História da Europa
História da Europa descreve a passagem no tempo desde os primeiros humanos que habitaram o continente europeu até a atualidade. A primeira evidência do Homo sapiens na Europa data de 35 000 a.C. O relato mais antigo feito sobre o continente é a Ilíada, de Homero, da Grécia Antiga, que data de 700 a.C. A República Romana foi estabelecida em 509 a.C., e transformada no Novo Império de Augusto na primeira metade do século I. A religião cristã foi adotada no século IV. Confrontado com migrações bárbaras e a praga, o império foi dividido entre Leste e Oeste e a Idade Média se instalou no coração da Europa Ocidental. O Império Bizantino manteve a luz da civilização acesa no Leste. A Igreja Oriental e Ocidental confrontaram-se por séculos sobre o meio de governo eclesiástico, provocando o cisma em 1054, que aconteceu em seguida à divisão anterior de 451, e foi prosseguida das Cruzadas do oeste para recuperar o leste da Invasão dos Muçulmanos. A sociedade feudal começava a ruir enquanto os invasores mongóis carregavam a peste negra com eles. Os muros de Constantinopla caem em 1453, e ainda o Novo Mundo é descoberto em 1492, por iniciativa de Portugueses e Espanhóis. A Europa acorda do período medieval através do redescobrimento do ensinamento clássico. O Renascimento foi seguido da Reforma Protestante, do frade alemão Martinho Lutero, que atacou a autoridade papal. A Guerra dos Trinta Anos, a Paz de Vestfália e a revolução Gloriosa deram a base para uma nova era de expansão e o iluminismo.
Os Homo erectus e os Neanderthalis habitavam a Europa bem antes do surgimento dos humanos modernos, os Homo sapiens. Os ossos dos primeiros europeus foram achados em Dmanisi, Geórgia, e datados de 1,8 milhões de anos. O primeiro aparecimento do povo anatomicamente moderno na Europa é datado de 35 000 a.C. Evidências de assentamentos permanentes datam do VII milênio a.C. na Bulgária, Romênia e Grécia. O período neolítico chegou na Europa central no VI milênio a.C. e em partes da Europa Setentrional no V e V milênio a.C. A civilização Tripiliana (5508-2 750 a.C.) foi a primeira grande civilização da Europa e uma das primeiras do mundo; era localizada na Ucrânia moderna e também na Moldávia e Romênia. Foi provavelmente mais antiga que os Sumérios no Oriente Próximo, e tinha cidades com 15 000 habitantes que cobriam 450 hectares. Começando no Neolítico, tem-se a civilização dos Camunos no Val Camonica, península Itálica, que deixou mais de 350 000 petróglifos, o maior sítio arqueológico da Europa.
Os gregos e romanos deixaram um legado na Europa que é evidente nos pensamentos, leis, mentes e línguas atuais. A Grécia Antiga foi uma união de cidades-Estado, na qual uma primitiva forma de democracia se desenvolveu. Atenas foi sua cidade mais poderosa e desenvolvida, e um berço de ensinamento nos tempos de Péricles. Fóruns de cidadãos aconteciam e o policiamento do estado deu ordem ao aparecimento dos mais notáveis filósofos clássicos, como Sócrates, Platão e Aristóteles. Como rei do Reino Grego da Macedônia, as campanhas militares de Alexandre o Grande espalharam a cultura helenística e os ensinamentos até as nascentes do rio Indo. Mas a República Romana, alicerçada pela vitória sobre Cartago nas Guerras Púnicas, estava crescendo na região. A sabedoria grega passada às instituições romanas, assim como a própria Atenas foi absorvida sob a bandeira do senado e do povo de Roma. Os romanos expandiram seu Estado desde a Arábia até a Britânia. Em 44 a.C., seu líder, Júlio César foi morto sob suspeita de estar corrompendo a república para se tornar um ditador. Na sucessão, Otaviano assumiu o poder e, embora tenha mantido as instituições republicanas, inclusive o senado romano, de fato concentrou o poder no seu cargo de príncipe do senado e adotou o título de "augusto", transformando a república para no Império Romano.
