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Irã

Irã (português brasileiro) ou Irão (português europeu) ), oficialmente República Islâmica do Irã/Irão e anteriormente conhecido como Pérsia, é um país localizado na Ásia Ocidental. Tem fronteiras a norte com Arménia, Azerbaijão, Turquemenistão e Mar Cáspio; a leste com Afeganistão e Paquistão; ao sul com o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã; a oeste com o Iraque; e a noroeste com a Turquia. Composto por uma área de 1 648 195 km2, é a segunda maior nação do Oriente Médio e a 18.ª maior do mundo. Com mais de 92 milhões de habitantes, o Irã é o 17.º país mais populoso do mundo.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 02/07/2026
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Etimologia

O nome Irã(pt-BR) ou Irão(pt-PT?) (em persa: ایران) do persa moderno deriva do termo proto-iraniano "Ariana" (Aryānā), que significa "terra dos arianos", palavra registada pela primeira vez no Avestá da tradição do zoroastrismo. O termo "Erã" (Ērān) foi encontrado em referência ao Irã, numa inscrição persa do século III e numa inscrição parta onde o termo "árias" (aryān) é usado em referência aos iranianos. Historicamente o Irã tem sido referido como Pérsia, ou algum outro termo similar (La Perse, Persien, Perzië, etc), pelo mundo ocidental, principalmente devido aos escritos de historiadores gregos que chamavam o Irã de Pérsis (em grego: Περσίς; romaniz.: lit. "terra dos persas"). Em 1935, o xá Reza Xá Pálavi pediu que a comunidade internacional se referisse ao país como Irão/Irã. A oposição à mudança de nome levou à reversão da decisão e, em 1959, ambos os nomes eram usados indistintamente. Atualmente, os termos Pérsia e Irão/Irã são usados alternadamente em contextos culturais; no entanto, este último é o nome mais usado oficialmente em contextos políticos.

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História

Pré-história

Os primeiros artefatos arqueológicos atestados no Irã, como aqueles escavados em Kashafrud e Ganj Par no norte do Irã, confirmam a presença humana no Irã desde o Paleolítico Inferior. Artefatos neandertais do Paleolítico Médio foram encontrados principalmente na região de Zagros, em locais como Warwasi e Yafteh. Do décimo ao sétimo milênio a.C., as primeiras comunidades agrícola começaram a florescer em e ao redor da região de Zagros no oeste do Irã, incluindo Chogha Golan, Chogha Bonut e Chogha Mish. A ocupação de aldeias agrupadas na área de Susã, conforme determinado por datação por radiocarbono, varia de 4 395–3 955 a.C. a 3 680–3 490 a.C. Existem dezenas de sítios pré-históricos em todo o planalto iraniano, apontando para a existência de culturas antigas e assentamentos urbanos no quarto milênio a.C.. Durante a Idade do Bronze, o território do atual Irã foi o lar de várias civilizações, incluindo Elão, Jiroft e Zayanderud. Elão, a mais proeminente dessas civilizações, desenvolveu-se no sudoeste ao lado das da Mesopotâmia e continuou sua existência até o surgimento dos impérios iranianos. O advento da escrita em Elão foi paralelo à Suméria e a escrita cuneiforme elamita foi desenvolvida ao longo do terceiro milênio a.C.

Antiguidade

No segundo milênio a.C., os antigos povos iranianos chegaram ao que hoje é o Irã vindos das estepes da Eurásia, rivalizando com os colonos nativos da região. À medida que os iranianos se dispersaram na área mais ampla do Grande Irã e além, as fronteiras do território iraniano atual foram dominadas pelas tribos dos medos, persas e partas. Do final do século X ao final do século VII a.C., os povos iranianos, juntamente com os reinos "pré-iranianos", caíram sob o domínio do Império Assírio, baseado no norte da Mesopotâmia. Sob o rei Ciaxares, os medos e persas fizeram uma aliança com o governante babilônico Nabopolassar, bem como com os citas e cimérios iranianos, e juntos atacaram o Império Assírio. A guerra civil devastou o Império Assírio entre 616 e 605 a.C., libertando assim seus respectivos povos de três séculos de domínio assírio. A unificação das tribos medas sob o rei Deioces em 728 a.C. levou à fundação do Império Medo que, por volta de 612 a.C., controlava quase todo o território do atual Irã e da Anatólia oriental. Isso também marcou o fim do reino de Urartu, que foi posteriormente conquistado e dissolvido.

