Inana
Inana é uma figura central na mitologia mesopotâmica, venerada como a deusa do amor, erotismo, fecundidade e fertilidade. Originária da Suméria, seu culto se expandiu para acadianos, babilônios e assírios, onde era conhecida como Istar. Seu principal centro de adoração era o templo de Eana em Uruque, sendo associada ao planeta Vênus, ao leão e à estrela de oito pontas. Sua mitologia rica inclui sua relação com o deus Dumuzi e sua assistente Ninsubur, além de narrativas sobre sua descida ao submundo.
Pontos-chave
- Inana é a antiga deusa mesopotâmica do amor, erotismo, fecundidade e fertilidade.
- Seu culto se originou na Suméria e foi posteriormente adotado por acadianos, babilônios e assírios como Istar.
- Era conhecida como a "Rainha do Céu" e seu principal centro de culto era o templo de Eana em Uruque.
- Seus símbolos incluem o leão e a estrela de oito pontas, e ela é associada ao planeta Vênus.
- Sua mitologia é rica, com destaque para a sua descida ao submundo e suas interações com outros deuses.
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Inana e Istar, inicialmente deusas distintas, foram unificadas sob Sargão da Acádia. O nome 'Inana' pode significar 'Senhora do Céu', mas sua etimologia cuneiforme é complexa. Teorias sugerem uma origem proto-eufratiana, ligada à deusa hurrita Hanana, ou uma divindade sem esfera de responsabilidade inicial, diferindo de outras divindades sumérias. Contudo, a ideia de uma linguagem proto-eufratiana anterior ao sumério não é amplamente aceita hoje.
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Duas versões da descida de Inana-Istar ao submundo sobreviveram: uma suméria, mais longa e detalhada, da Terceira Dinastia de Ur, e uma acadiana, mais curta, do início do II milênio a.C. Ambas narram a jornada da deusa ao reino de sua irmã Eresquigal.
Versão Suméria
No submundo sumério, o Kur, um lugar sombrio governado por Eresquigal, a irmã de Inana. Antes de partir, Inana instrui sua serva Ninsubur a pedir ajuda a outros deuses caso ela não retorne. As leis do submundo proíbem a saída, exceto para mensageiros. Inana se veste com trajes elaborados, cada um representando um 'me' (poder) poderoso, para sua jornada.
Versão Acadiana
Encontrada em manuscritos na Biblioteca de Assurbanipal e em Assur, esta versão data da primeira metade do primeiro milênio a.C. Começa com Istar exigindo entrada no submundo, ameaçando o porteiro com consequências severas, incluindo a ressurreição dos mortos para atacar os vivos.
Interpretação dos Mitos
Diane Wolkstein interpreta o mito como uma união de Inana com seu 'lado sombrio', Eresquigal, simbolizando a aceitação da morte como parte da continuidade da vida. Joseph Campbell vê o mito como uma descida ao inconsciente, a descoberta da própria força através da impotência e a aceitação das qualidades negativas.
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Inana/Istar aparece em importantes mitos mesopotâmicos, incluindo a Epopeia de Gilgamés e mitos hititas e hurritas, onde sua natureza e relações com outros deuses são exploradas.
Epopeia de Gilgamés
Na Epopeia de Gilgamés, Istar oferece a Gilgamés torná-lo seu esposo, mas ele a recusa, lembrando-a do trágico destino de seus amantes anteriores, como Tamuz, o rolieiro-de-peito-lilás, o leão e o pastor.
Outros Contos
Em um mito hitita, Istar nasce após a castração de Anu por Kumarbi. Ela tenta seduzir o monstro Olicumi sem sucesso. Os hurritas e hititas sincretizaram Istar com sua deusa Išḫara. Em um texto neoassírio, Istar aparece a Sargão da Acádia, tornando-o seu amante e permitindo que ele governe a Suméria e a Acádia.
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O dia 2 de janeiro é tradicionalmente dedicado a Inana. Ela se tornou uma figura importante na teoria feminista moderna por sua força e poder em um panteão dominado por homens. Simone de Beauvoir, em 'O Segundo Sexo', argumenta que divindades femininas poderosas como Inana foram marginalizadas pela cultura moderna em favor de divindades masculinas.


