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Hamas

O Hamas, oficialmente conhecido como Movimento de Resistência Islâmica é uma organização política e militar palestina de orientação sunita islâmica, que governa a Faixa de Gaza. Com sede na Cidade de Gaza, o Hamas também tem presença na Cisjordânia, o maior dos dois territórios palestinos, onde seu rival secular, o Fatah, exerce controle.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 21/07/2026
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Etimologia

Hamas é um acrônimo da frase árabe حركة المقاومة الإسلامية ou Ḥarakah al-Muqāwamah al-ʾIslāmiyyah, que significa "Movimento de Resistência Islâmica". Este acrônimo, HMS, foi posteriormente alterado no Pacto do Hamas pela palavra árabe ḥamās (حماس), que literalmente significa "zelo", "força" ou "bravura". A consoante inicial não é o /h/ comum em palavras em inglês (como house), mas um som ligeiramente mais áspero, a fricativa faríngea surda /ħ/.

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História

Em 17 de junho de 2008, mediadores egípcios anunciaram que um cessar-fogo informal tinha sido acordado entre o Hamas e Israel. O Hamas concordou em interromper os ataques com foguetes contra Israel, enquanto Israel concordou em permitir o transporte comercial limitado através de sua fronteira com Gaza, desde que não houvesse quebra do acordo de paz provisório. O Hamas também indicou que discutiria a libertação de Gilad Shalit. Fontes israelenses afirmam que o Hamas também se comprometeu a fazer cumprir o cessar-fogo com as outras organizações palestinas. Mesmo antes do acordo de cessar-fogo, alguns no lado israelense não estavam otimistas quanto ao cumprimento dele. O chefe do Shin Bet, Yuval Diskin, afirmou em maio de 2008 que uma incursão terrestre em Gaza era inevitável e seria mais eficaz para conter o contrabando de armas e pressionar o Hamas a renunciar ao poder. Enquanto o Hamas era cuidadoso em manter o cessar-fogo, a trégua era esporadicamente violada por outros grupos, às vezes desafiando o próprio Hamas. Em 24 de junho, por exemplo, a Jihad Islâmica lançou foguetes na cidade israelense de Sderot; Israel chamou o ataque de uma grave violação do cessar-fogo informal e fechou suas passagens de fronteira com Gaza. Em 4 de novembro de 2008, as forças israelenses, numa tentativa de deter a construção de um túnel, mataram seis militantes do Hamas numa incursão dentro da Faixa de Gaza. O Hamas respondeu retomando os ataques com foguetes, totalizando 190 foguetes em novembro, de acordo com as forças militares de Israel.

Origens

Quando Israel ocupou os territórios palestinos em 1967, os membros da Irmandade Muçulmana não participaram ativamente da resistência, preferindo concentrar-se em reformas sociais, religiosas e na restauração dos valores islâmicos. Essa perspectiva mudou no início da década de 1980, quando as organizações islâmicas tornaram-se mais envolvidas nas questões políticas palestinas. A força motriz por trás dessa transformação foi o xeique Ahmed Yassin, um refugiado palestino de Al-Jura. De origens humildes e tetraplégico, ele se empenhou para se tornar um dos líderes da Irmandade Muçulmana em Gaza. Seu carisma e convicção lhe trouxeram um grupo leal de seguidores, dos quais ele, como tetraplégico, dependia para tudo, desde alimentá-lo até transportá-lo para eventos, para comunicar sua estratégia ao público. Em 1973, Yassin fundou a organização de caridade social-religiosa al-Mujama al-Islamiya ("Centro Islâmico"), em Gaza, como um desdobramento da Irmandade Muçulmana.

A Primeira Intifada

O primeiro ataque do Hamas contra Israel ocorreu na primavera de 1989, quando o grupo sequestrou e matou Avi Sasportas e Ilan Saadon, dois soldados israelenses. Na época, Shehade e Sinwar estavam cumprindo pena em prisões israelenses e o Hamas havia criado um novo grupo, a Unidade 101, liderada por Mahmoud al-Mabhouh, cujo objetivo era sequestrar soldados. A descoberta do corpo de Sasportas desencadeou, nas palavras de Jean-Pierre Filiu, "uma resposta israelense extremamente violenta": centenas de líderes e ativistas do Hamas, incluindo Yassin, que foi condenado à prisão perpétua, foram presos e o Hamas foi proibido. Essa detenção em massa de ativistas, juntamente com uma nova onda de prisões em 1990, desmantelou o Hamas que devastado, foi forçado a se adaptar; seu sistema de comando foi regionalizado para tornar sua estrutura operacional mais difusa e minimizar as chances de ser detectado.