Idade Média

As prolongadas Guerras Bizantino-Sassânidas, principalmente a guerra de 602–628, bem como o conflito social dentro do Império Sassânida, abriram caminho para uma invasão árabe do Irã no século VII. O império foi inicialmente derrotado pelo Califado Ortodoxo, que foi sucedido pelo Califado Omíada, seguido pelo Califado Abássida. Seguiu-se um processo prolongado e gradual de islamização imposta pelo Estado, que teve como alvo a então maioria zoroastriana do Irã e incluiu perseguição religiosa, destruição de bibliotecas e templos, uma penalidade fiscal especial (jizia) e a mudança do idioma oficial. Em 750, os abássidas derrubaram os omíadas. Árabes muçulmanos e persas de todos os estratos constituíram o exército rebelde, que foi unido pelo convertido muçulmano persa, Abu Muslim. Em sua luta pelo poder, a sociedade em sua época gradualmente se tornou cosmopolita e a velha simplicidade e dignidade aristocrática árabe foram perdidas. Persas e turcos começaram a substituir os árabes na maioria dos campos. A fusão da nobreza árabe com os povos subjugados, representada pela prática da poligamia e do concubinato, criou um amálgama social em que as lealdades se tornaram incertas e uma hierarquia de funcionários emergiu, uma burocracia primeiro persa e depois turca que diminuiu o prestígio e poder dos abássidas para sempre.

Período dinástico

Entre 1501 e 1736 a Pérsia foi dominada pelos safávidas. O fundador desta dinastia, Ismail I, era filho de Safiadim, chefe de uma ordem sufista, que se apresentava como descendente do sétimo imã, Muça Alcazim. Em 1501, Ismail I tomou Tabriz, a qual fez a sua nova capital, e tomou o título de xá. Os safávidas proclamaram o islão xiita como a religião estatal e através do proselitismo e da força converteram a população a esta doutrina religiosa. As duas principais ameaças exteriores dos safávidas foram os uzbeques e os otomanos. Os primeiros representavam uma ameaça para o Coração, mas foram derrotados por Ismail em 1510 e empurrados para o Turquestão. Quantos aos otomanos, seriam autores de um duro golpe ao estado safávida em 1524, quando as forças do sultão Selim I derrotaram os safávidas em Tchaldirã, tendo ocupado Tabriz. Em 1533, o sultão Soleimão ocupou Bagdade, tendo alargado o domínio otomano sobre o sul do Iraque.

República Islâmica

A Revolução de 1979, mais tarde conhecida como "Revolução Islâmica", começou em janeiro de 1978 com as primeiras grandes manifestações contra o xá. Após um ano de greves e manifestações paralisando o país e sua economia, Mohammad Reza Pahlavi fugiu para os Estados Unidos e Ruhollah Khomeini voltou do exílio para Teerã em fevereiro de 1979, formando um novo governo. Depois de realizar um referendo, o Irã tornou-se oficialmente uma república islâmica em abril de 1979. Um segundo referendo em dezembro de 1979 aprovou uma constituição teocrática. Os levantes nacionais imediatos contra o novo governo começaram com a rebelião curda de 1979 e os levantes do Cuzistão, junto com os levantes no Sistão-Baluchistão e outras áreas. Nos anos seguintes, essas revoltas foram subjugadas de maneira violenta pelo novo governo islâmico. O novo governo começou a expurgar oposição política não islâmica, bem como daqueles islâmicos que não eram considerados radicais o suficiente. Embora tanto nacionalistas quanto marxistas tenham inicialmente se unido aos islâmicos para derrubar o xá, dezenas de milhares foram executados pelo novo regime depois disso. Muitos ex-ministros e funcionários do governo do xá, incluindo o ex-primeiro-ministro Amir-Abbas Hoveyda, foram executados após a ordem de Khomeini de purgar o novo governo de todos os funcionários remanescentes ainda leais ao exilado xá.

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Geografia

Localizado no sudoeste asiático, entre o Iraque, a oeste, e o Afeganistão e o Paquistão, a leste, o Irã é banhado pelo Golfo de Omã, pelo Golfo Pérsico e pelo Mar Cáspio. Com uma área de 1 648 000 km2, o Irã é o décimo-sexto maior país do mundo em território, o que equivale aproximadamente à área do estado do Amazonas, no Brasil, ou um pouco maior do que as áreas de Angola e Portugal somadas. O país é muito vulnerável a terremotos, principalmente no sul.

