Hospital
Hospital é um local destinado ao atendimento de doentes para proporcionar o diagnóstico, que pode ser de vários tipos e a terapia necessária. Documenta-se o vocábulo português "hospital" no século XVI talvez por influência do francês "hôpital" do século XII derivados da forma culta do latim "hospitale" relativo a hospede, hospitalidade, adjetivo neutro substantivado de "hospitalis" (domus) - (casa) que hospeda.
Para Michel Foucault, o hospital como instrumento terapêutico é uma invenção relativamente nova, que remonta ao final do século XVIII. Segundo ele, a consciência de que o hospital pode e deve ser um instrumento destinado a curar aparece claramente em torno de 1780. Tal verifica-se através de diversos estudiosos e filantropos dessa época, como o inglês John Howard (1726–1790) conhecido como o reformador das prisões, e o médico francês Jacques-René Tenon (1724–1816) que em 1788 publicou o livro “Mémoire sur les Hôpitaux de Paris” (Memórias sobre os Hospitais de Paris) a pedido da Academia de Ciências, no momento em que se colocava o problema da reconstrução do Hotel-Dieu de Paris. Foram realizadas visitas, inquéritos e feitas comparações que determinam reformas e construções dos hospitais. No Brasil, a Santa Casa de Misericórdia de Santos, fundada em 1543, é considerada o primeiro hospital das Américas.
Grécia antiga (1200–400 a.C.)
Nos “Templos” ou “Clínicas” de Esculápio (de Asclépio, Grego: Ασκληπιεία). O atendimento individual ao cidadão grego com ervas, repouso, purgantes, banhos térmicos, rituais religiosos tipo consulta à oráculos, indução de sonhos reveladores, ("enkoimesis", Grego: ενκοίμησις), etc. e atividades de lazer (“kátharsis”), educação em teatro, realizados em construções (Anfiteatros) anexas às clínicas. Os Iatriões (lugar dos médicos, "latros") estavam no centro da cidade, com camas para doentes e banheiros, possuindo boa ventilação, iluminação, aparentemente cuidados destinados à evitar a contaminação. Pode ser considerada como um antecedente do ambulatório. Dessa época sobreviveu também o termo “Cline” (do grego κλίνη – cama, origem do termo clínico, clínica médica) e terapeutas (Médicos, do grego terapia θεραπεία - "servir a deus" - Asclépio). Os pacientes curados faziam doações denominadas “taxas”.
China e Índia (160 a. C. – 625 d. C.)
Nesse período, na China sob a dinastia Han, a medicina possuía um caráter de serviço público, segundo as “Memórias Históricas” teriam existido hospitais ou estabelecimentos análogos e os médicos da corte procediam exames sistemáticos no pessoal do palácio e tornavam-se com frequência funcionários ou escreviam sobre medicina. A partir do ano 624 os estudos médicos foram sancionados por exames sob autoridade do T’ai-yi-chou (grande serviço médico) se constituindo como o mais antigo exemplo do controle do estado sobre a medicina. São criados os hospitais budistas da Índia.
Roma (27 a. C. – 476 d.C.)
No Império Romano (27 a.C. – 476 d.C.) das referências aos hospitais da antiguidade, existe apenas o Valetudinário, instituição romana destinada ao tratamento e recuperação das tropas. Durante o período de expansão do império, o Valetudinário não tem origem religiosa, pelo menos no princípio. Posteriormente, nesse mesmo império, entre os séculos I e II a.C., registram-se, pois, instituições análogas destinadas aos escravos. Registra-se também nesse período e a permanência das instituições (templos?) e casas de banho sobreviventes do mundo grego. Em 129 a 199 d.C., Galeno reafirma e desenvolve os princípios da medicina grega. Jesus Cristo é tido como um curandeiro, aumentando a concepção religiosa e espiritual da medicina, reafirmando os princípios éticos da caridade expresso nos textos bíblicos como “amor ao próximo”. A era dos milagres e expectativa de cura através de "auxílio divino" e penitências que desenvolveram-se a partir de então, tem várias interpretações, inclusive a de exacerbação da fé e rejeição ao racionalismo, típico da Idade Média considerada por alguns como a “idade das trevas”. Em 317 d.C. Constantino I (272 —337 d.C.) passa a adotar declarado e oficialmente lemas e símbolos cristãos e em 325 publica o édito que proibia as “casas de banho” e templos pagãos.
Europa (séculos VII a XIX)
Em 650–656 dá-se a construção do Hotel-Dieu em Paris, sob a direção do Bispo de São Landry. No século XV dá-se o início do processo de separação do hospital medieval em duas instituições distintas: o hospital sensu stricto para o cuidado dos pacientes e a instituição de caridade, geralmente associada à recolha de órfãos, abrigos ou casas para os pobres. No século XV, dá-se o “Quattrocento Italiano”, no contexto de transformações da cidade-estado e suas instituições de bem-estar, surge uma nova arquitetura e tipologia do hospital, que o distanciou das instituições medievais. Um símbolo desta reforma é a utilização da cruz grega e formação de claustros nos espaços, o que permitiu a classificação e separação dos internos.
Em 1910, é publicado, por Abraham Flexner (1866–1959), o estudo “Medical Education in the United States and Canada – A Report to the Carnegie Foundation for the Advancement of Teaching” conhecido como o Relatório Flexner (Flexner Report) considerado o grande responsável pela mais importante reforma das escolas médicas de todos os tempos nos Estados Unidos da América (EUA), com profundas implicações para a formação médica por suas recomendações à especialização e exigência na formação médica de um ciclo clínico de mais dois anos, realizado no hospital devidamente equipado com laboratórios e instalações adequadas. Além do avanço tecnológico e especialização dos hospitais pode-se afirmar que as modernas discussões sobre o hospital se iniciam com o relatório Dawson elaborado por Bertrand Edward Dawson (1864–1945), em 1920, que deu origem ao sistema médico inglês de 1948 que articula “centros de saúde” a hospitais e tem sido considerado um dos primeiros documentos que sintetizaram um modo específico de pensar políticas públicas de saúde mediante a criação de Sistemas Nacionais. É comum a expressão modelo hospitalocêntrico em oposição a um modelo assistência que tem como centro a atenção primária, realizada em unidades elementares de saúde, como expressão de uma controvertida polêmica sobre a aplicação dos recursos da saúde pública.
Trabalham em hospital profissionais de limpeza, administração, diretoria, recepção, e principalmente profissionais de saúde, como nutricionistas, médicos, cirurgiões-dentistas, enfermeiros, fisioterapeutas, farmacêuticos, etc. O planejamento dos serviços a ser oferecidos e o estudo da relação da unidade hospitalar com as demais unidades de saúde é realizado por profissionais de saúde pública e autoridades sanitárias governamentais, política e juridicamente constituídas. Os principais departamentos de um hospital são o seu corpo clínico (diretoria médica) e o serviço de arquivo médico e estatística (SAME); o setor administrativo de manutenção e o setor financeiro. Num "Hospital Geral" os serviços oferecidos variam muito e também os departamentos que esses possuem. Eles podem ter serviços de atendimento à casos graves, tais como departamento de emergência, centro de trauma, unidade de queimados, cirurgia de emergência ou atendimento de urgência. Esses podem ser apoiados por unidades especialistas, tal como cardiologia, terapia intensiva, neurologia, ginecologia e obstetrícia e oncologia.


