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História do Egito

A História do Egito abrange uma das mais longas trajetórias de civilização em um mesmo território, marcada por períodos de esplendor, transformações e resiliência.

Fonte: Wikipédia (pt)Texto didático por IAAtualizado em 21/10/2026

Pontos-chave

  • O Egito possui uma história milenar, com origens que remontam ao final do período paleolítico.
  • A civilização egípcia floresceu às margens do Rio Nilo, que foi fundamental para o desenvolvimento agrícola e social.
  • A história do Egito é dividida em diversos períodos, como o Antigo, Médio e Novo Impérios, intercalados por períodos intermediários.
  • O Egito passou por dominações estrangeiras, como a bizantina, sassânida, omíada, abássida, otomana e britânica.
  • O Egito contemporâneo passou por revoluções, a proclamação da república e a ascensão de diferentes líderes políticos.
01

Pré-história Egípcia

Imagem: ER's Eyes - Our planet is beautiful. · BY-NC-SA · Openverse

O cenário árido do Norte da África, após o período paleolítico, forçou as populações a se concentrarem ao longo do Vale do Nilo. A fertilidade das terras nilóticas permitiu o desenvolvimento de uma economia agrícola sedentária e de uma sociedade mais complexa, marcando o início de uma civilização.

Período Pré-dinástico

Em um Egito com clima menos árido, savanas arborizadas e fauna abundante, as populações nômades evoluíram para comunidades agrícolas sedentárias por volta de 5.500 a.C. Essas culturas, identificadas por sua cerâmica e objetos pessoais, demonstraram controle sobre agricultura e pecuária. Destaques incluem a cultura Faium A, com desenvolvimento na tecelagem, a cultura El-Omari, com os primeiros cemitérios, e a cultura Badariana, conhecida pela cerâmica de alta qualidade, ferramentas de pedra e uso de cobre.

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Antigo Egito

Imagem: ER's Eyes - Our planet is beautiful. · BY-NC-SA · Openverse

O Antigo Egito é um período de grande desenvolvimento cultural, arquitetônico e tecnológico, com uma administração centralizada que impulsionou a economia e a construção de monumentos grandiosos.

Época Tinita

O sacerdote Manetão, no século III a.C., organizou a história egípcia em 30 dinastias, iniciando com o rei Meni (ou Menés), creditado como unificador do Alto e Baixo Egito por volta de 3.100 a.C. Embora a unificação tenha sido um processo mais gradual, alguns estudiosos associam Menés ao faraó Narmer, representado na Paleta de Narmer em um ato simbólico de unificação, ou ao faraó Atótis.

Império Antigo

Este período foi marcado por avanços significativos em arquitetura, arte e tecnologia, impulsionados por uma administração centralizada e eficiente. O vizir coordenava a arrecadação de impostos, projetos de irrigação, recrutamento de mão de obra para construções e a manutenção da ordem e justiça, permitindo o patrocínio de monumentos colossais e obras de arte.

Primeiro Período Intermediário

Com o colapso do governo central, a economia sofreu instabilidade, levando a escassez de alimentos e conflitos. Apesar disso, a independência dos líderes regionais permitiu o florescimento cultural e econômico nas províncias, com enterros mais elaborados e a adaptação de motivos artísticos antes restritos à realeza, além do desenvolvimento de novos estilos literários.

Império Médio

Os faraós do Império Médio restauraram a prosperidade e estabilidade, com um renascimento artístico e de construções. A capital foi transferida para Itjtawy, no Faium, onde foram promovidas melhorias na agricultura e irrigação. Houve a reconquista militar da Núbia e a construção de defesas no Delta Oriental para proteção contra invasões.

Segundo Período Intermediário

O enfraquecimento do poder central permitiu a ascensão de imigrantes asiáticos (hicsos) no Delta Oriental, que controlaram a região e forçaram o governo a se retirar para Tebas. Após anos de conflito, os faraós de Tebas conseguiram expulsar os hicsos, estabelecendo as bases para o Império Novo com foco na expansão militar e segurança das fronteiras.