Topografia e hidrografia

A maior parte do território do Irã corresponde a um planalto cercado por cadeias montanhosas. Na região centro-leste encontram-se dois desertos, o Dasht-e-Kavir e o Dasht-e-Lut. No primeiro formam-se alguns pântanos durante o Inverno e a Primavera, mas ambos são inóspitos e despovoados. No norte, em paralelo com o Mar Cáspio, estão as montanhas Elburz, que possuem vários vulcões activos. A montanha mais elevada desta cordilheira, que é igualmente o ponto mais alto do Irã, é o Monte Demavend (5671 m). Os Montes Zagros estendem-se desde o noroeste do país, perto da fronteira com a Arménia, até ao sudeste, atingindo o Estreito de Ormuz. Os três grandes rios do Irã são o Karun, o Atrak e o Safid. O Karun é o principal rio navegável do país e nasce nos Montes Zagros, correndo para sul até a localidade de Khorramshahr, onde se une ao rio Shatt Al-Arab (Arvandrud). O Irã possui poucos grandes lagos, sendo a maior parte deles de água salgada. O maior lago iraniano é o Lago Úrmia, situado no noroeste do país, o oeste do Mar Cáspio. Cobre uma área que varia entre os 5 200 e 6 000 m² e caracteriza-se pela extrema salinidade das suas águas, sendo também o maior lago do Médio Oriente. Outro importante lago é o Namak, situado na província de Qom. Na província de Fars existem lagos de pequena dimensão, como o Daryachen-e-Tashk e o Daryachen-e-Bakh-Tegan.

Clima

O clima do Irã varia de árido ou semiárido, a subtropical ao longo da costa do Mar Cáspio e nas florestas do norte. Na região norte do país (a planície costeira do Cáspio), as temperaturas raramente caem abaixo de zero e a área permanece úmida ao longo do ano. As temperaturas no verão raramente ultrapassam os 29 °C. A precipitação anual é de 680 mm na parte oriental da planície e de mais de 1 700 mm na parte ocidental. O Representante das Nações Unidas para o Irã Gary Lewis disse que "a escassez de água coloca o desafio da segurança humana mais grave no Irã atual". Para o oeste, assentamentos na base da Cordilheira de Zagros experimentam temperaturas mais baixas, invernos rigorosos com temperaturas abaixo de zero diárias e queda de neve pesada. As bacias orientais e centrais são áridas, com menos de 200 mm de chuva e têm desertos locais. As temperaturas médias no verão raramente ultrapassam os 38 °C. As planícies costeiras do Golfo Pérsico e do Golfo de Omã no sul do Irã tem invernos amenos e verões muito úmidos e quentes. A precipitação anual varia 135–355 mm.

Biodiversidade

A vida selvagem do Irã é composta de várias espécies de animais, como urso, linces-euroasiáticos, raposas, gazelas, lobos cinzentos, chacais, panteras e javalis. Outros animais domésticos do Irã incluem búfalos-asiáticos, camelos, gado, burros, cabras, cavalos e ovelhas. Águias, falcões, perdizes, faisões e cegonhas também são nativos da vida selvagem do Irã. Um dos membros mais famosos da vida selvagem iraniana é a guepardo-iraniano em perigo crítico, também conhecida como a chita iraniana, cujos números foram bastante reduzidos após a Revolução de 1979. O leopardo persa, que é a maior subespécie de leopardo do mundo, vive principalmente no norte do Irã, também está listado como uma espécie em perigo. O Irã perdeu todos os seus leões-asiáticos e os agora extintos tigres-do-cáspio no início do século XX.

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Demografia

O Irã é um país diversificado, consistindo em vários grupos étnicos e linguísticos que são unificados por meio de uma nacionalidade iraniana compartilhada. A população do Irã cresceu rapidamente durante a segunda metade do século XX, passando de cerca de 19 milhões em 1956 para mais de 86 milhões em 2025. No entanto, a taxa de fertilidade caiu significativamente nos últimos anos, de uma taxa de fertilidade de 6,5 por mulher para menos de 2 apenas duas décadas depois, levando a uma taxa de crescimento populacional de cerca de 1,39% em 2018. Devido à sua população jovem, estudos projetam que o crescimento continuará a desacelerar até que se estabilize em torno de 105 milhões até 2050. O Irã acolhe uma das maiores populações de refugiados do mundo, com quase um milhão de refugiados, principalmente do Afeganistão e do Iraque. Desde 2006, funcionários iranianos têm trabalhado com o ACNUR e funcionários afegãos para sua repatriação. Segundo estimativas, cerca de cinco milhões de cidadãos iranianos emigraram para outros países, principalmente desde a Revolução de 1979.