Os anos após o Acordo de Oslo

Em fevereiro de 1994, Baruch Goldstein, um colonizador judeu vestido com uniforme militar, assassinou 29 muçulmanos durante as orações na Mesquita de Ibrahimi em Hebron, na Cisjordânia, durante o mês do Ramadã. Outros 19 palestinos foram mortos pelas forças israelenses nos tumultos que se seguiram. O primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin condenou o massacre, mas temendo um confronto com a violenta comunidade de colonos em Hebron, ele se recusou a retirá-los. O Hamas jurou vingar as mortes e anunciou que, se Israel não fizesse distinção entre "combatentes e civis", seria "forçado... a tratar os sionistas da mesma maneira. Tratar igual com igual é um princípio universal".

Segunda Intifada

Durante a Segunda Intifada, também conhecida como Al-Aqsa, ao contrário do levante anterior, começou de forma violenta, com manifestações em massa e táticas letais de contra-insurgência por parte de Israel. Antes dos incidentes em torno da visita de Ariel Sharon ao Monte do Templo, o apoio palestino à violência contra os israelenses e ao Hamas era de 52% e 10%, respectivamente. Em julho do ano seguinte, após quase um ano de conflito intenso, pesquisas indicaram que 86% dos palestinos endossavam a violência contra os israelenses, e o apoio ao Hamas havia aumentado para 17%. As Brigadas al-Qassam foram um dos muitos grupos militantes que realizaram ataques militares e atentados suicidas contra alvos civis e militares israelenses durante esse período. Nos anos seguintes, quase 5.000 palestinos e mais de 1.100 israelenses foram mortos. Embora tenha havido um grande número de ataques palestinos contra israelenses, a forma mais eficaz de violência dos palestinos foram os ataques suicidas; nos primeiros cinco anos da intifada, um pouco mais da metade de todas as mortes israelenses foram vítimas de ataques suicidas. O Hamas foi responsável por cerca de 40% dos 135 ataques suicidas nesse período.

As eleições legislativas de 2006

Ismail Haniyeh tornou-se primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina em 2006. O Hamas boicotou as eleições gerais palestinas de 1996 e as eleições presidenciais palestinas de 2005, mas decidiu participar das eleições legislativas palestinas de 2006, as primeiras a ocorrer após a morte de Yasser Arafat. A União Europeia teve um papel importante na proposta de realização de eleições democráticas nos territórios. No período que antecedeu o dia da votação, a então secretária de estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, a ministra das Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni e o primeiro-ministro britânico Tony Blair expressaram reservas sobre permitir que o Hamas participasse do processo democrático. O Hamas concorreu com a promessa de um governo transparente, uma reforma completa do sistema administrativo corrupto e o combate à crescente falta de lei. A Autoridade Palestina, notoriamente marcada pela corrupção, escolheu Marwan Barghouti como seu principal candidato, que estava cumprindo cinco sentenças de prisão perpétua em Israel. Os Estados Unidos doaram dois milhões de dólares para melhorar a imagem midiática da Autoridade Palestina. Israel também ajudou a Autoridade Palestina, permitindo que Barghouti fosse entrevistado na prisão por televisões árabes e permitindo que 100 000 palestinos em Jerusalém Oriental votassem.

Conflito Hamas-Fatah

Após a formação do gabinete liderado pelo Hamas em 20 de março de 2006, as tensões entre militantes do Fatah e do Hamas aumentaram progressivamente na Faixa de Gaza, já que comandantes do Fatah se recusaram a obedecer às ordens do governo, enquanto a Autoridade Palestina iniciou uma campanha de manifestações, assassinatos e sequestros contra o Hamas, o que levou o Hamas a retaliar. A inteligência israelense alertou Mahmoud Abbas que o Hamas planejava matá-lo em seu escritório em Gaza. Segundo uma fonte palestina próxima a Abbas, o Hamas considera o presidente Abbas como um obstáculo para seu controle total sobre a Autoridade Palestina e decidiu matá-lo. Em uma declaração à Al Jazeera, o líder do Hamas, Mohammed Nazzal, acusou Abbas de ser cúmplice do cerco e isolamento do governo liderado pelo Hamas.

