Pesquisa · Mapa mental

Galiza

A Galiza (ou Galícia) é uma comunidade autónoma da Espanha, considerada pelo respetivo estatuto de autonomia e pela constituição espanhola como nacionalidade histórica. Situada no noroeste da Península Ibérica, ocupa uma parte do território histórico da antiga Galécia e do Reino da Galiza (409–1833).

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
01

Topónimo

Origem e evolução

O nome para o território atual da Galiza deriva da palavra latina Gallaecia (ou Callaecia), que significa literalmente «terra dos galaicos». Callaecia, «a terra dos Callaeci», poderia derivar de kallā- 'madeira', juntamente com o sufixo complexo local -āik. O topónimo transformou-se mais tarde em Gallicia, e daí para as formas atuais. Os galaicos[nota 3] foram o povo mais numeroso do noroeste da Península Ibérica antes da sua integração no Império Romano no século I a.C., apesar de alguns autores[quais?] considerarem que, originalmente, o termo «galaico» era empregue para denominar uma pequena tribo ao norte do Douro. Seja como for, o nome acabou por abarcar todo um grupo étnico de língua celta e culturalmente homogéneo, situado entre o Mar Cantábrico e o Rio Douro.

Formas atuais

O nome oficial da comunidade é Galicia, forma considerada maioritária e preferente pela Real Academia Galega e também usada em castelhano. No entanto, a Real Academia Galega e o Instituto da Língua Galega admitiram tanto Galiza como Galicia na sua normativa de concórdia do verão de 2003. Sobre este assunto, concretamente, as normas ortográficas e morfológicas do idioma galego referem o seguinte:.mw-parser-output .flexquote{display:flex;flex-direction:column;background-color:#F1F1F1;border-left:3px solid #C7C7C7;font-size:100%;margin:1em 4em;padding:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.flex{display:flex;flex-direction:row}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.quote{width:100%}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.separator{border-left:1px solid #C7C7C7;border-top:1px solid #C7C7C7;margin:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.cite{text-align:right}@media all and (max-width:600px){.mw-parser-output .flexquote>.flex{flex-direction:column}}@media screen{html.skin-theme-clientpref-night .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}@media screen and (prefers-color-scheme:dark){html.skin-theme-clientpref-os .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}

02

História

Pré-história

As primeiras provas líticas da presença humana na Galiza datam de há cerca de 300 mil anos, no Paleolítico Inferior, durante o Pleistoceno Médio. Deste período, que nesta zona perdura até cerca de 5000 a.C., existem diversos restos dos seus povoadores por todo o litoral, desde Ribadeu até à Guarda, que consistem em instrumentos líticos que demonstram uma indústria acheuliana à base de bifaces, fendedores e triedros feitos sobre uma base de quartzo ou quarcita. São também de destaque as descobertas na parte portuguesa do Minho — de Caminha a Melgaço — e o da caverna Eirós, em Triacastela, no qual foram preservados restos de animais e líticos dos neandertais até ao Paleolítico Médio, graças ao seu ambiente básico. Também existem outras reservas deste período no Baixo Minho e na depressão de Ourense. Conhecem-se duas culturas, o Paleolítico Inferior Arcaico (ou "cultura dos cantos talhados", com uma técnica mais simples) e o Paleolítico Inferior Clássico. As indústrias são simples e o número de tipos reduzido.

Cultura céltica castreja

Corresponde ao período de tempo desde a chegada dos celtas e seu assentamento até à fortificação nos seus castros. Floresceu na segunda metade da Idade do Ferro, resultado da fusão com a cultura da Idade do Bronze e outros contributos posteriores, coexistindo em parte com a época romana. Os celtas trouxeram novas variedades de gado, o cavalo domesticado e provavelmente o centeio. O primeiro povo celta que invade Galiza é o dos Sefes, no século XI a.C.. Submeterá os Estrímnios, mas este influirá no primeiro sobretudo no terreno da religião, da organização política e das relações marítimas com a Bretanha e a Inglaterra.[carece de fontes?] Segundo Estrabão, a topografia predominantemente montanhosa da Galiza fez com que os galaicos fossem o povo mais difícil de vencer da Península Ibérica e tivessem derrotado grande parte dos povos da Lusitânia. É preciso dizer que a província romana dos galaicos, a Galécia (em latim: Gallaecia ou Callaecia), ainda não estava constituída política e administrativamente.

Galícia Medieval

Invasões Germânicas e a transição medieval No início do século V, a profunda crise enfrentada pelo Império Romano permitiu que diferentes tribos da Europa Central (suevos, vândalos e alanos) cruzassem o Reno e penetrassem no território em 31 de dezembro de 406. Seu avanço em direção à Península Ibérica obrigou as autoridades romanas a firmar um tratado (foedus) pelo qual os suevos se estabeleceriam pacificamente e governariam a Galiza como aliados imperiais, denominados de foederati. Assim, a partir de 409, a Galiza foi tomada pelos suevos, formando o Reino Suevo, o primeiro reino medieval criado na Europa, em 411, ainda antes da queda do Império Romano, sendo também o primeiro reino germânico a cunhar moedas em terras romanas. Durante esse período, uma colônia britânica e um bispado (ver Mailoc) foram estabelecidos no norte da Galiza (Britônia), provavelmente como foederati e aliados dos suevos. Em 585, o rei visigodo Leovigildo invadiu o reino suevo da Galiza e o derrotou, trazendo-o sob o controle visigótico.

