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Idolatria

Idolatria é um termo genérico para referir-se a quaisquer práticas de adoração a ídolos, sejam religiosos ou não; tais práticas estão subentendidas no conceito de idolatria como incoerentes com valores e ideias associadas a um Deus transcendente, e por tal natureza único.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 12/07/2026
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Etimologia

Imagem: giovanibr · BY-NC-ND · Openverse

A palavra idolatria herda dos radicais gregos eidolon + latreia, onde eidolon seria melhor traduzido por "corpo", e latreia significando "adoração" — neste sentido representaria mais uma adoração às aparências corporais do que de imagens simplesmente.

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História

Imagem: Meeting Rimini · BY-NC-SA · Openverse

Os povos da Antiguidade possuíam objetos representativos de suas divindades, como um ponto focal de adoração. Em geral, o deus maior nessas crenças idolátricas era o sol. Para os babilônicos e assírios, o deus sol era chamado Shamash, vindo a frente de 66 outros deuses, entre os tais, Tamuz (que, segundo sua mãe, Semíramis, seria o Messias, o Filho da promessa). Tamuz se identifica com divindades de diversos outros mitos que teriam ressuscitado após serem assassinados e descerem a profundezas espirituais. Semíramis era mulher de Nimrod, bisneto de Noé e fundador e rei da Babilônia. Ela se dizia a Rainha do Céu (ou Astarote), deusa a quem muitas mulheres judias acendiam incenso nas ruas de Jerusalém, como denunciava o profeta Jeremias. Astarte, ou Asterote - há muitas grafias, pois o nome original nunca foi escrito em nosso alfabeto, no qual a sonoridade do nome pode ter mais de uma representação - tinha a personificação humana em suas sacerdotisas, que assim eram honradas pelo rei e pelo povo, e a personificação celeste no planeta Vênus, que é a estrela mais bela do céu.

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Cristianismo

Igreja primitiva

Registros das comunidades cristãs primitivas, especialmente das catacumbas romanas, indicam que estes representavam Jesus com imagens e iconografias, como um Peixe, Cordeiro Pascal e um Bom Pastor, e outros ícones representando santos e anjos. Desde o século II os cristãos preservavam relíquias de mártires, oravam pelos mortos e acreditavam na intercessão dos santos, essas práticas eram conhecidas por alguns antigos grupos judeus, e especula-se que o cristianismo pode ter tomado a sua prática similar. Diversos Padres da Igreja atestam esta doutrina. Por exemplo, em 156 em Smyrna (atual Esmirna na Turquia), após a morte de São Policarpo, seus discípulos recuperaram os ossos e acolheram-nos como objetos sagrados. Muitas catacumbas em Roma estão conservadas imagens feitas pelos primeiros cristãos, como as catacumbas de Santa Priscila, pintadas na primeira metade do século II, que possuem imagens de Maria e Jesus. Os cristãos primitivos não consideravam a confecção de imagens como idolatria. Outros estudiosos posseum um ponto de vista diferente. Encyclopedia Britannica, Vol. XII, página 750 (ed. 1907): “Foi uma acusação comum levantada contra os cristãos pelos seus inimigos, de que não tinham ‘nem altares, nem templos, nem imagens conhecidas’; e que ‘não estabeleceram nenhuma imagem ou forma de qualquer deus’, e esta acusação nunca foi negada.” Justificou-se a inclusão de imagens na igreja no quarto e quinto séculos com a teoria de que pessoas sem instrução aprenderiam melhor os fatos do cristianismo com elas do que com sermões ou livros.” — Cyclopedia of Biblical, Theological, and Ecclesiastical Literature (Enciclopédia de Literatura Bíblica, Teológica e Eclesiástica), de McClintock e Strong, volume 4, páginas 503 e 504.

Perspectiva católica

Os católicos utilizam objetos religiosos, como estátuas, cruzes e ícones. Eles apontam para os padrões de culto do Antigo Testamento seguido pelo povo hebreu, em que eles tratam com reverência ou veneração certos lugares e objetos, sem adorá-los, isto é, prestar-lhes o culto que está devidamente reservado apenas para Deus. Segundo a exegese católica, Deus ordena a Moisés a confecção de duas imagens de anjos para a Arca da Aliança: «Farás também 'dois querubins de ouro; de ouro batido os farás', nas duas extremidades do propiciatório. Farás um querubim na extremidade de uma parte, e outro querubim na extremidade de outra parte; de uma só peça com o propiciatório fareis os querubins nas duas extremidades dele.» (Êxodo 25:18–19) Em seguida, Josué se prostra diante da Arca, possivelmente um exemplo de veneração de uma imagem ou objeto («Josué rasgou suas vestes e prostrou-se com a face por terra até a tarde diante da arca do Senhor, tanto ele como os anciãos de Israel, e cobriram de pó as suas cabeças.» (Josué 7:6))

Perspectiva Ortodoxa

A Igreja ortodoxa ensina que a encarnação de Jesus torna obrigatório a confecção e veneração de seus ícones, a fim de preservar a verdade da Encarnação, pois não venerá-los implicaria negar que Jesus foi totalmente Deus, e negar que Ele tinha um corpo físico real. A Igreja Ortodoxa não aceita estátuas (pois as considerada como eidolon), mas apenas pinturas.

Perspectiva Alta Igreja protestante

Algumas denominações, bem como segmentos internos de denominações no protestantismo utilizam símbolos visuais em sua liturgia. Anglicanos High Church, Luteranos Hochkirchliche Bewegung, Irmãos Morávios, entre outros, possuem cruzes (mas não crufixos - escultura de Jesus Cristo crucificado), vitrais de cenas bíblicas e santos da cristandade e estátuas monumentais (como a fachada dos mártires na Abadia de Westminister). Em comum, evitam devoções diante voltadas a esses símbolos.

Perspectiva protestante

Há inúmeras linhas doutrinárias protestantes que divergem grandemente umas das outras, porém a maioria das religiões protestantes, baseando-se por exemplo em uma interpretação de Êxodo 20,3-6 (outras passagens são encontradas em Lv 26,1; Dt 7,25; Sl 97,7 etc.) acusam cristãos ortodoxos e católicos de idolatria, e mesmo de "paganismo" pelo uso de qualquer tipo de imagem, sendo que a maioria dos grupos protestantes evitam o uso de ícones.

Perspectiva islâmica

De acordo com o Alcorão, idolatria é um pecado imperdoável, sendo classificado como a confecção de qualquer tipo de imagem relacionada ao divino, bem como arrogância e egoísmo. Historiadores e sociólogos apontam que para "fugir" da proibição de confecção de obras de arte do divino, os árabes desenvolveram sua escrita, enfeitando-a, tornando ela própria uma "obra de arte relacionada ao divino". O Alcorão e a tradição profética (Sunnah), definem quatro categorias principais de idolatria no Islã.

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Fontes consultadas

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