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Integralismo brasileiro

Integralismo brasileiro é uma ideologia política de extrema-direita de caráter nacionalista e fascista, desenvolvida pelo escritor brasileiro Plínio Salgado no início da década de 1930 e que se agregou, a princípio, na Sociedade de Estudos Políticos, e, a partir da publicação do Manifesto de Outubro de 1932, na Ação Integralista Brasileira (AIB).

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/10/2026
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História

O integralismo tem sido representado por sucessivas agremiações desde 1932 e tem tido papel predominante em vários episódios da História brasileira, como no Golpe de 1937 e no Golpe de Estado no Brasil em 1964. Surgiu com a Ação Integralista Brasileira. Após o Estado Novo, seus membros se reagruparam no Partido de Representação Popular, posteriormente fechado pelo Ato Institucional n.º 2. Os remanescentes em geral uniram-se à Aliança Renovadora Nacional. A partir da década de 1970, houve inúmeros esforços na tentativa de recriar o movimento integralista brasileiro, como a Casa de Plínio Salgado (CPS), o Partido de Reedificação da Ordem Nacional (PRONA) e a Frente Integralista Brasileira (FIB), que representa a principal unidade do movimento integralista no Brasil. Há ampla discussão sobre as proximidades do integralismo com o fascismo de Benito Mussolini. Embora tenha se distanciado em suas versões mais tardias, o movimento de Salgado surgiu com influências da contraparte italiana. Ademais, em seu início o integralismo recebeu financiamento do fascismo italiano.

Batalha da Praça da Sé

A Batalha da Praça da Sé foi um conflito entre antifascistas e integralistas no centro da cidade de São Paulo no dia 7 de outubro de 1934. A Ação Integralista Brasileira (AIB) havia marcado para aquele dia um comício em comemoração aos dois anos do Manifesto Integralista, e, tão logo souberam dessa intenção, os antifascistas da capital paulista se organizaram para impedir a realização do evento Alguns enfrentamentos menores ocorrem, ainda nesse momento sem muita gravidade. Os integralistas tomam as escadarias da Catedral da Sé, quando repentinamente uma rajada de metralhadora se faz sentir. Até hoje não se sabe quem disparou, mas um dos tiros atinge Mario Pedrosa, que consegue ser retirado da batalha por Fúlvio Abramo. Tomba morto o jovem comunista Décio de Oliveira. A partir de então, os distintos grupos que estavam espalhados pela região entram em enfrentamento direto com os integralistas. Ainda que sem uma direção centralizada, todas as forças da esquerda paulista participaram do conflito em especial a Frente Única Antifascista (FUA), que resultou em sete mortos — sendo eles um estudante antifascista, três integralistas, dois agentes policiais e um guarda civil — e cerca de trinta feridos. Para as esquerdas, esse evento tornou-se um símbolo da luta antifascista e contra os elementos reacionários da política nacional.

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Princípios

Para a constituição do Manifesto de Outubro, Plínio Salgado redigiu e apresentou nove princípios básicos norteadores da doutrina a ser formada na Sociedade de Estudos Políticos:

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Filosofia

Na definição da Enciclopédia do Integralismo, o integralismo “é uma filosofia e um método”, e se define na ”doutrina que correlaciona os fenômenos e procura deduzir as soluções particulares da solução geral do problema nacional e humano”. Adotando uma concepção global da fenomenologia socioeconômico-política, nas palavras de Plínio Salgado, a doutrina integralista compreende o Universo e o Homem de maneira global no conjunto dos fenômenos que lhes são inerentes e consequentes. Assim, o integralismo coloca-se como "a harmonia de todas as formas e movimentos", "do que é autônomo e do que é determinado". Essa concepção total do Universo principia na consideração de Deus como a "Eterna Verdade". Por tudo isso, para Plínio Salgado, de acordo com a criteriologia administrativa totalista (ou integralista), "não será possível encontrar solução isolada para problemas isolados, pois todas as questões, que particularmente se oferecem à nossa consideração, vinculam-se às outras, do mesmo modo como, em nosso corpo, os órgãos e funções se correlacionam, em inevitável interdependência". A partir disso, convencionou-se a reproduzir: "Ou resolvemos todos [os problemas], segundo as suas correlações, as suas recíprocas interferências, as suas implicações, uns sobre os outros, ou não resolvemos nenhum".

