Islândia
Islândia ) é um país nórdico insular europeu situado no oceano Atlântico Norte. O seu território abrange a ilha homônima e algumas pequenas ilhas no oceano Atlântico, localizadas entre a Europa continental e a Groenlândia. O país tem uma população de 390 mil habitantes em uma área de cerca de 103 mil quilômetros quadrados. A sua capital e maior cidade é Reiquiavique, cuja área metropolitana abriga cerca de dois terços da população nacional. Devido à sua localização na dorsal mesoatlântica, a Islândia tem uma grande atividade vulcânica e um importante gradiente geotérmico, o que afeta muito a sua paisagem. O interior é constituído principalmente por um planalto caracterizado por campos de areia, montanhas e geleiras. Aquecida pela corrente do Golfo, a Islândia tem um clima temperado em relação à sua latitude e oferece um ambiente habitável.
Ísland é um vocábulo que provém da língua nórdica antiga, que significa "terra do gelo". O primeiro nome do país foi Snæland ("terra de neve"), cunhado pelo navegador viquingue Naddodd, um dos primeiros povoadores das Ilhas Féroe. Gardar Svavarsson, um dos primeiros islandeses, rebatizou a ilha como Garðarshólmur ("ilhotas de Gardar"). O nome definitivo "Ísland" foi dado por Flóki Vilgerðarson, em alusão às paisagens de inverno do atual território islandês. Apesar de alguns documentos oficiais apontarem Lýðveldið Ísland (República da Islândia) como o nome oficial do país, a constituição atual do país define-a como simplesmente "Ísland" (Islândia), sem a anteposição do termo "república".
Estabelecimento e comunidade islandesa (874-1262)
Uma das teorias sobre o atual povoamento do território islandês afirma que os primeiros habitantes desta ilha chegaram por volta do século IX, e que eram membros de uma missão de monges eremitas, também conhecidos como papar, provenientes da Escócia e da Irlanda, embora não existam sítios arqueológicos que comprovem essas hipóteses. Presume-se que os monges abandonaram a ilha com a chegada dos escandinavos, que se assentaram no período compreendido entre os anos 870 e 930. Um artigo da publicação Skirnir, onde são mostrados os resultados de investigações realizadas com radiocarbono, afirma que o país foi habitado desde a segunda metade do século VII.
Colonização escandinava (1262–1814)
As lutas internas e civis da era de Sturlungaöld levaram o país a assinar o Pacto Antigo em 1262, tratado que colocou a Islândia sob o domínio da Coroa Norueguesa. A posse da Islândia passou para o Reino da Dinamarca e Noruega até finais do século XIV, quando os reinos da Noruega, Dinamarca e Suécia se uniram, formando a União de Kalmar. Nos séculos posteriores, a Islândia passou a ser um dos países mais pobres da Europa. Os solos estéreis, as erupções vulcânicas e o tipo de clima tornaram a vida da sociedade mais difícil, cuja subsistência era quase totalmente dependente da agricultura. A peste negra afetou quase toda a população entre 1402 e 1404 e novamente entre 1494 e 1495, matando cerca de metade dos habitantes. Em meados do século XVI, Cristiano III da Dinamarca e Noruega começou a impor o luteranismo a todos os seus súditos. O último bispo católico do país (antes de 1968) foi Jón Arason, decapitado em 1550 juntamente com seus filhos. Posteriormente, quase toda a população islandesa aderiu ao luteranismo, que desde então é a religião predominante. Nos séculos XVII e XVIII, a Dinamarca impôs à Islândia uma série de restrições ao comércio, enquanto piratas ingleses, espanhóis e argelinos (ver: Sequestros turcos na Islândia) invadiam sua costa. Uma epidemia de varíola registrada no século XVIII causou a morte de aproximadamente um terço da população. Em 1783 a erupção do vulcão Laki teve efeitos devastadores; nos anos seguintes à erupção, época conhecida como "aflição na névoa" (em islandês: Móðuharðindin), mais de metade das espécies de animais no país morreram e mais de um quarto da população morreu de fome.
