Italianos
Os italianos são uma etnia da Europa Ocidental, primariamente associados à língua italiana. São um grupo étnico que vive predominantemente na região da península Itálica e, através da emigração italiana, em países como Brasil, Argentina, Estados Unidos, Venezuela, Colômbia, Paraguai, Chile, Alemanha, França, Uruguai, Canadá e Austrália.
A história genética dos italianos atuais foi muito influenciada pela geografia e pela história. Os ancestrais da maioria dos italianos são identificados como povos itálicos (dos quais os mais notáveis são os latinos, mas também os úmbrios, sabinos e outros) e é geralmente aceito que as migrações dos povos germânicos que se seguiram durante os séculos após a queda do Império Romano não alteraram significativamente a composição genética dos italianos, por causa do número relativamente pequeno de invasores, em comparação com a grande população que constituía a Itália romana. O povo italiano é, geneticamente, um dos mais diversos da Europa. Diferentes populações se estabeleceram no atual território italiano ao longo dos milênios: agricultores do Oriente Próximo, itálicos, lígures, etruscos, fenícios, gregos, celtas, ostrogodos, lombardos, francos, normandos, árabes, berberes, albaneses, austríacos entre outros. Todos eles deixaram seu legado genético na atual população italiana, alguns em proporções maiores, outros superficialmente.
Do Paleolítico ao Neolítico
Todas as populações humanas não africanas descendem de um único grupo que saiu da África há, pelo menos, 60 mil anos, se fixando no Oriente Médio, dali migrando para a Europa pela primeira vez há 45 mil anos. A Europa vem sendo habitada por seres humanos há pelo menos 40 mil anos. Todas as populações humanas não africanas descendem de um único grupo que saiu da África há cerca de 100 mil anos e foi para o Oriente Médio. Assim, africanos e asiáticos foram os responsáveis pelo povoamento do continente europeu, mesmo que essas migrações tenham ocorrido em momentos diferentes e talvez repetidamente. Durante o Último máximo glacial, que durou aproximadamente entre há 26,5 mil anos e 19 mil anos, grande parte da Europa estava coberta pelo gelo, tornando praticamente impossível a presença humana. Dessa forma, os europeus paleolíticos foram forçados a se fixar em regiões mais ao sul de clima mais ameno, como a Itália.
Povos itálicos
Na Idade do Bronze, chegaram à Europa, vindos da Estepe Pôntica, povos proto-indo-europeus, que inicialmente migraram para os Balcãs há cerca de seis mil anos. Dali, subiram o rio Danúbio e invadiram a Europa Central e Ocidental a partir de 4,5 mil anos atrás. Acredita-se que um povo do ramo indo-europeu, falante de uma língua proto-itálica, cruzou os Alpes e invadiu a Itália há cerca de 3 200 anos, estabelecendo a cultura Villanova. Essas tribos itálicas conquistaram toda a península, mas se estabeleceram principalmente no norte e centro da Itália, sobretudo ao longo do rio Pó e na Toscana, se miscigenando com as populações que já viviam ali. Durante o fim da Idade do Bronze e o começo da Idade do Ferro, outras tribos indo-europeias se estabeleceram no norte da Itália, tais como os lígures na Ligúria, os lepôncios e os gauleses no Piemonte e os vênetos no Vêneto.
Etruscos, fenícios, gregos e romanos
Entre 1200 e 539 a.C., os fenícios construíram um vasto império comercial que se estendia do Líbano, sua terra de origem, passando pelo sul do mar Mediterrâneo até atingir a Península Ibérica. Na Itália, eles tiveram colônias no oeste da Sicília e no sul e oeste da Sardenha. Outro povo que habitou a Itália foram os etruscos, que apareceram por volta de 750 a.C.. A sua origem continua um mistério: alguns acreditam que eram originários da Anatólia, mas ainda não há certeza quanto a isso. Os etruscos falavam uma língua não indo-europeia e que não tem nenhuma relação com nenhum outro idioma antigo à parte do rético dos Alpes e do lêmnio da região do mar Egeu. É provável que os etruscos vieram de algum lugar do Mediterrâneo Oriental e impuseram seu idioma sobre as tribos itálicas que viviam na Toscana e ao longo do rio Pó.