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Nacionalismo

Enquanto concebe a Nação como um dos grupos naturais, o integralismo adota, como é trivial, uma posição nacionalista. Conforme destaca o Manual do Integralista, a Nação, dentro do conceito Integralista, é "uma grande sociedade de famílias, vivendo em determinado território, sob o mesmo governo, sob a impressão das mesmas tradições históricas e com as mesmas aspirações e finalidades". Plínio Salgado define o nacionalismo nas seguintes palavras: "Nacionalismo é compreensão íntima do meio social e do meio cósmico. Nacionalismo é a visão total do país e é, ao mesmo tempo, a consciência particular de cada caráter e de cada tendência, de cada modo de ver, sentir, estar, resolver, aspirar, trabalhar e viver dos indivíduos isoladamente e das populações agremiadas sob o império de uma forma de atividade econômica, uma circunstância geográfica e uma feição moral". Segundo ele, em outro momento, nacionalismo é "a manutenção da integridade da Pátria".

Universalismo

Em uma série de artigos publicada no jornal A Razão no começo da década de 1930, Plínio Salgado descrevia como as nações à época se fechavam em si mesmas, restaurando sua autoridade interna, rumo a permitir a realização de um futuro "internacionalismo ético". Em outro artigo, o autor buscava soluções para "impor um ritmo de relações entre os países, de sorte que possam todos prosperar, trocando o excesso de suas produções pelo excesso de produções de mercadorias provenientes de outros climas", através de um "critério universal". Esse problema se apresentava dentro da ideia exprimida por ele de que "a solução dos problemas de cada nação depende diretamente da solução do problema único de todas as nações". No período, ele batia-se com especial vigor pela união de todas as nações sul-americanas, chegando mesmo a defender que "é preferível que desapareçam com honra todas as nações sul-americanas do que continuarmos a viver classificados como países semicoloniais".

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Política

Estado

A concepção integral do Estado, em complemento à concepção das formas, concebe igualmente o movimento, ao que Plínio Salgado permite-se chamar do "Estado que se renova" e "Estado revolucionário". O integralismo nega uma concepção de "sociedade estagnada", colocando-se assim, na defesa um Estado dinâmico que acompanhe os movimentos sociais. Dentro desse pensamento, apregoa distinguir as finalidades permanentes e imutáveis do Estado e a dependência deste ao organismo social no que concerne à sua atividade prática. Classifica, pois, os "valores imutáveis e valores transitórios", em um Estado "de finalidade prefixada, porém, de plasticidade revolucionária". Ainda mais, invoca para o Estado o direito das revoluções "para destruir todos os fatores que ameaçam situações de desequilíbrio atentatórias da intangibilidade do Homem".

Sindicalismo e Corporativismo

Segundo a teoria corporativa integralista, os sindicatos devem tornar-se organismos de direito público. Via de regra, devem estabelecer com as organizações de capital convenções coletivas de trabalho. No entanto, os trabalhadores podem, também, se reunir em sindicatos privados, cujos contratos coletivos só terão valor entre seus signatários. Somente os contratos realizados entre sindicatos de direito público, portanto, são leis para toda a categoria. Para o reconhecimento de um sindicato, todavia, far-se-ia necessário que fossem cumpridas algumas condições: que reúna certa porcentagem definida de elementos da profissão ou categoria; que se proponha à finalidade de tutelar os interesses econômicos, de assistência, da instrução e da educação moral e nacional de seus inscritos; que não tenha ligações de dependência com organizações internacionais ou estrangeiras; e "que os seus dirigentes tenham boa conduta e competência".

Municipalismo

O integralismo defende que "os municípios devem ser autônomos em tudo o que respeita a seus interesses peculiares". Plínio Salgado definiu o Município como "pedra angular da doutrina integralista" e disse que "a palavra municipalismo resume a nossa política".

