Carcano
Fuzil Carcano, é uma designação genérica para todos os modelos e variantes do fuzil Carcano Mod. 91 também chamado de "Il novantuno".
Introduzido em 1891, o Carcano Mod. 91 foi projetado para o cartucho de estojo sem aro 6,5×52mm Carcano ("Cartuccia Modello 1895"). Foi desenvolvido pelo técnico-chefe Salvatore Carcano no Arsenal do Exército de Turim em 1890 e era originalmente chamado de "Modello 91" ou simplesmente "M91". Substituindo sucessivamente os fuzis e carabinas "Vetterli-Vitali" anteriores que usavam o cartucho 10,35×47mmR. O Carcano Mod. 91 foi produzido de 1892 a 1954, sendo empregado tanto na forma de fuzil ("fucile") quanto de carabina ("moschetto"), de cano mais curto, pela maioria das tropas italianas durante a Primeira Guerra Mundial (na qual se destacou a ""BRIGATA SASSARI"") e por forças italianas e algumas forças alemãs durante a Segunda Guerra Mundial. O fuzil também foi usado durante a Guerra de Inverno pela Finlândia e novamente por forças regulares e irregulares na Síria, Líbia, Tunísia e Argélia durante vários conflitos do pós-guerra nesses países.
Após a descoberta de Paul Marie Eugène Vieille, em 1884, da pólvora sem fumaça, por meio da gelatinização da nitroglicerina com uma mistura de éter e álcool, surgiu a possibilidade de projetar armas de calibre menor do que as anteriormente adotadas. O "Regio Esercito" foi equipado com os fuzis "Vetterli-Vitali Mod. 1870/87", "Vetterli-Bertoldo Mod. 1870/82" e "Vetterli-Ferracciù Mod. 1870/90" no grande calibre 10,35×47mmR, com munição de pólvora negra, de boa qualidade, mas tornado obsoleto por esta nova descoberta. Os históricos inimigos austríacos, imitando o que os franceses haviam feito, introduziram em serviço o Steyr-Mannlicher M1888 no calibre 8×50mmR Mannlicher. Os alemães adotaram em 1888 a munição 8×57mm no novo fuzil Gewehr 88, que a princípio parecia uma escolha razoável, mas, depois de alguns experimentos, decidiu-se adotar um calibre ainda menor, o 6,5×52mm Carcano, que teria permitido, entre outras coisas, às tropas transportar com facilidade uma maior quantidade de munições. Este assunto esteve na ordem do dia nos desdobramentos das guerras coloniais, nas quais as tropas europeias frequentemente ficaram sem balas, em "zonas selvagens" onde havia muito poucas vias de comunicação. Mesmo quando você não corria o risco de ficar sem balas na batalha, era necessário negligenciar completamente o treinamento de tiro assim que deixava a linha de costa ou as poucas áreas servidas por ferrovias. Foi nessa década que a derrota em Aduá mostrou o quão correto era esse raciocínio.
Embora o fuzil Carcano seja frequentemente chamado de "Mannlicher-Carcano", especialmente na linguagem americana, nem essa designação nem o nome "Mauser-Parravicino" estão corretos. Sua designação oficial em italiano é simplesmente "Modello 1891" ou simplesmente "M91" ("il novantuno"). O sistema de carregador usa clipes de carregamento "em bloco" que foram originalmente desenvolvidos e patenteados por Ferdinand Mannlicher, mas a forma e o design reais do clipe Carcano são derivados do fuzil alemão Gewehr de 1888, também conhecido como "Kommissionsgewehr" (algo como "fuzil da comissão"). Inicialmente o propelente "ballistite" (um composto muito semelhante ao adotado posteriormente em 1901 na Grã-Bretanha, o cordite) foi adotado para a munição, mas como dava problemas de erosão excessiva e estabilidade em temperaturas extremas, em 1895 passaram a usar a "solenite". Tanto a cordite quanto a solenite eram propelentes também projetados para uso colonial, ao contrário dos propelentes alemão, austro-húngaro, americano e russo, em si mais potentes e funcionais, mas instáveis em climas quentes e úmidos.