Grécia Antiga
A civilização helênica tinha a forma de um conjunto de cidades-Estado, ou pólis (as mais importantes eram Atenas, Esparta, Tebas, Corinto e Siracusa), tendo diferentes tipos de governo e culturas, incluindo o desenvolvimento de filosofias, ciências, matemática, políticas, esportes, teatro e música. Atenas, a cidade-estado mais poderosa, era governada com um tipo primitivo de democracia direta fundada pelo nobre ateniense Clístenes. Na democracia ateniense, os cidadãos votavam neles mesmo para cargos executivos e legislativos. Na Grécia também surgiu Sócrates, considerado um dos fundadores da filosofia ocidental. Sócrates também criou o método socrático, um tipo de pedagogia usada até hoje no aprendizado filosófico, na qual uma série de questões é feita não apenas para obter respostas individuais, mas também para encorajar a compreensão fundamental dos problemas. Devido a essa filosofia, Sócrates foi condenado à morte por estar "corrompendo a juventude" ateniense com suas discussões que entravam em conflito com as crenças religiosas da época. Platão, um pupilo de Sócrates e fundador da Academia Platônica, escreveu sobre esse episódio em suas escrituras, e desenvolveu sua própria filosofia, o platonismo.
A ascensão de Roma
Muito do ensinamento grego foi assimilado pelo então novo Estado romano, assim que ele se espalhou pela península Itálica, aproveitando-se da vantagem da não união de seus inimigos: o único desafio real da ascendente Roma foi a colônia fenícia de Cartago, e sua derrota no fim do século III a.C. marcou o início da hegemonia romana. Primeiro governado por reis, depois por uma república senatorial (a República Romana), Roma finalmente tornou-se um império no fim do século I a.C., sob Augusto e seus sucessores. O Império Romano teve seu centro no mar Mediterrâneo, controlando todos os países margeados por ele; o limite norte do território era marcado pelos rios Reno e Danúbio. Sob Trajano (século II), o império alcançou o máximo de sua expansão territorial, controlando aproximadamente 5 900 000 km², incluindo a Britânia, Romênia e partes da Mesopotâmia. O império trouxe paz, civilização e um eficiente governo centralizado para os territórios dominados, porém no século III uma série de guerras civis começaram a ameaçar sua força econômica e social. No século IV, Diocleciano e Constantino foram capazes de diminuir o processo de declínio dividindo o império em uma parte Ocidental e outra Oriental. Diferentemente de Diocleciano, que condenava ferozmente o cristianismo, Constantino declarou o fim da perseguição dos cristãos em 313 com o Édito de Milão, prosseguindo assim com a oficialização do cristianismo como religião oficial do império.
Quando o imperador Constantino derrotou Magêncio e conquistou Roma sob a bandeira da Cruz em 312, ele rapidamente editou o Édito de Milão em 313, declarando legal o cristianismo no Império Romano. Além disso, Constantino mudou oficialmente a capital do império, Roma, para a colônia grega de Bizâncio, que ele renomeou para Constantinopla ("Cidade de Constantino"). Teodósio I, que tornou o cristianismo religião oficial do Império Romano, foi ser o último imperador a comandar o Império Romano em toda a sua unidade, que depois de sua morte, em 395), foi dividido em duas partes: O Império Romano do Ocidente, centrado em Ravena, e o Império Romano do Oriente (depois referido pela historiografia como Império Bizantino) centrado em Constantinopla. A parte ocidental foi seguidamente atacada por tribos nômades germânicas, e em 476 finalmente caiu sob a invasão dos Hérulos comandados por Odoacro. A autoridade romana no Oeste entrou em colapso e as províncias ocidentais logo tornaram-se pedaços de reinos germânicos. Entretanto, a cidade de Roma, sob o comando da Igreja Católica Romana permaneceu como um centro de ensino, e fez muito para preservar o pensamento clássico romano na Europa Ocidental. Nesse meio-tempo, o imperador romano em Constantinopla, Justiniano, conseguiu com sucesso, montar toda a lei romana no Código de Justiniano (529–534). Por todo o século VI, o Império Bizantino esteve envolvido em uma série de conflitos sangrentos, primeiro contra o Império Sassânida, depois pelo Califado Ortodoxo. Em 650, as províncias do Egito, Palestina e Síria foram perdidas para forças muçulmanas.