Império Novo

Este período de prosperidade sem precedentes foi marcado pela expansão territorial, com o Egito alcançando seu maior império. Campanhas militares estenderam a influência egípcia da Síria à Núbia, garantindo acesso a recursos essenciais. Houve uma grande campanha de construção para promover o deus Amom e glorificar os faraós, como Hatexepsute e Tutemés III, com expedições comerciais e monumentos impressionantes.

03

Egito Medieval

Imagem: ER's Eyes - Our planet is beautiful. · BY-NC-SA · Openverse

O Egito Medieval foi um período de transições políticas e culturais, com a ascensão de novas dinastias e a influência de impérios vizinhos, além de enfrentar desafios como a Peste Negra.

Domínio Bizantino

Após a divisão do Império Romano, o Egito permaneceu sob o domínio do Império Romano do Oriente (Bizantino), com capital em Constantinopla. Alexandria e Antioquia prosperaram com o comércio e a produção de bens de luxo, enquanto as escolas de Alexandria se destacavam no debate filosófico.

Domínio Sassânida

O Egito foi brevemente dominado pelo Império Sassânida entre 619 e 629, antes de ser conquistado por Umar ibn al-Khattab em 638.

Domínio Omíada e Abássida

A conquista árabe, liderada por Anre ibne Alas em 639, expulsou o poder bizantino e estabeleceu Fostate como capital. Ao longo dos séculos, a população se converteu ao Islã e adotou o árabe. O Egito tornou-se província do Califado Omíada e, posteriormente, do Abássida, cujos períodos de declínio permitiram a ascensão de dinastias locais.

Dinastias Tulúnida e Iquíxida

Em 868, Amade ibne Tulune inaugurou um período de autonomia egípcia, expandindo seu domínio para a Síria. Após um breve retorno à soberania abássida, Maomé ibne Tugueje (Iquexide) foi nomeado governador em 935, restaurando a ordem e a influência egípcia sobre a Síria, além de conquistar Meca e Medina. Seus descendentes governaram até 969.

Dinastia Fatímida

Os fatímidas, seguidores do xiismo, surgiram na Tunísia e conquistaram o Egito em 969, fundando a cidade do Cairo como sua nova capital. Sob seu domínio, o Egito tornou-se o centro de um vasto império que se estendia pelo Norte da África, Sicília, Palestina, Síria e Iêmen.

Dinastia Aiúbida

Saladino reformou a administração, reorganizou o exército e expandiu as fronteiras, conquistando a costa da Líbia, o norte do Sudão e o Iêmen. Seu filho Otomão o sucedeu, e após conflitos internos, Adil I assumiu o poder. Durante o reinado de Alcamil, o Egito enfrentou as Cruzadas, perdendo Damieta temporariamente e cedendo cidades na Palestina e Síria.

04

Egito Moderno

Imagem: ER's Eyes - Our planet is beautiful. · BY-NC-SA · Openverse

O Egito moderno passou por um período de domínio otomano, seguido pela ascensão de Maomé Ali, que modernizou o país e aumentou sua autonomia, e pela subsequente ocupação britânica.

Domínio Otomano (1517-1798)

O Egito tornou-se uma província do Império Otomano em 1517, governada por um paxá. A autoridade otomana era limitada, com as elites mamelucas mantendo influência. Este período foi marcado por declínio econômico e cultural, embora líderes como Ali Bei e Maomé Bei tenham buscado independência. A abertura de novas rotas comerciais levou a um declínio econômico e penúria.

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Egito Contemporâneo: Dinastia de Maomé Ali

Imagem: ER's Eyes - Our planet is beautiful. · BY-NC-SA · Openverse

Após a ocupação francesa e um período de desordem, Maomé Ali tomou o poder em 1805, consolidando sua autoridade através do massacre dos Mamelucos. Ele modernizou o exército, a marinha e a economia, estabelecendo um monopólio estatal e aumentando a autonomia do Egito em relação ao Império Otomano.

