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Gal Costa

Gal Maria da Graça Penna Burgos Costa OMC • ORB foi uma cantora e compositora brasileira. Considerada uma das cantoras mais plurais do Brasil e do mundo, Gal transitou em diversos gêneros musicais e foi a cantora brasileira mais bem colocada na lista de 200 maiores cantores e cantoras de todos os tempos pela revista Rolling Stone, bem como foi eleita, pela revista Time, uma das 10 maiores cantoras do mundo.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 16/07/2026
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Biografia

Em dezembro de 2011 lançou o álbum Recanto, produzido por Caetano Veloso e Moreno Veloso. O álbum teve arranjos eletrônicos idealizados por Caetano Veloso, Moreno Veloso e Kassin. Elogiadíssimo pela crítica, foi eleito o melhor álbum de 2011. Em 2012, Gal Costa foi eleita a sétima maior voz da música brasileira de todos os tempos, pela revista Rolling Stone Brasil. Depois de sete anos longe de discos e shows, Gal Costa estreou a turnê do elogiado álbum Recanto no Rio de Janeiro. Com direção de Caetano Veloso, autor de todas as músicas do CD, o show inaugurou a sofisticada casa de shows, à beira da lagoa Rodrigo de Freitas, Miranda. No repertório, além de canções inéditas como Neguinho, Segunda, Tudo Dói e Miami Maculelê, sucessos da carreira da cantora, entre eles, Um Dia de Domingo, Baby, Meu Bem, Meu Mal, Modinha pra Gabriela, Força Estranha e Vapor Barato, e canções que há muito ela não cantava, como Da Maior Importância e Mãe. No palco, Gal esteve acompanhada pelo trio Domenico Lancellotti (bateria e MPC), Pedro Baby (guitarra e violão) e Bruno Di Lullo (baixo e violão). O show seguiu em turnê pelo país e pelo exterior, como Portugal, Países Baixos, Israel, Itália e terminou na Festa Literária Internacional de Paraty em 2014, seguido de um último show no Uruguai.

Primeiros anos e início de carreira

Maria da Graça Costa Penna Burgos era filha de Mariah Costa Penna, sua grande incentivadora, falecida em 1993, e de Arnaldo Burgos. Sua mãe contava que durante a gravidez passava horas concentrada ouvindo música clássica, como num ritual, com a intenção de que esse procedimento influenciasse na gestação e fizesse que a criança que estava por nascer fosse, de alguma forma, uma pessoa musical. O pai de Gal, morto quando ela tinha quatorze anos, sempre foi uma figura ausente, um vazio plenamente preenchido pelo amor de sua mãe, além dos parentes. Em certo momento, se torna amiga das irmãs Sandra e Dedé (Andreia) Gadelha, futuras esposas dos compositores Gilberto Gil e Caetano Veloso, respectivamente. As duas a apelidaram "Gau", nome comum na Bahia como diminutivo de Maria da Graça. Em 1959, ouviu pela primeira vez o cantor João Gilberto cantando Chega de Saudade (Tom Jobim/Vinicius de Morais) no rádio; João também exerceu uma influência muito grande na carreira da cantora, que também trabalhou como balconista da principal loja de discos de Salvador da época, a Roni Discos. Em 1963, foi apresentada a Caetano Veloso por Dedé Gadelha, iniciando-se a partir daí uma grande amizade e profunda admiração mútua.

Década de 1960

Gal estreou ao lado de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Tom Zé e outros, o espetáculo Nós, Por Exemplo... (22 de agosto de 1964), que inaugurou o Teatro Vila Velha, em Salvador. Neste mesmo ano participou de Nova Bossa Velha, Velha Bossa Nova, no mesmo local e com os mesmos parceiros. Deixou Salvador para viver na casa da prima Nívea, no Rio de Janeiro, seguindo os passos de Maria Bethânia, que havia estourado como cantora no espetáculo Opinião. A primeira gravação em disco se deu no disco de estreia de Maria Bethânia (1965): o duo Sol Negro (Caetano Veloso), seguido do primeiro compacto, com as canções Eu vim da Bahia, de Gilberto Gil, e Sim, foi você, de Caetano Veloso - ambos lançados pela RCA, que posteriormente transformou-se em BMG (atualmente Sony BMG) — gravadora à qual Gal retornaria em 1984, com o álbum Profana. No fim do ano conheceu João Gilberto pessoalmente.