Uma luz bizantina
Constantino (r. 306–337) é considerado o primeiro imperador bizantino. Foi ele que mudou a capital do império em 324 de Nicomédia (atual İzmit na Turquia) para Bizâncio, refundada como Constantinopla, ou "Nova Roma". A cidade de Roma não servia como capital desde o reinado de Diocleciano. Alguns consideram o começo do império no reinado de Teodósio (r. 379–395) quando o cristianismo substituiu a religião pagã romana, ou sua posterior morte em 395, quando a divisão política entre leste e oeste se tornou permanente. Outros ainda colocam 476 como o início, quando Rômulo Augusto, tradicionalmente considerado como o último imperador, foi deposto, deixando a única autoridade imperial no Leste. Outros apontam ainda para a reorganização do império nos tempos de Heráclio (r. 610–641) quando os usos e títulos latinos foram oficialmente trocados pelas suas versões gregas. Em todo caso, a mudança foi gradual desde 330, quando Constantino inaugurou a nova capital, o processo de helenização e a crescente cristianização estavam acontecendo. O império é geralmente dado como acabado com a queda de Constantinopla frente aos turco-otomanos em 1453, o que também foi considerado pela historiografia como o fim da Idade Média.
O crescimento do sistema feudal
O Sacro Império Romano Germânico surgiu no ano 800, quando Carlos Magno, rei dos francos, foi coroado pelo papa como imperador. Seu império, baseado na moderna França, Países Baixos e Alemanha, expandiu-se para os atuais territórios de Hungria, Itália, Boêmia, Baixa Saxônia e Espanha. Ele e seu pai receberam uma substancial ajuda de uma aliança com o papa, que pediu ajuda contra os lombardos. O papa era oficialmente um vassalo do Império Bizantino, mas o imperador bizantino nada podia fazer contra os lombardos. No leste, o Primeiro Império Búlgaro foi estabelecido em 681 e tornou-se o primeiro país eslavo. O poderoso Império Búlgaro foi o principal rival de bizâncio no controle dos Bálcãs por séculos e desde o século IX tornou-se o centro cultural da Europa eslava.[carece de fontes?] Dois estados, a Grande Morávia e a Rússia de Quieve emergiam respectivamente dentre os eslavos ocidentais e orientais ainda no século IX. No final do mesmo século e no seguinte, o norte e o oeste da Europa perderam seu crescente poder e influência aos viquingues que invadiram, conquistaram e se estabeleceram rápida e eficientemente com seus avançados barcos de guerra, que já eram tão avançados como caravelas. Os húngaros pilharam os principais territórios da Europa, enquanto os pechenegues invadiram a Europa Oriental e os árabes o sul. No século X, reinos independentes foram estabelecidos na Europa Central, por exemplo, a Polônia e o Reino da Hungria. Nisso os húngaros pararam com as suas campanhas devastadoras e relevantes nações como a Croácia e a Sérvia surgiram nos Bálcãs. O período seguinte, que acabou por volta do ano 1000, viu o crescimento do feudalismo, que enfraqueceu o Sacro Império Romano Germânico.
A adormecida era medieval foi sacudida pela crise na Igreja. Em 1054, um cisma acontece entre os dois centros cristãos remanescentes, em Roma e Constantinopla.
A Igreja dividida
Do século V ao XI foram numerosas as rupturas seguidas de reconciliação entre as igrejas do Ocidente e Oriente. O principal conflito era o método de governo da Igreja, enquanto o Oriente sustentava a Igreja como uma Pentarquia dentro do Império Bizantino, comandada pelos patriarcas de suas cinco cidades mais importantes: Roma, Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém; no Ocidente os Papas, invocavam jurisdição sobre todos os assuntos da Igreja e o direito de julgar até mesmo os patriarcas, em cerca de 446 o Papa Leão I tinha expressamente reivindicado autoridade sobre toda a Igreja: "O cuidado da Igreja universal, deve convergir para a cadeira de Pedro, e nada deve ser separado de sua cabeça".
Guerras santas
Depois do Grande Cisma do Oriente, a cristandade ocidental foi adotada nos recém-criados reinos da Europa Central: Polônia, Reino da Hungria e o Reino da Boêmia. A Igreja Católica tornou-se muito poderosa, levando a vários conflitos entre o Papa e o Imperador. Em 1129, a Igreja Católica estabeleceu o uso da Inquisição para conservar a sua ortodoxia doutrinária no Ocidente católico. A Inquisição punia e exortava todos aqueles que praticavam a heresia para se arrependerem e se converterem. Caso não o fizessem, a punição poderia ser a morte. Durante este tempo muitos senhores e nobres se converteram ao cristianismo. Os Monges de Cluny batalharam para instituir a igreja onde nobres não o faziam. O papa Gregório VII continuou o trabalho dos monges com mais dois objetivos alcançados, libertar a igreja do controle de reis e nobres e aumentar o poder do papado. A área de influência da Igreja Católica aumentou enormemente devido às conversões de reis pagãos (Escandinávia, Lituânia, Polônia e Hungria) à reconquista da Península Ibérica e às Cruzadas. A maior parte da Europa era católica no século XV.