Protetorado Britânico

Em 1882, tropas britânicas ocuparam o Egito militarmente, institucionalizando um protetorado em 1914. A independência foi negociada em 1922, mas sob condições que mantinham a influência britânica.

Independência

Em 1922, o Reino Unido concedeu independência nominal ao Egito, com Ahmad Fuad tornando-se rei. A constituição de 1923 estabeleceu uma monarquia constitucional. O partido Wafd, liderado por Saad Zaghlul, buscou a completa libertação do poder britânico, mas a renúncia de Zaghlul em 1924 marcou um revés nesse processo.

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Egito Contemporâneo: República e Nasser

Imagem: Marcio Cabral de Moura · BY-NC-ND · Openverse

Um golpe militar em 1952 derrubou a monarquia, proclamando a República do Egito. Gamal Abdel Nasser ascendeu à presidência em 1956, liderando o país em um período de nacionalismo e transformações políticas.

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Período Sadat

Imagem: Arquivo Nacional do Brasil · PDM · Openverse

Anwar Sadat buscou reaproximação com a Arábia Saudita e liderou o Egito na Guerra do Yom Kippur em 1973. Promoveu uma política de 'Intifah' (porta aberta), desnacionalizando a economia e incentivando o investimento privado, além de romper com a União Soviética e se aproximar dos EUA. Essas políticas, contudo, pioraram as condições de vida da população, gerando manifestações e oposição de partidos islâmicos.

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Período Mubarak

Imagem: ER's Eyes - Our planet is beautiful. · BY-NC-SA · Openverse

Hosni Mubarak, sucessor de Sadat, aprofundou a política de 'Infitah', atraindo investimento estrangeiro e mantendo a ajuda dos EUA. Enfrentou uma crescente dívida externa e uma crise econômica agravada pela queda nas receitas de petróleo, remessas de imigrantes, Canal de Suez e turismo. O fundamentalismo islâmico ganhou força, culminando em uma série de ataques terroristas.

Terrorismo

A partir de 1990, movimentos fundamentalistas islâmicos realizaram ataques terroristas visando turistas e intelectuais seculares, além de atingir a minoria copta. O governo respondeu com prisões em massa e estado de emergência, buscando converter o Egito em um estado teocrático e combatendo o governo de Mubarak.

Reaproximação com os países árabes

A partir de 1984, o Egito buscou superar as consequências negativas dos Acordos de Camp David, defendendo os direitos dos palestinos e restabelecendo relações diplomáticas com a maioria dos países árabes, sendo readmitido na Liga Árabe em 1989. Houve também um distanciamento em relação a Israel.

Anos 1990

O Partido Nacional Democrático (PDN) venceu as eleições parlamentares de 1987. Em 1990, a dívida externa atingiu 40 bilhões de dólares. Um empréstimo do FMI em 1991 exigiu ajustes estruturais, como privatização de empresas estatais e corte de subsídios, impactando o custo de vida e a assistência aos pobres.

Anos 2000

Em 2000, o debate parlamentar sobre o estatuto das mulheres ganhou destaque com propostas de alteração no direito de família. O Papa João Paulo II visitou o Egito, pedindo desculpas por ações passadas da Igreja Católica contra muçulmanos.

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Revolução Egípcia e Período Morsi

Imagem: ER's Eyes - Our planet is beautiful. · BY-NC-SA · Openverse

A Revolução Egípcia de 2011 derrubou Hosni Mubarak, abrindo caminho para a ascensão dos islamitas, com o Partido Liberdade e Justiça (PLJ) ganhando maioria no parlamento e controlando a Assembleia Constituinte, gerando tensões com setores seculares e minorias.

10

Período El-Sisi

Imagem: ER's Eyes - Our planet is beautiful. · BY-NC-SA · Openverse

O general Abdel Fattah el-Sisi venceu as eleições presidenciais de 2014 com ampla maioria, prometendo projetos de desenvolvimento e estabilidade. Implementou políticas de controle de fronteira rigorosas e buscou aumentar o investimento estrangeiro no país.

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Fontes consultadas

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