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Economia

O integralismo almeja promover a disseminação da propriedade e, ao mesmo tempo, declarar maiores deveres do proprietário perante o Estado. A doutrina integralista coloca o Estado Corporativo acima da economia. Segundo as palavras de Sergio Panunzio, que Miguel Reale toma para si, "o Estado está acima da economia, especialmente quando a domina e controla, coordena e harmoniza, mas não faz economia. A coordenação, a composição das economias em um todo unitário é um momento de natureza própria, político-estatal, diverso do momento econômico da produção da riqueza". Para ele, o Estado não deve ser um ente econômico, mas supereconômico. Reale acrescenta, no entanto, que há casos em que o Estado deve exercer funções de produtor, "quando a não intervenção direta poderia acarretar praticamente a anulação da soberania jurídico-política". Por outro lado, Gustavo Barroso afirma que o integralismo não sustenta a primazia da política sobre a economia nem da economia sobre a política, mas a direção de ambos pela moral e pela ciência.

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Neointegralismo

O movimento neointegralista busca reviver ideias do integralismo da década de 30 com uma abordagem mais radical. Seus seguidores creem em concepções de mundo pautadas na hierarquização social, em preconceitos sociais, raciais e sexuais, e nos valores morais do fundamentalismo cristão. Apesar de não possuírem uma organização centralizada, o neointegralismo, utilizando a internet como principal meio de comunicação, conseguiu um grande alcance na sociedade brasileira, sobretudo entre a classe média, através do apelo às crenças religiosas e a promessa da manutenção de sua posição social. Alguns apoiadores, no entanto, encontram-se entre as classes operárias, o que indica que o movimento neointegralista aproveitou-se de um estado de mal-estar social para conseguir apoio popular. O integralismo é citado como inspiração do grupo de skinheads Carecas do ABC, a gangue usa o lema Deus, pátria e família. A gangue aceita como membros negros e nordestinos no grupo, mas abominam roqueiros cabeludos, estrangeiros e homossexuais.

Movimentos relacionados

Após a eleição de Jair Bolsonaro em 2018, que recebeu apoio de movimentos neointegralistas, surgiram diversos movimentos de apoio ao presidente, denominados popularmente de movimento Bolsonarista. Em seu livro A ascensão do bolsonarismo no Brasil do século XXI, Cesar Calejon debate que cinco aspectos foram marcantes na eleição do candidato: o antipetismo, o elitismo histórico, o dogma religioso da sociedade brasileira, o sentimento de antissistema e a disseminação de notícias falsas e discursos de ódio por ferramentas de comunicação online, como WhatsApp e Facebook. Tais aspectos são consistentes com o movimento integralista, pois representam o estado de mal-estar social e o uso de crenças religiosas para convencimento de populações de classe média através da internet. Essas ideologias já vinham crescendo no país desde o início das operações da Lava Jato, mas somente depois do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff é que a figura de Bolsonaro passou a ser utilizada como símbolo do movimento. Apesar disso, a rejeição do liberalismo econômico e a desconfiança da aproximação aos Estados Unidos distanciou os integralistas do bolsonarismo, mantendo-se críticos do governo. Segundo o especialista Odilon Caldeira Neto, “o integralista está para além de lideranças e instituições, de acordo com os seus membros”, e por isso “os integralistas não são bolsonaristas”. Para ele, “o diálogo entre grupos integralistas e o bolsonarismo não é uma adesão, mas sim uma aproximação estratégica”.

Política contemporânea

Em O fascismo em Camisas Verdes, seus autores admitem que há alguns traços em comum entre o governo Bolsonaro e o fascismo histórico: "o conservadorismo", "o anticomunismo", "o uso das teorias de conspirações" e "a visão de mundo baseada na diferenciação entre amigos e inimigos". Em 2022, Bolsonaro, em um discurso na Assembleia Geral da ONU, fez uso do lema "Deus, pátria, família e liberdade" usado por integralistas. Nunca tendo desaparecido por completo, o integralismo se fragmentou em diversas correntes internas, em constante tensão entre si. Mesmo enfraquecido, se enraizou no sistema político brasileiro, dialogando com a ditadura militar e com o bolsonarismo. Em 2019, por exemplo, uma das facções contemporâneas do integralismo lançou um coquetel molotov na produtora Porta dos Fundos, em represália a um especial de Natal.

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Fontes consultadas

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