Guerras Apache
As Guerras Apache foi uma série de conflitos coloniais ocorridos no século XIX, entre os colonos norte-americanos e a tribo Apache, nativos indígenas que habitavam o sudoeste dos Estados Unidos.
O primeiro conflito entre norte-americanos e apaches (que chamam a si mesmos, em transliteração para o inglês, de T`Inde, Inde, N`dee, N`ne ou "povo") ocorreu em 1847 durante a Revolta Taos na Guerra Mexicano-Americana. Os apaches lutavam a favor do México, como aliados dos mexicanos do Novo México. A primeira campanha organizada contra os apaches se iniciou em 1851 e deveria ter terminado em 1886, com a rendição de Geronimo. Contudo, os ataques dos índios contra os brancos continuaram até 1900. Antes da luta com os norte-americanos, os apaches já haviam guerreado contra os espanhóis e os mexicanos. A maior batalha desse período ocorrera em Tucson, Arizona (1782). Os apaches não conseguiram expulsar os espanhois e mexicanos invasores de suas terras, dominadas por vários grupos. Esses domínios eram uma vasta região de terras que ia do sudeste da Califórnia até o oeste do Texas, do nordeste do Arizona até o México e a área de Oklahoma.
No começo da Guerra Mexicano-Americana em 1846, muitos bandos apaches garantiram aos soldados norte-americanos passagem livres por suas terras, enquanto outras tribos se aliaram aos rebeldes dos Novo México que lutaram do lado do México. Quando os Estados Unidos definiram as fronteiras com o México em 1848, Mangas Coloradas assinou um tratado de paz, respeitando o que seria os conquistadores das terras mexicanas. A precária paz entre apaches e norte-americanos perdurou até que hordas de garimpeiros se dirigissem para as Montanhas Santa Rita no atual Arizona, iniciando os conflitos. Em 1851, nas proximidades de Piños Altos, Mangas foi atacado por um grupo de mineradores que o amarraram a uma árvore e o espancaram. Vários incidentes similares continuaram a violar o tratado, causando a represália dos apaches. Outro incidente significativo foi a Batalha de Cieneguilla em 1854. Esse conflito precedeu a Batalha do Canyon Ojo Caliente, episódio da mesma campanha contra os índios. Em 1854, uma pequena força da Cavalaria derrotou os apaches Lipan na Batalha das Montanhas Diablo, ao sudeste do Texas.
Em dezembro de 1860, trinta mineradores lançaram um ataque surpresa contra um acampamento de apaches do bando Bedonkohes, na margem oeste do Rio Mimbres, episódio por isso chamado de Batalha do Rio Mimbres. De acordo com o historiador Edwin R. Sweeney, os mineradores "...mataram quatro índios, feriram outros, e capturaram treze mulheres e crianças". Retaliações dos apaches se seguiram, com ataques a cidadãos e propriedades norte-americanas. No início de fevereiro de 1861, um bando não identificado de nativos roubou gado e raptou o enteado do rancheiro John Ward, próximo a Sonoita, Arizona. Ward pediu ajuda ao Exército e o tenente George N. Bascom foi despachado para saber dos detalhes. Bascom se encontrou com Cochise próximo ao Passo Apache num Estábulo de Diligências de Butterfield e exigiu o gado e a volta do filho de Ward. Cochise não sabia quem praticara os crimes mas ofereceu-se para procurar pelos responsáveis.
Em 1871, um grupo de seis brancos, quarenta e oito mexicanos e quase 100 homens Papagos atacaram acampamentos apache em Camp Grant, como represália a um ataque índio em Tucson, a 80 km de distância. O saldo do massacre foi 150 homens, mulheres e crianças apaches mortos. O incidente ficou conhecido como Massacre do Camp Grant. Campanhas contra os apaches continuariam até meados dos anos de 1870. As batalhas do Canyon Salt River e Turret Peak são exemplos da violência na região do Arizona. Soldados e civis, especialmente de Tucson, constantemente perseguiam bandos apaches pelos mais diferentes motivos. Isso continuou até os anos de 1890.
Em 1880, um exército apache comandado por Victorio, lancou uma campanha contra colonos norte-americanos nas cercanias de Alma (Novo México). Iniciada com o Massacre de Alma, a campanha terminou com o cerco apache ao Forte Tularosa e a subsequente vitória americana. Um ano depois, em agosto de 1881, George Jordan lutou na Batalha do Canyon Carrizo no Território do Novo México. A luta terminou com a vitória dos norte-americanos e uma Medalha de Honra para o sargento Jordan, entregue poucos dias depois, na Reserva Índia do Forte Apache no Arizona. O Exército norte-americano foi enviado para investigar os relatórios recentes de revolta apache sob um novo líder, o xamã Nochaydelklinne. A prisão de Nochaydelklinne foi realizada por três batedores nativos mas ao retornarem ao acampamento tiveram de se render aos seguidores do xamã. A Batalha de Cibecue Creek começou. No dia seguinte, o exército nativo atacou o Forte Apache em represália a morte de Nochaydelklinne ocorrida na luta em Cibecue Creek.
Depois da rendição de Geronimo em 1886, guerreiros apaches continuaram a guerra contra os brancos e mexicanos. Regimentos da Cavalaria dos Estados Unidos organizaram várias expedições contra os índios em 1886. Durante uma dessas operações, o Regimentos das Décima e Quarta Cavalaria comandados pelo tenente James W. Watson perseguiram cavaleiros apache ao norte de Globe (Arizona), ao longo de Salt River. O sargento James T. Daniels, companhia L da Quarta Cavalaria e o sargento William McBryar, da Tropa K, Décima Cavalaria, são os últimos a receberem Medalhas de Honra pelas ações nas Guerras Apache. Ambos foram agraciados pela "extrema coragem e heroismo" enquanto sob ataque pelos Apaches hostis, em 7 de março de 1890. O soldado Rowdy,da Tropa A, dos batedores índios, também foi condecorado.


