George S. Patton
George Smith Patton Jr. foi um oficial militar do Exército dos Estados Unidos que liderou forças norte-americanas no Mediterrâneo e Europa durante a Segunda Guerra Mundial, sendo mais conhecido por suas campanhas na Frente Ocidental após a invasão da Normandia em 1944.
George Smith Patton Jr. nasceu no dia 11 de novembro de 1885 em São Gabriel, Califórnia, Estados Unidos, filho de George S. Patton e Ruth Wilson. Ele tinha uma única irmã mais nova chamada Anne. A família era de ascendência irlandesa, escocesa-irlandesa, inglesa e galesa. Sua bisavó vinha de uma família galesa aristocrata, descendente de muitos lordes galeses de Glamorgan que possuíam um grande passado militar. Algumas de suas raízes coloniais inglesas podiam ser traçadas até o bisavô de George Washington, porém Patton não era em si um descendente de Washington. Além disso, ele descendia do rei Eduardo I da Inglaterra através de seu filho Edmundo de Woodstock, 1.º Conde de Kent. Crenças das família Patton afirmavam que eles também descendiam de dezesseis barões que haviam assinado a Magna Carta. Patton acreditava em reencarnação e que tinha vívido vidas anteriores como soldado, orgulhando-se dos laços místicos com seus antepassados, algo que formava parte central de sua identidade. O primeiro Patton na América do Norte foi Robert Patton, nascido na Escócia. Ele imigrou para Fairfax na Virgínia em 1769 ou 1770. Seu avô paterno era George S. Patton Sr., que comandou a 22ª Infantaria da Virgínia na Guerra de Secessão e foi morto na Terceira Batalha de Winchester, enquanto seu tio-avô Waller T. Patton morreu no Assalto de Pickett durante a Batalha de Gettysburg. Patton também descendia de Hugh Mercer, morto na Batalha de Princeton na Guerra da Independência. Seu pai era um rico fazendeiro que fora um advogado e promotor do Condado de Los Angeles, já seu avô materno Benjamin Davis Wilson foi o segundo prefeito de Los Angeles.
Sua primeira designação foi no 15º Regimento de Infantaria no Forte Sheridan, Illinois, onde estabeleceu-se como um líder linha-dura que impressionou seus superiores com sua dedicação. Patton foi transferido no final de 1911 para o Forte Myer na Virgínia, onde muitos dos principais líderes do Exército dos Estados Unidos estavam. Ele ficou amigo de Henry L. Stimson, então Secretário da Guerra, servindo como seu ajudante em funções sociais além de seus deveres regulares como quartel-mestre da tropa. Patton foi escolhido como representante do exército na primeira edição do pentatlo moderno nos Jogos Olímpicos de Verão de 1912 em Estocolmo, Suécia, devido suas habilidades em corrida e esgrima. Dos 42 competidores, ele ficou em vigésimo primeiro no tiro com pistola, sétimo em natação, quarto em esgrima, sexto em hipismo e terceiro na corrida, terminando no geral em quinto lugar, a mais alta posição de um atleta não-sueco. Houve controvérsias sobre a performance de Patton na competição de tiro. Ele usou uma pistola calibre .38 enquanto a maioria dos outros competidores usaram uma calibre .22. Ele afirmou que os buracos no papel de seus disparos anteriores eram tão grandes que algumas de suas balas posteriores atravessaram por eles, porém os juízes decidiram que ele errou o alvo completamente uma vez. Competidores modernos hoje frequentemente empregam um fundo móvel para especificamente traçar vários tiros através do mesmo buraco e evitar um problema parecido. Patton muito provavelmente teria conquistado uma medalha olímpica no evento se sua asserção foi correta. Os juízes acabaram mantendo sua decisão original e o único comentário da Patton sobre a questão foi:
