História do Cáucaso
A história da região do Cáucaso pode ser dividida na história da Ciscaucásia, historicamente na esfera de influência da Cítia e do sul da Rússia, e da Transcaucásia, na esfera de influência da Anatólia, Assíria e Pérsia.
No sítio arqueológico de Dmanisi, na Geórgia, estão os fósseis de hominídeos mais antigos conhecidos fora da África, que viveram há cerca de 1.79-1.77 milhões de anos atrás, conhecidos como Homo georgicus. Os registros culturais mais antigos de Homo Sapiens na região são os petróglifos de Gobustão. Os primeiros povoamentos humanos com presença de agricultura e domesticação de animais são encontrados na Cultura de Shulaveri-Shomu, existindo entre o fim do milênio 7 a.C. até o começo do milênio 5 a.C. Por estarem próximos da Mesopotâmia, os grupos humanos do Cáucaso estavam em constante trocas culturais com os habitantes dessa região. A cultura de Kura–Araxes, originária do Monte Ararate, se espalha até as margens do Levante na região Palestina.
A ameaça de expansão dos reinos mesopotâmicos fez com que os grupos caucasianos, até então vivendo em uma lógica autônoma e sem centralização política, começassem a se unir em alianças contra invasões mesopotâmicas. Esses agrupamentos se centralizaram nos primeiros reinos da região. O Reino de Urartu (c. 858-625), o estado mais antigo conhecido dessa região, viveu em disputa com o Império Neo-Assírio durante sua existência, caindo no final do século VII, muito provavelmente em decorrência das invasões cítias. Por volta de 550 a.C. a região cairia sob controle do Império Aquemênida. A divisão do Império em satrapias daria origem às primeiras unidades políticas etnolinguísticas, dos quais se destaca o primeiro estado Armênio - que existiu entre 336 a.C. até 428 d.C. - ocupando, em seu auge, a região conhecida como Grande Armênia. A região foi conquistada por Alexandre, o Grande, e, após sua queda, conseguiu se estabelecer como reino independente até ser vassalizado pelo Império Selêucida. Outros reinos importantes que nasceram da fragmentação Aquemênida foram os Reinos da Albânia, Ibéria e Cólquida.
Por volta do século I a.C. os reinos caucasianos estariam nas fronteiras entre Roma e o Império Parta, e foram formadas relações de alianças e vassalizações entre os reinos e seus vizinhos expansionistas, e o status quo das fronteiras seria aproximadamente o mesmo por séculos. Em 387, é firmada a Paz de Acilisena entre o Império Romano do Oriente sob Teodósio I e Sapor III da Dinastia Sassânida, colocando a maior parte da região do Cáucaso sob domínio persa. Nesse período também, a Igreja Católica começa a se espalhar pelo Cáucaso. Por volta do século III, missionários da região síria se espalham pela Armênia, com a tradição católica citando que os apóstolos Judas Tadeu e Bartolomeu pregaram e se tornaram mártires no Cáucaso. O rei armênio, Tiridates IV (r. 298–330), seguindo a política de clientelismo, tinha a mesma posição de perseguição aos cristãos que Roma. No entanto, com o império sendo abalado pelas ramificações da diáspora cristã, o rei se converte ao cristianismo por volta de 301, convertido por Gregório, o Iluminado, de acordo com tradição religiosa armênia, e declara a Igreja Apostólica Armênia como religião estatal, sendo o primeiro estado cristão a emergir, uma década antes de Constantino mudar a política religiosa romana. Ao longo dos próximos séculos, a religião cristã cresceria cada vez mais no Cáucaso, sendo bastante praticada até os dias de hoje.
Após a última Guerra Bizantino-Sassânida, o império persa se enfraqueceu bastante, sendo derrotado em 628. Duas décadas mais tarde, o império caiu para a expansão do Califado Ortodoxo, e a região da Transcaucásia seria disputada pelos califados, o contínuo Império Bizantino, e o Canato Cazar, formado pelos grupos seminômades da Ásia Central, controlando o norte da região. A dinâmica da região mudaria drasticamente com a migração dos povos túrquicos na Anatólia, com destaque para o Império Seljúcida, que solidificou a queda da presença bizantina na região. A Geórgia, unificada em 970 sob reinado da dinastia Bagrationi, se consolidou contra a invasão seljúcida, e, nas consequentes cruzadas, com o foco túrquico no levante, o reino conseguiu sobreviver e se expandir, se tornando uma potência regional, até a invasão dos mongóis no século XIII. Após o domínio mongol se findar um século depois, o reino conseguiu se manter independente, porém enfraquecido, até se fragmentar por volta de 1470. Já os reis armênios, derrotados pelos seljúcidas, se exilaram na região da Cilícia, e lá fundaram um reino refugiado, conseguindo se manter independente por todo o período das cruzadas, até serem invadidos pelo Sultanato Mameluco. O Cáucaso, fragmentado, entraria na Idade Moderna novamente como um local de disputa entre oeste, agora representado pelo crescente Império Otomano, e pela Pérsia novamente no leste, agora sob Dinastia Safávida. No século XVII, o Império Russo em sua rápida expansão, também começa a se estabelecer no norte do Cáucaso, agora uma região em disputa por 3 grandes potências.