Línguas

A maioria da população fala persa, que também é a língua oficial do país. Outros incluem falantes de várias outras línguas iranianas dentro da grande família indo-europeia e línguas pertencentes a algumas outras etnias que vivem no Irã. As porcentagens da língua falada continuam sendo um ponto de debate, já que muitos optam por ter motivação política; mais notavelmente em relação às maiores e segundas maiores etnias do Irã, são os persas (61%) e os azerbaijanos (16%) de. As porcentagens fornecidas pelo World Factbook da CIA incluem 53% de falantes do persa, 18% de azerbaijano, 10% de curdo, 7% de mazandarani e guiláqui, 6% de luri, 2% de turcomeno, 2% de balúchi, 2% de árabe e 2% restante de armênio, georgiano, neoaramaico e circassiano.

Composição étnica

Tal como acontece com as línguas faladas, a composição étnica também permanece um ponto de debate, principalmente no que diz respeito ao maior e ao segundo maior grupo étnico, os persas e os azerbaijanos, devido à falta de censos iranianos com base na etnia. O World Factbook da CIA estimou que cerca de 79% da população do Irã é um grupo etnolinguístico indo-europeu diverso que compreende falantes de várias línguas iranianas, com persas (incluindo mazandaranis e guiláquis) constituindo 61% da população, curdos 10%, luros 6% e balúchis 2%. Os povos de outros grupos etnolinguísticos constituem os 21% restantes, com os azerbaijanos constituindo 16%, os árabes 2%, os turcomanos e outras tribos turcas 2% e outros (como armênios, talixes, georgianos, circassianos, assírios) 1%.

Religião

A maioria dos iranianos é muçulmana, pertencendo 90 a 94% da população ao ramo xiita do islão, religião oficial do Estado. O Irã conta com 4 a 8% de muçulmanos sunitas, ramo ao qual pertencem a maioria dos muçulmanos do planeta. Os curdos são na sua maioria sunitas, enquanto a minoria árabe reparte-se entre o islão xiita e o islão sunita. A forma de islão xiita que hoje predomina no Irã é o xiismo duodecimano, que reconhece doze imames após Ali. Embora sempre tenham existido xiitas no Irão, até ao século XVII a população era na sua maioria sunita. A explicação para esta mudança religiosa reside na adopção por parte da dinastia dos safávidas do islão xiita como religião oficial e na sua imposição à população.

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Política

O sistema político do Irã tem por base a constituição de 1979, que fez do país uma república islâmica. Nos termos da constituição, as relações políticas, econômicas, sociais e culturais vigentes no país devem estar de acordo com o Islão. De acordo com relatórios internacionais, o histórico de direitos humanos do Irã é excepcionalmente ruim. O regime no Irã é antidemocrático, persegue e prende com frequência críticos do governo e de seu Líder Supremo e restringe severamente a participação de candidatos em eleições populares, bem como em outras formas de atividade política.

Governo

O Líder Supremo (ou Faqih) é o chefe de Estado do Irã. O cargo é ocupado desde junho de 1989 pelo aiatolá Ali Khamenei, que sucedeu a Khomeini. É eleito pela Assembleia dos Peritos para um mandato vitalício. Suas principais atribuições são a de comandante em chefe das Forças Armadas, nomeação do chefe do poder judiciário, do chefe da segurança interna, dos líderes das orações da sexta-feira, do diretor das estações de rádio e de televisão, bem como de seis dos doze membros do Conselho dos Guardiães. Pode demitir o Presidente do Irã caso considere que este não governa de acordo com a constituição. O poder executivo compete ao presidente, segunda figura do Estado após o Líder Supremo. É eleito através de sufrágio universal para um mandato de quatro anos. Até 1989, ano em que foi aprovada uma reforma constitucional, este cargo detinha poucos poderes. A reforma aboliu o cargo de primeiro-ministro e concedeu maiores poderes ao cargo presidencial. O presidente nomeia e supervisiona o Conselho de Ministros e coordena as decisões governamentais. O seu poder encontra-se limitado pelo Líder Supremo. Os candidatos a presidente devem ser iranianos xiitas e seus nomes são previamente aprovados pelo Conselho dos Guardiães. O ex-presidente do Irã, eleito em agosto de 2013, e reeleito em 2017 foi Hassan Rohani.

