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Iberismo

O Iberismo é um movimento político e cultural que defende a aliança das relações a todos os níveis entre Andorra, Espanha e Portugal.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 26/07/2026
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Antecedentes

Geográficos e culturais

Portugal e Espanha partilham uma unidade geográfica que se revela na longa fronteira comum (1.214 km), no seu cruzamento por vários rios importantes, como o Minho, Douro, Tejo e Guadiana, pelo mesmo clima, base rural, etc., características estas de relevância especial para a Península Ibérica. Além disso, os dois países têm uma História — por vezes comum, por vezes paralela — desde as dominações romana, visigótica, árabe, até à consolidação dos reinos cristãos medievais, continuando pela era dos Descobrimentos, a união dinástica aeque principaliter das três coroas da Península Ibérica sob o mesmo soberano da Casa de Áustria, a Guerra Peninsular (chamada em Espanha de Guerra da Independência), a Quádrupla Aliança (1834) frente às guerras carlista e miguelista, o Pacto Ibérico (1942), e terminando com a adesão de ambos os países à União Europeia.

Históricos

Durante o Antigo Regime, as tentativas de união ibérica surgiram a reboque de circunstâncias políticas internacionais. Estas tentativas fundamentavam-se na política matrimonial fomentada desde a Idade Média. Durante o século XVI, como consequência da morte do rei de Portugal, D. Sebastião, na Batalha de Alcácer-Quibir, o seu tio, D. Filipe II, rei de Espanha, filho de D. Isabel de Portugal e neto do rei D. Manuel, fez valer a sua pretensão ao trono português, e em Junho de 1580 enviou o Duque de Alba e o seu exército a Lisboa para assegurar a sua sucessão. Filipe II foi aclamado rei de Portugal, como D. Filipe I, nas Cortes de Tomar em Abril de 1581. O outro pretendente, D. António, Prior do Crato, foi derrotado em Alcântara (1580) acabando por se refugiar nos Açores, onde a armada filipina lhe infligiu a derrota final. Deste modo, desde 1580 a 1640, quando Portugal se rebelou sob a liderança de D. João, duque de Bragança, efetivou-se a união da Península sob uma única coroa; não obstante, manteve-se a distinção formal entre "as Espanhas" e Portugal, como exemplifica o título de Hispaniarum et Portugalliae Rex. D. João IV recebeu um apoio generalizado do povo português, e os espanhóis – que tinham de lutar contra rebeliões em muitos dos seus domínios, para além da guerra com França – foram incapazes de responder. Espanhóis e portugueses mantiveram-se num estado de paz de facto entre 1641 e 1657. Quando D. João IV morreu, os espanhóis tentaram lutar por Portugal contra o seu filho D. Afonso VI, mas foram derrotados na batalhas do Ameixial (1663), Castelo Rodrigo (1664) e Montes Claros (1665), o que levou Espanha a reconhecer a independência portuguesa em 1668 pelo Tratado de Lisboa.

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História

O iberismo inicia-se como tal no século XVIII com José Marchena, que, em l'Avis aux espagnols, deu à doutrina um cariz progressista, federal e republicano. Porém o verdadeiro auge pró-iberista dá-se durante o século XIX. Em Espanha, a dissolução do Antigo Regime e a formação do Estado liberal estiveram na origem da invasão da Península pelas tropas napoleónicas, demorando-se quase três décadas a consolidação do Liberalismo. A Guerra Peninsular (1807-1814) foi testemunha de outra tentativa de união entre Espanha e Portugal. Na atualidade existem diversas organizações iberistas que realizam trabalhos de desenvolvimento das relações peninsulares entre Portugal e Espanha, como é o caso da Sociedade Iberista, uma associação sociocultural fundada em 2018, que promove a criação de uma aliança estratégica peninsular e europeísta que previna o despovoamento rural, recupere e melhore o ambiente e defenda os direitos humanos.

