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Hair (musical)

Hair: The American Tribal Love-Rock Musical é um rock-musical escrito por James Rado e Gerome Ragni, também autores das letras das músicas criadas por Galt MacDermot. Produto da contracultura hippie e da revolução sexual dos anos 60, muitas de suas canções tornaram-se hinos dos movimentos populares antiguerra do Vietnã nos Estados Unidos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 16/07/2026
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História

Hair foi concebido pelos atores James Rado e Gerome Ragni, que se conheceram em 1964 durante uma peça fracassada encenada off-Brodway chamada Hang Down Your Head and Die e começaram a escrever juntos o musical no fim daquele ano. Os personagens principais, "Claude" e "Berger", são autobiográficos, com o "Claude" de Rado sendo um romântico pensativo e o "Berger" de Ragni um extrovertido. A relação próxima e volúvel dos dois autores foi refletida no musical. Rado diz: "Nós éramos grandes amigos. Tínhamos um tipo de relação passional que dirigíamos para a criatividade, para os textos e canalizamos para a criação da peça. Nós colocamos o drama existente entre nós em cima do palco." Rado descreve a inspiração para Hair como a combinação de alguns personagens que encontravam pelas ruas, pessoas que conheciam e sua própria imaginação: "Nós conhecemos esse grupo de garotos do East Village que estavam recusando e jogando fora os certificados de alistamento e havia vários artigos na imprensa sobre alunos que estavam sendo expulsos das escolas por usarem cabelos compridos. Havia uma grande excitação nos parques, nas ruas e nas áreas hippies e nós imaginamos que se pudéssemos transmitir isso para o palco seria magnífico. Nós saíamos com eles e íamos a seus "Be-Ins"[i] e deixamos nossos cabelos crescer. Vários integrantes do elenco original foram recrutados diretamente das ruas." Rado continua: "Aquilo foi muito importante historicamente e se nós não o tivéssemos escrito, não teria havido nenhum registro daquele movimento. Você hoje pode ler ou ver filmes sobre aquilo, mas não pode vivenciar a experiência pessoalmente. Nós pensamos: Isto está acontecendo nas ruas e queremos levar para o palco."

Off-Broadway

Os criadores de Hair apresentaram o musical para diversos produtores e receberam apenas negativas. Joseph Papp, que dirigia o New York Shakespeare Festival, resolveu que queria Hair para abrir o novo The Public Theater, ainda em construção no East Village de Nova York. Hair seria a primeira atração oferecida por Papp que não era relacionada a William Shakespeare. A montagem, porém, não ocorreu com tranquilidade. O diretor do Public, Geral Freedman, demitiu-se frustrado: "A seleção e os ensaios foram confusos, o material em si era incompreensível para vários de nós da equipe do teatro." Papp aceitou a renúncia de Freedman e contratou a coreógrafa Anna Solokow para o cargo, mas após um desastrado ensaio final com as roupas da peça, ele foi obrigado a chamar Freedman em Washington, onde ele se encontrava, para que assumisse o trabalho novamente.

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Enredo

Prólogo

O ano é 1968 e o lugar é um parque em Greenwich Village, Nova York. Claude está sentado sozinho no meio do palco. Um altar e uma chama estão dispostos à sua frente. Aos poucos, a Tribo se aproxima e se junta a ele. Berger e Sheila, dois amigos e integrantes da Tribo, cortam uma mecha de seu cabelo e a colocam no fogo. O grupo então abre o musical cantando "Aquarius".

Ato I

Berger se apresenta ao público e canta "Donna", sobre seu amor perdido. A Tribo o segue cantando "Hashish", enquanto Woof homenageia a sexualidade cantando "Sodomy". Hud entra em cena, pendurado de cabeça para baixo pelas pernas numa vara e canta "Colored Spade". Finalmente é Claude quem se apresenta à plateia cantando "Manchester, England" e diz: 'Eu sou Aquarius, destinado à grandeza ou a loucura'. A Tribo o segue cantando "I'm Black" e "Ain't Got No". Sheila, a estudante burguesa da Universidade de Nova York e ativista política, é carregada numa fanfarra enquanto canta "I Believe in Love". Ela então lidera a Tribo numa manifestação pela paz ("Ain't Got No Grass" e "Air"). Jeannie, membro da Tribo, que canta "Air" com as amigas Crissy e Dionne, revela que está grávida mas que se apaixonou por Claude. A Tribo canta "Initials" e então Claude anuncia: "Esta, amigos, é a Idade da Pedra psicodélica".

