Hilary Putnam
Hilary Whitehall Putnam foi um filósofo estadunidense e uma das figuras centrais da filosofia ocidental desde a década de 1960, especialmente em filosofia da mente, filosofia da linguagem e filosofia da ciência. Ele é conhecido pela sua prontidão em aplicar igual grau de escrutínio tanto às próprias posições filosóficas quanto às posições de outros filósofos, submetendo cada posição a uma análise rigorosa e expondo seus defeitos. Como resultado, Putnam adquiriu a reputação de filósofo que muda frequentemente de posição.
Hilary Putnam nasceu em Chicago e cresceu em uma família secular com um pai gentio de esquerda, Samuel, e uma mãe judia, Riva. Seus pais não o criaram em nenhuma fé (além do comunismo), e Putnam só retornou ao judaísmo quando seu filho pediu um bar mitsvá. Putnam foi trotskista e abandonou a faculdade para recrutar trabalhadores navais para a causa. Apesar de romper com seu passado radical, Putnam nunca abandonou sua crença de que os acadêmicos têm uma responsabilidade social e ética específica em relação à sociedade. Ele continuou a ser franco e progressista em suas visões políticas, conforme expresso nos artigos "Como não resolver problemas éticos" (1983) e "Educação para a democracia" (1993). Alguns afirmam que Putnam foi ateu no começo e no fim de sua carreira, mas quanto à sua religião havido vários debates. No entanto, Putnam tentou clarificar o debate: "Aqueles que conhecem meus escritos daquele período podem se perguntar como eu reconciliei minha tendência religiosa que existe, até certo ponto mesmo naquela época, e minha visão geral do mundo materialista científico na época. A resposta é que eu não as reconciliei. Eu era um profundo ateu, e eu era um crente. Eu simplesmente mantive estas duas minhas partes separadas. Na maior parte, no entanto, foi o materialista científico dominante em mim nos anos cinquenta e sessenta."
Putnam é conhecido pela criação de muitos experimentos mentais com objetivo de explorar as possíveis consequências do princípio em questão. Eis outros exemplos famosos:
Cérebro numa cuba
O cérebro numa cuba é um elemento usado em uma variedade de experimentos mentais destinados a extrair determinadas características de nossas ideias de conhecimento, da realidade, da verdade, da mente e significado. Este experimento mental de Putnam é desenhado a partir da ideia, comum a muitas histórias de ficção científica, que essa máquina de um cientista maluco, ou outra entidade pode remover o cérebro de uma pessoa do corpo, o suspende-lo num líquido em um tanque de manutenção da vida, e conectar seus neurônios por fios a um supercomputador que lhe forneçam impulsos elétricos idênticos aos que cérebro normalmente recebe. O cérebro numa cuba é uma versão contemporânea do argumento dado na versão budista da ilusão de Maya, na alegoria de Platão da Caverna, no conto do sábio chinês, Zhuangzi, sonhou que era uma borboleta, e na versão do demônio, em Meditações, de René Descartes.
A formiga que desenha Churchill
No experimento mental sobre a formiga que desenha Churchill, Putnam nos conta o cenário de uma formiga que está caminhando em um trecho de areia. Conforme ela caminha, ela traça uma linha na areia. Por acaso a linha que ela traça deixa um rastro de curvas e cruzamentos que acaba parecendo uma caricatura da efígie Winston Churchill. Putnam questiona retoricamente se a formiga realmente traçou na areia uma foto do rosto de Winston Churchill. Podemos afirmar veridicamente que a formiga criou uma imagem que retrata Churchill? Embora nós possamos reconhecer a figura do estadista britânico, segundo Putnam, a maioria das pessoas, com uma pequena reflexão, diriam que não podemos afirmar que a formiga procurava representar tal personalidade.