Germânicos e bizantinos
Nos séculos IV e V, tribos germânicas e eslavas migraram para o sul e oeste e invadiram o Império Romano em busca de terras férteis. Os vândalos foram os primeiros a chegar à Itália e, em seguida, foram para a Península Ibérica, para onde rumaram para o Magrebe em 429, onde fundaram um reino que também englobava a Sicília, Sardenha e Córsega. Ao longo do século V, vários povos germânicos se estabeleceram na Península Itálica, como os ostrogodos, que reinaram sobre toda a Itália, exceto a Sardenha, até 553. Eles foram sucedidos pelos lombardos (568-774), também germânicos, que tiveram que lutar pelo controle da Itália com os bizantinos. Os lombardos se estabeleceram mais densamente no nordeste italiano e na Lombardia, que recebeu este nome por causa deles.
Francos, árabes e normandos
Os francos conquistaram o Reino Lombardo em 774. Ao contrário de outros povos germânicos, a intenção dos francos não era encontrar uma nova pátria. Consequentemente, eles não imigraram em massa para a Itália, limitando-se a trazer soldados e administradores, que não eram necessariamente de ascendência franca, mas também galo-romana. O seu impacto étnico na Itália foi, portanto, pouco expressivo. Logo após a chegada dos francos, os sarracenos, de origem árabe, invadiram a Sicília e o Sul da Itália, onde estabeleceram um emirado (831-1072). A maioria desses muçulmanos saiu da Itália após a conquista normanda no século XI. Os normandos, oriundos da Normandia e descendente de vikings dinamarqueses, invadiram a Sicília em 1061 e conquistaram toda a ilha em 1091.
Características físicas
A maioria dos italianos, em todas as regiões do país, tem cabelos e olhos escuros. Segundo uma pesquisa, realizada no século XIX com milhares de italianos, a cor do cabelo da população italiana foi assim descrita: Existe, contudo, variação regional. A proporção de pessoas com cabelos escuros vai aumentando do Norte para o Sul. Assim, no Vêneto (norte), 12,56% da população tem cabelos loiros, 61,73% castanhos e 24,93% pretos. Por outro lado, na Ilha da Sardenha (sul), apenas 1,72% tem cabelos loiros e 43,39% castanhos e 54,64% pretos. No tocante à cor do olhos, a distribuição na Itália foi a seguinte: Em relação à cor da pele, um estudo comparou quatro populações europeias, oriundas de Dublin (Irlanda), Varsóvia (Polônia), Roma (Itália) e Porto (Portugal). Nessa amostra, os irlandeses tinham o tom de pele mais claro, seguidos pelos poloneses. Portugueses do Porto apresentaram pele mais clara que italianos de Roma. No tocante à cor dos olhos, novamente irlandeses apresentaram proporção maior de olhos claros, seguidos pelos poloneses. Porém, italianos apresentaram maior incidência de olhos claros que portugueses.
A migração italiana para fora da Itália ocorreu em diferentes ciclos migratórios, durante séculos. Uma diáspora em grande número ocorreu após a unificação da Itália, em 1861, e continuou até 1914, com o início da Primeira Guerra Mundial. Essa rápida saída de italianos para várias partes do mundo pode ser atribuída a fatores como a crise econômica interna, que surgiu junto com a unificação da Itália, a preocupação com família e o boom industrial que ocorreu no mundo ao redor da Itália. Depois de sua unificação, a Itália não buscou o nacionalismo, mas, em vez disso, buscou trabalho. No entanto, um Estado unificado não constitui automaticamente uma economia sólida. A expansão econômica global, desde a Revolução Industrial da Grã-Bretanha, no final do século XVIII e até meados do século XIX, até o uso de trabalho escravo nas Américas, não atingiu a Itália até muito mais tarde (com exceção do "triângulo industrial" entre Milão, Gênova e Torino). Esse atraso resultou em um déficit de trabalho disponível na Itália e na necessidade de procurar trabalho em outro lugar. A industrialização em massa e a urbanização globalmente resultaram em maior mobilidade de mão de obra e a necessidade de os italianos permanecerem presos à terra para obter apoio econômico diminuiu.
Os números da diáspora italiana
Os dados sobre o número de descendentes de italianos no mundo são muito discrepantes, variando de 60 a 80 milhões de pessoas. Segundo uma estimativa, mais de 80 milhões de pessoas de ascendência total ou parcial italiana vivem fora da Europa, com mais de 60 milhões vivendo na América do Sul (principalmente no Brasil, que, segundo essa mesma pesquisa, teria o maior número de descendentes de italianos fora da Itália, e na Argentina, onde mais de 62,5% da população teria pelo menos um ancestral italiano), 20 milhões vivendo na América do Norte (Estados Unidos e Canadá) e 1 milhão na Oceania (Austrália e Nova Zelândia). Outros vivem em outras partes da Europa (principalmente no Reino Unido, Alemanha, França e Suíça). A maioria dos cidadãos italianos que vivem no exterior residem em outras nações da União Europeia. Uma comunidade italiana histórica também existiu em Gibraltar desde o século XVI. Em menor grau, pessoas de ascendência italiana total ou parcial também são encontradas na África (principalmente nas ex-colônias italianas da Eritreia, que tem 100 000 descendentes, Somália, Líbia, Etiópia e em outros países como a África do Sul, com 77 400 descendentes, Tunísia e Egito), no Oriente Médio (nos últimos anos os Emirados Árabes Unidos mantiveram um destino desejável para os imigrantes italianos, com atualmente 10 000 imigrantes italianos), e na Ásia (Singapura abriga uma comunidade italiana considerável).