Movimento de Independência (1814–1918)
Em 1814, após as Guerras Napoleônicas, o Reino da Dinamarca–Noruega foi dividido em dois novos reinos separados pelo Tratado de Kiel. Entretanto, a Islândia permaneceu dependente da Dinamarca. Durante o século XIX, o clima islandês continuou piorando, provocando uma emigração em massa para o Novo Mundo, especialmente para a província de Manitoba, no Canadá. Cerca de quinze mil pessoas, dentre uma população total de setenta mil, abandonaram a Islândia. Porém, no auge das dificuldades, surgiu, por volta dos anos 1850, um movimento nacionalista, que conseguiu adquirir uma força considerável, conquistando a reabertura do parlamento islandês e a liberação do comércio com outros países. Desta maneira, nasceu o movimento de luta pela independência da Islândia, liderado por Jon Sigurðsson. Em 1874, a Dinamarca concedeu à Islândia uma constituição e um governo limitado, que foi expandido em 1904.
Reino da Islândia (1918–1944)
O Ato de União, acordo firmado com a Dinamarca em 1.° de dezembro de 1918 e válido durante vinte e cinco anos, concedeu à Islândia o total reconhecimento como um Estado soberano em uma união pessoal com o rei da Dinamarca. Isso significa que o rei exercia a mesma função tratando-se de assuntos internacionais, mas essa união terminaria após 25 anos. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Islândia uniu-se à Dinamarca mantendo a sua postura neutra. Entretanto, após a ocupação alemã da Dinamarca em 9 de abril de 1940, o parlamento decidiu que a Islândia deveria assumir os poderes do rei dinamarquês, substituí-lo por um regente e declarou que seria feita a implantação da política externa independente, além de outras questões previamente gerenciadas pela Dinamarca à petição islandesa. Um mês mais tarde, as Forças Armadas do Reino Unido invadiram a Islândia, violando sua neutralidade. Em 1941, o país passou a ser dominado pelos Estados Unidos, para que o Reino Unido pudesse implantar as suas tropas em outros locais.
República da Islândia (1944–presente)
Em 1946, as forças de ocupação dos Aliados retiraram-se da Islândia, que se tornou um membro da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) em 30 de março de 1949, provocando controvérsias e protestos em algumas áreas do país. Em 5 de maio de 1951, a nação firmou um acordo de defesa com os Estados Unidos. Houve o retorno de tropas norte-americanas que permaneceram lá ao longo da Guerra Fria, até a completa retirada em 30 de setembro de 2006. O período pós-guerra caracterizou-se por um importante crescimento econômico sem precedentes, provocado pela expansão da indústria de pesca e pela ajuda oferecida pelo Plano Marshall. O desenvolvimento económico foi acompanhado pela criação de um Estado-Providência inspirado no modelo escandinavo, que promoveu o aumento do nível de vida e a regulação das desigualdades. No entanto, uma oligarquia permaneceu predominante: catorze famílias - um grupo conhecido como "Octopus" - constituíram a elite económica e política do país. Dominaram todos os sectores da economia: importação, transporte, banca, seguros, pesca e abastecimento da base da OTAN. Politicamente, esta oligarquia governava o Partido da Independência (PI), que controlava os meios de comunicação social. Também determinou as nomeações de altos funcionários públicos na administração, na polícia e no exército. Os partidos dominantes (PI e Partido do Progresso) geriram directamente os bancos públicos locais, tornando impossível obter empréstimos sem o acordo do apparatchik local.
A Islândia é uma grande ilha vulcânica localizada no norte do oceano Atlântico um pouco ao sul do Círculo Polar Ártico. Culturalmente ligada à Europa, a Islândia não possui nenhum traço geológico em comum com o continente europeu. Com uma área de mais de 102 mil quilômetros quadrados, é a décima oitava maior ilha do mundo e a segunda maior da Europa. Existem outras numerosas pequenas ilhas no litoral como as ilhas Hrísey, Grímsey e o arquipélago de Vestmannaeyjar. As outras massas de terra mais próximas do país são a Groenlândia (Gronelândia em português europeu) a 286 quilômetros, a Escócia a 795 quilômetros e a Noruega a 950 quilômetros.