Idade Moderna

A época moderna do Reino da Galiza começou com a derrota de alguns dos senhores galegos mais poderosos, como Pedro Álvarez de Sotomayor, chamado Pedro Madruga, e Rodrigo Henriquez Osorio, às mãos dos exércitos castelhanos enviados à Galiza entre os anos de 1480 e 1486. Isabel I de Castela, considerada uma usurpadora por muitos nobres galegos, derrotou toda a resistência armada e estabeleceu definitivamente o poder real da monarquia castelhana. Temendo uma revolta geral, os monarcas ordenaram o banimento dos demais grandes senhores, como Pedro de Bolaño, Diego de Andrade e Lope Sánchez de Moscoso, entre outros. O estabelecimento da Santa Hermandad em 1480 e da Real Audiencia del Reino de Galicia em 1500 — um tribunal e órgão executivo dirigido pelo Governador-Capitão Geral como representante direto do rei — implicou, inicialmente, a submissão do Reino à Coroa, após um século de agitação e insubordinação fiscal. Como resultado, entre 1480 e 1520, o Reino da Galiza contribuiu com mais de 10% dos rendimentos totais da Coroa de Castela, incluindo as Américas, muito acima de sua relevância econômica. Como o restante da Espanha, o século XVI foi marcado por crescimento populacional até 1580, quando as guerras simultâneas com os Países Baixos, a França e a Inglaterra prejudicaram o comércio atlântico da Galiza, que consistia principalmente na exportação de sardinhas, madeira e algum gado e vinho.

Século XIX ao XXI

Durante a Guerra Peninsular, o levante bem-sucedido da população local contra as novas autoridades francesas, somado ao apoio do exército britânico, limitou a ocupação a seis meses, entre 1808 e 1809. No período anterior à guerra, o Conselho Supremo do Reino da Galiza (Junta Suprema del Reino de Galicia), autoproclamado soberano interino em 1808, foi o único governo do país e mobilizou cerca de 40 mil homens contra os invasores. A divisão territorial da Espanha de 1833 pôs fim formal ao Reino da Galiza, unificando a Espanha em uma única monarquia centralizada. Em vez de sete províncias e uma administração regional, a Galiza foi reorganizada nas atuais quatro províncias: Corunha, Pontevedra, Lugo e Oursene. Embora reconhecida como "região histórica", esse status era estritamente honorífico. Em reação, surgiram movimentos nacionalistas e federalistas.

03

Política e governo

Administração autonómica

O Estatuto de Autonomia da Galiza, comparável à constituição dum Land alemão, estabelece que os poderes da comunidade são executados por via do Parlamento, da Junta e da Presidência.

Nacionalidade galega

O primeiro reconhecimento internacional da Galiza como nação terá ocorrido em 1933 no IX Congresso das Nacionalidades Europeias da Sociedade das Nações. O dia feriado de festejo da comunidade foi oficializado em 1979 logo nos primórdios da autonomia como "Dia Nacional da Galiza". O Estatuto de Autonomia de Galiza de 1981 define a Galiza como "nacionalidade histórica" em razão de ter aprovado em referendum um estatuto de autonomia em 1936, semanas antes do golpe militar da Guerra da Espanha. Ainda um documento intitulado "Defesa da Nacionalidade" foi assinado em público (Pacto de Governo), após o acordo de coligação BNG-PSdG em 2005 no governo bipartido (2005–2009).

04

Geografia

O território galego confina-se entre 43º 48' N (Estaca de Bares) e 41º 49' N (Portela do Homem, na fronteira com Portugal) em latitude. Em longitude, entre 6º 44' O (limite entre Ourense e Samora) e 9º 18' O (cabo Tourinhão). A cidade mais populosa é A Corunha com 213 418 habitantes, o concelho mais populoso é o de Vigo em Ponte Vedra com 292 817 habitantes, e o menos povoado o de Negueira de Moniz com 215 habitantes em 2016. O concelho mais extenso é o da Fonsagrada, com uma superfície de 438,4 km², e o menor o de Mondariz-Balneário com 2,3 km². A Corunha é o concelho com maior densidade de população, com 6 449,32 hab./km² e Vilarinho de Conso é o que tem menor densidade de população com 2,92 hab./km² em 2016.

Divisão administrativa

Durante a Idade Moderna e até à divisão territorial de Espanha em 1833, a Galiza esteve dividida em sete províncias: Corunha, Betanços, Lugo, Mondonhedo, Ourense, Santiago e Tui. Atualmente, a comunidade estrutura-se em quatro províncias, as da Corunha, Lugo, Ourense e Ponte Vedra. Estas, por sua vez, dividem-se em comarcas (53), concelhos (313), seguindo-se as paróquias (3 792) e, por último, as aldeias e lugares. A sua capital política é a cidade de Santiago de Compostela, na província da Corunha.