Todas as variantes usaram a mesma ação de ferrolho "Carcano", alimentada por um clipe "en bloc"; os fuzis e carabinas tinham diferentes comprimentos de cano e diferenças de coronha e mira dependendo do comprimento do cano. Conforme observado na introdução, a palavra moschetto significa literalmente "mosquete", mas era geralmente usada pelos fabricantes de armas italianos como um descritor de fuzis do século XX, só que, de cano mais curto, no estilo carabina destinados a outros usos que não a infantaria regular. Os fuzis de infantaria de comprimento regular são chamados de "fucile". Junto com o "Fucile", os "moschetti" também foram reciclados, dando origem a dois modelos: Essa variante foi oferecida em dois modelos: Ambos recalibrados para 7,35 mm com estriamento de passo fixo e mira fixa para 200 m. No primeiro caso, além dessas modificações no cano, os suprimentos e acabamentos eram praticamente os mesmos dos respectivos modelos no calibre 6,5 mm. O "Moschetto M91/38 TS" sofreu as mesmas modificações no cano e na traseira, mantendo a baioneta anterior para "TS". Os carregadores também foram produzidos a partir do zero, com várias pequenas modificações.
Fucile Modello 1891
O "Fucile Mod. 91", base para as demais variantes, foi o vencedor da competição, realizada entre as fábricas de armas nacionais, apresentado por Salvatore Carcano, muito semelhante ao adotado pela Mauser mas simplificado, e com o sistema de carregamento de Mannlicher usado no Gewehr 1888 alemão. O "M91", em 6,5x52 mm com baioneta destacável em forma de faca, cano de 30,7 polegadas, foi adotado em 29 de março de 1892 conforme Ato Ministerial nº 57.
Moschetto Mod. 91
O fuzil padrão, era muito longo para uso na cavalaria e pelos "bersaglieri ciclistas", tanto que a "Vetterli Moschetto da Cavalleria" ainda era usada. Em 1893 foi desenhado um novo modelo decididamente mais curto e mais leve (910 mm e 3,16 kg), com um cano de 451 mm, oficialmente denominado "Moschetto Mod. 91" ou mais formalmente "Moschetto Mod. 91 per cavalleria". Essa variante foi oferecida em três modelos, sendo os posteriores apenas refinamentos no acabamento: O "Moschetto M91", em 6,5 × 52mm com baioneta dobrável integral, cano de 17,7 polegadas, foi adotado em 9 de junho de 1893 e sob a Lei nº 116 de 15 de julho de 1893, quando a nomenclatura se tornou oficial. Essas variantes foram referenciadas como "per cavalleria" de forma incorreta, pois ela nunca foi chamada assim oficialmente.
Moschetto Mod. 91 TS
O Moschetto Mod. 91 per truppe speciali, como o nome indica foi distribuído para: engenheiros, artilheiros, para os graduados das tropas, para o pessoal da subsistência Alpina, para a Marinha Real e para a Milícia Florestal) foi amplamente usada a abreviação "Moschetto Mod. 91 TS". Essa variante foi oferecida em dois modelos: O "Moschetto Mod. 91 TS", em 6,5x52 mm com tipo de baioneta montada lateralmente (transversal), 17,7 polegadas de cano, foi oficialmente adotado em 6 de janeiro de 1900 sob o Ato No.6, embora a produção deles tenha se iniciado em 1898. Eles foram emitidos para equipes de metralhadoras, morteiros e motocicletas. Eles tinham um zarelho giratório na extremidade do guarda-mão e outro fixo embutido na coronha, ambos do lado esquerdo da arma, para prender a bandoleiras. Havia dois tipos de guarda-mão usados nessa versão: no primeiro o guarda-mão não tinha nenhum elemento de retenção mecânica adicional, mas verificou-se que estes poderiam se soltar, e de acordo com a Circular No.124 datada de 25 de fevereiro de 1916 eles decidiram adicionar uma pequena aba para mantê-los no lugar.
Moschetto Mod. 91/24
Após a Grande Guerra, um grande número de fuzis "Mod. 91" em más condições, especialmente com o cano particularmente gasto, permaneceu no arsenal. A parte da culatra do cano, porém, dada a adoção do passo progressivo no estriamento, estava em bom estado. Portanto, foi decidido converter parte dos fuzis "Mod. 91" carabinas ("moschetti"), que substituiriam o "Mod. 91 TS" que não era mais produzido desde 1919. Esta arma recebeu o nome "Moschetto Mod. 91/24" e tinha fortes semelhanças com o "Moschetto Mod. 91 TS". O "Moschetto Mod. 91/24", em 6,5×52 mm, cano de 17,7 polegadas, começou a ser fabricado/convertido em 1925 eles começaram a conversão do "Fucile Modello 1891" para ser encurtado de acordo com a Circular nº 59 de 29 de janeiro de 1925 que especificamente diz que a nomenclatura desta arma de fogo será "moschetto mod. 91/24". A maneira mais fácil de reconhecer essa variante é que ela tem a mira traseira ajustável mais longa, enquanto o fuzil original tinha a mira traseira fixa e menor.