Patton foi designado em 1915 para patrulhar a fronteira junto com a Companhia A da 8ª Cavalaria, baseada em Sierra Blanca. Foi nessa época que ele começou a usar uma Colt .45 no cinto em vez de em um coldre, emulando a imagem de um cowboy. A pistola disparou automaticamente em uma noite, então ele a trocou por um revólver Colt Single Action Army com um cabo de marfim, arma que tornaria-se ícone da imagem de Patton. Ele foi transferido brevemente em 1915 para o Forte Leonard Wood no Missouri. Forças mexicanas leais a Pancho Villa invadiram o Novo México em março de 1916 e atacaram a cidade de Columbus, matando vários norte-americanos. Os Estados Unidos lançaram em resposta uma expedição punitiva dentro do México contra Villa. Patton ficou afligido ao descobrir que sua unidade não iria participar, assim apelou ao comandante da expedição o general John J. Pershing, conseguindo ser nomeado seu ajudante pessoal durante a incursão. Isto significou que Patton teria algum papel na organização da operação, com sua avidez e dedicação à tarefa impressionando Pershing. Ele modelou muito do seu estilo de liderança baseado em Pershing, que favorecia uma abordagem forte, decisiva e comando do fronte. Patton supervisionou as logísticas dos transportes e atuou como mensageiro pessoal do general.
Patton inicialmente foi enviado para Front Royal na Virgínia após a expedição com o objetivo de supervisionar a aquisição de cavalos para o exército, porém Pershing interveio em seu nome. O general foi nomeado comandante das Forças Expedicionárias Americanas depois dos Estados Unidos terem entrado na Primeira Guerra Mundial, com Patton pedindo para fazer parte de sua equipe. Ele foi promovido a capitão em 15 de maio de 1917 e partiu para a Europa junto com os 180 homens do grupo avançado de Pershing, chegando em Liverpool no Reino Unido em 8 de junho. Patton ficou como ajudante pessoal do general e supervisionou o treinamento das tropas norte-americanas em Paris até setembro, quando se mudou para Chaumont e foi designado como adjunto, comandando o quartel-general da companhia que supervisionava a base. Ele ficou insatisfeito com o posto e começou a se interessar em tanques, já que Pershing queria nomeá-lo comandante de um batalhão de infantaria. Ele conheceu o coronel Fox Conner enquanto estava em um hospital sofrendo de icterícia, quem o encorajou a trabalhar com tanques sobre a infantaria.
Patton deixou a França e foi para Nova Iorque em 2 de março de 1919. Ele foi designado para o Forte George G. Meade em Maryland e revertido em 30 de junho de 1920 para sua patente permanente de capitão, porém foi promovido a major outra vez no dia seguinte. Patton foi transferido temporariamente para Washington a fim de servir em um comitê para escrever um manual sobre operações de tanques. Ele desenvolveu nessa época uma crença que os tanques não deveriam ser usados como suporte de infantaria, mas sim como uma força de combate independente. Patton apoiou o projeto do tanque M1919 de J. Walter Christie, porém foi arquivado devido considerações financeiras. Ele conheceu o então major Dwight D. Eisenhower em 1919 em Washington, quem desempenharia um papel enorme em sua carreira futura. Ambos corresponderam-se frequentemente enquanto Patton estava de serviço no Havaí, com ele enviando notas e ajuda para Eisenhower enquanto este estava estudando no Colégio do Pessoal Geral do exército. Ele defendeu um maior desenvolvimento de veículos blindados no período entreguerras com a ajuda de Christie, Eisenhower e outros oficiais. Estes pensamentos ressoaram com Dwight F. Davis, o Secretário da Guerra, porém o orçamento militar limitado e a prevalência dos já estabelecidos ramos de cavalaria e infantaria significaram que os Estados Unidos só desenvolveriam corpos de tanques em 1940.