Características físicas
A Islândia possui um relevo bastante acidentado cheio de montanhas localizadas em uma espécie de planalto com altitude média em torno de 500 metros. O monte Hvannadalshnúkur é o mais alto do país, com altitude de 2 119 metros acima do nível do mar. Existem diversos glaciares na ilha, que cobrem cerca de onze por cento da superfície do país. O maior e mais conhecido é o Vatnajökull (vat'najö'küdll) com mais de oito mil quilômetros quadrados. Outros glaciares importantes são o Langjökull, o Hofsjökull e o Mýrdalsjökull. Nos últimos anos, a área desses glaciares tem diminuído significativamente, e essa redução é atribuída ao aquecimento global. Os rios da Islândia podem ser classificados em três grupos. O primeiro deles são os rios formados pelo degelo dos glaciares que carregam uma grande quantidade de lama, por isso, a cor da água costuma ser acastanhada. Possuem maior quantidade de água no verão, principalmente entre julho e agosto, e no inverno podem congelar completamente. O segundo tipo de rio são aqueles comuns, onde a água brota de nascentes, que geralmente surgem em áreas de rocha basáltica. A água geralmente é clara, e os maiores volumes de vazão ocorrem na primavera e no outono por causa do derretimento da neve e das chuvas intensas, respectivamente. Por fim, o terceiro grupo de rios são os pequenos afluentes que nascem nas regiões porosas das áreas vulcânicas e se juntam em rios maiores de água límpida. Na nascente, esses rios apresentam uma temperatura constante entre três e cinco graus Celsius, por isso não congelam no inverno. Outra característica desse tipo de rio é que a caudal é praticamente constante, independentemente dos fatores externos.
Atividade geológica
A Islândia está localizada na dorsal mesoatlântica (uma cadeia de montanhas submarinas que se estendem ao longo dos limites das placas tectônicas), no encontro entre as placas norte americana e euro-asiática. Esta dorsal mesoatlântica é exactamente a zona em que uma nova crosta oceânica se vai formando continuamente por meio de erupções vulcânicas, enquanto as placas se afastam a uma taxa média de dois centímetros e meio ao ano, fazendo o país crescer. Além disso, a Islândia está sobre um ponto quente, o que significa que a crosta é mais fina em comparação com o resto do mundo. Quando as placas tectônicas se movem, surge uma fissura que permite que o magma flua para a superfície, dando origem a uma erupção vulcânica.
Clima
O clima da costa da Islândia é oceânico subpolar, ou seja, possui verões frescos e curtos e invernos suaves com temperaturas que não descem abaixo dos −3 °C. As temperaturas no país são relativamente amenas se comparadas com as de outras regiões na mesma latitude. A corrente marítima do Golfo, que é um fluxo de água quente que sai da América Central em direção ao norte da Europa, faz com que as temperaturas sejam maiores e os invernos menos rigorosos. Todo o litoral do país, essencialmente na parte sul, é mais quente por causa dessa corrente marítima, o que geralmente impede a formação de blocos de gelo (inclusive no inverno); a despeito de em 1969 o gelo ter invadido toda a costa norte.
Natureza e meio ambiente
De acordo com registros datados do século XII, a Islândia já foi um país coberto por florestas que se estendiam "do alto das montanhas até a costa do mar". Entretanto, a chegada dos seres humanos perturbou esse delicado ecossistema. A destruição das florestas para formar criação de pastos, a atividade vulcânica, o movimento dos glaciares e o clima desfavorável contribuíram com a erosão do solo que não permite o crescimento de novas árvores. Atualmente, apenas um quarto da superfície do país tem algumas zonas florestais. A área restante é coberta de areia, rochas e campos de lava, além dos glaciares, distribuídos por todo o país. A vegetação remanescente consiste em gramíneas e pequenos arbustos, que pertencem principalmente à família Cyperaceae. Entre as espécies de árvores, as bétulas predominam, principalmente a Betula pubescens juntamente com os álamos Populus tremula. Atualmente, as poucas árvores que sobraram estão em reservas isoladas. Diversas iniciativas têm sido tomadas a esta questão, como o reflorestamento e o isolamento dessas áreas, e a utilização de algumas espécies estrangeiras. Mesmo com um aumento significativo da quantidade de árvores, elas ainda não se comparam com as florestas originais.
Acredita-se que a população da ilha tenha variado de 40 000–60 000 habitantes, desde o início da colonização, até meados do século XIX. Durante esse tempo, invernos rigorosos, cinzas tóxicas de erupções vulcânicas e a peste bubônica afetaram a população diversas vezes. De acordo com Bryson (1974), houve 37 períodos de fome na Islândia entre 1500 e 1804. O primeiro censo foi realizado em 1703 e revelou que a população era de 50 358 pessoas. Após as erupções destrutivas do vulcão Laki, entre 1783 e 1784, a população chegou a um mínimo de cerca de 40 000 indivíduos. A melhoria das condições de vida provocou um rápido aumento da população a partir de meados do século XIX, indo de cerca de 60 000 pessoas em 1850 para 320 000 em 2008. A Islândia tem uma população relativamente jovem para um país desenvolvido, com uma em cada cinco pessoas tendo 14 anos ou menos. Com uma taxa de fecundidade de 2,1, a Islândia é um dos poucos países europeus com uma taxa de natalidade suficiente para o crescimento da população a longo prazo.