05

Economia

Os têxteis, a pesca, a pecuária, a silvicultura, a venda a retalho e a indústria automóvel são os setores mais dinâmicos da economia galega. A cidade de A Corunha e a sua região metropolitana geram 70% da riqueza de Galiza, sendo o principal agente económico da região. Arteijo, um município industrial da área metropolitana da Corunha, é a sede da Inditex, o maior retalhista de moda do mundo. Das suas oito marcas, Zara é a mais conhecida; de facto, é a marca espanhola mais conhecida de qualquer tipo numa base internacional. Para 2007, a Inditex teve 9 435 milhões de euros em vendas para um lucro líquido de 1 250 milhões de euros.

06

Demografia

Com uma população estimada (2016) de 2 718 525 habitantes, a Galiza é a quinta comunidade autónoma de Espanha em população. A sua densidade de população, de 92,94 hab./km², é ligeiramente superior à média espanhola e semelhante à europeia. A população concentra-se na sua maioria nas zonas costeiras, sendo as áreas das Rias Baixas e o Golfo Ártabro (áreas metropolitanas da Corunha e Ferrol) as de maior densidade de população. A Galiza conta com sete localidades consideradas cidades: as quatro capitais: Corunha, Ponte Vedra, Ourense e Lugo além de outras três cidades: Santiago de Compostela (capital administrativa) e as cidades industriais de Vigo e Ferrol. Assim, o país conta com outros cinco concelhos com mais de 30 mil habitantes, dez concelhos de entre 20 mil e 30 mil habitantes, e trinta e cinco de entre 10 mil e 20 mil. A cidade mais populosa é Corunha com 213 418 habitantes e o concelho mais povoado é o de Vigo em Ponte Vedra, com 292 817 habitantes, enquanto no extremo oposto se encontra o de Negueira de Moniz, com 216 habitantes. O mais extenso é o da Fonsagrada, que conta com uma superfície de 438,4 km², e o menor o de Mondariz-Balneário com 2,3 km². A Corunha é o concelho com maior densidade populacional (6 449,32 hab./km²) e Vilarinho de Conso é o que conta com a menor densidade populacional da Galiza (2,92 hab./km²).

07

Cultura

Língua

A língua galega é a língua própria da Galiza, e assim foi reconhecida legalmente no seu Estatuto de Autonomia, tornando-se uma das suas línguas oficiais. É usada maioritariamente pelo povo galego, o 90% afirma usá-lo sempre ou frequentemente. A outra língua oficial é o castelhano, também muito utilizada, que mais do 96% afirma conhecer. Além disso, em várias comarcas de Leão e Astúrias, que limitam com o oriente da Galiza, comarcas, separadas da Galiza administrativa no século XVIII, fala-se também galego. Estas comarcas são reivindicadas por uma parte do nacionalismo galego como pertencente à nação galega. A postura oficial na Galiza afirma a total distinção entre ambas línguas, não havendo nenhuma menção da sua semelhança no Estatuto Autonómico, ainda que se alude ao português, de facto, nas primeiras Normas ortográficas e morfolóxicas do galego (1982) quando se estabelece que:

Símbolos

A atual bandeira galega foi criada em finais do século XIX pelos galeguistas históricos do Ressurgimento como insígnia nacional, e hasteia desde, pelo menos, 1891. Possui fundo branco e uma faixa azul entre os cantos superior esquerdo e inferior direito. A antiga bandeira possuía com fundo azul e cruzes douradas, com um cálice no centro. Durante a ditadura franquista, criou-se uma nova bandeira sem o cálice mas com uma estrela vermelha. O cálice é a figura heráldica que representa a Galiza. Foi documentado pela primeira vez no escudo dos reis da Galiza do Armorial Segar da Inglaterra em 1282. Sofreu várias alterações ao longo da história. O atual escudo está descrito no artigo 3.º da Lei de Símbolos da Galiza:

Internet

O domínio de internet proposto para a língua e cultura galegas é o ".gal". A proposta foi aprovada em Junho de 2013 pela Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números. O novo domínio é utilizado para websites com conteúdo majoritário em idioma galego, tal como está determinado nas normas da "Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números".

Clubes de futebol

Salientam-se as equipas que jogaram na Primeira Divisão, especialmente o Real Club Celta de Vigo, única equipa galega na Primeira Divisão. Outras equipas são: Real Club Deportivo de La Coruña, hoje na Segunda Divisão, única equipa galega que possui títulos oficiais de importância: foi campeã do Campeonato Espanhol de Futebol (ano 2000) e campeã da Taça do Rei de Espanha por duas vezes, em 1995 e 2002, além de ganhar 3 títulos de Supertaça de Espanha nas únicas três vezes que a disputou; o Club Deportivo Lugo, a Sociedad Deportiva Compostela, o Pontevedra Club de Fútbol e o Racing Club de Ferrol.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando