vivessem da agricultura e da criação de gado, bem como da caça e da pesca. Sobre estas primeiras populações, outras se instalariam, desta vez muito mais prósperas e conhecedoras da metalugia do cobre, possuindo cerâmicas várias e decoradas a primor, ao lado de uma série de artefactos de calcário, bem como botões, contas, etc.
Idade Antiga
A época romana evidencia uma exploração intensiva do território e da própria Cascale, graças aos complexos industriais aí identificados e às villas exumadas, que se explicam pela grande proximidade geográfica com a grande urbe de Olisipo. Apesar disto, o território concelhio consistia de povoados dispersos (sobretudo pelas áreas de Cascais, Estoril, Alcabideche e São Domingos de Rana), de vilas e casais isolados e sem um núcleo urbano de relevo que permitisse um desenvolvimento mais acelerado destas áreas. Este período permite também caracterizar melhor os diversos sítios arqueológicos do município, sendo que alguns deles foram continuamente ocupados, caso dos Casais Velhos, uma vila situada na Rua de São Rafael, na Areia, e que foi encontrada nas escavações de Afonso do Paço e Fausto de Figueiredo de 1945. Consiste de um conjunto de estruturas tardo-antigas (séculos III/VI), dominadas por um importante edifício termal, composto do frigidário, de uma sala tépida de transição (tepidário) e do prefúrnio, destinado ao aquecimento do ar que circulava sob o pavimento e da própria água dos tanques, de configuração semicircular. Nas proximidades foi identificado um tanque de grandes dimensões, possivelmente o natatio, que era abastecido por um aqueduto a partir de uma nascente. Da pars rustica, com dois compartimentos, foram identificadas duas pequenas tinas revestidas a opus signinum, juntamente com conchas de búzio, o que levou alguns especialistas a crer que os habitantes desta villa se dedicassem à indústria da tinturaria de tecidos e/ou curtumes.
Idade Média
As zonas da estremadura portuguesa onde se incluem Sintra e Lisboa integram-se no Reino de Portugal em 1147. Embora sem mudanças nas dinâmicas territoriais, a conquista favorece o povoamento dos territórios mais a sul do reino. Assim, este período traduz-se numa grande época de fundação e/ou consolidação de póvoas marítimas que garantissem condições para a fixação da povoação, o escoamento das produções, que permitissem sustentar um comércio marítimo em desenvolvimento ao mesmo tempo servindo uma função de defesa da costa. Ao sítio da atual vila acorrem lavradores, pescadores e outros mareantes, fazendo surgir uma pequena aldeia que vai crescendo progressivamente até ser referenciada pela primeira vez, a 11 de Maio de 1282, quando D. Dinis transmitiu ao concelho de Tavira as normas de conduta usadas pelo alcaide do mar de Lisboa. Estes ter-se-iam fixado no «Alto do Longo» ou «Monte Lombo», a noroeste do atual centro da vila, antes de se fixarem junto ao mar. O porto de Cascais transformara-se por então numa importante via de escoamento da produção agrícola de Sintra para Lisboa, bem como numa importante base de abastecimento de pescado para Lisboa. No eclesiástico, seria a 10 de Dezembro de 1253 que Cascais se integraria na paróquia de São Pedro de Penaferrim, situação que se manteria até 1523.
Idade Moderna
Cascais e o seu porto, ao longo da expansão marítima do século XV, era o centro económico e comercial de um pequeno interior com grande parte da produção proveniente da região de Sintra e uma escala obrigatória para todos os movimentos marítimos com destino a Lisboa. Foi na baía de Cascais que desembarcou no regresso da sua primeira viagem à América Cristóvão Colombo, na manhã de 4 de Março de 1493. Foi na baía de Cascais que, perdido dos outros navios da esquadra de torna-viagem, desembarcou Nicolau Coelho a 10 de Julho de 1499, chegando ao Palácio de Sintra com a boa notícia da chegada à Índia, que veio desencadear o regozijo geral e grandes recompensas.