Moschetto per Truppe Speciali Modello 1891 Modificato
Em 1928, foi a retomada da produção do "Moschetto Mod. 91 per truppe speciali" (TS), adotando o sufixo "Modificato". Essa variante foi oferecida em dois modelos: O "Tromboncino Mod. 28" era o "Mod. 91/28 TS" modificado com entalhes no cano para acomodar os suportes do "tromboncino". O cano do "tromboncino" era de calibre 38,5 mm de alma lisa e tinha um batente de mola na parte inferior para travar a granada, que era carregada pelo cano. O sistema de disparo dessa adaptação era complexo e perigoso, pois envolvia um cartucho comum sendo disparado, sua bala ficar retida, enquanto a granada era impulsionada pelos gazes desviados para o "tromboncino", e por ser paralelo ao cano, exigia uma segunda linha de mira. O "tromboncino" não deu os resultados desejados, por isso foi eliminado e não substituído por sistemas mais modernos, ao contrário do que aconteceu nesses mesmos anos na França e em outros países.
Fucile Mod. 91/38
Na Primeira Guerra Mundial e nas campanhas policiais coloniais na Líbia Italiana, a munição Mod. 90/95 de 6,5 mm provou ser muito penetrante e, se não atingisse as partes letais, o efeito da balística terminal não era capaz de produzir no inimigo feridas excessivamente incapacitantes. A experiência da Guerra na Etiópia também mostrou que as características balísticas das munições eram inferiores às de outras nações, com desempenho ruim principalmente em metralhadoras. Desde 1935, o Coronel Giuseppe Mainardi foi contratado para estudar uma nova munição e em 1938 foi adotada uma nova munição de nitrocelulose pura, de 7,35×51mm, enquanto o major Roberto Boragine e o general Federico Capaldo, ficaram encarregados de projetar um fuzil para usá-lo, podendo também recuperar os estoques existentes: os arsenais, de fato, ainda estavam cheios de fuzis "Mod. 91" antigos com cano gasto. Este novo projeto recebeu o nome formal de "Carcano Mod. 91/38 cal. 7.35", mas se popularizou com o nome de "Carcano Modello 38". O "Carcano M38" era significativamente mais curto do que o "Mod. 91" original, com 1.020 mm de comprimento, cano de 538 mm, dos quais 475,5 mm com estriamento à direita e passo constante de 240 mm; o núcleo do cano foi retificado para que as raias e fundas tivessem 7,35 mm e 7,63. A câmara exigiu pequenas modificações, pois o estojo do novo calibre não diferia muito do 6,5 mm. A alça do ferrolho foi dobrada para reduzir o volume e a mira traseira passou a ser fixa para 200 m, implificando o treinamento dos soldados de infantaria. O sistema de carregamento, era igual aos de 6,5 mm e não sofreram alterações. O carregador teve que ser produzido do zero. A baioneta "sabre" do Mod. 91 foi substituída por uma baioneta "adaga" destacável e dobrável, cuja lâmina dobrada ficava embutida em uma ranhura na haste.
Os arsenais que fabricaram o "Carcano Mod. 91" e suas variantes foram os seguintes:
Esses foram os conflitos nos quais o fuzil Carcano foi utilizado:
Em março de 1963, Lee Harvey Oswald comprou uma "carabina italiana em 6,5 mm", mais tarde indevidamente chamada de "Mannlicher-Carcano" (embora use um sistema de clipe em bloco no estilo Mannlicher), por meio de pedido pelo correio, por US$ 19,95 ($ 171,37 em dólares de 2020). O anúncio especificava apenas uma "Carabina italiana 6.5" e na verdade mostra um modelo "Carcano M91 TS", que era o modelo Carcano de 36 polegadas (91 cm) vendido por meio do anúncio quando foi originalmente colocado. No entanto, 11 meses antes de Oswald fazer seu pedido, a loja de artigos esportivos de Chicago onde ele o comprou estava enviando o modelo 91/38 um pouco mais longo de 40,2 polegadas (102 cm) com o mesmo anúncio, e esta foi a arma Oswald recebeu. Relatórios oficiais concluíram que Oswald usou essa arma para assassinar o presidente dos EUA John F. Kennedy em 22 de novembro de 1963. O fuzil, feito no arsenal de Terni em 1940 e com o número de série "C2766", foi equipado por US$ 7 extras com uma nova mira telescópica 4x18 japonêsa, em montagem lateral em chapa de metal, o preço da arma sem a mira era de apenas US$ 12,78. Posteriormente, foi examinado pela polícia local, o FBI, o Exército dos EUA e duas comissões federais.