Relações internacionais

A política externa do Irã é o produto de muitos, e às vezes fatores conflitantes: a ideologia da revolução islâmica do Irã; a percepção das lideranças iranianas de ameaças ao regime e ao país; os interesses nacionais iranianos de longa data; e a interação de várias facções e grupos constituintes do regime iraniano. O Irã, ao longo de décadas, busca derrubar a estrutura de poder no Oriente Médio, que assegura favorecer os Estados Unidos e seus aliados, Israel e Arábia Saudita, além de outros regimes árabes sunitas. Os iranianos buscam, no entanto, manter contatos estreitos com países em desenvolvimento e não alinhados. Desde a revolução de 1979, o Irã não reconhece o Estado de Israel e as relações diplomáticas com os Estados Unidos permanecem rompidas. As negociações acerca do programa nuclear iraniano representam uma melhora significativa nestas relações. O país persa está sob sanções das Nações Unidas desde 2006, devido à desconfiança internacional de um possível desenvolvimento clandestino de armas de destruição em massa.

Forças armadas

A República Islâmica do Irã tem dois tipos de forças armadas: as forças regulares do Exército, da Força Aérea e da Marinha e da Guarda Revolucionária, totalizando cerca de 545 mil soldados ativos. O Irã também tem cerca de 350 mil forças de reserva, totalizando cerca de 900 mil soldados treinados. O governo do Irã tem uma milícia paramilitar voluntária dentro da Guarda Revolucionária, chamada Basij, que inclui cerca de 90 mil membros uniformizados em tempo integral na ativa. Até 11 milhões de homens e mulheres são membros do Basij que poderiam ser chamados para o serviço. O portal GlobalSecurity estima que o Irã poderia mobilizar "até um milhão de homens", o que estaria entre as maiores mobilizações de tropas do mundo. Em 2007, os gastos militares do Irã representaram 2,6% do PIB ou 102 dólares per capita, o valor mais baixo das nações do Golfo Pérsico. A doutrina militar do Irã é baseada na dissuasão. Em 2014, o país gastou 15 bilhões de dólares em armas, enquanto os estados do Conselho de Cooperação do Golfo gastaram oito vezes mais.

Direitos humanos

O desrespeito aos direitos humanos no Irã tem sido criticado tanto pelos próprios iranianos, quanto por ativistas internacionais de direitos humanos, escritores e ONGs. A Assembleia Geral da ONU e da Comissão de Direitos Humanos denunciaram abusos anteriores e atuais no país, em críticas e em várias resoluções publicadas. O governo do Irã é criticado tanto por restrições e punições que seguem a Constituição e a lei da República Islâmica, quanto por ações que não seguem nenhuma lei, como tortura, estupro e assassinato de presos políticos e espancamentos e assassinatos de dissidentes e outros civis. As restrições e punições que são legais na República Islâmica, mas que violam completamente as normas internacionais de direitos humanos, incluem: penas severas para crimes comuns; punição para "crimes sem vítimas", tais como fornicação e homossexualidade; execução de menores de 18 anos de idade, restrições à liberdade de expressão e à imprensa, incluindo a prisão de jornalistas, e tratamento desigual de acordo com a religião e o gênero das população na constituição da República Islâmica — especialmente ataques a membros da religião Bahá'í.

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Subdivisões

O Irã subdivide-se em 31 províncias, sendo cada uma administrada por um governador indicado pelo Ministério do Interior, mediante aprovação do gabinete. As províncias dividem-se por sua vez em 324 condados e em 865 distritos. Os presidentes dos municípios são também nomeados pelo Ministério do Interior; o conselho local do município é eleito pela população.

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Economia

A economia do Irã é uma mistura de planejamento central, propriedade estatal do petróleo e de outras grandes empresas, agricultura de aldeias e comércio privado de pequena escala e empreendimentos de serviços. Em 2017, o PIB era de 427,7 bilhões * de dólares (1,631 trilhão *, ou 20 mil dólares per capita, em paridade do poder de compra). O Irã é classificado como uma economia de renda média-alta pelo Banco Mundial. No início do século XXI, o setor de serviços contribuiu com a maior porcentagem do PIB, seguido pela indústria (mineração e manufatura) e agricultura. O Banco Central da República Islâmica do Irã é responsável pelo desenvolvimento e manutenção do rial iraniano, que serve como moeda do país. O governo não reconhece sindicatos além dos conselhos trabalhistas islâmicos, que estão sujeitos à aprovação dos empregadores e dos serviços de segurança. O salário-mínimo em junho de 2013 era de 487 milhões de riais por mês (134 dólares). O desemprego tem permanecido acima de 10% desde 1997, e a taxa de desemprego das mulheres é quase o dobro da dos homens.