O Exército dos Estados Unidos entrou em um período de mobilização depois da invasão da Polônia e o início da Segunda Guerra Mundial, com Patton sendo procurado para construir as forças blindadas do país. Ele serviu como árbitro em 1940 durante as manobras do Terceiro Exército, onde conheceu o general Adna R. Chaffee Jr., com os dois formulando recomendações para o desenvolvimento de uma força de tanques. Chaffee foi nomeado comandante e criou a 1ª Divisão Blindada e a 2ª Divisão Blindada, além da primeira doutrina de forças combinadas. Patton foi nomeado comandante da 2º Brigada Blindada, 2ª Divisão Blindada. Esta era uma das poucas organizadas como uma formação pesada de grande número de tanques, com Patton ficando encarregado de seu treinamento. Ele foi promovido a general de brigada em 2 de outubro e feito comandante interino de divisão no mês seguinte, recebendo outra promoção em 4 de abril de 1941 para major-general e comandante de divisão da 2º Divisão Blindada. Chaffee deixou a liderança do I Corpo Blindado e assim Patton tornou-se a figura mais proeminente dos Estados Unidos em tanques, organizando um enorme exercício com mais de mil tanques e outros veículos saindo de Columbus na Geórgia e indo até Panama City na Flórida, primeiro em dezembro de 1940 e depois novamente no mês seguinte com 1,3 mil veículos. Ele conseguiu um brevê e observou as manobras de um avião com o objetivo de encontrar modos para empregar os veículos de maneira mais efetiva em combate. Suas proezas o levaram para a capa da revista Life.
Norte da África
Sob Eisenhower, Patton foi designado em 1942 para ajudar a planejar a invasão do Norte da África Francês como parte da Operação Tocha. Ele comandou a Força Tarefa Ocidental, formada por 33 mil homens e cem navios, em desembarques perto de Casablanca no Marrocos. Estes desembarques ocorreram em 8 de novembro de 1942 e receberam oposição das forças da França de Vichy, porém os homens de Patton rapidamente dominaram a praia e forçaram seu caminho através da resistência. Casablanca caiu em 11 de novembro e Patton negociou um armistício com o general francês Charles Noguès. O sultão Maomé V do Marrocos ficou tão impressionado que condecorou Patton com a Ordem de Ouissam Alaouite, com a citação "Os leões em seus covis tremem diante de sua aproximação". Patton supervisionou a conversão de Casablanca em um porto militar e sediou a Conferência de Casablanca em janeiro de 1943.
Sicília
Patton ficou no comando do Sétimo Exército dos Estados Unidos, chamado de Força Tarefa Ocidental, na Operação Husky, a invasão aliada da Sicília, para os desembarques em Gela, Scoglitti e Licata com o objetivo de apoiar o Oitavo Exército Britânico do general Bernard Montgomery. O I Corpo Blindado de Patton foi oficialmente redesignado como o Sétimo Exército pouco antes de sua força de noventa mil homens desembarcasse em 10 de julho de 1943 nas praias perto de Licata. Os navios de transporte foram atrapalhados pelo vento e o clima, porém mesmo assim as 3ª, 1ª e 45ª divisões de infantaria conseguiram conquistar suas respectivas praias. Eles então repeliram contra-ataques vindos de Gela, onde Patton liderou pessoalmente suas tropas contra os reforços alemães da 1º Divisão Paraquedista-Tanque Hermann Göring.
