Henrique Bernardelli
Henrique Bernardelli foi um renomado pintor, desenhista e professor da Escola Nacional de Belas Artes (ENBA), no Rio de Janeiro. Sua obra mais emblemática é o icônico retrato de Machado de Assis para a Academia Brasileira de Letras, que se tornou uma referência visual do escritor. Bernardelli deixou um legado significativo na arte brasileira, influenciando diversos artistas do século XX.
Pontos-chave
- Henrique Bernardelli foi um pintor, desenhista e professor da Escola Nacional de Belas Artes (ENBA).
- O retrato de Machado de Assis, pintado por Bernardelli em 1905, é uma obra emblemática e iconográfica.
- Naturalizado brasileiro, Bernardelli estudou na Academia Imperial de Belas Artes e em Roma.
- Participou de projetos importantes, como a decoração do Museu Paulista e obras no Theatro Municipal e Biblioteca Nacional.
- Sua influência se estendeu a dezenas de pintores do século XX, marcando a história da arte brasileira.
Enrique Eugenio Bernardelli Thierry nasceu em Valparaíso, Chile, em 1857. Sua família, de origem italiana, mudou-se para o México e depois para o Brasil, fixando-se no Rio de Janeiro em 1867. Em 1870, Henrique e seu irmão Rodolfo matricularam-se na Academia Imperial de Belas Artes (AIBA), onde estudaram com mestres como Victor Meireles, Agostinho José da Mota e Zeferino da Costa. Em 1878, naturalizou-se brasileiro para concorrer ao Prêmio de Viagem à Europa da AIBA. Embora tenha perdido para Rodolfo Amoedo, Bernardelli viajou para Roma com recursos próprios, onde estudou e frequentou o ateliê de Domenico Morelli, entrando em contato com a obra de artistas como Francesco Paolo Michetti e Giovanni Segantini.
Em 1905, Henrique Bernardelli pintou o retrato a óleo oficial do escritor Machado de Assis. Esta obra, encomendada para decorar uma sala da Academia Brasileira de Letras, tornou-se a iconografia machadiana mais reconhecida. Bernardelli retratou Machado com uma postura firme, acentuando a linguagem clássica da pintura, e com uma impecabilidade de vestuário e mobiliário que conferia austeridade e sofisticação à imagem. O retrato ainda está exposto na Academia Brasileira de Letras, ao lado do busto de bronze de Machado, feito pelo escultor Jean Magrou.
Para o centenário da independência do Brasil em 1922, o historiador Afonso d'Escragnolle Taunay, então diretor do Museu Paulista, idealizou um projeto de memória nacional. Ele organizou oito salas dedicadas à história paulista de forma linear e evolutiva, convidando pintores renomados, entre eles Henrique Bernardelli e Rodolpho Amoedo, ambos com 64 anos e ligados à Escola Nacional de Belas Artes (ENBA). Embora Bernardelli não lecionasse mais na ENBA, ele ainda recebia encomendas oficiais, como o retrato do presidente Epitácio Pessoa no mesmo ano. A primeira versão de sua obra 'O Ciclo de Caça ao Índio' foi rejeitada por Taunay devido à presença de um cachorro e um chicote de couro, elementos que poderiam desvalorizar a imagem heroica do bandeirante que o diretor desejava transmitir. Bernardelli enfrentou o desafio de retratar o bandeirante como herói sem associá-lo à figura de 'algoz caçador de índios', considerando a mudança na simbologia do índio, que a partir de meados do século XIX passou a ser visto como 'símbolo nacional', não podendo ter sua imagem ligada ao canibalismo e à barbárie.
Henrique Bernardelli também foi responsável por importantes trabalhos decorativos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Destacam-se os painéis 'O Domínio do Homem sobre as Forças da Natureza' e 'A Luta pela Liberdade' para a Biblioteca Nacional, e o teto de uma das salas do Theatro Municipal (1908), ambos no Rio de Janeiro, que são referências da pintura brasileira do século XX. O edifício do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) também conta com a obra de Bernardelli, com 22 medalhões em afresco que adornam sua fachada.
O trabalho de Henrique Bernardelli deixou uma marca indelével na história da arte brasileira. Sua técnica e estilo influenciaram dezenas de pintores do século XX, incluindo nomes como Manoel Santiago, Bustamante Sá e Bruno Lechowski, entre outros. Bernardelli é reconhecido como uma figura central na transição e modernização da pintura no Brasil.


