Terceira
A Terceira é uma das nove ilhas dos Açores, integrante do chamado "Grupo Central". Primitivamente denominada como Ilha de Nosso Senhor Jesus Cristo das Terceiras, foi em tempos o centro administrativo das Ilhas Terceiras, como era designado o arquipélago dos Açores. A designação Terceiras aplicava-se a todo o arquipélago do Açores visto ter sido o terceiro arquipélago descoberto no Atlântico. Com o avançar dos anos esta ilha passou a ser conhecida apenas por Ilha Terceira.
A ilha é dividida em dois municípios e trinta freguesias:
A ilha tem as dimensões aproximadas de 29 km de comprimento por 18 km de largura, medindo o seu perímetro 90 km. Tem uma área de 402,2 km2. O seu ponto mais alto está a 1021 m de altitude, e localiza-se na serra de Santa Bárbara, no lado oeste. A ilha é atravessada pelo rifte da Terceira, uma estrutura geológica associada à junção tripla entre as placas tectónicas euroasiática, africana e americana. A geomorfologia da ilha faz com que ela apresente paisagens muito variadas e de grande beleza, que se repartem entre planícies como a da Achada, e serras como a de Santa Bárbara. Destacam-se ainda alguns acidentes naturais como a Caldeira Guilherme Moniz, uma das maiores da ilha, a chamada Lagoa das Patas ou da Falca, que junto com "Os Viveiros" forma um conjunto harmonioso, e a Chã das Lagoinhas, na reserva geológica do Algar do Carvão. Destaca-se ainda o Complexo desmantelado da Serra do Cume, na zona Este, de cujo topo se descortinam Praia da Vitória e as Lajes. A zona ocidental da ilha está coberta por vegetação exuberante onde pontificam as criptomérias. Na costa norte, pode-se observar a ponta dos "mistérios" e a zona balnear dos Biscoitos, com vestígios de erupções vulcânicas. No interior é de assinalar o Algar do Carvão e as Furnas do Enxofre.
A economia da ilha assenta sobretudo na agropecuária (pecuária de leite) e nas indústrias associadas à transformação de lacticínios. O rebanho é formado essencialmente por animais da raça Holstein-Frísia, o chamado Gado Holandês, embora seja de destacar a raça Ramo Grande, autóctone. A ilha conta com dois importantes portos, nas suas duas cidades, Angra do Heroísmo e Praia da Vitória. Nesta última situa-se o aeroporto internacional e a Base Aérea das Lajes.
Não se pode falar da Terceira sem falar da festa do Divino Espírito Santo. Este culto está ligado à Rainha Santa Isabel, entroncando nas raízes joaquimitas trazidas para os Açores pelos franciscanos espirituais. Este milagre é recordado todos os anos nas freguesias da Terceira na cerimónia da distribuição de pão e carne (o "bodo") pela população, celebrada junto aos "impérios", construções coloridas erigidas como capelas em honra do Espírito Santo. Este é um ritual que remonta à Idade Média que se repete ao longo dos séculos com um sentimento profundamente religioso. A outra grande festa e com grandes tradições na ilha é a tourada à corda. Um touro preso com uma corda e controlado por dois grupos de quatro pastores investe contra os populares que se espalham pelas ruas das povoações. Os pastores desempenham um papel crucial na condução da tourada, controlando o percurso do touro, e a sua velocidade, e zelando pela segurança dos participantes.
A denominação e povoamento da ilha
Não há certeza quanto à data de descoberta da Terceira, embora a mesma já figure em portulanos quatrocentistas. Foi inicialmente denominada como Ilha de Jesus Cristo e, posteriormente, como Ilha de Jesus Cristo das Terceiras, até se afirmar a designação atual de apenas Terceira. O cronista Gaspar Frutuoso relaciona várias hipóteses para a sua primitiva designação: Dentre estas, acrescenta que lhe parecia mais certo o descobrimento da ilha ter ocorrido em dia do Corpo de Deus, por estar o tempo mais propício à navegação. A ilha começou a ser povoada a partir da sua doação, por carta do Infante D. Henrique, datada de 21 de Março de 1450, ao flamengo Jácome de Bruges:
A Dinastia Filipina
No contexto da Crise de sucessão de 1580, António de Portugal, Prior do Crato foi aclamado e coroado rei, sendo derrotado pelas forças espanholas sob o comando do duque de Alba na batalha de Alcântara (25 de agosto de 1580). Diante da instalação da Dinastia Filipina em Portugal, D. António passou a governar o país a partir da Terceira, nos Açores. Após a vitória na batalha da Salga (25 de julho de 1581, na Terceira, e da derrota na Batalha Naval de Vila Franca (26 de julho de 1582), nas águas da ilha de São Miguel, a resistência da Terceira persistiu até ao verão de 1583. Nesse período, enquanto sede da monarquia portuguesa, a ilha chegou a ter, além da presença do soberano, órgãos como a Casa da Suplicação, as Mesas de Desembargo do Paço e Casa da Moeda.
O século XVIII
A falta de cereais conduz ao motim de Angra, que tem lugar nos dias 29 e 30 de abril de 1757, envolvendo cerca de 400 a 500 pessoas. Em 1766, a divisão do arquipélago em capitanias foi alterada, passando a existir, a partir de então, uma capitania geral, com sede em Angra do Heroísmo: a Capitania Geral dos Açores.
A Guerra Civil Portuguesa (1828-1834)
A Revolução liberal do Porto teve repercussões sobretudo na Terceira. No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), travou-se em 1829, em virtude do golpe de estado absolutista que pôs D. Miguel no poder, uma violenta batalha entre miguelistas e liberais, da qual saíram vitoriosos estes últimos: a batalha da Praia da Vitória (11 de agosto). Em 1830 formou-se na Terceira um Conselho de Regência e, em 1832, partiu de Belle-Isle, na costa sul da Bretanha (França), uma expedição militar sob o de D. Pedro (10 de fevereiro), rumo aos Açores, onde chegou a 22 de fevereiro (ilha de São Miguel) estabelecendo-se em Angra (3 de março). Aqui assumiu a Regência e nomeou o seu Ministério, presidido pelo marquês de Palmela, e do qual faziam parte Mouzinho da Silveira, sendo promulgadas muitas reformas importantes. Daqui retornou D. Pedro para São Miguel (25 de abril), na continuação da preparação da expedição que culminou no Desembarque do Mindelo (8 de julho).