Incidentes das bofetadas
Dois incidentes marcantes de Patton batendo em seus subordinados ocorreram durante a campanha da Sicília e atraíram grande controvérsia nos Estados Unidos ao final das operações. Ele bateu e abusou verbalmente do soldado Charles H. Kuhl em 3 de agosto de 1943 dentro de um hospital militar em Nicósia depois deste ter sido diagnosticado com "fadiga de batalha". O general também bateu no soldado Paul G. Bennett em 10 de agosto sob circunstâncias similares. Patton ordenou que os dois voltassem para as linhas de frente, condenando covardia e enviando ordens para que seus comandantes disciplinassem qualquer soldado com reclamações semelhantes. Relatos dos incidentes alcançaram Eisenhower, que repreendeu Patton particularmente e insistiu para que ele se desculpasse. O general se desculpou individualmente com os dois soldados, além de para os médicos que testemunharam os incidentes, posteriormente também em vários discursos para todos os homens sob seu comando. Eisenhower suprimiu os incidentes na mídia, porém o jornalista Drew Pearson revelou a história em novembro em seu programa de rádio. As críticas contra Patton nos Estados Unidos foram severas, incluindo de membros do Congresso e antigos generais, até mesmo de Pershing. As opiniões do público geral foram mistas sobre a questão, com Henry L. Stimson, o Secretário da Guerra, eventualmente afirmando que Patton deveria ser mantido como comandante pois era necessário sua "liderança agressiva e vitoriosa nas duras batalhas que estão por vir antes da vitória final".
Normandia
O Terceiro Exército atravessou o Canal da Mancha e foi para a Normandia em julho, formando o flanco extremo direito das forças terrestres aliadas. A força da Patton tornou-se operacional ao meio dia de 1 de agosto sob o Décimo Segundo Grupamento comandado por Bradley. O Terceiro Exército atacou simultaneamente o oeste da Bretanha, sul e leste em direção do Sena e norte, ajudando a prender centenas de milhares de soldados alemães na Bolsa de Falaise entre Falaise e Argentan. A estratégia de Patton favorecia velocidade e uma ação ofensiva agressiva, porém suas forças enfrentaram menos oposição nas primeiras três semanas de avanço do que os outros três exércitos Aliados. O Terceiro Exército tipicamente empregou unidades de reconhecimento avançadas com o objetivo de determinar a força e posições dos inimigos. Artilharia autopropulsada movia-se junto com unidades ponta de lança, preparadas para enfrentar posições alemães protegidas por meio de fogo indireto. Aeronaves leves como o Piper L-4 Cub serviam como olheiros da artilharia e proporcionavam reconhecimento aéreo. A infantaria blindada atacaria com tanques e suporte de infantaria. Outras unidades blindadas em seguida romperiam as linhas inimigas e explorariam o buraco, pressionando constantemente as forças alemãs a fim de impedir que elas se reagrupassem e refizessem uma linha defensiva coesa. Os blindados norte-americanos avançariam usando disparos de reconhecimento, com metralhadores pesadas Browning M2 mostrando-se eficientes em matar equipes panzerfaust alemãs esperando em emboscada e em quebrar ataques de infantaria alemã contra os tanques.
Lorena
A ofensiva de Patton parou em 31 de agosto de 1944, pois o Terceiro Exército ficou sem combustível perto do rio Mosela, do lado de fora de Metz. Ele esperava que o comando geral mantivesse os fluxos de suprimentos a fim de apoiar os avanços, porém Eisenhower era a favor de uma abordagem de "fronte amplo" para o esforço de guerra terrestre, acreditando que uma única ponta de avanço perderia proteção nos flancos e rapidamente seu efeito. Eisenhower ainda estava sob as restrições de um enorme esforço de guerra e deu maior prioridade de suprimentos ao 21º Grupamento do Exército sob Montgomery para a Operação Market Garden. Combinado com outras exigências de uma linha de suprimentos limitada, o Terceiro Exército ficou sem combustível. Patton acreditava que suas forças estavam próximas o bastante da Linha Siegfried que chegou a comentar com Bradley que poderia alcançar a Alemanha em dois dias caso tivesse quatrocentos mil galões de gasolina. Um grande contra-ataque de tanques alemães enviado em setembro especificamente para parar o avanço do Terceiro Exército foi derrotado na Batalha de Arracourt pela 4ª Divisão Blindada. A força de Patton permaneceu parada sob ordens de Eisenhower apesar da vitória. Os comandantes alemães acreditaram que isso deu por seu contra-ataque ter sido bem sucedido.
Ardenas
O exército alemão sob o comando do marechal de campo Gerd von Rundstedt lançou em dezembro de 1944 uma ofensiva de última hora através da Bélgica, Luxemburgo e nordeste da França, totalizando 29 divisões e 250 mil homens em um ponto fraco da linha Aliada. Essa força fez avanços significativos em direção ao rio Mosa no começo da resultante Batalha das Ardenas durante um dos piores invernos que a Europa teve em anos. Eisenhower convocou uma reunião dos principais comandantes Aliados da Frente Ocidental para um quartel-general perto de Verdun na manhã do dia 19 de dezembro a fim de planejar a estratégia de resposta ao ataque alemão. O Terceiro Exército estava na época enfrentando uma luta pesada perto de Saarbrücken. Patton pressentiu qual era o motivo da reunião e mandou sua equipe criar três ordens operacionais de contingência separadas para destacar elementos do Terceiro Exército de sua posição e começar operações ofensivas na área ocupada pelos alemães. Eisenhower liderou a conferência do alto comando, que teve a presença de Bradley, Patton, do general Jacob L. Devers, do major-general Kenneth Strong, do vice comandante supremo marechal chefe do ar Arthur Tedder e vários outros oficiais graduados. Eisenhower perguntou a Patton quanto tempo demoraria para seis divisões destacarem-se do Terceiro Exército e começarem um contra-ataque no norte para aliviar a 101ª Divisão Paraquedista presa em Bastogne, com Patton respondendo que "Assim que você tiver terminado comigo". Ele clarificou dizendo que já tinha elaborado uma ordem operacional para um contra-ataque com três divisões para o dia 21 de dezembro, dali dois dias. Eisenhower ficou incrédulo: "Não seja tolo, George. Se você tentar ir assim tão cedo, não terá todas as três divisões prontas e vai ficar em pedacinhos". Patton afirmou que sua equipe já estava com a ordem de operação de contingência pronta. Eisenhower ainda permaneceu não convencido, mas mesmo assim ordenou que Patton atacasse pela manhã de 22 de dezembro com pelo menos três divisões.
Patton pediu por um comando no Teatro de Operações do Pacífico, implorando a Marshall para que o mantivesse na guerra de qualquer maneira possível, com Marshall respondendo que isso só seria possível caso a China assegurasse um porto grande para sua entrada, algo improvável. Ele voou para Paris em maio e depois foi descansar em Londres. O general chegou em Bedford (Massachusetts), para um período com sua família em 7 de junho, sendo recebido por centenas de espectadores. Patton então dirigiu para a Concha Memorial Hatch e discursou diante de vinte mil pessoas, incluindo para quatrocentos veteranos feridos do Terceiro Exército. Ele criou certa controvérsia com seu discurso dentre as Mães de Estrelas Douradas, mães de soldados mortos, quando insinuou que os homens que tinham morrido eram "tolos" e que os verdadeiros heróis eram os feridos. Patton passou um tempo em Boston antes de visitar e discursar em Denver no Colorado e depois em Los Angeles, onde falou para uma multidão de mais de cem mil pessoas no Memorial Coliseum. Sua última parada foi em Washington antes de retornar para a Europa em julho a fim de servir nas forças de ocupação.
Morte
O major-general Hobart R. Gay, chefe de gabinete de Patton, o convidou em 8 de dezembro para uma viagem de caça perto de Speyer a fim de tentar melhorar seu humor. Patton e Gay estavam às 11h45min do dia 9 em um Cadillac Modelo 75 1938 dirigido pelo soldado primeira classe Horace L. Woodring quando pararam em um cruzamento ferroviário para deixarem um trem passar. Patton observou carros abandonados do lado da estrada e comentou enquanto seu veículo atravessava os trilhos que "Como a guerra é terrível. Pensem no desperdício". Woodring percebeu que um caminhão GMC CCKW dirigido pelo sargento técnico Robert L. Thompson, que estava indo para o depósito do quartel, repentinamente fez uma curva para a esquerda na frente do carro. O soldado freou seu veículo e virou para a esquerda, colidindo com o caminhão em baixa velocidade.