Italianos no Brasil
A imigração italiana no Brasil teve como ápice o período entre 1880 e 1920. Segundo o embaixador da Itália no Brasil, cerca de 30 milhões de brasileiros são descendentes de imigrantes italianos. Os ítalo-brasileiros estão espalhados principalmente pelos estados do Sul e do Sudeste do Brasil, quase metade no estado de São Paulo. Assim, os ítalo-brasileiros são considerados a maior população de oriundi (descendentes de italianos) fora da Itália. Segundo outra pesquisa, a porcentagem de brasileiros que alegam ter ancestralidade italiana é de 10,5% da população do Brasil, segundo pesquisa de 1999 do sociólogo, ex-presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Simon Schwartzman, o que, numa população de cerca de 200 milhões de brasileiros, representaria em torno de 20 milhões de descendentes.
A Itália só se unificou como Estado no final do século XIX. Até então, era uma região dividida em diversos reinos e estados separados, cujos habitantes falavam línguas e dialetos completamente diferentes entre si. Em 1861, não mais de 2% dos italianos sabiam falar a língua italiana. Apenas a elite letrada tinha acesso ao aprendizado do idioma. A porcentagem de falantes de italiano cresceu para 70% em 1970. A construção de uma identidade italiana foi, portanto, lenta e gradual. Os habitantes da Itália não se enxergavam primariamente como "italianos", mas antes de mais nada se sentiam conectados ao vilarejo e à região de nascimento. Eram "vênetos", "calabreses", "sicilianos" ou "lombardos", antes de serem "italianos". Mesmo com a grande emigração italiana para diversos países do mundo, alguns pesquisadores questionam se existe mesmo uma população de "descendentes de italianos", haja vista o grande sentimento de regionalidade, ao invés de nacionalidade, que esses imigrantes tinham. Muitos imigrantes italianos partiam de suas aldeias e se misturavam nos navios com italianos de outras regiões, que não necessariamente possuíam afinidades entre si. Isso é perceptível pelo fato de que certos grupos de italianos imigravam preferencialmente para algum país, enquanto outros grupos de italianos tendiam a migrar para outro. Por exemplo, os vênetos imigravam preferencialmente para o Brasil, os lígures preferiam a Argentina, os sicilianos e os napolitanos os Estados Unidos, enquanto os lombardos preferiam a Suíça. Devido a esse regionalismo, bairros étnicos de imigrantes surgiram em São Paulo ou em Nova Iorque, onde em alguns predominavam os vênetos, em outros os napolitanos ou sicilianos, que conviviam entre si, mas com vida associativa e social próprias. As diferenças culturais e linguísticas eram tais que, no final do século XIX, professores piemonteses foram enviados a escolas da Sicília e estes foram confundidos com ingleses.
Norte e Sul
Diferenças culturais e de formação étnica entre o Norte e o Sul do país são antigas, remontando a tempos medievais, quando o território que hoje corresponde a Itália ficou sob a influência de diversas ondas migratórias, formadas por povos germânicos, bizantinos, árabes, normandos e outros. Com a emigração italiana em massa para as Américas e a Austrália, relatos de discriminação contra italianos foram comuns. Foram considerados "cidadãos de segunda classe" em diversas partes. Os italianos do Norte migraram principalmente para o Brasil, Argentina e Uruguai, e os italianos do Sul migraram em maior número para os Estados Unidos e Canadá. O anti-italianismo se acentuou com a entrada da Itália na Segunda Guerra Mundial, ao lado das Potências do Eixo. Na história recente da política italiana, surgiu o Partido de centro-direita Liga Norte que atua sobretudo no norte do país, reivindicando a secessão das regiões do norte e centro, que constituiriam a chamada Padânia. Em 2008, a Lega Nord teve 8,3% nas eleições gerais do país. No Sul há vários movimentos autonomistas, mas como os do Norte, ainda relativamente inócuos.