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Posições políticas

A Carta do Hamas de 1988

Em agosto de 1988, o Hamas publicou sua Carta de fundação, na qual se define como um capítulo da Irmandade Muçulmana e expressou o desejo de estabelecer "um estado islâmico em toda a Palestina". Segundo o acadêmico palestino Khaled Hroub, o documento de fundação foi escrito por um único indivíduo [por quem?] e divulgado sem passar pelo habitual processo de consulta prévia, tendo sido assinado no dia 18 de agosto de 1988. A Carta contém trechos antissemitas, descrevendo a sociedade israelense como sendo tão cruel quanto os nazistas, e reivindicações irredentistas. Declara toda a Palestina como waqf, uma propriedade religiosa inalienável composta por terras concedidas aos muçulmanos em perpetuidade por Deus, com coexistência religiosa mas sob o domínio do Islã. A Carta rejeita uma solução de dois estados, afirmando que o conflito não pode ser resolvido "senão por meio de uma jihad".

Documento de Princípios e Políticas Gerais de 2017

Em maio de 2017, o Hamas apresentou seu Documento Geral de Princípios e Políticas, no qual mantém o objetivo de um estado palestino islâmico, soberano e independente, com capital em Jerusalém, cobrindo toda a área atual de Israel, o território ocupado da Cisjordânia e a Faixa de Gaza bem como o "retorno dos refugiados e deslocados aos seus lares". Considera o Estado de Israel (ao qual se refere como "entidade sionista"), ilegal e ilegítimo. O Movimento declara-se antissionista e não antijudaico e responsabiliza os sionistas por identificarem "seu próprio projeto colonial e sua entidade ilegal" com os judeus e o judaísmo. Sustenta que "o projeto sionista não visa atingir apenas o povo palestino; é inimigo dos árabes e da Umma, representando uma grave ameaça à sua segurança e aos seus interesses" e sendo hostil às suas aspirações por "unidade, renascimento e libertação". Ademais, ainda segundo o Hamas, o projeto sionista "coloca em perigo a paz e a segurança internacional. O Hamas também rejeita os Acordos de Oslo por considerá-los prejudiciais aos interesses do povo palestino, especialmente no que se refere à "colaboração na coordenação da segurança" e afirma sua crença na democracia e no pluralismo.

Solução de dois estados

A política do Hamas em relação à solução de dois estados e em relação a Israel evoluiu ao longo do tempo. Historicamente, o Hamas imaginava um estado palestino em todo o território que pertencia ao Mandato Britânico da Palestina (ou seja, do Rio Jordão ao Mar Mediterrâneo). No entanto, o Hamas assinou acordos com o Fatah - em 2005, 2007, 2011 e 2012 -, os quais indicavam uma aceitação tácita das fronteiras de 1967, assim como acordos anteriores entre a OLP e Israel. Em 2006, o Hamas assinou a segunda versão do "Documento dos Prisioneiros Palestinos" que apoia a busca por um estado palestino "em todos os territórios ocupados em 1967". Este documento também reconheceu a autoridade do Presidente da Autoridade Nacional Palestina para negociar com Israel. Em 2 de maio de 2017, em uma coletiva de imprensa em Doha (Catar) apresentando uma nova carta, Khaled Mashal, chefe do Bureau Político do Hamas, declarou que, embora o Hamas considerasse aceitável o estabelecimento de um estado palestino "com base em 4 de junho de 1967" (Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental), o Hamas ainda não reconheceria nesse caso a existência do estado de Israel e não abandonaria seu objetivo de libertar toda a Palestina do "projeto sionista". O Professor Mohammed Ayoob em 2020 parecia considerar esta nova carta um passo esperançoso para a solução dos conflitos entre palestinos e israelenses: "A aceitação [na carta do Hamas de 2017] das fronteiras de 1967 pode ser interpretada como uma aceitação de fato das condições prévias para uma solução de dois estados".

Propostas de Hudna

Quando o Hamas ganhou a maioria nas eleições legislativas palestinas de janeiro de 2006, Ismail Haniyeh, então recém-eleito primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina, enviou mensagens tanto ao presidente dos EUA, George W. Bush, quanto aos líderes de Israel, pedindo reconhecimento e oferecendo um cessar-fogo de longo prazo e o estabelecimento de uma fronteira nas linhas de 1967. Não houve resposta. A proposta de Haniyeh era, supostamente, um armistício de cinquenta anos com Israel, caso um estado palestino fosse criado ao longo das fronteiras de 1967, com Jerusalém Oriental como sua capital. Um membro do Hamas acrescentou que o armistício seria renovado automaticamente, a cada período. Em meados de 2006, Jerome Segal, da Universidade de Maryland, sugeriu que um estado palestino dentro das fronteiras de 1967 e um cessar-fogo de muitos anos poderiam ser considerados o reconhecimento de facto do Hamas ao estado de Israel. O porta-voz do Hamas, Ahmed Yousef, afirmou que uma "hudna" (período prolongado de cessar-fogo ou armistício) vai além de uma trégua e "obriga as partes a usar o período para buscar uma resolução permanente e não violenta de suas diferenças".