Idiomas
A língua oficial da Islândia é o islandês (Íslenska), um idioma descendente da língua nórdica antiga que, por sua vez, é uma das línguas germânicas. Quando a Islândia foi colonizada, os principais habitantes vieram da Noruega e, portanto, falavam a mesma língua. No entanto, por volta do século XIV, a língua norueguesa evoluiu. Os islandeses porém não acompanharam essa evolução, entre outros motivos, devido à rica literatura da época. Graças a isto, atualmente um islandês pode ler um texto do século XII sem dificuldade. Essa política de preservação da língua ganhou importância a partir do século XVII e no seguinte passou a ser uma política oficial do país. Para isso, em vez de adotar novas palavras de origem estrangeira para designar inovações tecnológicas, os islandeses criam uma nova palavra com origem em vocábulos antigos e dão a elas novos significados. A palavra simi, por exemplo, significa telefone, e tolva significa computador. Outra característica do idioma é a sua uniformidade, ou seja, a ausência de dialetos.
Composição étnica
A Islândia foi uma das últimas regiões da Europa a ser habitadas por seres humanos, tendo sido colonizada entre os anos de 870 e 930. A população original da Islândia era de origem nórdica e gaélica. Isto é evidente a partir de fontes literárias que datam do período da colonização, bem como a partir de estudos científicos posteriores, como análises genéticas da população. Um desses estudos de genética indicou que a maioria dos colonos homens da Islândia era da Escandinávia, enquanto a maioria das mulheres era das Ilhas Britânicas. No caso das mulheres, a maioria chegou à Islândia como escravas. Do começo do século IX até metade do XII, os viquingues dominaram rotas comerciais que envolviam o tráfico de escravos por toda a Europa. Povos celtas das ilhas Britânicas e os próprios escandinavos eram as principais vítimas de tráfico humano. Muitos irlandeses e galeses foram atacados e vendidos na Islândia, com o objetivo de aumentar a força de trabalho durante a ocupação da ilha. O historiador Orlando Patterson estima que, entre os anos de 870 e 950, mais de 20% da população da Islândia era composta por escravos. A mistura das escravas celtas com os colonizadores escandinavos deu origem à população islandesa. Estima-se que entre 60 e 80% dos habitantes originais eram de origem nórdica, vindos da Noruega, e o restante de origem celta, vindos da Escócia, Irlanda ou do País de Gales.
Religião
A principal religião islandesa é o luteranismo, que pertence à doutrina protestante, cuja principal instituição no país é a Igreja Nacional da Islândia. Apesar de essa igreja ter ligações com o Estado, existe, na legislação do país, uma completa liberdade para todos os credos, sem discriminação. Toda a Islândia constitui uma única diocese que, por sua vez, é dividida em 281 paróquias, lideradas pelo bispo que reside na capital do país. Cerca de 63% da população pertence a esta igreja, enquanto outros 5% frequentam outras três igrejas luteranas: a Igreja Livre de Reiquiavique, a Igreja Livre de Hafnarfjordur e a Igreja Independente de Reiquiavique. Outros 6% pertencem a outras igrejas cristãs, dentre elas as principais são a Igreja Católica, a Igreja Pentecostal, a Igreja Adventista do Sétimo Dia e as Testemunhas de Jeová. Outros grupos religiosos possuem menor representação, tal como os budistas, muçulmanos e membros da fé bahá'í, porém, em conjunto, esses grupos possuem menos de quinhentos seguidores em todo o país.
A Islândia é uma república democrática representativa parlamentar independente que possui um sistema multipartidário. O poder judiciário é independente dos poderes executivo e legislativo. A Constituição da Islândia é muito similar à Constituição dinamarquesa e alguns artigos foram, inclusive, copiados e traduzidos para o islandês. De acordo com essa Constituição, o parlamento islandês, chamado Alþingi (Althingi), e o presidente exercem a chefia do poder legislativo em conjunto. Todos os projetos aprovados pelo parlamento precisam da aprovação do presidente para que se tornem leis. O presidente é eleito por voto popular direto para um mandato de quatro anos, mas sem limite máximo do número de mandatos. A Constituição dá ao presidente todo o poder sobre o governo, mas na realidade, ele tem mais um papel representativo do que administrativo. O poder executivo é exercido de fato pelo primeiro-ministro islandês, que é escolhido pelo presidente.