A Peste Negra
Uma das maiores catástrofes que atingiu a Europa foi a Peste Negra. Diversas epidemias da peste ocorreram ao longo dos tempos, mas a pior de todas foi na metade do século XIV e estima-se que tenha matado um terço da população europeia. No começo do século XIV, o mar Báltico tornou-se uma das rotas comerciais mais importantes. A Liga Hanseática, uma aliança entre cidades comerciais, facilitou a absorção de vastas áreas da Polônia, Lituânia e outros países bálticos para a economia europeia. Isso alimentou o crescimento de poderosos estados na Europa Oriental como Polônia, Reino da Hungria, Reino da Boêmia e a Moscóvia. O fim da Idade Média é relacionado com a queda de Constantinopla e do Império Bizantino pelos turcos otomanos em 1453. Os turcos fizeram a cidade capital do Império Otomano, que sobreviveu até 1922 e incluía Egito, Síria e grande parte dos Bálcãs. As guerras otomanas na Europa, também referidas como guerras turcas, marcaram uma essencial parte da história do sudeste europeu.
Renascimento
O Renascimento foi um movimento cultural que afetou profundamente a vida intelectual europeia no seu período pré-moderno. Começando na península Itálica, e espalhando-se de norte a oeste, o renascimento durou aproximadamente 250 anos e sua influência afetou a literatura, filosofia, arte, política, ciência, história, religião entre outros aspectos de indagação intelectual. O italiano Francesco Petrarca, suposto primeiro legítimo humanista, escreveu na década de 1330: "Estou vivo agora, ainda que eu prefira ter nascido em outro tempo". Ele era um entusiasta da antiguidade romana e grega. Nos séculos XV e XVI, o contínuo entusiasmo pela Antiguidade Clássica foi reforçado pela ideia de que a cultura herdada estava se dissipando e de que havia um conjunto de ideias e atitudes com que seria possível reconstruí-la. Matteo Palmieri escreveu em 1430: "Agora, com certeza, todo espírito pensante deve agradecer a Deus, porque a ele foi permitido nascer em uma nova era". O renascimento fez nascer uma nova era em que aprender era muito importante.
Reformas
Durante esse período, a corrupção da Igreja Católica levou a uma dura reação, na Reforma Protestante. E ela ganhou muitos seguidores, especialmente entre príncipes e reis buscando um estado forte para acabar com a influência da Igreja Católica. Figuras como Martinho Lutero começaram a surgir, assim também como João Calvino com o seu calvinismo que teve influência em muitos países e o rei Henrique VIII que rompeu com a Igreja Católica e fundou a Igreja Anglicana. Essas divisões religiosas trouxeram uma onda de guerras inspiradas e conduzidas religiosamente, mas também pela ambição dos monarcas na Europa Ocidental que se tornavam cada vez mais centralizadas e poderosas.
A Era dos Descobrimentos
As numerosas guerras não impediram que os novos estados explorassem e conquistassem largas porções do mundo, particularmente na Ásia (Sibéria) e a recém-descoberta América. No século XV, Portugal liderou a exploração geográfica, seguido pela Espanha no começo no século XVI. Eles foram os primeiros estados a fundar colônias na América e estações de troca nas costas da África e da Ásia, porém logo foram seguidos pela França, Inglaterra e Países Baixos. Em 1552, o czar russo Ivan, o Terrível conquistou os dois maiores canatos tártaros, Kazan e Astracã, e a viagem de Yermak em 1580, que levou a anexação da Sibéria pela Rússia. A expansão colonial prosseguiu-se nos anos seguintes (mesmo com alguns empecilhos, como a Revolução Americana e as guerras pela independência em muitas colônias americanas). A Espanha controlou parte da América do Norte e grande parte da América Central e do Sul, o Caribe e Filipinas.; Portugal teve em suas mãos o Brasil e vários territórios costeiros em África e na Ásia (Índia, Macau, Timor Português, etc.); os britânicos comandavam a Austrália, Nova Zelândia, maior parte da Índia e grande parte da África e América do Norte; a França comandou partes do Canadá e da Índia (porém quase tudo foi perdido para os britânicos em 1763), a Indochina, grandes terras na África e Caribe; os Países Baixos ficaram com as Índias Orientais (hoje Indonésia) e algumas ilhas no Caribe; países como Alemanha, Bélgica, Itália e Rússia conquistaram colônias posteriormente.