Ato II

Crissy tenta ouvir uma música numa vitrola mas é abafada pelo grupo cantando "Electric Blues". A Tribo emenda a canção com "Oh Great God of Power" mas tudo que conseguem é ver Claude aparecer vestido com uma roupa de gorila. Ele acaba de retornar do centro de alistamento e Berger e a Tribo descrevem sua versão do encontro. Três das mulheres da tribo cantam as virtudes dos negros em "Black Boys" e são respondidas por três loiras caracterizadas como integrantes do trio The Supremes que cantam "White Boys". Berger começa a distribuir cigarros de maconha entre todos e logo que a droga faz efeitos todos cantam "Walking in Space". A ação então é focada na viagem alucinógena de Claude. Nela, aparece George Washington na guerra, acompanhado de vários índios. A eles se juntam Abraham Lincoln, John Wilkes Booth, Ulysses Grant, Calvin Coolidge e Scarlett O'Hara. Logo depois aparecem monges budistas, freiras católicas e manifestações contra a guerra se seguem, como a feiúra da guerra contra os vietcongs. A Tribo invoca as palavras de Shakespeare cantando "What a Piece of Work is Man" para tentar entender e racionalizar os fatos. Enfim a "viagem" termina ("How Dare They Try") e todos tentam trazer Claude de volta à realidade. Entretanto, ele parece ter problemas em retornar aos dias presentes.

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Canções

A trilha musical tinha muito mais canções que os musicais típicos da época. A maioria dos espetáculos da Broadway tinha entre seis e dez canções por ato. O total de Hair era de mais de trinta. A lista abaixo reflete a apresentação mais comum na Broadway:

Gravações

A primeira gravação de Hair foi feita em 1967 com o elenco da produção off-Broadway. A gravação com o elenco original da Broadway recebeu o Prêmio Grammy em 1968 para melhor trilha de musical e vendeu cerca de 3 milhões de cópias nos Estados Unidos até dezembro de 1969. Em 2007, o New York Times observou que "o álbum com o elenco de Hair tornou-se obrigatório para a classe média. Sua exótica arte da capa laranja e verde ficava imediatamente impressa na psiquê de quem a olhava.... ele tornou-se um clássico do pop-rock, que, como todo bom pop, tem um apelo que transcende gostos particulares por gêneros ou épocas." Canções da peça foram gravadas por diversos artistas, entre eles Diana Ross, Shirley Bassey e Barbra Streisand. "Good Morning Starshine" foi gravada por Sarah Brightman, Diana Ross e Oliver. Com este último, o compacto da música chegou ao 3º posto da Billboard Hot 100, vendeu mais de um milhão de cópias e recebeu o Disco de Ouro da R.I.A.A. em agosto de 1969. O grande sucesso de Hair porém, foi o medley "Aquarius / Let the Sunshine In", gravado pelo The 5th Dimension. A single com as duas canções integradas chegou ao topo da Billboard, passando seis semanas consecutivas em primeiro lugar das paradas, sendo o primeiro medley na história da fonografia americana a conseguir esse feito, e conquistou o Prêmio Grammy para Gravação do Ano, em 1970. Na Grã-Bretanha, Nina Simone fez sucesso com o medley "Ain't Got No / I Got Life". Em 1970, a ASCAP anunciou que "Aquarius" foi a música mais tocada nos rádios e televisões naquele ano.

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Temática

Raça e tribo

Hair explora muitos dos temas pacifistas do movimento hippie dos anos 60. Excluindo dois musicais precedentes dos anos 20 e 30, que tratam do preconceito racial, da vida dos negros americanos e tinham elencos eminentemente negros, Hair abriu a Broadway para a integração racial, com um terço do elenco sendo de negros. Exceto por esquetes satíricos, os papéis dos negros na Tribo os colocam como iguais aos brancos, quebrando a tradição dos papéis de escravos e servos sempre reservados a eles no ramo do entretenimento. A revista Ebony, dedicada ao mercado afro-americano, declarou que o musical era o maior mercado para atores negros da história do teatro nos Estados Unidos.

