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Segundo cerco de Bilbau

Denomina-se segundo cerco de Bilbau ao conjunto de operações militares que se desenvolveram em torno da cidade de Bilbau entre 23 de outubro e 24 de dezembro de 1836, como parte da estratégia do Exército Carlista para conquistar a cidade pela segunda vez. Durante os confrontos, as tropas isabelinas defenderam a cidade frente à tentativa carlista de ocupá-la. Após vários meses de cerco, e no meio de fortes combates, a segunda tentativa carlista por conquistar Bilbau acabou novamente em insucesso.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/08/2026
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Antecedentes

O cerco de 1835

Os carlistas visavam ocupar uma cidade importante durante a guerra, a fim de incrementar o seu prestígio internacional, de enfraquecer o moral de inimigo e de aumentar o próprio. O General Zumalacárregui era contrário a este plano, e visava a ocupar Vitória, praça que considerava mais acessível. Porém, Zumalacárregui obedeceu e iniciou as operações militares em 10 de junho de 1835 rodeando a cidade e dando começo ao cerco. Durante as operações militares, Zumalacárregui recebeu um tiro na perna que, dias mais tarde, causou-lhe a morte. Falecido Zumalacárregui, Espartero e Fernández de Córdoba junto a outros chefes e oficiais decidiram a 30 de junho acudir em auxílio da cidade, levantando o cerco o dia seguinte sem maiores confrontos. A primeira tentativa carlista por conquistar a grande cidade biscainha, saldava-se num insucesso.

Situação militar dos Carlistas

O Estado carlista apresentava em princípios de 1836 "...uma insuficiência econômica que ameaçava a sua própria sobrevivência". Juan Bautista Erro, à frente do "Ministério Universal" (nome pelo qual se conhecia o Ministério de Assuntos Exteriores do governo na zona Carlista), decidiu negociar créditos no valor de um milhão de reais em Londres. Ignacio Lardizábal era encarregado da negociação, mas não conseguiu obtê-los por não poder oferecer suficientes garantias. "Nesta situação, a posse de uma praça como Bilbau poderia constituir o aval necessário para garantir os empréstimos e inversões[necessário esclarecer] estrangeiras". Por isso, reunidos em Durango o Pretendente carlista com os seus ministros e altos cargos militares, decidiram em 14 de outubro de 1836 o cerco de Bilbau. Seria o segundo que sofreria esta cidade durante a Primeira Guerra Carlista, após o insucesso do ano anterior. Apesar deste insucesso, a situação continuava sendo a mesma e, se os carlistas queriam conseguir alguma ação militar decisiva, era fundamental que ficasse com o controle das cidades, especialmente as capitais Bascas.

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Operações militares

O cerco

Nazário Eguia, geral em chefe do exército carlista, deu o comando de todas as operações de cerco ao general Bruno Villarreal, enquanto Eguia se encarregaria da defesa da retaguarda carlista para evitar a chegada dos reforços isabelinos. Os dias 18 e 19 de outubro, um engenheiro francês ao serviço dos carlistas reconheceu a Praça de Bilbau, após o qual estes começaram a deslocar a sua artilharia a diversas alturas que dominam a cidade, levantando fortins, parapeitos e cavando trincheiras. A sua força era composta por 17 canhões de grosso calibre, dois morteiros, 600 carros de projéteis ocos e balas rasas, assim como 150 de munições e apetrechos, destinando 15 batalhões de infantaria para o infantaria de assalto.

