Hack-a-Shaq
Hack-a-Shaq é uma terminologia usada no basquetebol, mais especificamente na NBA, para designar as faltas propositais que mandam jogadores com aproveitamentos pífios para a linha do lance livre.
Wilt Chamberlain e a regra "off-the-ball foul"
Nas primeiras regras da NBA, se um jogador fizesse falta em um adversário que estava sem a bola, sua equipe seria punida com uma falta, e a equipe adversária teria direito a dois lances livres cobrado pelo jogador que sofreu a falta. Essa regra fez com que Wilt Chamberlain sofresse com seus adversários. Apesar de ele ser um dos maiores da história do basquetebol, ele tinha um aproveitamento de apenas 51% em lances livres. Assim, nos finais dos jogos, todos os atletas do time adversário iam em cima de Wilt para cometer nele a falta, mesmo sem a bola estar com ele. Em uma partida realizada no ano de 1962, por exemplo, Wilt Chamberlain arremessou incriveis 34 lances livres numa partida, recorde até então.
Inovação de Don Nelson
A mudança na regra gerou o fim das faltas intencionais nos finais dos jogos, mas ainda não resolveu o problema no restante do jogo. Tendo isso em mente, o técnico Don Nelson, na época do Dallas Mavericks, se utilizou desta artimanha em Dennis Rodman. Essa foi a maneira que ele encontrou para parar o fantástico time do Bulls dos anos 90. A estratégia de Don Nelson consistia em visar um jogador com uma má porcentagem de lances livres desde o primeiro segundo do jogo, reduzindo o poderio ofensivo do adversário fazendo faltas neste jogador ao invés de permitir a construção de uma jogada de ataque. Na época, esta tática não deu muito certo pois aquele fantástico time do Bulls não era focado apenas em Dennis Rodman, e o coletivo se sobressaia. O técnico do Bulls não punha Rodman para jogar, e sua equipe acabava ganhando.
Novas Regras a partir da temporada 2016/17
Após receber uma enxurrada de críticas, a NBA modificou a regra relacionada a faltas propositais a partir da temporada 2016/17.
Críticas ao ‘Hack-a-Shaq’
Os que são contra esta tática do ‘Hack-a-Shaq’ dizem que se trata de uma artimanha suja e anti-desportiva. O próprio Gregg Popovich, grande adepto desta tática, já admitiu que não gosta do artifício, chegando a chamar de "estratégia repugnante" e que "odeia" aplicá-la, já que "interrompe o ritmo de jogo e ninguém gosta". Além disso, por paralisar constantemente o jogo, torna o jogo chato de assistir. Já os que defendem o ‘Hack-a-Shaq’, e por isso são contra as mudanças nas regras, dizem que os jogadores são profissionais, e devem treinar mais para aperfeiçoar este fundamento. Gustavo Faldon, colunista da ESPN, por exemplo, diz: "Lance livre é treino. Um jogador profissional de basquete, que ganha milhões por isso, precisa fazer um papel minimamente aceitável em um dos fundamentos do basquete. Premiar a incompetência com a mudança de regra pode não ser um bom negócio e pode deixar os atletas com esse problema sem perseverança de melhorar. Claro, é chato quando o jogo fica parado com o ‘Hack-a-player’. Mas que esses jogadores treinem, busquem métodos, mudem de mão - como fez Tristan Thompson e deu certo - ou até arremessem por baixo, como fazia Rick Barry".