Década de 1970

Em 1973 gravou o disco Índia, dirigido por Gil, que trouxe os sucessos Índia (J. A. Flores - M. O. Guerreiro - versão José Fortuna) e Volta (Lupicínio Rodrigues), e desse disco faz outro show muito bem-sucedido, também dirigido por Waly Salomão, Índia. Nesse mesmo ano participou do festival Phono 73, que gerou três discos, onde Gal gravou com sucesso as músicas Trem das Onze (Adoniran Barbosa) e Oração de Mãe Menininha (Dorival Caymmi), em dueto com Maria Bethânia. Em 1974 Gal gravou o disco Cantar, dirigido por Caetano Veloso, que trouxe os sucessos Barato total (Gilberto Gil), Flor de maracujá e Até quem sabe (ambas de João Donato e Lysia Enio) e A Rã (João Donato e Caetano Veloso). Desse disco gerou o show Cantar, que não foi bem recebido pelo público de Gal, por se tratar de um disco muito suave, contrastando com a imagem forte que a cantora criara a partir do movimento tropicalista.

Década de 1980

Em 1981, em seu especial produzido e exibido na TV Globo no programa Grandes Nomes, ao qual o nome do seu especial foi seu nome de batismo, Maria da Graça Costa Penna Burgos, ao qual no fim do especial usou uma roupa de franjas rosas, que foi comparado a um boneco infantil da época. No entanto, os críticos disseram que o que salvou o especial foi sua apresentação com a renomada cantora Elis Regina — o encontro de duas divas populares, além de uma aula de musicalidade. Nessa participação, Gal começou cantando Amor Até o Fim, música que fazia parte da discografia das duas, e ao meado da canção Elis Regina chegou fazendo um dueto com Gal. Em seguida Elis cantou uma música recém-lançada, Aprendendo a Jogar, e mais dois duetos: Ilusão À Toa e Estrada do Sol. Além disso, também teve outro encontro histórico de revisitar o repertório de Grande Otelo, música gravada originalmente por Carmen Miranda e depois regravada por ele e Eliana Macedo em 1952, sendo que dessa vez foi interpretada por ele e Gal numa interpretação bem-humorada de ambos.

Década de 1990

Em 1990 gravou o disco Plural, que trouxe os sucessos de Alguém me disse (Jair Amorim - Evaldo Gouveia), Nua ideia (João Donato - Caetano Veloso) e Cabelo (Jorge Ben Jor - Arnaldo Antunes). Em 1992 lançou o disco Gal, com repertório em boa parte extraído do show Plural, e do qual fez sucesso a música Caminhos cruzados (Tom Jobim - Newton Mendonça). Em 1993, Gal lançou o premiado disco O sorriso do gato de Alice, produzido por Arto Lindsay, com o sucesso Nuvem negra (Djavan). Desse disco gerou-se o show de mesmo nome, com direção de Gerald Thomas, que causou polêmica por Gal cantar a música Brasil com os seios nus. Em 1994, reuniu-se com Gil, Caetano e Bethânia, na quadra da escola de samba Mangueira, para o show Doces Bárbaros na Mangueira, que comemorou os 18 anos dos Doces Bárbaros.

Década de 2000

Em 2001, gravou o CD Gal de tantos amores, contendo a canção Caminhos do mar (Dorival Caymmi, Danilo Caymmi e Dudu Falcão). Nesse mesmo ano, foi incluída no Hall of Fame do Carnegie Hall (única cantora brasileira a participar do Hall), após participar do show 40 anos de Bossa Nova, em homenagem a Tom Jobim, ao lado de César Camargo Mariano e outros artistas. Em 2002, lançou o CD Bossa Tropical, no qual registrou a faixa Socorro (Alice Ruiz e Arnaldo Antunes), sucesso originalmente gravado pela cantora Cássia Eller. Em 2003 lançou o CD Todas as coisas e eu, contendo clássicos da MPB, como Nossos momentos (Haroldo Barbosa - Luis Reis), que fez sucesso. Em 2005, lançou pela gravadora Trama o CD Hoje, produzido por César Camargo Mariano, onde Gal reuniu várias canções novas de compositores pouco conhecidos do grande público, tendo se destacado Mar e sol (Carlos Rennó e Lokua Kanza).

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Morte

Gal Costa morreu em 9 de novembro de 2022, aos 77 anos. A assessoria da artista não esclareceu o motivo concreto do óbito. A cantora havia completado 57 anos de carreira e seria uma das atrações do festival Primavera Sound, que aconteceu em São Paulo no fim de semana anterior ao falecimento. A participação de Gal foi cancelada de última hora em razão da necessidade de recuperação da cantora após ter sido submetida a uma cirurgia para retirada de um nódulo na fossa nasal direita. Gal encontrava-se em plena atividade antes do procedimento e viajava o Brasil com a turnê As várias pontas de uma estrela, na qual interpretava sucessos da MPB dos anos 1980. Além de espetáculos próprios, Gal estava na lista de diversos festivais de música nacionais e programava-se para uma turnê na Europa, que se iniciaria em novembro. O corpo de Gal foi velado no dia 11 de novembro, no Hall Monumental da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), onde milhares de fãs puderam se despedir da cantora e prestar homenagens. No mesmo dia, seu corpo foi sepultado no Cemitério da Ordem Terceira do Carmo, no bairro da Consolação, também na capital paulista. Gabriel Costa, único filho da cantora, através da advogada Luci Vieira Nunes, no entanto, requereu judicialmente a exumação do corpo da mãe, com o objetivo de fazer o translado dos restos mortais para um jazigo perpétuo no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro (RJ), que ela já havia comprado para que fosse enterrada junto com sua mãe.

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Vida pessoal

Sexualidade, maternidade e religião

A cantora era discreta quanto a sua vida pessoal. Durante sua vida manteve relacionamentos estáveis, mas nunca foi oficialmente casada. De 1991 a 1992, viveu junto com o empresário e violonista Marco Pereira. Gal Costa era reservadamente bissexual, e ao longo dos anos ficaram conhecidos seus relacionamentos afetivos com anônimos e famosos, dentre eles, os cantores Tom Zé e Jorge Ben Jor, a cantora Marina Lima e a atriz Lúcia Veríssimo. Costa vivia desde 1998 com a empresária Wilma Petrillo. O único filho da cantora, Gabriel Costa, no entanto, defende que as duas eram apenas amigas, apesar de terem vivido mais de vinte anos juntas. Em entrevistas revelou nunca ter conseguido engravidar devido a obstrução nas trompas, doença que surgiu ainda na adolescência, e que tentou o processo de fertilização, mas não obteve êxito. Seguindo os conselhos de sua mãe, decidiu entrar na fila de adoção, mas só quando tivesse emocionalmente certa deste passo. Em 2007, conseguiu adotar um menino de dois anos de idade, que sofria de raquitismo devido às condições de miserabilidade extrema na qual vivia em uma favela carioca antes de ir para o abrigo. Ela o batizou como Gabriel. Em entrevistas, informou que o processo de adoção foi rápido, pois a criança não contemplava as características físicas que a maioria dos adotantes procurava.

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Homenagens

No dia 5 de agosto de 2025, o prefeito Eduardo Paes deu o nome de Avenida Gal Costa a um logradouro no Recreio dos Bandeirantes, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro.

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Fontes consultadas

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