A personalidade pitoresca de Patton, seu estilo de liderança intransigente e sucesso como comandante militar, combinado com seus frequentes tropeços políticos e declarações polêmicas, produziram uma imagem mista e frequentemente contraditória. Suas grandes habilidades de oratória são vistas como importantíssimas para sua capacidade de inspirar as tropas sob seu comando. O historiador Terry Brighton concluiu que Patton era "arrogante, louco por publicidade e de personalidade falha, porém… entre os maiores da guerra". Ainda assim, foram grandes os impactos de sua liderança e guerra mecanizada, com o Exército dos Estados Unidos adotando após a morte de Patton muitas de suas estratégias agressivas em seus programas de treinamento. Muitos oficiais militares já afirmaram terem se inspirado em seu legado. O primeiro tanque norte-americano projetado depois da Segunda Guerra Mundial foi chamado de M46 Patton.
Imagem
Patton deliberadamente cultivava uma imagem chamativa e distinta por acreditar que isto inspiraria suas tropas. Ele carregava um revólver com cabo de marfim, primeiro um Colt Single Action Army calibre 45 e depois um Smith & Wesson Modelo 27 calibre .357. Patton era frequentemente visto usando um capacete altamente polido, calças de equitação e botas de cavalaria com cano alto. Era conhecido por supervisionar manobras de treinamento a partir de um tanque pintado de vermelho, branco e azul. Seu veículo de comando tinha plaquetas de patente extra grandes na dianteira e traseira, além de uma buzina elétrica que anunciaria bem alto sua chegada. Ele propôs novos uniformes para o emergente Corpo de Tanques, possuindo botões polidos, capacete dourado e vestes grossas, escuras e acolchoadas; sua proposta foi ridicularizada pela mídia como "o Besouro Verde" e acabou rejeitada pelo exército. O historiador Alan Axelrod escreveu que "para Patton, liderança nunca foi simplesmente sobre fazer planos e dar ordens, era sobre transformar-se em um símbolo". Patton expressava intencionalmente um desejo conspícuo por glória, algo atípico para o corpo de oficiais da época que enfatizava misturar-se com as tropas no campo de batalha. Era um grande admirador do vice-almirante lorde Horation Nelson, 1º Visconde Nelson, por suas ações na liderança da Batalha de Trafalgar vestido com um uniforme de gala completo. O general tinha uma preocupação com bravura, usando sua insígnia de patente de forma bem visível em combate e, durante um momento na Primeira Guerra, chegou a andar no topo de um tanque para dentro de uma cidade controlada pelos alemães com o objetivo de dar coragem a seus homens. Patton também era um grande fatalista e inabalável em sua crença sobre reencarnação, especificamente de que teria sido um legionário romano ou um líder militar morto em ação no exército de Napoleão em vidas passadas.
Aliados e Eixo
Eisenhower escreveu um memorando em 1 de fevereiro de 1945 avaliando as capacidades militares de seus generais subordinados na Europa. Bradley e o general da força aérea Carl Spaatz compartilharam o primeiro lugar, Walter Bedell Smith ficou em segundo e Patton em terceiro. Eisenhower revelou sua linha de raciocínio no ano seguinte ao escrever sobre o livro Patton and his Third Army: "George Patton era o comandante de exército em campo aberto mais brilhante que nosso ou qualquer outro serviço já produziu. Porém seu exército era parte de toda uma organização e suas operações eram parte de uma campanha maior". Eisenhower acreditava que outros generais deveriam receber o crédito pelo planejamento das campanhas bem sucedidas dos Aliados na Europa, em que Patton era meramente "um brilhante executor".


