Humberto Delgado
Humberto da Silva Delgado ComC • GCA • ComSE • GCL • OIP • CBE foi um militar português da Força Aérea que corporizou o principal movimento de tentativa de derrube do regime salazarista através de eleições, tendo contudo sido derrotado nas urnas, num processo eleitoral reconhecidamente fraudulento, onde não houve fiscalização pela parte da oposição, que deu a vitória ao candidato do regime, Américo Tomás. Ficou popularmente conhecido como o General sem Medo.
Primeiros anos
Era filho de Joaquim da Silva Delgado, primeiro sargento de Artilharia 3, e de Maria do Ó Pereira Delgado, ambos naturais de Brogueira. Tinha uma irmã, Deolinda Pereira da Silva Delgado. Frequentou o Colégio Militar entre 1916 e 1922. Entre 1922 e 1925, frequentou o curso de Artilharia na Escola do Exército, incluindo, em 1925, uma passagem pela Escola Prática de Artilharia, em Vendas Novas, onde ofereceu resistência a uma revolta de sargentos e, em consequência disso, foi alvejado. Ingressou, em 1926, no curso de observador aeronáutico e, no ano seguinte, no de piloto aviador militar, na Escola de Aviação Militar de Sintra (Granja do Marquês).
Carreira militar e política
Senhor de um carácter dinâmico, extrovertido e agressivo, Delgado destacou-se pela sua oposição à democracia parlamentar nos primeiros anos do regime, escrevendo um livro polémico, Da Pulhice do Homo Sapiens (1933, Casa Ventura Fernandes), onde ataca violentamente tanto os monárquicos como os republicanos, e onde manifesta a sua simpatia por Salazar e a sua obra. Depois de, nos anos 1930, Humberto Delgado ter revelado proximidade em relação aos regimes fascistas em Espanha, Itália e Alemanha, ao ponto de elogiar as figuras de Franco, Mussolini e Hitler, o ano de 1940 representa um momento de viragem. Escreve, nesse ano, a peça radiofónica "A Marcha para as Índias", que encerra uma crítica à expulsão dos judeus de Portugal. A sua família acolhe uma jovem refugiada judia belga, Mélita Gretzer.
Oposição ao regime
Os cinco anos que viveu nos Estados Unidos consolidaram a sua crescente insatisfação e dissensão em relação ao regime de Salazar e a forma de encarar a política portuguesa. Convidado por opositores ao regime de Salazar para se candidatar à Presidência da República, em 1958, contra o candidato do regime, Américo Tomás, aceita, reunindo em torno de si toda a oposição ao Estado Novo. Numa conferência de imprensa da campanha eleitoral, realizada em 10 de maio de 1958 no café Chave de Ouro, no Rossio em Lisboa, quando lhe foi perguntado pelo jornalista Lindorfe Pinto Basto (representante da France Press em Lisboa), que postura tomaria em relação ao Presidente do Conselho Oliveira Salazar, respondeu com a frase "Obviamente, demito-o!".
Exílio e morte
Em 1959, na sequência da derrota eleitoral, vítima de represálias por parte do regime salazarista e alvo de ameaças por parte da polícia política, pediu asilo político na Embaixada do Brasil, período em que decorreu, sob a sua égide, a malograda Revolta da Sé. Humberto Delgado seguiu depois para o exílio nesse país, onde chegou em 21 de abril de 1959. Durante o período do seu exílio no Brasil, deu-se o assalto ao paquete Santa Maria ("Operação Dulcineia"), sob o comando do capitão Henrique Galvão, levado a cabo em nome de Humberto Delgado, e do DRIL que co-liderava com dissidentes espanhóis, principalmente galegos. Nesse mesmo período foi amplamente apoiado por D. Maria Pia de Saxe-Coburgo Gotha e Bragança, a quem se dirigia como "a Princesa" ou "a Duquesa", que o ajudou monetariamente e ainda lhe ofereceu uma das suas residências em Roma, na Itália, para que o General pudesse regressar ao território europeu.
A Assembleia da República Portuguesa decidiu, a 19 de julho de 1988, que fosse feita a transladação dos restos mortais de Humberto Delgado, do Cemitério dos Prazeres para o Panteão Nacional da Igreja de Santa Engrácia, em Lisboa. A cerimónia aconteceu a 5 de outubro de 1990, dia em que se assinalava os 80 anos da Implantação da República Portuguesa. Nesta mesma altura, o General foi elevado, a título póstumo, a Marechal da Força Aérea. Em fevereiro de 2015, por ocasião do 50.º aniversário do seu assassinato, a Câmara Municipal de Lisboa propôs ao governo Português a alteração do nome do Aeroporto de Lisboa para Aeroporto Humberto Delgado. O governo aceitou a proposta e desde 15 de maio de 2016 que o Aeroporto da Portela se designa por Aeroporto Humberto Delgado. O sítio de Malos Pasos, onde se encontraram os restos mortais de Humberto Delgado de Arajaryr Campos, está patrimonializado. Em 1995 foi colocada no local, pela Comissão Internacional de Homenagem a Humberto Delgado, uma placa memorial; e em 2005 foi erguido um monumento em mármore da autoria da escultora Fernanda Assis e de iniciativa luso-espanhola. Em 2015, o ajuntamento de Villanueva del Fresno também passou a prestar a sua homenagem, com um painel no mesmo local, a Arajaryr Campos.