Política religiosa

Com referência ao papel das mulheres, a Carta do Hamas, no seu artigo 17, define que a elas cabe, principalmente, serem "criadora de homens", orientando e educando as novas gerações. Porém afirma que a importância delas no projeto religioso-nacionalista de libertação é igual à dos homens. Mas a Carta também reconhece que as mulheres podem participar na luta pela libertação - mesmo sem a permissão dos maridos (artigo 12).[nota 5] A ênfase doutrinária na procriação e na criação dos filhos, como o dever principal da mulher, não é muito diferente da visão preconizada pelo Fatah acerca das mulheres na Primeira Intifada e também se assemelha à perspectiva dos colonos judeus, na época, a qual, entretanto, sofreu mudanças ao longo do tempo.

A Turquia de Erdoğan como um modelo a ser seguido

Alguns membros do Hamas afirmaram que o modelo de governo islâmico que o Hamas busca emular é o da Turquia sob o comando de Recep Tayyip Erdoğan. Os membros proeminentes que se distanciaram das práticas do Talibã e apoiaram publicamente o modelo de Erdoğan foram Ahmed Yousef e Ghazi Hamad, conselheiros do primeiro-ministro Hanieh. Yusuf, vice-ministro das Relações Exteriores do Hamas, refletiu esse objetivo em uma entrevista a um jornal turco, afirmando que, embora a opinião pública estrangeira associe o Hamas ao Talibã ou à al-Qaeda, a analogia é imprecisa. Yusuf descreveu o Talibã como "contrário a tudo", incluindo educação e direitos das mulheres, enquanto o Hamas deseja estabelecer boas relações entre os elementos religiosos e seculares da sociedade, buscando direitos humanos, democracia e uma sociedade aberta. De acordo com o professor Yezid Sayigh do King's College em Londres, a influência dessa visão dentro do Hamas é incerta, uma vez que tanto Ahmad Yousef quanto Ghazi Hamad foram demitidos de seus cargos como conselheiros do primeiro-ministro do Hamas, Ismail Hanieh, em outubro de 2007. Ambos foram posteriormente nomeados para outras posições proeminentes dentro do governo do Hamas. Khaled al-Hroub, do jornal palestino anti-Hamas Al Ayyam, acrescentou que apesar das alegações dos líderes do Hamas de que desejam repetir o modelo turco do Islã, "o que está acontecendo na prática no terreno é uma réplica do modelo talibã do Islã".

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Violência

O Hamas utilizou tanto atividades políticas quanto violência para alcançar seus objetivos. Por exemplo, enquanto se engajava politicamente na campanha eleitoral parlamentar dos Territórios Palestinos em 2006, o Hamas declarou em seu manifesto eleitoral que estava preparado para usar "resistência armada para acabar com a ocupação". De 2000 a 2004, o Hamas foi responsável pela morte de quase 400 israelenses e feriu mais de 2 000 em 425 ataques, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores de Israel. De 2001 até maio de 2008, o Hamas lançou mais de 3 000 foguetes Qassam e 2 500 ataques de morteiros contra Israel.

Ataques a civis

O Hamas cometeu massacres direcionados a civis israelenses. O atentado suicida mais mortal do Hamas foi um ataque a um hotel em Netanya em 27 de março de 2002, no qual 30 pessoas foram mortas e 140 ficaram feridas. O ataque também foi referido como o massacre de Pessach, pois ocorreu na primeira noite do festival judaico de Pessach, durante um Seder. O Hamas defendeu os ataques suicidas como um aspecto legítimo de sua guerra assimétrica contra Israel. Em 2003, segundo Stephen Atkins, o Hamas retomou os atentados suicidas em Israel como uma medida retaliatória após o fracasso das negociações de paz e uma campanha israelense visando membros da alta cúpula da liderança do Hamas, mas esses ataques são considerados crimes contra a humanidade sob o direito internacional. Em um relatório de 2002, a Human Rights Watch afirmou que os líderes do Hamas "deveriam ser responsabilizados" por "crimes de guerra e crimes contra a humanidade" cometidos pelas Brigadas al-Qassam.

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