Mundo Invisível
Mundo Invisível é um filme brasileiro de 2011. É dividido em onze segmentos, cada um deles é dirigido por um diretor: Atom Egoyan, Beto Brant, Cisco Vasques, Gian Vittorio Baldi, Guy Maddin, Jerzy Stuhr, Laís Bodanzky, Manoel de Oliveira, Marco Bechis, Maria de Medeiros, Theo Angelopoulos e Wim Wenders, com exceção de "Kreuko" que é dirigido por Beto Brant e Cisco Vasques em conjunto. O filme foi idealizado por Leon Cakoff e Renata de Almeida, e exibido pela primeira vez em versão completa na 36ª Mostra Internacional de São Paulo. A versão finalizada foi exibida na 42ª Mostra Internacional de São Paulo em 2012.
Um garçom de um hotel de luxo percorre diversos quartos e encontra histórias cômicas ou trágicas de vários hóspedes enquanto se mantem invisível aos olhos dos mesmos. Um pastor divulga suas crenças na Estação Sé e professa salmos, em meio ao submundo do centro e do subterrâneo da cidade de São Paulo. "Ator invisível" é um conceito criado por Yoshi Oida, que acredita que quanto melhor é a interpretação do ator menos ele é notado, pois o espectador enxerga apenas o personagem. O segmento conta com os depoimentos de Yoshi Oida, Lee Taylor, Cássia Kiss e Monja Coen. Kreuko (Mauricio Paroni de Castro) decide que vai deixar a loucura tomar conta de si durante uma seção de quimioterapia e começa a narrar versões pervertidas das cenas de peças de William Shakespeare. Essas cenas são encenadas em um cenário com iluminação expressionista e mise-en-scène de cinema mudo. Foi filmado em 2011 e incluído ao filme em 2012.
"Do Visível ao Invisível"
Dois velhos amigos, Ricardo e Leon (Ricardo Trêpa e Leon Cakoff), se reencontram perto do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. O brasileiro e o português tentam conversar, mas sempre acabam interrompidos pelo toque do celular de um deles. Para não serem interrompidos decidem conversar utilizando os seus aparelhos celulares.
"Tributo ao Público de Cinema"
O segmento mostra a reação de uma plateia ao assistir ao filme O Tempo de Amanhã, de Stuhr, durante a Mostra Internacional de São Paulo de 2003.
"Gato Colorido"
No Dia de Finados, um gato preto que habita o Cemitério da Consolação tem que lidar com os visitantes.
"Fábula - Pasolini em Heliópolis"
O produtor Gian Vittorio Baldi decide filmar a vida do apóstolo São Paulo no bairro de Heliópolis.
"Tekoha"
Um grupo de índios Guarani-Kaiowá caminha em meio a mata nativa do Parque Trianon, na Avenida Paulista, enquanto acreditam estar em uma floresta. Quando saem de lá são cercados por pessoas curiosas.
"Ver ou Não Ver"
Yasmin, Itamara e Dandara, crianças com visão reduzida, estão passando por um tratamento na Santa Casa de São Paulo, desenvolvido pela doutora Sílvia Veitsman, que ensina crianças a usarem a visão residual desde cedo, para poderem frequentar uma escola comum ao invés de uma escola só para cegos.
Imagem: graro09 · BY-NC-SA · Openverse
A ideia de criar um filme com essa temática foi de Leon Cakoff e Renata de Almeida, o idealizador e a diretora da Mostra Internacional de São Paulo, respectivamente. Cakoff então convidou Atom Egoyan para dirigir um longa com 11 segmentos que abordariam a invisibilidade social. Renata declarou que "[n]ão é que essas coisas sejam invisíveis, é que o banal, o que você vê todo dia, se torna invisível". Todos os segmentos foram gravados na cidade de São Paulo, com exceção de "Yerevan - O Visível" que foi gravado na capital armênia. Tal segmento foi feito por Egoyan após Cakoff mostrar-lhe algumas fotos de protestos na Armênia, o que lhe instigou. Isso agregado ao fato de serem amigos, ambos terem descendência armênia e o fato ser tão pouco divulgado pela mídia levou o cineasta a desejar relatar isso num filme.
Imagem: canhotagem · BY-NC · Openverse
Escrevendo para o G1, Rodrigo Zavala, do Cineweb, disse que "[h]á lgo de hipnótico nos segmentos que compõem Mundo Invisível". Ele ainda destacou a participação de Leon Cakoff no segmento "Yerevan - O Visível", comentando que "[a]o narrar uma história familiar verídica, Cakoff consegue mais uma vez fazer com que sua vida sirva a aproximar o público do cinema de melhor qualidade." Cássio Starling, da Folha de S. Paulo, comentou que esse filme foi melhor do que Bem-Vindo a São Paulo, também realizado durante a Mostra Internacional de São Paulo, pois "o conceito de 'invisibilidade' é vago, logo oferece mais possibilidades do que o de 'olhar sobre a metrópole'." Para Starling, "Atom Egoyan, Jerzy Stuhr e a dupla Beto Brant e Cisco Vasques assinam os episódios mais anômalos e provocativos." Inácio Araújo, também da Folha, notou que os segmentos "mais felizes" são aqueles em que Leon Cakoff participa e descreveu Mundo Invisível como "um filme de episódios em que a precariedade da produção é suprida, na maior parte dos casos, pela inspiração dos realizadores."