A chegada de Espartero

Em 27 de novembro, Espartero iniciou o seu avanço para Bilbau pela margem esquerda do rio Nervión, mas foi repelido com grande perda de efetivos, dado que as posições carlistas que se interpunham estavam muito bem fortificadas e defendidas com grande valor. O insucesso fez ver a dificuldade de avançar e romper o cerco por esta margem, decidindo-se a realizá-lo pela oposta. Após consultar com os chefes da marinha espanhola e a dos dois navios de guerra britânicos fundeados na ria, Espartero dispôs-se a construir uma ponte sobre o Nervión na altura de Portugalete, fora do alcance da artilharia inimiga, ainda que exposto, pela sua cercania à desembocadura ao mar, a sofrer a força do fluxo de ondas. A ponte foi construída "...colocando em linha abalroados 32 navios que se encontravam na ria, perfeitamente amarrados na longa extensão de 680 pés, e com os seus pranchas de quartéis de uns a outros..." No dia 30 já se encontrava na margem direita grande parte do seu exército, enviando aos defensores de Bilbau com o telégrafo óptico uma mensagem que dizia: "O exército do Norte estará hoje entre Algorta e Aspe ou alta frente de Portugalete e dirige-se pelo L. a Asua, e manhã por Archanda a Bilbau".

A Batalha de Luchana

No dia 1 chegaram os isabelinos, formados em três colunas paralelas, ao primeiro barranco à altura da ponte de Gobelas, mas este fora cortado, razão pela qual tiveram de vadear o arroio crescido e sob os tiros carlistas. Enquanto se realizavam estas disposições, o temporal ficou mais forte no dia 5 e destroçou a ponte que os ligava com Portugalete, a única comunicação com a margem esquerda, de onde tinham de receber os víveres e as munições e evacuar os seus feridos. Por isso, Espartero renunciou a tentar forçar a passagem por Luchana, retirou a artilharia imediatamente em barcaças para margem esquerda, e iniciou a construção de um nova ponte para substituir a destruída, mais a sul e protegida dos embates do mar, ainda que agora também sob o alcance da artilharia dos três fortins carlistas. A dia 7 pela tarde ficou terminada a nova obra, começando as tropas isabelinas a retirar-se para a margem esquerda; mas enquanto a cruzavam, o temporal voltou a parti-lo em dois, devendo realizar-se a passagem da força remanescente empregando lanchas.

O fim do cerco

Espartero foi informado da situação e, ainda sem estar recuperado, recuperou o comando e voltou ao campo de batalha. Quando entre os soldados isabelinos se correu a voz de que o seu general se achava entre eles, fez-lhes retomar com força os ataques e às 04h00 c. do dia 25, quando a crueza do temporal começou a cessar, conseguiram apoderar-se do forte de Banderas, último que conservavam os carlistas, os quais iniciaram a retirada total da zona, ficando as tropas isabelinas com a passagem livre para Bilbau. As tropas isabelinas entraram em Bilbau o mesmo dia 25 de dezembro, recebidas com grande júbilo pelos defensores da cidade.

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Consequências

Como sucedeu no Primeiro Cerco, a superioridade carlista em artilharia era maior que a dos defensores, mas as defesas de Bilbau aumentaram ainda mais desde o ano anterior e a guarnição da cidade também se reforçara. No entanto, a sua superioridade não evitou que os liberais tivessem 250 mortos e de 2000 feridos. No bando Carlista, as consequências foram ainda piores: para além das importantes baixas no cerco da cidade e da luta com as tropas de Espartero, o insucesso de uma segunda tentativa teve um efeito demolidor sobre o moral carlista, que naqueles tempos se achava já minguado frente do devir da guerra para os partidários de Dom Carlos. Entre os sitiadores carlistas "A confusão não tinha limites, as forças vagavam dispersas pelo país e a tão lamentável desordem foi adicionado ao da perda do moral entre os soldados carlistas... e um rumor de traição circulou entre os que criam seguro o triunfo." A retirada foi um desastre, porque as chuvas tornaram os caminhos num lamaçal impraticável, e como consequência disto ficaram abandonados 26 canhões de artilharia pesada, além de um grande número de fornecimentos, munições, etc. José Manuel de Arízaga, auditor geral do exército carlista, afirma que a defesa carlista não foi o bastante forte devido a que aqueles dias "A maior parte da nossas tropas receberam ordem de se acantonar nas povoações da retaguarda de Bilbau e muito pouca força ficava cobrindo o serviço da linha que não se considerou pudesse ser atacada." Para piorar, a nova derrota convenceu alguns militares carlistas (como o general Maroto) da impossibilidade de ganhar a guerra contra os liberais e, portanto, impunha-se algum tipo de acordo com eles.

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