Iluminismo
A partir do início deste período, o capitalismo substituía o mercantilismo como principal forma de organização econômica, ao menos no oeste da Europa. A expansão das fronteiras coloniais resultou em uma Revolução Comercial. Nota-se no período o crescimento da ciência moderna e a aplicação de suas descobertas em melhorias tecnológicas, que culminaram com a revolução Industrial. Descobertas ibéricas do Novo Mundo, que começaram com a jornada de Cristóvão Colombo ao oeste com a busca de uma rota fácil para as Índias Orientais em 1492, foram logo adaptadas por explorações inglesas e francesas na América do Norte. Novas formas de comércio e a expansão dos horizontes fizeram necessária uma mudança no direito internacional.
Revolução Industrial
A Revolução Industrial foi um período compreendido entre o fim do século XVIII e o começo do século XIX, no qual ocorreram grandes mudanças na agricultura, manufatura e transporte e foi produzido um profundo efeito socioeconômico e cultural na Grã-Bretanha, que posteriormente se espalhou por toda a Europa, América do Norte, e depois para todo o mundo, em um processo que ainda continua: a industrialização. Na parte final dos anos de 1700, a economia baseada na força manual no Reino da Grã-Bretanha começou a ser substituída por outra dominada pela indústria e pelas máquinas. Começou com a mecanização das indústrias têxteis, o desenvolvimento de técnicas avançadas de produção de ferro e o aumento do uso de carvão refinado. A expansão do comércio foi possibilitada com a introdução de canais, rodovias e autoestradas. A introdução das máquinas a vapor (abastecidas primeiramente com carvão) e maquinaria bruta (principalmente na manufatura têxtil) deram a base para grandes aumentos na capacidade produtiva inglesa. O desenvolvimento de máquinas de ferramentas nas duas primeiras décadas do século XIX facilitou a produção de mais máquinas para serem utilizadas em outras indústrias. Durante o século XIX, a industrialização se alastrou pelo resto da Europa Ocidental e América do Norte, afetando posteriormente grande parte do mundo.
Revoluções políticas
A intervenção francesa na Guerra de Independência dos EUA levou o estado francês à falência. Depois de diversas tentativas falhas de uma reforma financeira, Luís XVI foi forçado a reavivar a Assembleia dos Estados Gerais, um corpo representativo do país feito pelas três classes do estado: o clero, os nobres e o povo. Os membros dos Estados-Gerais reuniram-se no Palácio de Versalhes em maio de 1789, mas o debate e a forma de votação que seria usada criaram um impasse. Veio junho, e o terceiro estado, associado a membros dos dois outros estados, declarou-se uma Assembleia Nacional e prometeu não se dissolver até que a França tivesse uma constituição e criasse, em Julho, uma Assembleia Nacional Constituinte. No mesmo tempo, os parisienses revoltaram-se, celebremente derrubando a prisão da Bastilha em 14 de julho de 1789.
A formação dos estados modernos
Depois da derrota da revolucionária França, outras grandes forças tentaram restaurar a situação existente antes de 1789. Em 1815, no Congresso de Viena, as maiores forças da Europa se organizaram para produzir um pacífico equilíbrio de poder entre os impérios depois das Guerras Napoleônicas (embora estivessem ocorrendo movimentos internos revolucionários) sob o sistema de Matternich.[carece de fontes?] Entretanto, seus esforços foram incapazes de parar a propagação de movimentos revolucionários: a classe média foi profundamente influenciada pelos ideais de democracia da Revolução Francesa, a revolução Industrial trouxe importantes mudanças sócio-econômicas, as classes baixas começaram a ser influenciadas pelas ideias socialistas, comunistas e anarquistas (especialmente unidas por Karl Marx no Manifesto Comunista), e a preferência dos novos capitalistas era o liberalismo. Uma nova onda de instabilidade veio da formação de diversos movimentos nacionalistas (na Alemanha, Itália, Polônia, etc.), buscando uma unidade nacional e/ou liberação do domínio estrangeiro. Como resultado, o período entre 1815 e 1871 foi palco de um grande número de conflitos e guerras de independência. Napoleão III, sobrinho de Napoleão I, retornou do exílio na Inglaterra em 1848 para ser eleito pelo parlamento francês, como o então "Presidente-Príncipe" e num golpe de estado eleger-se imperador, aprovado depois pela grande maioria do eleitorado francês. Ele ajudou na unificação da Itália lutando contra o Império Austríaco[carece de fontes?] e lutou a Guerra da Crimeia com a Inglaterra e o Império Otomano contra a Rússia. Seu império ruiu depois de uma infame derrota para a Prússia, na qual ele foi capturado. A França então se tornou uma fraca república que recusava-se a negociar e foi derrotada pela Prússia em poucos meses. Em Versalhes, o rei Guilherme I da Prússia foi proclamado Imperador da Alemanha. Mesmo que a maioria dos revolucionários tenha sido derrotada, muitos estados europeus tornaram-se monarquias constitucionais, e em 1871 Alemanha e Itália se desenvolveram em estados-nação. Foi no século XIX também que se observou o Império Britânico emergir como o primeiro poder global do mundo devido, em grande parte, à Revolução Industrial e a vitória nas Guerras Napoleônicas.