Partidos políticos
Nas eleições parlamentares de 2009, cinco partidos conseguiram representação política no Althingi. O primeiro deles é a Aliança Social Democrática, criado em 2000 com a união de três partidos de esquerda, apresentou o objetivo de desafiar o longo domínio de governo do Partido Independência. Apesar das falhas obtidas inicialmente, em 2007, a Aliança Social Democrática conseguiu formar um governo de coalizão com o Partido Independente. Outro partido de esquerda importante na política islandesa é o Movimento de Esquerda Verde, criado em 1999 por um grupo de políticos que não concordavam com a fusão dos partidos que deram origem à Aliança Social Democrática; possui contínuo crescimento no número de cadeiras do parlamento tendo como principal foco implantar um sistema de governo socialista nórdico com uma forte ênfase em temas ambientais. Anteriormente contra a entrada do país na União Europeia, acabou cedendo por causa da demanda pública.
Relações internacionais e defesa
A Islândia tem participado ativamente em grupos de cooperação internacional. Um deles é o Conselho Nórdico, que inclui Dinamarca, Noruega, Suécia e Finlândia, além da Groenlândia e das Ilhas Féroe. Esse grupo realiza cooperações nas mais diversas áreas, como em assuntos políticos e representação internacional. O país se tornou membro da Organização das Nações Unidas em 1946 e é um dos membros fundadores do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial. É também um dos fundadores da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) e do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento. Em 1964, se tornou membro do Acordo Geral de Tarifas e Comércio, que foi o antecessor da Organização Mundial do Comércio. Seis anos depois, o país assinou um tratado para se juntar à Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), que permitia a circulação de bens, serviços, capital e pessoas entre os países do Espaço Econômico Europeu. Desde então, a Islândia assinou diversos tratados de livre-comércio com diversos países não só europeus, mas de todo o mundo. Mais recentemente, em junho de 2010, o Banco Popular da China e o Banco Central da Islândia assinaram um acordo bilateral de troca de moeda durante três anos, com uma possível extensão dessa duração. Em julho de 2009, o país deu entrada no processo para fazer parte da União Europeia depois de o parlamento do país aprovar a candidatura. As negociações foram abertas oficialmente somente um ano depois, e continuam até hoje.
Para fins estatísticos, a Islândia é dividida em oito regiões (landsvæði, que é o plural de landsvæðun). Existem ainda, outras divisões em círculos eleitorais, condados, e municípios, cada uma com finalidade eleitoral, jurídica e administrativa, respectivamente. Até 2003, os círculos eleitorais parlamentares eram os mesmos das regiões, mas em uma emenda da constituição, eles foram transformados nos seis círculos atuais: Norte de Reiquiavique e Sul de Reiquiavique (regiões da cidade); Sudoeste (quatro subúrbios em torno de Reiquiavique); Noroeste e Nordeste (metade norte da Islândia); e Sul (metade sul da Islândia, excluindo Reiquiavique e seus subúrbios). Essa mudança dos círculos eleitorais se deu para equilibrar o peso dos diferentes distritos do país, já que em áreas muito pouco habitadas um voto tem maior valor do que na área metropolitana de Reiquiavique. O equilíbrio dos distritos foi reduzido mas ainda existe. O país é dividido, ainda, em 98 municípios. Cada um deles elege um conselho local (sveitarstjórn) a cada quatro anos. O papel das autoridades locais está relacionado com a administração e o uso dos recursos destinados à saúde, educação e infraestrutura. Enquanto autoridades regionais no país não existem, comitês regionais são formados para supervisionar e coordenar a ação dos projetos que são feitos em conjunto pelas autoridades municipais. Atualmente são vinte e três desses comitês regionais, também chamados de condados. Apesar disso, essas divisões não são consideradas unidades separadas de administração.