Idade Contemporânea
Cascais é ocupada, a 30 de Novembro de 1807, pelas tropas francesas de Junot, uma situação que se manteria até 2 de Setembro de 1808 em virtude da assinatura da Convenção de Sintra e do avanço da esquadra britânica pelo Tejo. Um ano mais tarde, seria constituída entre os fortes de São Domingos de Rana e de São João das Maias a 3.ª Linha de Torres, com vista a uma eventual evacuação das tropas inglesas, da qual faziam ainda parte mais de uma dezena de fortificações provisórias – os redutos – unidas por linha de trincheiras. As lutas liberais fazem servir como prisão a Fortaleza de Nossa Senhora da Luz, onde foram encarcerados os opositores de D. Miguel, e sendo alcunhada de «o Inferninho». A vila e o termo continuam a sofrer as consequências do Terramoto de 1755, do qual ainda não conseguiram recuperar totalmente. Assim, assiste-se a um período de decadência acentuado pela extinção de ordens religiosas e pela retirada do Regimento de Infantaria 19, enquanto a população, espalhada por pequenas aldeias, se dedica sobretudo à agricultura.
Topónimo
A origem do topónimo Cascais é incerta, contudo, José Leite de Vasconcelos avança no seu Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa a probabilidade de que derive do substantivo cascal, referindo-se assim a um amontoado de cascas. Estes seriam montes de conchas e detritos calcários de crustáceos abundantes na então pequena aldeia de pescadores. Esta mesma hipótese é afirmada com rotundidade por J. Diogo Correia na sua Toponímia do concelho de Cascais. Os restantes topónimos do município apresentam influências variadas, sobretudo herdados das diferentes épocas de ocupação por povos históricos, caso dos árabes (Alcabideche, Almuinhas Velhas, Talaíde) e dos romanos (Bicesse, Caparide, Mealha, Tires). Para além destes, também é significativa a presença de topónimos alusivos aos seus ocupantes posteriores ou às suas terras de origem, como é o caso da Biscaia ou da Galiza, e de antigos casais cujo nome deriva dos apelidos dos seus proprietários (Abucharda, Azarujinha, Douroana, Janes, Mato Romão, Monte Leite). De forma semelhante, a partir de regionalismos foram atribuídos diversos nomes a terras concelhias (Atibá, Birre, Cadaveira, Cassanito, Cobre, Quenena, Rebelva). Por fim, os restantes nomes de lugar fazem referência às características próprias dos sítios onde se inserem as povoações (caso da Amoreira, Arneiro, Busano, Murtal, Parede ou Zambujeiro).
Ao longo das últimas décadas, e a par do que se observou nos restantes municípios da área metropolitana, Cascais sofreu um forte aumento populacional em conjunto com a melhoria das suas acessibilidades e o aumento do ritmo de construção. Na década de 90, este aumento populacional foi de 11,3%, que aumentou para 21% entre 2001 e 2011 — um crescimento absoluto de 35 746 habitantes. Se a urbanização e consolidação de novos núcleos populacionais se deu originalmente ao longo da costa, são na atualidade as freguesias do interior que experienciam com maior intensidade esse crescimento, apresentando um aumento populacional superior à media concelhia. .mw-parser-output .ambox{border:1px solid #a2a9b1;border-left:10px solid #36c;background-color:#fbfbfb;box-sizing:border-box}.mw-parser-output .ambox+link+.ambox,.mw-parser-output .ambox+link+style+.ambox,.mw-parser-output .ambox+link+link+.ambox,.mw-parser-output .ambox+.mw-empty-elt+link+.ambox,.mw-parser-output .ambox+.mw-empty-elt+link+style+.ambox,.mw-parser-output .ambox+.mw-empty-elt+link+link+.ambox{margin-top:-1px}html body.mediawiki .mw-parser-output .ambox.mbox-small-left{margin:4px 1em 4px 0;overflow:hidden;width:238px;border-collapse:collapse;font-size:88%;line-height:1.25em}.mw-parser-output .ambox-speedy{border-left:10px solid #b32424;background-color:#fee7e6}.mw-parser-output .ambox-delete{border-left:10px solid #b32424}.mw-parser-output .ambox-content{border-left:10px solid #f28500}.mw-parser-output .ambox-style{border-left:10px solid #fc3}.mw-parser-output .ambox-move{border-left:10px solid #9932cc}.mw-parser-output .ambox-protection{border-left:10px solid #a2a9b1}.mw-parser-output .ambox .mbox-text{border:none;padding:0.25em 0.5em;width:100%}.mw-parser-output .ambox .mbox-image{border:none;padding:2px 0 2px 0.5em;text-align:center}.mw-parser-output .ambox .mbox-imageright{border:none;padding:2px 0.5em 2px 0;text-align:center}.mw-parser-output .ambox .mbox-empty-cell{border:none;padding:0;width:1px}.mw-parser-output .ambox .mbox-image-div{width:52px}@media(min-width:720px){.mw-parser-output .ambox{margin:0 10%}}@media print{body.ns-0 .mw-parser-output .ambox{display:none!important}}