Tentativas de uniões dinásticas

O reinado de D. Fernando I, decorrido entre 1367 e 1383, ficou marcado pelo envolvimento em várias aventuras guerreiras, mal preparadas e mal executadas, bem como pela instabilidade de alianças e objetivos. Os últimos anos do reinado decorreram sob a obsessão de uma política de alianças e de casamentos na qual foi contemplada a hipótese de união ibérica ou, pelo menos, de união entre Portugal e Castela. Foi neste contexto que se desenrolaram os sucessivos projetos matrimoniais em que esteve envolvida a jovem D. Beatriz (nascida em 1372), herdeira da coroa portuguesa. D. Beatriz veio a casar aos 11 anos de idade com D. João I de Castela, que antes estivera para ser seu sogro, e que a desposou para herdar o trono de Portugal. Tanto as Cortes de Valladolid (1383) como as de Santarém (1383) deram o seu acordo às decisões tomadas. Nesse mesmo ano, após a morte de D. Fernando I, sua mãe D. Leonor Teles fê-la proclamar rainha de Portugal, assumindo ela a regência. A aclamação de D. Beatriz e do seu marido, como reis de Portugal, causou tumultos populares e abriu a crise da independência, que levou à guerra com Castela, inviabilizando o projeto de união dinástica.

Iberismo republicano

Frente à união monárquico-dinástica, surgiu uma alternativa federalista e republicana. Influenciados pela Revolução de 1848 na França, cerca de 400 espanhóis e portugueses emigrados em Paris fundaram o Club Ibérico e organizaram uma manifestação frente à administração camarária, em que, precedidos de uma bandeira com símbolos ibéricos, deram vivas à federação. Na segunda metade do século, o "Iberismo" em Espanha dividiu-se em duas correntes bem diferenciadas devido aos conflitos sócio-económicos, cada vez mais tensos, produzidos pelo avanço — ainda que muito lento — da industrialização. Uma procurava a "União Ibérica" baseada na unidade monárquica. Esta união de tipo monárquico era apoiada pelos liberais progressistas, que desejavam que se realizasse a integração ibérica sob a monarquia liberal constitucional, e implantar um sistema político e social mais de acordo com o desenvolvimento económico capitalista. Foi defendida principalmente pelos componentes mais significativos da média burguesia e das profissões liberais. A outra corrente advogava uma "federação ibérica" republicana, e via a monarquia como agregadora do latifundismo e do regime oligárquico burguês. A solução do problema devia encontrar-se na implantação de um regime federal republicano com um amplo consenso democrático. Esta posição foi apoiada por setores urbanos, com a participação de pequenos burgueses e setores artesanais.

Último terço do século XIX

Nos finais da década de 1860, o regime liberal moderado entrou numa grave crise, à medida que cresciam as forças que consideravam inevitável a abdicação da rainha D. Isabel II de Espanha. Deste modo, o projeto do iberismo converteu-se numa meta realizável. Os movimentos de unificação da Itália ou da Alemanha e o progresso económico e social dos Estados Unidos, acelerado após superar a crise da Guerra de Secessão, ampliaram as esperanças de uma união ou federação da Ibéria. Outra proposta foi efetivada por Teófilo Braga, que descreveu a trajetória comum de Espanha e Portugal como "parte da ordem natural das coisas". Segundo o seu pensamento político, o próprio Braga desenvolveu um plano concreto para o estabelecimento de uma Federação Ibérica, na qual Espanha devia converter-se em república, dividir-se em territórios autónomos e incluir Portugal na dita federação, que assim seria a mais forte e extensa unidade do conjunto, bem como estabelecer a capital em Lisboa.

Causas do malogro

Como causas que reduziram o projeto iberista à órbita das ideias podem nomear-se o caos interno de Espanha e a falta de simpatizantes em Portugal, onde o iberismo não tinha influência para além de limitados círculos intelectuais; o desconhecimento das particularidades e histórias nacionais respetivas — sobretudo da nacionalidade Portuguesa e sua história pela parte espanhola, uma vez que este movimento em Espanha era maior, vário e mais confuso, decorrente também da compleição já então considerada plurinacional do mesmo país, diverso da característica unitária de Portugal como nação étnica e linguística — e por isso muitas vezes contraproducente nas relações entre ambos; a Inglaterra e França, com interesses respetivamente em Portugal e Espanha, opuseram-se sempre aos movimentos que tentavam a integração dinástica ou a qualquer aliança nesse sentido pelos países ibéricos. Em 1873, quando se proclamou a primeira República em Espanha, o governo inglês manifestou ao governo francês o seu desejo se não permitir, sob nenhuma circunstância, um movimento iberista. Com a chegada da alternância pactuante, o bipartidarismo afastou os republicanos. Não obstante, houve manifestações a favor da união da Ibéria. Durante o ano de 1890 o republicano Rafael Labra manifestou o seu desejo de uma União Ibérica no Congresso de Deputados. Em Junho de 1893 celebrou-se o Congresso republicano em Badajoz, no qual participaram federalistas tanto de Portugal como de Espanha; porém estes movimentos não encontravam eco, dado que em ambos os países se intensificava o processo nacionalizador novecentista do Estado-nação, que em Portugal já era antecedido por uma visão interna e cultural de nação e pátria individual muito anterior aquele e muito precoce, se comparada com muitos outros processos do género na Europa — visão portuguesa no fundo já madura no século XVI, de um processo que por sua vez ainda era anterior, consolidado com a dinastia de Avis e os seus cronistas — e claramente visível na ampla literatura clássica portuguesa tardo-medieval ou renascentista do século XV e sobretudo do século XVI que se lhe seguiu (Épicos Nacionais com um inovador herói coletivo nacional, mesmo no quadro da literatura europeia comparada, como Os Lusíadas, entre outras obras da época — variadas Crónicas nacionais de carácter historiográfico sobre os feitos coletivos da pátria no mundo e sua história anterior, Poesia, Crónicas de Cavalaria sobre as origens lendárias da nação e da sua monarquia) — e em todo o Renascimento Português em geral.