Por muitos anos, a Islândia teve um dos mais altos padrões de vida no mundo. Essa prosperidade tinha origem principalmente na indústria de pescados. A partir dos anos de 1990, com o crescimento da população, a economia islandesa passou por uma fase de diversificação, passando a depender cada vez menos dos pescados. Com a expansão de crédito e a opção do governo de não interferir na economia, os bancos islandeses se expandiram rapidamente e investimentos estrangeiros no país impulsionavam o excepcional crescimento econômico. Entretanto, a crise econômica que começou em 2008 expôs a fragilidade do sistema bancário que ficou vulnerável ao colapso. A grande influência dos bancos na economia e a falta de um sistema regulador financeiro aliados com a falta de moeda estrangeira que se sucedeu no país por causa dos problemas enfrentados pelo Banco Central da Islândia levaram ao colapso do sistema bancário em 2008, causando uma crise financeira e monetária que levou o país a uma profunda recessão. Em resposta à crise, o governo assumiu o controle de todos os bancos falidos, o que fez com que o déficit do país chegasse 13,5% do produto interno bruto em 2008 e 9,1% em 2009. A dívida governamental chegou a atingir 106% do PIB no fim de 2009. Em cooperação com o Fundo Monetário Internacional, o governo islandês está trabalhando para consolidar a economia do país e sair da crise, com intervenção rigorosa na economia.
Turismo
O turismo está entre os setores que mais crescem na economia islandesa. Na última década, o número de turistas aumentou em mais de cem por cento, atingindo 566 mil em 2011 que movimentaram cerca de 824 milhões de euros no país. Eles vêm principalmente dos países nórdicos, da Europa central e meridional e do Reino Unido. A contribuição da indústria do turismo no PIB ficou numa média de 3,7% no período de 2005 a 2011. A Islândia possui as mais diversas atrações turísticas. As características naturais, principalmente as mais peculiares como os gêiseres, as piscinas quentes de lama e os glaciares, atraem muitos visitantes para o país. Uma das principais atrações é a Lagoa Azul (Bláa lónið), famosa principalmente pelas suas propriedades terapêuticas. Sendo o país com a menor densidade populacional da Europa, o cenário natural se encontra bastante conservado, o que atrai, além dos turistas, muitos fotógrafos e artistas. Na Islândia, estão dois patrimônios mundiais declarados pela UNESCO, o primeiro deles é o parque nacional de Þingvellir (thingvellir), notório porque no local funcionou o parlamento do país a céu aberto até 1768; o segundo é a ilha de Surtsey, que surgiu na década de 1960 a partir de uma erupção vulcânica, e permaneceu intocada desde então.
Transportes
A Islândia tem 13 034 quilômetros de rodovias administradas, dos quais 4 617 são pavimentadas e 8 338 km não são. De acordo com o sistema de classificação islandês, as estradas são distribuídas em estradas nacionais, municipais, públicas e privadas, que juntas formam um sistema contínuo e coerente para ligar as cidades entre si e também a zona rural do país. De acordo com o fluxo de veículos as estradas do país são classificadas em primárias, que geralmente são pavimentadas e ligam os centros urbanos, e secundárias, que se conectam às vilas e áreas povoadas às rodovias primárias e às cidades. Para transpor os obstáculos naturais, existem diversas pontes e túneis, sendo que o túnel mais extenso é o Héðinsfjarðargöng com mais de onze mil metros.
Energia
Praticamente toda a energia elétrica do país é gerada por meio de fontes renováveis, o que corresponde a 70% da energia total da nação, com a maior parte do restante proveniente do petróleo importado usado no transporte e na frota pesqueira. Cerca de três quartos da energia elétrica do país provêm de usinas hidroelétricas e o restante de usinas geotérmicas. Além disso, mais de 87% da demanda de água aquecida provém diretamente de fontes geotermais, que são distribuídas para as cidades por meio de extensos dutos. O país é líder na exploração da energia do calor da terra, tanto que exporta profissionais para o mundo todo além de ser o país que possui maior penetração no solo para exploração desse tipo de energia.
Saúde
A Islândia é um dos países com os melhores indicadores de saúde do mundo. Praticamente não possui poluição, sua população tem alta expectativa de vida e baixa taxa de mortalidade infantil. Além disso, a quantidade de médicos por pessoa na Islândia é maior do que a de qualquer outro país do mundo. Não existe setor de saúde privado no país, e todos os habitantes têm acesso ao sistema público de saúde islandês. O serviço é controlado pelo governo, que investe na saúde parte dos impostos arrecadados. Por meio desse sistema de saúde são fornecidos remédios, tratamentos de fisioterapia e odontológicos, transporte em ambulâncias, cirurgias e cuidados na maternidade, dentre outros. Trabalhadores que estão impossibilitados de exercer suas funções também recebem auxílio financeiro de acordo com o tempo em que ficam inválidos.