O nascente Império Otomano atinge Cáucaso para conquistar o Império de Trebizonda (1461) e submete a vassalagem o Canato da Crimeia (1475). Para o sudeste dos Safávidas (que haviam sido derrotados por Xirvão em 1462) aumentam seu poder e saqueiam em 1501 Bacu impondo o Islão sunita aos xiitas, fazem incursões na Geórgia, conquistam a Arménia à Confederação do Cordeiro Branco e proclamam seu líder Ismail Xá de Pérsia em 1502. Os otomanos e safávidas se confrontam (batalha de Chaldiran de 1514) e partilham a Arménia, novos choques ocorrem após os safávidas anexam Xirvão (1550), e repartem com os otomanos a Geórgia (1553). Por seu turno, o cristianismo do Cáucaso sofre um decaimento, parte da Abecásia e os lazes (cristãos ortodoxos) tornam-se muçulmanos sunitas hanafitas no século XVI, a religião começou a espalhar-se entre os chechenos e cabardinos (cristã ortodoxa) desde os Tártaros da Crimeia e Nogais.
Apesar de sua incorporação ao Império Russo os povos do Cáucaso permanecem distintos, mesmo entre os georgianos (como cristãos ortodoxos russos), como Ilia Chavchavadze em 1877 que publica o jornal "Iveria" para renovar a consciência georgiana. Além disso, há conflitos sociais, como a revolta camponesa (1841) na Geórgia que leva à abolição da servidão, em 1863–1867. A economia tradicional mudou em 1872 com a exploração comercial de petróleo na área de Bacu (e na Chechénia, em 1893) e a construção da ferrovia Batumi-Bacu para ligar os mares Cáspio e Negro (1883). A Guerra russo-japonesa desencadeou uma crise com greves de trabalhadores em Bacu contra as companhias de petróleo (dezembro de 1904), confrontos entre arménios e azeris na região Naquichevão-Bacu (1905) causada por medidas anti-armênias do governo russo, os confrontos entre georgianos e cossacos. A I Guerra Mundial se estende para o Cáucaso, quando entra na guerra o Império Otomano (Novembro de 1914), a campanha do Cáucaso atinge um avanço russo em território otomano (Verão de 1916). A inimizade entre turcos e armênios (revolta de Vã na Primavera de 1915) leva ao governo turco para organizar um "exílio" que provoca a morte de centenas de milhares de arménios (Genocídio Armênio).
A era pós-soviética na Geórgia começa com um golpe de Estado no dia 21 de dezembro de 1991 contra o presidente Zviad Gamsakhurdia, o que leva a Guerra Civil na Geórgia, a fuga do presidente para a Chechênia e a tomada do poder pelos rebeldes (2/1/1992) que elegem Eduard Shevardnadze. Nesse mesmo inverno a Guerra de Nagorno-Carabaque arrasta-se, a perda de Shusha pelo Azerbaijão (março 1992) conduz a alterações na Presidência de Elchibey por Mutalibov (em Junho), mas quando, na Primavera de 1993 os arménios conquistam 14% do território azeri e em uma rebelião militar é Elchibey que têm de deixar o poder para Aliyev. Finalmente, em Maio de 1994 chega-se a um cessar-fogo. Os chechenos liderado pelo seu presidente Dudayev não aceitaram a Federação Russa, o que leva a Inguchétia a separar-se da Chechênia para formar a sua república na federação, e tentam recuperar seus antigos territórios na Ossétia do Norte que haviam perdido na II Guerra Mundial, Prigorodny, mas os ossetas (outubro-novembro de 1992) expulsam os inguchétios (Ver: Guerra Civil na Inguchétia e Conflito na Ossétia do Norte (1992)).