Nudez, liberdade sexual e drogas

A breve e famosa cena de nudez ao final do Primeiro Ato foi objeto de grande controvérsia e notoriedade. O crítico Gene Lees escreveu: "Muito se tem falado desta cena…a maioria um monte de bobagens". A cena foi inspirada na nudez de dois homens, para provocar a polícia, presenciada por Rado e Ragni durante uma manifestação antiguerra. Durante a canção "Where Do I Go", o palco era forrado com uma grande peça de tecido, próprio para uso em cenários de teatro, principalmente cortinas, em cima do qual, aqueles que escolhessem ficar nus – a nudez era opcional para os atores – retiravam as roupas. Enquanto a canção se desenrolava, eles ficavam nus, imóveis e em pé, cantando sobre pérolas, flores, felicidade e liberdade. A cena demorava cerca de 20 segundos. Ela era tão rápida e iluminada de maneira tão difusa, que levou o comediante Jack Benny a fazer graça num intervalo de uma apresentação em Londres, perguntando: "Vocês repararam se algum deles era judeu?" Mesmo assim, a cena resultou em várias ameaças de censura e reações violentas em alguns lugares.

Pacifismo e ambientalismo

O tema do pacifismo que permeia o musical é unificado com o dilema moral de Claude, se ele queima ou não seu cartão de alistamento. O pacifismo é explorado em diversas canções e sequências da peça, uma delas a viagem lisérgica durante o Segunto Ato. A letra de "Three-Five-Zero-Zero" evoca os horrores da guerra. Ela foi baseada num poema de 1966 de Allen Ginsberg. Neste poema, um "general Maxwell Taylor" orgulhosamente informa o número de inimigos mortos em um mês, "Três-Cinco-Zero-Zero", repetindo-o dígito a dígito para causar mais efeito. "Don't Put It Down" satiriza o irrefletido patriotismo de pessoas que são absolutamente 'loucas' pela bandeira norte-americana. "Be In (Hare Krishna)", evoca e elogia os movimentos pacifistas e eventos como os "Be-Ins" de São Francisco e do Central Park. Durante o desenrolar do musical, a Tribo entoa slogans populares como "O que nós queremos? Paz – Quando queremos isso? Agora!". A otimista e final "Let The Sunshine In" é um chamado à ação para rejeitar a escuridão da guerra e mudar o mundo para melhor.

Religião e astrologia

A religião aparece tanto abertamente quanto simbolicamente durante a peça, muitas vezes tratada como piada. Berger canta sua procura por "My Donna", o que leva ao duplo significado entre a mulher que ele procura e a Madona. Em "Sodomy", um hino a tudo que seja "sujo" sobre sexo, o elenco evoca posições religiosas como a Pietá e Cristo na cruz. Antes da canção, inclusive, Woof recita um rosário modificado. Harmony and understanding Sympathy and trust abounding. No more falsehoods or derisions Golden living dreams of visions Mystic crystal revelation And the mind's true liberation. Aquarius Harmonia e entendimento Simpatia e confiança abundando Sem mais falsidades ou escárnios Sonhos dourados vivos de visões Revelação mística de cristal E a verdadeira libertação da mente Aquário

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Carreira

Hair estreou na Broadway, no Biltmore Theatre, em 29 de abril de 1968, dirigido por Tom O'Hogan, com coreografia de Jule Arenal, cenografia de Robin Wagner, figurinos de Nancy Potts e iluminação de Jules Fisher. O elenco original e os personagens que representaram era composto por James Rado (Claude), Gerome Ragni (Berger) (os dois autores nos papéis masculinos principais), Steve Curry (Woof), Lynn Kellogg (Sheila), Sally Eaton (Jeanie), Lamont Washington (Hud), Shelley Plimpton (Crissy), Melba Moore (Dionne), Jonathan Kramer (travesti) e Diane Keaton — anos depois vencedora do Oscar — Donnie Burks, Lorrie Davis, Paul Jabara — que nos anos 70 e 80 comporia sucessos para Donna Summer, Barbra Streisand e The Weather Girls — Ronnie Dyson, Leata Galloway, Emmaretta Marks (integrantes da Tribo), entre outros. Além do elenco original, durante a carreira do musical outros nomes famosos no show business americano fizeram parte do elenco, como Ben Vereen, Keith Carradine, Meat Loaf e Joe Butler, baterista e vocalista do Lovin' Spoonful.

Montagens internacionais

A primeira estreia de Hair fora dos Estados Unidos foi no West End de Londres, em 27 de setembro de 1968, com o mesmo time criativo da Broadway. A estreia foi adiada até a abolição da censura nos teatros ingleses feito pelo Theatres Act 1968. Tal como aconteceria em outras produções iniciais estrangeiras, a primeira montagem inglesa adicionou pitadas de alusões locais junto às originais vindas da Broadway. Entre os atores do elenco original britânico estavam Elaine Paige e Tim Curry, em sua primeira peça completa antes de tornar-se um astro internacional com o musical e o filme The Rocky Horror Picture Show. A carreira do musical em Londres foi ainda mais longa que na Broadway, durando 1997 apresentações, até ser interrompida em julho de 1973 depois do desabamento do teto do teatro onde era encenado.

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Recepção

Imagem: MGEARTWORKS · BY · Openverse

A recepção da crítica após a estreia na Broadway, foi, com algumas exceções, esmagadoramente positiva. Clive Barnes, no New York Times, escreveu: "O que é tão agradável em Hair? Acho que é simplesmente porque ele é agradável. Tão novo, tão fresco e tão despretensioso, mesmo em suas pretensões." O Wall Street Journal resenhou: "… o show é exuberante, desafiador e a produção explode por todos os cantos do Biltmore Theater". No New York Post, "Hair tem uma surpresa, ou talvez seja um charme intencional, seu bom humor é contagiante e seu sabor juvenil o torna difícil de resistir". As críticas na televisão foram ainda mais entusiásticas. A ABC disse que "Os atores são os hippies mais talentosos que você jamais viu, dirigidos de uma maneira lindamente selvagem por Tom O'Horgan." Para Leonard Probst da NBC, "Hair é o único novo conceito em musicais da Broadway em anos e é o mais divertido deste ano." John Wingate da WWOR-TV elogiou a dinâmica trilha sonora de MacDermot que "explode e se eleva" e Len Harris da CBS decretou: "eu finalmente encontrei o melhor musical da temporada. É aquele desleixado, vulgar e fantástico rock musical de amor tribal chamado Hair".

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Controvérsias

Imagem: Vaski-kirjastot · BY-SA · Openverse

Hair desafiou muitas das normas da sociedade ocidental vigentes em 1968. O nome do musical, que deriva de uma pintura do artista da pop art Jim Dine, que mostra um pente e alguns fios de cabelo, era uma reação às restrições da civilização e seu consumismo e uma opção pelo naturalismo. James Rado relembra que cabelos compridos era "uma forma visível de consciência na expansão de seu consciente. Quanto maior era o cabelo, mais expansiva era a mente. Cabelos longos eram algo chocante e era um ato revolucionário deixá-los crescer. Era, realmente, como se fosse uma bandeira." O musical levantou controvérsias desde que surgiu nos palcos. O final do Primeiro Ato, onde os atores ficam nus, foi a primeira vez que a Broadway viu atores e atrizes inteiramente nus em cena. Ele também foi acusado de profanação à bandeira nacional e linguagem obscena. Estas polêmicas, junto com a postura e o tema anti-Guerra do Vietnã, ocasionou algumas ameaças e atos de violência nas primeiras apresentações de Hair e se tornaram a base de ações legais contra os produtores, tanto nas montagens fixas em outras cidades, quanto nas apresentações em turnês pelo país. Dois casos de tentativa de censura foram parar na Suprema Corte dos Estados Unidos.

Reações pelo mundo

No exterior, as montagens da peça também tiveram problemas e conviveram com protestos conservadores. Em 1969, a noite de estreia do musical em Sydney, Austrália, teve que ser interrompida devido a uma ameaça de bomba. No mesmo ano, em Acapulco, México, ele foi exibido por apenas uma noite. Após o encerramento, a polícia interditou o teatro, que se localizava na mesma rua de um famoso bordel da cidade, dizendo que a produção era "prejudicial à moral da juventude mexicana" e prendeu o elenco americano que lá se apresentou, entregando-os ao Departamento de Imigração. A equipe concordou em deixar o país mas complicações legais fizeram com que fossem obrigados a se esconder. Dias depois, foram todos expulsos do México.