Educação e ciência
A educação é uma prioridade na Islândia. Um dos princípios básicos do sistema educacional islandês é de que todos devem ter oportunidades iguais de acesso ao conhecimento independentemente do sexo, cor, religião, cultura e condição social. Existem quatro níveis de educação na Islândia. O primeiro deles é a educação pré-escolar, para crianças até seis anos, cujos custos são arcados pelos conselhos locais. O segundo nível é a educação compulsória que é a única fase obrigatória definida por lei para as crianças entre 6 e 16 anos, que totalizam 192 escolas em todo o país. Depois vem a educação secundária, dos 16 até os 20 anos de idade, que não é obrigatória, mas qualquer pessoa que completou a fase anterior pode continuar seus estudos sem custos em uma das 42 escolas desse tipo. Por fim, qualquer pessoa que completou o ensino secundário pode entrar em uma universidade, que totalizam somente sete no país, sendo algumas públicas e a maior delas a Universidade da Islândia.
A cultura islandesa possui suas raízes nas tradições nórdicas e sua literatura é reconhecida principalmente por suas sagas e eddas, que foram escritas durante a Idade Média. Os islandeses consideram de importância à independência e à autossuficiência; em uma pesquisa da Comissão Europeia, mais de 85% dos islandeses declararam a independência como algo de grande importância, sendo contrastante com a média europeia (53%), a Noruega (47%) e a Dinamarca (49%). Também existem algumas crenças tradicionais que continuam em vigor até hoje; Um exemplo é o fato de alguns islandeses acreditam em elfos, ou pelo menos não estão dispostos a descartar sua existência. De acordo com uma pesquisa feita pela OECD, 66% dos islandeses estavam satisfeitos com suas vidas, enquanto 70% acreditavam que suas vidas seriam satisfatórias no futuro. Da mesma forma, 83% das pessoas disseram ter mais experiências positivas do que negativas na vida cotidiana, maior do que a média dos países que fazem parte da OECD, que é de 72%, o que faz da Islândia um dos países mais felizes que pertencem à organização. Uma pesquisa feita em 2012 mostra que três quartos das pessoas que responderam afirmaram que estavam contentes com sua vida, enquanto a média global é de 53%.
Arquitetura
A arquitetura islandesa foi historicamente influenciada pela cultura escandinava e pela falta de árvores no território. Por isso, as primeiras casas feitas no país eram cobertas externamente com grama ou turfa. Com influência da cultura viking, as casas de turfa islandesas tinham um formato alongado, feitas com estrutura de madeira e depois cobertas com o material vegetal. Com o tempo, novos modelos desse tipo de construção foram surgindo, como a introdução de gabletes na frente das casas, graças à influência dinamarquesa, além da construção de alpendres na frente das construções. Hoje em dia esse tipo de construção não é mais feita, e as que ainda existem são, na maioria das vezes, abertas ao público como se fossem museus.
Literatura
A literatura islandesa começou a ser criada pelos habitantes a partir do século IX, com as primeiras povoações. Como a língua islandesa e a norueguesa nos tempos medievais eram a mesma, as obras produzidas no país são incluídas na literatura medieval da Escandinávia. As obras mais famosas neste período são as sagas medievais, escritas entre os séculos XII e XIV, cujos autores são na maioria das vezes desconhecidos. Tais obras contam histórias sobre reis noruegueses e guerreiros reais ou legendários, que acredita-se serem histórias recitadas antes de se tornarem obras escritas. Essas sagas podem ser divididas em sagas de reis e sagas lendárias (entre as quais está a de saga dos Volsungos), além das sagas islandesas, que têm como uma das principais obras a Saga de Njáll, cuja história contém uma rica e complexa gama de conflitos sociais e humanos. A literatura islandesa medieval também inclui as poesias chamadas de Eddas, produzidas durante o século XII, que relatam feitos heroicos de humanos e deuses germânicos e nórdicos. Outras poesias produzidas por grupos de poetas chamados Escaldos eram escritas para louvar os nobres ou para satirizar os acontecimentos da época, com uso de muitas metáforas e perífrases.