Turismo

Embora o turismo tenha diminuído significativamente durante a guerra com o Iraque, ele foi posteriormente recuperado. Cerca de 1,6 milhão de turistas estrangeiros visitaram o Irã em 2004 e 2,3 milhões em 2009, principalmente de países asiáticos, incluindo as repúblicas da Ásia Central, enquanto cerca de 10% vieram da União Europeia e da América do Norte. Desde a retirada de algumas sanções contra o Irã em 2015, o turismo ressurgiu no país. Mais de cinco milhões de turistas visitaram o Irã no ano fiscal de 2014–2015, quatro por cento a mais que no ano anterior. Ao lado da capital, os destinos turísticos mais populares são Ispaã, Mexede e Xiraz. No início dos anos 2000, a indústria enfrentou sérias limitações em infraestrutura, comunicações, padrões da indústria e treinamento de pessoal. A maioria dos 300 mil vistos de viagem concedidos em 2003 foram obtidos por muçulmanos asiáticos, que presumivelmente pretendiam visitar locais de peregrinação em Mexede e Qom. Vários passeios organizados da Alemanha, França e outros países europeus vêm ao Irã anualmente para visitar sítios e monumentos arqueológicos. Em 2003, o Irã classificou-se em 68º lugar em receitas de turismo em todo o mundo. De acordo com a UNESCO e o vice-chefe de pesquisa da Organização de Turismo do Irã, o país está classificado em quarto lugar entre os 10 principais destinos no Oriente Médio. O turismo doméstico no Irã é um dos maiores do mundo.

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Infraestrutura

Educação

A educação no Irã é altamente centralizada. O ensino fundamental e médio é supervisionado pelo Ministério da Educação e o ensino superior está sob a supervisão do Ministério da Ciência e Tecnologia. A alfabetização de adultos foi avaliada em 93% em setembro de 2015, enquanto tinha sido avaliada em 85,0% em 2008, ante 36,5% em 1976. De acordo com os dados fornecidos pela UNESCO, a taxa de alfabetização do Irã entre pessoas com 15 anos ou mais era de 85,54% em 2016, com os homens (90,35%) sendo significativamente mais educados do que as mulheres (80,79%), com o número de analfabetos do mesma idade totalizando cerca de 8,7 milhões de pessoas da população total de 85 milhões do país. De acordo com este relatório, os gastos do governo iraniano com educação chegam a cerca de 4% do PIB.

Ciência e tecnologia

O Irã aumentou sua produção de publicações científicas quase dez vezes de 1996 a 2004 e foi classificado em primeiro lugar em termos de taxa de crescimento de produção, seguido pela China.[carece de fontes?] O país também é o 15.º no mundo em nanotecnologias. Em 2009, um supercomputador baseado no SUSE Linux feito pelo Instituto de Pesquisa Aeroespacial do Irã (ARI) foi lançado com 32 núcleos e agora executa 96 núcleos. Seu desempenho foi fixado em 192 GFLOPS. O robô humanoide iraniano Surena II, que foi projetado por engenheiros da Universidade de Teerã, foi revelado em 2010. O Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos (IEEE) colocou o nome de Surena entre os cinco robôs proeminentes do mundo após analisar seu desempenho.

Mídia

O Irã é um dos países com pior situação de liberdade de imprensa, ocupando a 164ª posição entre 180 países no Índice de Liberdade de Imprensa (em 2018). O Ministério da Cultura e Orientação Islâmica é o principal departamento governamental iraniano responsável pela política cultural, incluindo atividades relacionadas a comunicações e informações. Os primeiros jornais do Irã foram publicados durante o reinado de Naceradim Xá Cajar da dinastia Cajar em meados do século XIX. A maioria dos jornais publicados no Irã é em persa, a língua oficial do país. Os periódicos de maior circulação do país são baseados em Teerã, entre os quais estão Etemad, Ettela'at, Kayhan, Hamshahri, Resalat e Shargh.

Transportes

O Irã tem um longo sistema de estradas pavimentadas ligando a maioria de suas cidades. Em 2011, o país tinha 173 mil quilômetros de estradas, dos quais 73% foram pavimentados. Em 2008, havia quase 100 automóveis de passageiros para cada mil habitantes. O sistema ferroviário iraniano opera 11 106 km de trilhos. O principal porto de entrada do país é Bandar Abbas, no Estreito de Ormuz. Depois de chegar ao Irã, as mercadorias importadas são distribuídas em todo o país por caminhões e trens de carga. A ferrovia Teerã-Bandar-Abbas, inaugurada em 1995, conecta Bandar-Abbas ao sistema ferroviário da Ásia Central via Teerã e Mexede. Outros portos importantes incluem Bandar-e Anzali e Bandar e-Torkeman, no Mar Cáspio, e Khorramshahr e Bandar-e Emam Khomeyni, no Golfo Pérsico.

Energia

O Irã tem a segunda maior reserva comprovada de gás natural do mundo, depois da Rússia, com 33,6 trilhões de m3, e a terceira maior produção de gás natural, depois da Indonésia e da Rússia. Ele também ocupa o quarto lugar em reservas de petróleo, com uma estimativa de 153,6 bilhões de barris. É o segundo maior exportador de petróleo da OPEP e é uma superpotência energética. Em 2005, o Irã gastou 4 bilhões de dólares na importação de combustível, devido ao contrabando e ao uso doméstico ineficiente. Em 2004, uma grande parte das reservas de gás natural do Irã não era explorada. O acréscimo de novas usinas hidrelétricas e a otimização das estações convencionais de carvão e petróleo aumentaram a capacidade instalada para 33 mil megawatts. Desse montante, cerca de 75% foram baseados no gás natural, 18% no petróleo e 7% na energia hidrelétrica. Em 2004, o Irã abriu suas primeiras usinas eólicas e geotérmicas e a primeira usina solar entrou em operação em 2009. O Irã é o terceiro país do mundo a ter desenvolvido a tecnologia GTL.

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Cultura

O Irã é provavelmente o local de nascimento do polo, conhecido localmente como čowgān, com seus primeiros registros atribuídos aos antigos medos. Por ser um país montanhoso, o Irã é um local para esqui, snowboard, escalada e alpinismo. É o lar de vários resorts de esqui, sendo o mais famoso Tochal, Dizin e Shemshak, todos dentro de uma a três horas de viagem da capital Teerã. O futebol é considerado o esporte mais popular no Irã, com a seleção masculina vencendo a Copa da Ásia em três ocasiões. A seleção masculina manteve sua posição como a melhor equipe da Ásia, ocupando a 33.ª no mundo de acordo com o Ranking Mundial da FIFA (em maio de 2020). O voleibol é o segundo esporte mais popular no país, tendo vencido os Campeonatos Asiáticos de Voleibol Masculino de 2011 e 2013, a seleção masculina é atualmente a equipe mais forte da Ásia e está em oitavo lugar no Ranking da Federação Internacional de Voleibol (em julho de 2017). O basquete também é popular, com a seleção masculina vencendo três Campeonatos Asiáticos da FIBA desde 2007.

Arte

A arte do Irã abrange muitas disciplinas, incluindo arquitetura, alvenaria, metalurgia, tecelagem, cerâmica, pintura e caligrafia. As obras de arte iranianas apresentam uma grande variedade de estilos, em diferentes regiões e períodos. A arte dos medos permanece obscura, mas foi teoricamente atribuída ao estilo cita. Os aquemênidas emprestaram muito da arte de suas civilizações vizinhas, mas produziram uma síntese de um estilo único, com uma arquitetura eclética remanescente em locais como Persépolis e Pasárgada. A iconografia grega foi importada pelos selêucidas, seguida pela recombinação de elementos helenísticos e anteriores do Oriente Próximo na arte dos partas, com vestígios como o Templo de Anaíta. Na época dos sassânidas, a arte iraniana passou por um renascimento geral. Embora de desenvolvimento pouco claro, a arte sassânida foi altamente influente e se espalhou por regiões distantes. O Arco de Ctesifonte e o Naqsh-i Rustam estão entre os monumentos sobreviventes do período sassânida.

Arquitetura

A história da arquitetura no Irã remonta ao sétimo milênio a.C. Os iranianos foram os primeiros a usar matemática, geometria e astronomia na arquitetura. A arquitetura iraniana exibe uma grande variedade, tanto estrutural quanto estética, desenvolvendo-se gradual e coerentemente a partir de tradições e experiências anteriores. O motivo condutor da arquitetura iraniana é seu simbolismo cósmico, "pelo qual o homem é colocado em comunicação e participação com os poderes do céu". Este tema não só deu unidade e continuidade à arquitetura da Pérsia, mas também foi uma fonte primária de seu caráter emocional. O Irã ocupa o sétimo lugar na lista da UNESCO de países com o maior número de ruínas arqueológicas e atrações da antiguidade. Segundo o historiador e arqueólogo persa Arthur Pope, a suprema arte iraniana, no sentido próprio da palavra, sempre foi sua arquitetura. A supremacia da arquitetura se aplica aos períodos pré e pós-islâmicos.

Literatura

A tradição literária mais antiga do Irã é a do avéstico, a antiga língua sagrada iraniana do Avestá, que consiste nos textos lendários e religiosos do zoroastrismo e da antiga religião iraniana, com seus primeiros registros datando dos tempos pré-aquemênidas. Das várias línguas modernas usadas no Irã, o persa, vários dialetos dos quais são falados em todo o planalto iraniano, tem a literatura mais influente. O persa foi considerado uma língua digna de servir de canal para a poesia e é considerado um dos quatro principais corpos da literatura mundial. O Irã tem vários poetas medievais famosos, mais notavelmente Rumi, Ferdusi, Hafez, Saadi de Xiraz, Omar Caiame e Nezami Ganjavi. A literatura iraniana também inspirou escritores como Johann Wolfgang von Goethe, Henry David Thoreau e Ralph Waldo Emerson.

Música

O Irã é aparentemente o local de nascimento dos primeiros instrumentos musicais complexos, datando do terceiro milênio a.C. O uso de harpas angulares verticais e horizontais foi documentado nos locais Madaktu e Kul-e Farah, onde está a maior coleção de instrumentos elamitas já registrados. Múltiplas representações de harpas horizontais também foram esculpidas em palácios assírios, datando de 865 a 650 a.C. A Ciropédia de Xenofonte menciona um grande número de mulheres cantoras na corte do Império Aquemênida. Ateneu de Náucratis, em seu Banquete dos Eruditos, aponta para a captura de meninas cantantes na corte do último rei aquemênida Dario III (r. 336–330 a.C.)) pelo general macedônio Parmênion. Sob o Império Parta, o gōsān (menestrel) tinha um papel proeminente na sociedade. De acordo com a Vida de Crasso de Plutarco (32.3), eles elogiaram seus heróis nacionais e ridicularizaram seus rivais romanos. Da mesma forma, a Geographica de Estrabão relata que os jovens partas aprenderam canções sobre "as ações tanto dos deuses quanto dos homens mais nobres". A história da música sassânida está mais bem documentada do que nos períodos anteriores, e é especialmente mais evidente nos textos de avestão.

Cinema

Uma taça de barro do terceiro milênio a.C. descoberta em Shahr-e Sūkhté, um assentamento urbano da Idade do Bronze no sudeste do Irã, mostra o que poderia ser o exemplo mais antigo de animação do mundo. O artefato, associado a cultura jiroft, carrega cinco imagens sequenciais representando uma cabra selvagem pulando para comer as folhas de uma árvore. No início do século XX, a indústria do cinema chegou ao Irã. Até o início dos anos 1930, havia cerca de 15 salas de cinema em Teerã e 11 em outras províncias. Os anos 1960 foi uma década significativa para o cinema iraniano, com 25 filmes comerciais produzidos anualmente em média ao longo do início da década, aumentando para 65 no final da década. A maior parte da produção se concentrou em melodramas e thrillers.

Culinária

A cultura culinária do Irã tem interagido historicamente com as cozinhas das regiões vizinhas, incluindo cozinha caucasiana, culinária turca, cozinha levantina, cozinha grega, cozinha da Ásia Central e cozinha russa. Por meio dos vários sultanatos muçulmanos persianizados e da dinastia mogol da Ásia Central, aspectos da culinária iraniana também foram adotados na culinária indiana e paquistanesa. A culinária iraniana inclui uma grande variedade de pratos principais, como vários tipos de kebab e pilaf. Na cultura iraniana, o chá (čāy) é amplamente consumido. O Irã é o sétimo maior produtor de chá do mundo e uma xícara de chá é normalmente a primeira coisa oferecida a um convidado.

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Fontes consultadas

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