Pesquisa · Mapa mental

François Truffaut

François Truffaut foi um cineasta, ator e crítico francês.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/10/2026
01

Biografia

Imagem: blacque_jacques · BY-NC-SA · Openverse

Infância

Nascido na capital francesa em 6 de fevereiro de 1932, François era filho de Roland Lévy e Jeanine de Montferrand. O garoto jamais conheceu o pai biológico e foi criado pelos avós maternos - já que a mãe o rejeitara. O avô era um homem rígido, enquanto a avó despertou no menino a paixão pela literatura e música. Com sete anos, François viu o primeiro filme no cinema, Paradis perdu, de Abel Gance. Dali em diante, interessou-se assiduamente pela sétima arte. Aos 10 anos, François perdeu a avó e foi morar com a mãe, que estava casada com Roland Truffaut, um arquiteto católico. Este acabou registrando o garoto com o seu sobrenome. Foi o período mais difícil da infância de Truffaut. Rechaçado tanto pelo pai adotivo quanto pela mãe, seu espírito rebelde transformou-o em um mau aluno na escola e o induziu a cometer alguns atos de delinquência, como pequenos furtos. Esta fase de convívio com os pais inspiraria futuramente na construção de seu primeiro longa-metragem cinematográfico, o autobiográfico Os Incompreendidos.

Independência

Secretário pessoal de André Bazin, aos 18 anos, François Truffaut obteve a emancipação legal dos pais. Bazin continuou a lhe dar a formação adequada em cinema, introduzindo-o no Objectif 49, um seleto grupo de jovens estudiosos do novo cinema da época, como Orson Welles e Roberto Rossellini (mais tarde, integrariam o grupo nomes como Jean-Luc Godard, Suzanne Schiffman e Jean-Marie Straub). Truffaut também participava do Ciné club du Quartier Latin, boletim sobre cinema coordenado por Eric Rohmer, em que ele daria seus primeiros passos como crítico da sétima arte. Seu primeiro artigo foi sobre o clássico A regra do jogo, de Jean Renoir. Em abril de 1950, Truffaut foi contratado como jornalista pela Elle e passou a escrever seus primeiros textos para a revista. Também fazia contribuições regulares para outras publicações.

Cahiers du cinéma

Em abril de 1951 - época em que François Truffaut estava preso - foi criada a Cahiers du cinéma. Fundada por André Bazin, Jacques Doniol-Valcroze e Joseph-Marie Lo Duca, tornar-se-ia a mais influente publicação sobre o assunto na França. Em 1953, Bazin ajudou Truffaut a entrar para a Cahiers. E logo com seu primeiro artigo, Une Certaine tendance du cinéma française (Uma certa tendência do cinema francês, em português), um manifesto contra "a tradição da qualidade" do cinema francês, Truffaut causou polêmica no meio cinematográfico, seja para defendê-lo ou criticá-lo. Além das críticas contundentes de François Truffaut, a Cahiers contava com outros jovens promissores como Claude Chabrol, Eric Rohmer, Jacques Rivette e Jean-Luc Godard.

A Nouvelle Vague

Como crítico, Truffaut desenvolveu seu famoso conceito de Politique des auteurs (teoria autoral, em português), o qual uma obra é considerada uma produção individual, seja ela uma canção, um filme ou um livro. Defendia que a responsabilidade sobre um filme dependia quase que exclusivamente de uma única pessoa, em geral o diretor. Para ele, o grande representante de sua teoria era o diretor britânico Alfred Hitchcock. A Politique des auteurs foi a base para o surgimento de um movimento que revolucionária o cinema francês, a Nouvelle Vague', criada por jovens cineastas franceses que defendiam a produção tanto autoral quanto intimista e de baixo custo.

Vida pessoal

Em 1957, Truffaut casou-se com Madeleine Morgenstern, filha do rico distribuidor Ignace Morgenstern (COCINOR). O casamento com Madaleine garantiu plena independência artística e financeira para os trabalhos do então crítico de cinema. Com ela, o cineasta teve duas filhas: Laura (1959) e Eva (1961). Durante as gravações de Jules et Jim, o cineasta teve um caso de amor com a atriz francesa Jeanne Moreau, casada na época com o costureiro Pierre Cardin. O casamento de Truffaut já havia sofrido um sério abalo, quando ele teve um curto relacionamento com uma atriz de 17 anos, Maria-France Pisier, protagonista de Antoine et Colette. Em 1964, Truffaut decidiu romper seu casamento com Madeleine Morgenstern e manteve o romance com Moreau, recém-separada de Cardin.

A morte

Em 1983, Truffaut queixava-se de intensas dores de cabeça. Descobriu mais tarde que estava com câncer no cérebro. Cogitava fazer sua autobiografia, com o amigo Claude de Givray, mas os problemas de saúde o impediram de finalizá-la. Em 21 de outubro de 1984, François Truffaut faleceu, no Hospital Americano de Neuilly-sur-Seine, vítima de um tumor cerebral. Encontra-se sepultado no Cimetière de Montmartre, Ilha de França, Paris na França.

02

Carreira cinematográfica

Imagem: Pascal Rey PhotogrAphies · BY-NC-SA · Openverse

François Truffaut fez seu primeiro filme em 1954, o curta-metragem Uma Visita, filmado em preto-e-branco e 16mm. Naquele mesmo ano, produziu o argumento de Acossado, de Jean Luc-Godard. Em 1958, Truffaut e Godard dirigiram o curta Une Histoire D'Eau. Com a fundação da Les films du Carrosse, Truffaut produziu outro curta, Les Mistons, também filmado em preto e branco e 16mm, que recebeu boa recepção da crítica especializada e lhe deu o prêmio de Melhor Diretor do Festival du Film Mondial, de Bruxelas. Com fundos do sogro, em 1958, ele bancou um projeto inspirado em suas experiências da infância e pré-adolescência, o longa-metragem Les 400 coups', que se tornou um sucesso internacional e definitivamente inaugurou a Nouvelle Vague. Para fazer o papel de ator principal do filme foi escolhido um jovem Jean-Pierre Léaud, que aos 14 anos interpretaria Antoine Doine, o alter ego do cineasta. Assim como Bazin tornara-se um tutor para Truffaut, este seria o grande mentor de Leaud nos anos seguintes. Em abril de 1959, o filme venceu o prêmio de melhor diretor do Festival de Cannes, além de ter sido indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando