Gramática da língua portuguesa
A gramática da língua portuguesa é o estudo objetivo e sistemático dos elementos fonemas, morfemas, palavras, frases, etc. e dos processos de formação, construção, flexão e expressão que constituem e também caracterizam o sistema do idioma português.
Conceito
Substantivo é a palavra que nomeia os seres. O conceito de seres deve incluir os nomes, ou seja são palavras variáveis que designam as coisas, ação, qualidade, emoção, nomes, etc. de pessoas, de lugares, de instituições, de grupos, de indivíduos e de entes de natureza espiritual ou mitológica. Exemplos: mulher, sociedade, vegetação, alma, Maria, senado, paineira, anjo, Brasil, cidade, cavalo, sereia, Teresina, comunidade, cidadão, saci. Além disso devem incluir nomes de ações, estados, qualidades, sensações, sentimentos. Exemplos: acontecimento, honestidade, amor, correria, miséria, liberdade, encontro, integridade, raiva, hipocrisia, corrupção.
Classificação
Quanto à sua formação, os substantivos são classificados em simples e compostos, primitivos ou derivados. Quanto ao seu significado e abrangência, em concretos e abstratos, comuns e próprios. Os substantivos simples apresentam um único radical em sua estrutura. Exemplos: chuva, livro, guarda, flor, desenvolvimento. Os substantivos compostos apresentam mais de um radical em sua estrutura. Exemplos: guarda-roupa, guarda-chuva, passatempo, beija-flor, pontapé. Os substantivos que não provêm de qualquer outra palavra da língua são chamados de primitivos. Exemplos: árvore, folha, flor, carta, dente, pedra. Os substantivos formados a partir de outras palavras da língua pelo processo de derivação são chamados de derivados.
Da flexão dos substantivos
Os substantivos são palavras flexíveis podendo mudar de gênero, número e grau com adição de desinências. O gênero gramatical é a indicação do sexo real ou suposto dos seres e, por haver dois sexos, dois devem ser os gêneros gramaticais: o gênero masculino e o gênero feminino. E existem nomes de coisas concretas e abstratas que não designam sexo por não possuí-lo porque são neutros, porém, como não existe gênero neutro na língua portuguesa atribui-se-lhes um gênero fictício no masculino ou no plural. Exceções: tribo, avó, mó, juriti, lei, grei. Exceções: ordem, adem. Todos os terminados em gem: garagem, embreagem, origem, fuligem, vertigem, ferrugem, viagem.
Formação do plural dos substantivos
Em português há dois números gramaticais: singular e plural. O singular indica o objeto ou coleção em si; o plural denota-os indicando mais de um. Forma-se o plural acrescentando-se -s aos nomes terminados por: Observação: totem, também grafado tóteme, tem os plurais totens e tótemes respectivamente. Acrescenta-se es para formar o plural dos nomes terminados por: Observação: cós serve para os dois números e ainda possui o plural coses. Acrescenta-se -s ou -es. Entre parênteses como seria se a palavra tivesse uma terminação adequada às normas da língua portuguesa. abdômen (abdome): abdomens ou abdômenes. certâmen (certame): certamens ou certâmenes.
Imagem: Marcelo Darcini · BY-SA · Openverse
Adjetivo é a expressão modificadora que denota qualidade, condição ou estado de um ser. No trecho abaixo estão destacados os adjetivos. Oceano terrível, mas imenso De vagas procelosas que se enrolam Floridas rebentando em branca espuma Num pólo e noutro pólo Locução adjetiva é a expressão formada de preposição somado a um substantivo com valor de um adjetivo: Observação: nem sempre é encontrado um adjetivo de sentido perfeitamente idêntico ao de locução adjetiva:
Adjetivo explicativo e restritivo
O adjetivo pode ser explicativo ou restritivo.
Substantivação do adjetivo
Certos adjetivos são empregados sem qualquer referência a nomes expressos como verdadeiros adjetivos. Esta passagem de adjetivos a substantivos chama-se substantivação: A vida é combate que os fracos abate, Que os fortes, os bravos, Só pode exaltar
Flexões do adjetivo
Como o substantivo, o adjetivo pode variar em número, gênero e grau. O adjetivo acompanha o número do substantivo a que se refere. Exemplo: aluno estudioso, alunos estudiosos. Aos adjetivos se aplicam as mesmas regras de plural dos substantivos. Quanto aos adjetivos compostos, normalmente só o último varia: Exemplos: amizades luso-brasileiras, reuniões poético-musicais, anglo-normandos, médico-cirúrgicos Exemplos: surdo-mudo, surdos-mudos; verde-claro, verdes-claros; verde-escuro, verdes-escuros; verde-gaio, verdes-gaios.
Gênero do adjetivo
O adjetivo concorda, também, em gênero com o substantivo a que se refere. Os adjetivos uniformes são os que apresentam uma só forma para acompanhar substantivos masculinos e femininos. Geralmente são terminados em -al, -el, -il, -ul, -ar, -er, -az, -iz, -oz, -uz e -e. Exemplos: povo lusíada, breve exame, trabalho útil, objeto ruim, estabelecimento modelar, homem audaz, conto simples. Estes uniformes terminam em -a, -e, -l, -m, -r: nação lusiada, breve prova, ação útil, coisa ruim, escola modelar, mulher audaz, história simples. Principais exceções: andaluz, andaluza ou andaluzia; bom, boa; chim, china; espanhol, espanhola. Quanto aos biformes, isto é, que têm uma forma para o masculino e outra para o feminino, os adjetivos seguem de perto as mesmas regras que se impõem aos substantivos.
Grau dos adjetivos
Há três graus na qualidade expressa pelo adjetivo: positivo, comparativo e superlativo. O positivo enuncia simplesmente a qualidade: O comparativo compara qualidade entre dois ou mais seres estabelecendo: o rapaz é tão cuidadoso quanto (ou como) os outros. o rapaz é mais cuidadoso que (ou do que) os outros. o rapaz é menos cuidadoso que (ou do que) os outros. a) ressaltar, com vantagem ou desvantagem, a qualidade do ser em relação a outros seres: O rapaz do mais cuidadoso dos (ou dentre os) pretendentes ao emprego. O rapaz do menos cuidadoso dos pretendentes. b) indicar que a qualidade do ser ultrapassa a noção comum que se tem dessa mesma qualidade:
Artigo é a palavra variável que se antepõe aos substantivos que designam seres determinados (o, a, os,, as) ou indeterminados (um, uma, uns, umas). Daí a divisão dos artigos em definidos (que são o, a, os, as) e indefinidos No primeiro caso, o substantivo designa um livro determinado e conhecido, inconfundível para a pessoa que fala ou escreve. No segundo, o substantivo designa um livro qualquer dentre outros. Precedido, de artigo definido pode também o substantivo exprimir a Não se trata aqui de um homem determinado, mas, sim, uma referência Nem sempre se evidencia a oposição entre o, a, os, as e um, uma, uns, umas, porque os artigos aparecem em construções dos mais variados valores.
Pronome é a expressão que designa os seres sem dar-lhes nome nem qualidade, indicando-os apenas como pessoa do discurso. Pessoas do discurso. - Três são as pessoas do discurso: a que fala (1.a pessoa), a que se fala (2.a pessoa) e a pessoa ou coisa de que
Classificação dos pronomes
Os pronomes podem ser: pessoais, possessivos, demonstrativos (abarcando o artigo definido), indefinidos (abarcando o artigo indefinido), interrogativos e relativos. Os pronomes pessoais designam as três pessoas do discurso: 1.a pessoa: eu (singular), nós (plural), 2.a pessoa: tu (singular), vós (plural) e 3.a pessoa: ele, ela (singular), eles, elas (plural). O plural nós indica eu mais outra ou outras pessoas, e não eu + eu. Os pronomes pessoais são subdivididos em: - do caso reto: função de sujeito na oração. Nós saímos do shopping. (nós = sujeito) - do caso oblíquo: função de complemento na frase. Desculpem-me. (me = objeto) - oblíquos átonos: nunca precedidos de preposição, são eles: me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, se, os, as, lhes. Basta-me o teu amor. -oblíquos tônicos: sempre precedidos de preposição: Preposição: a, de, em, por etc. Pronome: mim, ti, si, ele, ela, nós, vós, si, eles, elas.
Os verbos são divididos em três conjugações, identificadas pela terminação dos infinitivos, -ar, -er, -ir (e -or, remanescente no único verbo, pôr, juntamente com seus compostos; este verbo pertence, todavia, à conjugação de infinitivos terminados em -er, pois tem origem no latim poner, evoluindo para poer e pôr). A maioria dos verbos terminam em ar, tais como cantar. De uma forma geral, os verbos com a mesma terminação seguem o mesmo padrão de conjugação. Porém, são abundantes os verbos irregulares e alguns chegam a ser até mesmo anômalos: ir, ser, saber, pôr e seus derivados apor, opor, compor, dispor, supor, propor, decompor, recompor, repor, sobrepor, transpor e antepor.
Tempos e aspectos
Há, no português, três tempos e diversos aspectos, a saber: Na língua portuguesa, os verbos são divididos em seis modos, de acordo com o que exprimem: A conjugação perifrástica refere-se a não tempos — chamemos-lhe assim porque, embora esteja gramaticalmente correcto utilizar qualquer uma das formas abaixo, estas não são tempos verbais na nossa gramática. Podemos utilizar a conjugação perifrástica para exprimir os seguintes sentidos: As frases 1) e 2) descrevem a mesma situação mas apresentam uma diferença a nível sintáctico. De acordo com a tradição gramatical greco-latina, em 1) o verbo está na voz activa e em 2), na voz passiva. O objecto directo de 1), "Os Lusíadas", passa a sujeito em 2), enquanto o sujeito de 1), "Camões", passa a agente da passiva em 2): "por Camões".
Todos os substantivos portugueses apresentam dois gêneros: masculino ou inclusivo e feminino ou exclusivo. Muitos adjetivos e pronomes, e todos os artigos, indicam o gênero dos substantivos a que eles se referem. O gênero feminino em adjetivos é formado de modo diferente dos substantivos. Muitos adjetivos terminados em consoante permanecem inalterados: "homem superior", "mulher superior", da mesma forma os adjetivos terminados em "e": "homem forte", "mulher forte". Fora isso, o substantivo e o adjetivo devem sempre estar em concordância: "homem alto", "mulher alta". O grau dos substantivos é, de uma forma genérica, representado pelos sufixos "-ão, -ona" para o aumentativo e "-inho, -inha" para o diminutivo, ainda que haja numerosas variações para representar esses graus. Os adjetivos podem ser empregados em forma comparativa ou superlativa. A forma comparativa é representada pelos advérbios "mais…que", "menos…que" e "tanto…quanto" (ou "como"), e a forma superlativa é representada pelas locuções "o mais" ou "o menos". Para representar o superlativo absoluto, pode-se ainda acrescentar os sufixos "-íssimo, -íssima" (alguns adjetivos, no entanto, fazem o superlativo absoluto com a terminação "-érrimo, -érrima", ou "-ílimo", "-ílima").
Advérbio é a classe gramatical das palavras que modificam um verbo, um adjetivo ou um outro advérbio, raramente modifica um substantivo. É a palavra invariável que indica as circunstâncias em que ocorre a ação verbal. Apenas os advérbios de intensidade, de lugar e de modo são flexionados, sendo que os demais são todos invariáveis. A única flexão propriamente dita que existe na categoria dos advérbios é a de grau, a saber: Os advérbios bem e mal admitem ainda o grau comparativo, respectivamente, melhor e pior. Existem também as formas analíticas de representar o grau, que não são flexionadas, mas sim, representadas por advérbios de intensidade como mais, muito, etc. Nesse caso, existe o grau comparativo (de igualdade, de superioridade, de inferioridade) e o grau superlativo (absoluto e relativo).
Na foto, uma aranha caminha cuidadosamente na folha. A palavra cuidadosamente é um advérbio de modo. Os advérbios da língua portuguesa são classificados conforme a circunstância que expressam. A Norma Gramatical Portuguesa reconhece sete grupos de advérbios: de lugar, de tempo, de modo, de negação, de dúvida, de intensidade e de afirmação. Locuções adverbiais de intensidade ou quantidade
Advérbios de Modo
Assim, bem, mal, acinte (de propósito, deliberadamente), adrede (de caso pensado, de propósito, para esse fim), debalde (inutilmente), depressa, devagar, melhor, pior, como, desapontadoramente, generosamente, cuidadosamente, calmamente e muitos outros terminados com o sufixo "mente".
Os advérbios da língua portuguesa são invariáveis em gênero e número, porém flexionam-se em grau. Assim como os adjetivos, admitem dois graus: comparativo e superlativo.
Grau Comparativo
Analítico: mais + advérbio + que (do que).
Grau Superlativo
Analítico: acompanhado de um outro advérbio. (no exemplo anterior, muito é um advérbio de intensidade e alto é um advérbio de modo). de Inferioridade: Myrelly é a menos esforçada da família. de Superioridade: Rodrigo é o mais questionador de todos os alunos.
Locução adverbial é a reunião de duas ou mais palavras com valor de advérbio.