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Remontagem

Depois de seu encerramento na Broadway em 1972, Hair teve diversas remontagens nos Estados Unidos e no exterior. A primeira delas, mal sucedida, foi no mesmo Biltmore Theater cinco anos depois, em 1977, onde ele ficou apenas 43 dias em cartaz. Apesar de produzido pela mesma equipe, o musical teve críticas de maneira geral negativas, com o New York Times dizendo que ".... nada envelhece pior do que grafite" e que a "... produção mostrava apenas suas cinzas." Na década seguinte, algumas outras montagens se seguiram em Chicago e em Montreal. Em maio de 1988, o 20º aniversário da estreia na Broadway foi comemorado com uma apresentação na Assembleia Geral das Nações Unidas em benefício de crianças com AIDS, que contou com a presença da primeira-dama dos Estados Unidos Nancy Reagan. Rado, Ragni e MacDermot reuniram-se para criar nove novas canções e 168 atores que participaram de Hair em todo mundo se apresentaram na montagem. A renda de espetáculo, que teve ingressos vendidos a até 5 mil dólares, foi integralmente entregue ao Comitê dos Estados Unidos para a UNICEF e para o Fundo de Crianças com AIDS da Creo Society.

Broadway 2009

O relançamento de maior sucesso de Hair, porém, aconteceu em 2009 na Broadway, quando ganharia o Tony Award que não conseguiu receber em seu lançamento original em 1968. Dirigido por Diane Paulus — que já havia dirigido uma remontagem especial em 2007, em comemoração aos 40 anos da peça, apresentada em forma de concerto de rock por três dias no Delacorte Theater, um teatro aberto no Central Park — o musical estreou oficialmente no Al Hirschfeld Theatre em 31 de março. Coreografada por Karole Armitage, trouxe no elenco jovens atores como Gavin Creel, Will Swenson, Caissie Levy, Allison Case, Darius Nichols, Bryce Ryness, Kacie Sheik e Sasha Allen.

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Produção brasileira

Hair estreou no Brasil em outubro de 1969, pouco depois da edição do AI-5, durante o período mais duro da ditadura militar no país, quando a cassação de direitos políticos, censura aos meios de comunicação e a prisão e tortura dos adversários do regime ocorriam constantemente. O musical estreou no Teatro Bela Vista em São Paulo após longa negociação de seus produtores com a censura. A montagem original tinha várias cenas de nudez, e foi necessário chegar a um acordo em que os atores apareceriam nus uma única vez na peça e imóveis, durante um minuto apenas. A Altair Lima Produções encenou o musical com produção de Maria Célia Camargo e direção de Ademar Guerra, versão de Renata Pallottini, direção musical de Claudio Petraglia na versão paulista e de Geny Marcondes na montagem carioca posterior. O pianista João Carlos Pegoraro foi o pianista e ensaísta da peça e quem acompanhou o musical, mais tarde incluindo no seu trabalho Jesus Cristo Superstar e Godspell (este trabalhando como maestro/arranjador).

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Outras produções internacionais

Imagem: chocolatedazzles · BY · Openverse

Hair já foi encenado na maioria dos países do mundo. Após a Queda do Muro de Berlim, ele foi apresentado pela primeira vez na Polônia, Líbano, República Tcheca e em Sarajevo, durante a guerra. Em 1999, Michael Butler e o diretor Bo Crowell ajudaram a produzir uma montagem em Moscou, no Parque Gorki. O musical causou a mesma reação na Rússia que o original havia causado trinta anos antes nos Estados Unidos, porque soldados russos lutavam na Chechênia na mesma época. Em 2003, James Rado escreveu que os únicos lugares onde Hair ainda não tinha sido apresentado eram a China, Vietnã, Cuba, Índia, alguns países da África, o Ártico e a Antártida. Desde então, Hair já foi encenado na Índia.

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Fontes consultadas

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