Propostas nacionalistas periféricas

Desde finais do século XIX o projeto iberista foi-se desvanecendo, porém sem chegar a desaparecer. Foi suscitado pelas minorias linguísticas de Espanha frente ao nacionalismo espanhol. Após a derrota na Guerra Hispano-Americana de 1898 surgiram propostas políticas dos chamados nacionalismos periféricos, alternativas às estatais. Os catalanistas aspiravam à realização da União Ibérica, uma vez que o peso de Castela e a hegemonia política e cultural do castelhano poderia ter uma diminuição relativa, pela inclusão de Portugal dentro do território estatal. Este projeto do nacionalismo catalão deu enorme importância à integração linguística. Propunha três blocos bem definidos na Ibéria: Catalunha, Valência e Baleares no leste; Portugal e Galiza no oeste; e no centro Castela. O ideal dos "Estados Compostos" ou a "Federação Ibérica" seria para os nacionalistas periféricos uma arma peculiar frente ao nacionalismo de Estado, que perdurou durante o século XX. Não foi por acaso que Francesc Macià proclamou a República Catalã em Abril de 1931 da seguinte forma: "l'Estat Català integrat en la Federació de Repúbliques Ibèriques".

Século XX

Também cabe destacar neste período a figura do reitor da Universidade de Salamanca, Miguel de Unamuno, iberista convicto, que estreitou laços com a classe política portuguesa da época. São por isso assinaláveis, no âmbito da sintonia entre os dois países, o facto da Constituição da Segunda República Espanhola reconhecer a dupla nacionalidade hispano-portuguesa nas mesmas condições em que o fazia com os países hispano-americanos, ou o facto de a bandeira da República Portuguesa ter as cores do Partido Republicano, de tendência iberista. No século XX, o iberismo, mais do que uma doutrina política explícita, derivou para a pressuposição de algumas conceções políticas e sociais de esquerda, coisa que se manifestou na Primeira República (1910), bem como nas doutrinas de grupos libertários espanhóis e portugueses como a Federación Anarquista Ibérica e a Federación Ibérica de Juventudes Libertarias.

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Produto Interno bruto e rendimento per capita

Comparação a nível internacional do PIB de Espanha e de Portugal, segundo estimativas do FMI para 2025 em milhares de dólares.

Integração económica

As relações comerciais mantiveram pouco dinamismo até à entrada de ambos os países na União Europeia. A partir desse momento, ambos os países passaram a observar uma evolução que fazia a integração de ambas as economias. O gráfico seguinte demonstra os dados ao longo dos anos. Atualmente, a Espanha é para Portugal o primeiro destino das suas exportações e o primeiro providenciador de exportações. Portugal ocupa a terceira posição em Espanha e o oitavo lugar respetivamente. Apesar desta discrepância de dados, deve-se notar que a Espanha exporta mais para Portugal, do que para todo o continente americano no seu conjunto. As tabelas seguintes mostram os dados respetivos ao ano de 2005.

Turismo

Em relação ao turismo podem ser visualizadas as tabelas em baixo expostas, onde se pode ver a importância das relações turísticas e comerciais entre os dois países. Entradas de turistas em Espanha e Portugal segundo o país de origem.

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