Impérios
A paz iria apenas durar até que o Império Otomano declinasse suficientemente para se tornar alvo de outros. Isso incitou a Guerra da Crimeia em 1854,[carece de fontes?] e começou um tenso período de pequenos conflitos entre as nações dominantes da Europa que deram o primeiro passo para a posterior Primeira Guerra Mundial. Isso mudou uma terceira vez com o fim de várias guerras que transformaram o Reino da Sardenha e o Reino da Prússia nas nações da Itália e da Alemanha, mudando significativamente o balanço do poder na Europa. A partir de 1870, a hegemonia do Reino da Prússia com o chanceler Otto Von Bismarck na Europa pôs a França em uma situação crítica. Ela devagar reconstruiu suas relações internacionais, buscando alianças com a Grã-Bretanha e Rússia, para controlar o crescente poder da Alemanha sobre a Europa. Desse modo, dois lados opostos se formaram na Europa, incrementando suas forças militares e suas alianças ano a ano.[carece de fontes?]
Guerras mundiais
Depois da relativa paz na maior parte do século XIX, a rivalidade entre as potências europeias explodiu em 1914, quando a Primeira Guerra Mundial começou. Mais de 60 milhões de soldados europeus foram mobilizados entre 1914 e 1918. De um lado estavam Alemanha, Áustria-Hungria, o Império Otomano e a Bulgária (Poderes Centrais/Tríplice Aliança), enquanto que no outro lado estavam a Sérvia e a Tríplice Entente – a elástica coalizão entre França, Reino Unido e Rússia, que ganhou a participação do Reino de Itália em 1915 e dos Estados Unidos em 1917. Embora o Império Russo tenha sido derrotado em 1917 (a guerra foi uma das maiores causas da Revolução Russa, levando à formação da comunista União Soviética), a Entente finalmente prevaleceu no outono de 1918.
Guerra Fria
A Primeira e especialmente a Segunda Guerra Mundial acabaram com a preponderante posição da Europa Ocidental. O mapa do continente foi redesenhado na Conferência de Yalta[carece de fontes?] e dividido se tornou a principal zona de contenção na Guerra Fria entre dois blocos, os países ocidentais e o bloco Oriental. Os Estados Unidos e a Europa Ocidental (Reino Unido, França, Itália, Países Baixos, Alemanha Ocidental, etc.) estabeleceram a aliança da OTAN como proteção contra uma possível invasão soviética. Depois, a União Soviética e o Leste Europeu (Polônia, Tchecoslováquia, Hungria, Romênia, Bulgária e Alemanha Oriental) estabeleceram o Pacto de Varsóvia como proteção contra uma possível invasão dos Estados Unidos.
Reunificação e integração
Em 1992, o Tratado de Maastricht foi assinado pelos então membros da União Europeia. Isso transformou o "Projeto Europeu" de ser uma comunidade econômica com certos aspectos políticos, numa união com uma intensa cooperação e prosperidade baseada em uma união de soberanias nacionais.[carece de fontes?] Em 1985, o Acordo de Schengen estabeleceu uma área sem fronteiras e sem controle de passaporte entre os estados que o assinaram. Uma moeda comum para a maioria dos estados membros da União Europeia, o euro, foi estabelecida eletronicamente em 1999, oficialmente partilhando todas as moedas de cada participante com os outros. A nova moeda foi posta em circulação em 2002 e as velhas foram retiradas dos mercados. Apenas três países dos quinze Estados-membros decidiram não aderir ao euro (Reino Unido, Dinamarca e Suécia).[carece de fontes?] Em 2004, a UE deu ordem à sua maior expansão, admitindo 10 novos membros (oito dos quais antigos estados comunistas). Outros dois ingressaram no grupo em 2007, num total de 27 nações.