Artes e entretenimento
A história das artes visuais na Islândia é relativamente curta em relação a da literatura. Somente na primeira metade do século XX que os primeiros artistas começaram a aparecer, e suas obras refletiam o forte sentimento de independência relacionado ao momento histórico. Contudo, nas décadas de 1960 e 1970 os artistas islandeses começaram a ser influenciados por tendências estrangeiras com a introdução dos movimentos de vanguarda. Hoje, o cenário das artes no país está entrando numa "fase internacional", na qual os artistas locais exibem seus trabalhos no exterior e vice-versa, artistas do mundo todos vão para a Islândia para criar e exibir obras de arte. Juntamente com outros campos culturais, a arte plástica islandesa tem passado por um contínuo crescimento. Dentre os principais artistas atuais destacam-se Katrín Sigurðardóttir, Gabríela Friðriksdóttir e Ragnar Kjartansson, que expuseram seus trabalhos em importantes museus por todo o mundo. É importante notar que a produção e apreciação artística não fica restrita somente nas áreas mais populosas da capital do país. As cidades menores do interior também oferecem diversas oportunidades para exibição de trabalhos de artistas locais.
Esportes
Na Islândia são vários os esportes praticados pela população. Os mais comuns são o futebol, handebol e golfe. O futebol é o mais popular do país, graças ao desempenho da seleção islandesa nas competições internacionais. Além disso, muitos jogadores islandeses se mudam para outros países para jogar profissionalmente em outros clubes. Com isso o esporte fica mais popular e consequentemente os clubes nacionais faturam mais, e esse lucro é revertido em estrutura de treinamento para novos jogadores. A participação feminina nesse esporte também tem aumentado nos últimos anos em virtude também ao bom desempenho da Seleção Islandesa de Futebol Feminino, que está classificada na décima quinta posição na tabela de seleções femininas da FIFA em dezembro de 2012. Em Jogos Olímpicos, a Islândia tem um modesto desempenho, tendo ganhado apenas 4 medalhas olímpicas (2 de prata e 2 de bronze), todas nos Jogos Olímpicos de Verão.
Culinária
A culinária islandesa é conhecida pela utilização de produtos frescos, livres de agrotóxicos e de outras substâncias químicas. Seus peixes são renomados pela pesca responsável e pelos elevados padrões de qualidade. A partir do século XX, os habitantes da Islândia passaram a utilizar outros ingredientes de origem estrangeira além daqueles de origem nórdica, mas os ingredientes frescos do país continuam sendo a parte mais importante da culinária islandesa. Dentre alguns produtos populares no país se destacam a carne de cordeiro, famosa por ser macia e saborosa, e o Skyr, um laticínio parecido com iogurte. Como em diversos outros países, lanches rápidos se tornaram populares na Islândia e um dos pratos mais populares e baratos é o pylsa, uma espécie de cachorro-quente. Alguns alimentos peculiares islandeses incluem salsichas feitas com fígado e sangue de carneiro e peixes desidratados que são usados em refeições leves. Em um certo período do ano, chamado de Þorrablót (lê-se thorrablot) entre janeiro e fevereiro, é tradição o consumo de alimentos que os antigos islandeses comiam. Essa comida, chamada Þorramatur (thorramatur) possui diversos ingredientes de origem animal, como cabeça de ovelha chamuscada, cordeiro defumado, chouriço de fígado e várias carnes curadas, como testículos de carneiro, peito de cordeiro e nadadeiras de focas.
Música
Historicamente, a música islandesa esteve sempre associada com a religião. Por isso era muito comum a apresentação de corais em escolas, igrejas e reuniões de comunidade, e essa tradição ainda existe até hoje, mesmo sem estar tão ligada à crenças religiosas quanto no passado. As canções cantadas por corais têm origem nas obras produzidas nos séculos XIII e XIV, com os tradicionais poemas rimados, conhecidos como rímur. Essa relação com o passado representa uma importância cultural simbólica para os islandeses até a atualidade. Até o início do século XX, praticamente não existiam instrumentos musicais no país, por isso a história musical do país é tão diferente e peculiar em relação ao dos outros países, com as canções folclóricas e religiosas originadas de outros países nórdicos sendo cantadas a capella. O mundo começou a conhecer a nova música vibrante que começava a surgir no século XX com a banda de rock alternativo Sugarcubes, liderada pela cantora Björk, que viria a se tornar a cantora mais famosa do país com reconhecimento internacional. Como Björk, os músicos islandeses estão revolucionando sua forma de interpretação da música, apresentando um estilo diferente dos estilos europeu e americano e sempre tentando fazer algo novo. Um dos festivais de músicas mais importantes da Islândia é o Iceland Airwaves, criado em 1999 com edições anuais que acontecem em outubro. Além da apresentação de cantores consagrados mundialmente, o festival é uma espécie de vitrine para a nova música tanto islandesa quanto mundial.


