Grande Armée
La Grande Armée era o exército imperial francês de Napoleão Bonaparte, entre 1805 e 1807; entre 1811 e 1814, e, finalmente, em 1815, durante os Cem Dias — fase final da era napoleônica, que se inicia com o retorno de Napoleão do seu exílio, na ilha de Elba, e termina com sua derrota na batalha de Waterloo. Foi criada após a derrota da marinha francesa na Batalha de Trafalgar impedindo a invasão da Inglaterra e consequentemente a união de austríacos e russos que temiam o fortalecimento de Napoleão levando o Imperador a criar um poderoso exército que conseguiu derrotar vários inimigos, mas com guerras intermináveis e a invasão da Rússia em 1812, que resultou num grande fracasso com pesadas baixas aos franceses, além da dificuldade de encontrar novos recrutas já que boa parte destes morreram nas batalhas e mesmo com a ajuda dos países satélites de Napoleão, O Grande Exército entrou em decadência o que possibilitou aos ingleses, prussianos, portugueses, russos, austríacos e suecos a lançarem novos ataques que terminaram destruindo o Primeiro Império Francês.
O Exército Revolucionário francês foi o embrião do futuro Exército Napoleônico, foi criado para combater os exércitos da coalizão antirrevolucionária que tentaram restaurar o Absolutismo Francês de Luís XVI. Com a descoberta de papéis que acusavam Luís XVI de colaborar com os inimigos, a jovem monarquia constitucional foi abolida e a Primeira República Francesa foi proclamada. Luís XVI e sua esposa Maria Antonieta foram decapitados, isso provocou a Revolta da Vendeia que também tentou restaurar a dinastia dos Bourbons. A França estava sendo atacada por todos os lados; nos Países Baixos, a tentativa francesa de conquistá-los estava sendo catastrófica, enquanto isso os exércitos prussianos atravessavam o Reno e já haviam tomado importantes fortalezas francesas. Com a entrada de Portugal, Espanha e Inglaterra na coalizão, os franceses foram expulsos dos Países Baixos Austríacos sofrendo inúmeros reveses; revoltas estouraram em várias cidades. Em 1795, a situação já estava um pouco mais tranquila, os franceses conquistaram a Holanda estabelecendo a República Batava. Em 1796, a Revolta da Vendeia foi definitivamente esmagada. Em 1797, os austríacos foram derrotados e expulsos do Norte da Itália por um jovem oficial pouco conhecido chamado Napoleão Bonaparte. Em 1798, Napoleão invadiu o Campanha do Egito. Com o Golpe de 18 de Brumário e a ascensão de Napoleão a Cônsul, a França conseguiu derrotar novamente os austríacos na Batalha de Marengo e invadir a Baviera obrigando os austríacos a pedir a paz. Em 1802, França e Inglaterra assinam a Paz de Amiens acabando com a guerra.
Em 1804, Napoleão Bonaparte foi coroado imperador da França e logo iniciou a modernização do exército. Baseado nas ideias do general Louis-Alexandre Berthier, o exército francês foi dividido em corpos contendo de 20 000 a 30 000 soldados comandados por um marechal. Esses corpos se alimentavam dos recursos dos territórios ocupados não necessitando o envio de alimentos e também podiam marchar centenas de quilômetros em pouco tempo. Os corpos eram subdivididos em divisões contendo de 4 000 a 10 000 infantes e de 2 000 a 4 000 cavaleiros. As divisões também se subdividiam em brigadas que eram compostas por dois regimentos cada um apoiado por uma brigada de artilharia. La Grande Armée ou O Grande Exército foi criado para a pretendida invasão da Inglaterra, entretanto a Guerra da Terceira Coligação e a destruição das marinhas francesas e espanholas na Batalha de Trafalgar impediram a invasão. O exército em Boulogne teve que marchar para a Áustria. Os austríacos novamente declararam guerra aos franceses. O exército do general Karl Mack von Leiberich foi destroçado pelos franceses em Ulm e em seguida Viena foi ocupada por Napoleão. Os austríacos e os russos reuniram-se perto da cidade de Austerlitz, apesar da superioridade numérica dos aliados, os franceses conseguiram derrotá-los dividindo os exércitos aliados impedindo assim que um ajudasse o outro. Logo após a vitória na Batalha de Austerlitz, Napoleão dissolveu o Sacro Império Romano-Germânico em 1806, criando a Confederação do Reno.
Portugal era um antigo aliado dos britânicos, continuando a comercialização com a Inglaterra. Napoleão já havia decretado o Bloqueio Continental como medida para sufocar a economia inglesa, mas com a ajuda portuguesa seria difícil. Então a França invadiu a Espanha assinando um tratado franco-espanhol que dividiria Portugal entre os dois países, assim pôde invadir Portugal, a invasão francesa teve início, o General Jean-Andoche Junot e seu exército atravessou a fronteira portuguesa em 20 de novembro de 1807, sem encontrar nenhuma resistência militar, quatro dias depois chegam em Abrantes, devido à exaustão, os franceses descansam e em 28 de novembro ocupam Santarém, de onde partiu no mesmo dia para Lisboa. No dia 29 de novembro de 1807, a família real portuguesa transferiu-se para o Brasil com o apoio da marinha britânica, portanto Napoleão não poderia derrubar os Bragança, no dia 30, Lisboa é ocupada pelos franceses.
O czar Alexandre I da Rússia já havia derrotado a Suécia, apoiada pelos britânicos, e conquistado o antigo território sueco da Finlândia, mas a Guerra Russo-Turca (1806-1812) continuava. Em 1810, devido ao rearmamento do Exército Austríaco, Napoleão quis a ajuda russa para intervir na Áustria, mas o czar recusou atacar os austríacos deteriorando as relações entre os dois países, pouco depois, navios ingleses tiveram permissão de atracarem em São Petersburgo. Napoleão ficou insatisfeito e quis que a Rússia também aderisse ao Bloqueio Continental, como os russos recusaram, Napoleão preparou-se para invadir a Rússia. O Serviço Militar Obrigatório foi instituído e todos os homens maiores de idade deveriam se alistar, incluindo os homens dos territórios ocupados e dos países-satélites. Em 1812, Napoleão e o Grande Exército de mais de 600 000 soldados cruzaram o rio Neman. Os franceses marcharam rapidamente, enfrentando poucos combates, os russos preferiam recuar, mas em compensação destruíam tudo que ajudasse os franceses, casa, comida, animais, era a política da Terra Queimada. Na Batalha de Borodino, La Grande Armée conseguiu derrotar os russos comandados pelo famoso general Kutuzov, que depois de algumas horas de intensos combates e com dezenas de milhares de mortos em ambos os lados, Kutuzov reunido com os outros oficiais decidiram abandonar Moscou e evacuar a população, o exército russo e o povo se retiraram permitindo com que Napoleão ocupasse Moscou. O rigoroso inverno russo chegou e os franceses estavam sem suprimentos e sem roupas adequadas para o frio. Enquanto isso, em alguns territórios ocupados, novas revoltas aconteciam. Os franceses já haviam sido expulsos de Portugal pelo exército luso-britânico e já marchavam pela Espanha, o irmão de Napoleão, José Bonaparte, não conseguia parar os britânicos.
Em 1815, Napoleão consegue fugir de Elba e chegar a França com um pequeno exército, os seus antigos generais e soldados o apoiam, o rei Luís XVIII fugiu para a Bélgica, e Napoleão tenta recriar o seu Grande Exército. Inicia a Guerra da Sétima Coligação, os exércitos anglo-prussianos e o Grande Exército reúnem-se perto da aldeia belga de Waterloo, o general Arthur Wellesley e o general Gebhard von Blücher conseguiram reunir 118 000 soldados enquanto Napoleão só conseguiu 72 000. Antes da Batalha de Waterloo, Napoleão tentou abater o exército prussiano que ainda não havia se juntado ao Exército Britânico também enviou o Marechal Michel Ney e 24 000 soldados para tentar impedir o avanço inglês. Os prussianos sofreram muitas perdas e fugiram. Em 18 de junho, os britânicos se posicionaram na fazenda de La Haye Saint. O marechal Ney atacou os ingleses lançando uma poderosa carga de cavalaria e forte bombardeio de artilharia, mas os britânicos se reagruparam através da formação do quadrado, os cavaleiros franceses foram rapidamente aniquilados. Foi somente às 17 horas que a fazenda foi tomada, mas mesmo assim os ingleses continuavam lutando. Ao anoitecer, apareceu de repente o general Blücher e o exército prussiano atacando o flanco direito, a guarda imperial conseguiu derrotar os prussianos, mas algum tempo depois chegaram novos reforços permitindo aos prussianos atacarem o centro francês. À noite, os franceses foram definitivamente derrotados e Napoleão foi enviado para o exílio na ilha se Santa Helena. Foi o fim do Império Napoleônico e da Grande Armée.


