Francisco Alves
Francisco de Morais Alves, também conhecido como Chico Alves ou Chico Viola, foi um cantor e compositor brasileiro, considerado um dos maiores, mais populares e versáteis de sua área. A qualidade de seu trabalho lhe rendeu em 1933 a alcunha de "Rei da Voz", dada pelo radialista César Ladeira. Foi, ainda, peça decisiva para a construção de vários gêneros populares da música.
Seu pai, José Alves, era um imigrante português que se radicara no centro do Rio, então a capital do país; ali, na rua do Acre, ele abriu um bar e foi nesta rua que nasceu o cantor, um dos cinco filhos que teve; e nesta rua ele passou sua infância. Seus irmãos eram Ângela, Lina, Carolina e José e a mãe, Isabel Morais Alves, era também imigrante lusa. Da irmã mais velha Ângela ganhou seu primeiro instrumento, uma guitarra. Ainda menino a família se mudou para a rua Evaristo da Veiga e, face às dificuldades, ele trabalhou como engraxate e, aproveitando-se da proximidade com um batalhão da polícia, passou a acompanhar os ensaios de sua banda de música; chegou a fugir de casa para não ter que estudar para se tornar guarda-livros (contador) no Colégio da Ajuda onde seu pai tencionava matriculá-lo e, quando ficou maior, conseguiu o primeiro emprego (1916) na fábrica de chapéus Mangueira;[nota 2] depois de pouco tempo foi para a Júlio Lima. Sua irmã Lina, por sua vez, entrara para o meio artístico e viria a se tornar atriz como vedete no teatro de revista e depois nas radionovelas, adotando o nome de Nair Alves.[nota 3]
O casamento errado
Chico conhecera Ceci — pseudônimo adotado na vida de meretrício — num prostíbulo de baixa categoria da rua Joaquim Silva e viu-se prontamente apaixonado pela mulher que ele mesmo descreveu como sendo "bonita, atraente, a boca muito pintada, os olhos maliciosos e o vestido colado ao corpo" que "davam-lhe a indescritível cor local." Imediatamente quis tirar a moça daquela vida e ambiente "de pecado"; para tanto pediu-lhe em casamento e esta aceitou; mas nem seus amigos — que encheram-lhe de advertências — nem a família concordaram com tal união: da mãe Isabel ouviu que este lhe seria "o maior desgosto" de sua vida; a irmã Ângela lembrou-lhe do pai, que jamais aprovaria aquele ato; nada demoveu Alves da decisão e, no dia 24 de maio de 1920, em celebração apenas civil, casou-se com a prostituta sem a presença nem de amigos nem de familiares. Foram testemunhas desconhecidos que, ao acaso, estavam por perto; a festa se restringiu a pão com manteiga — ou "média" como era chamado.
Em 1921, o empresário José Segreto convidou-o para interpretar no Teatro São José, nas peças de teatro de revista de sua produção, nada menos que os sucessos de seu ídolo Vicente Celestino. No Teatro São José fez parte da companhia de revistas do ator Alfredo Silva, onde ficou pouco tempo como corista, sendo promovido a ator secundário e, logo, protagonista da peça cômica que popularizou a canção homônima "A Malandrinha". No mesmo ano conheceu e se casou com a atriz Célia Zenatti, com quem viveria por vinte e oito anos. Apesar de já atuar profissionalmente como artista, não abandonou a atividade de taxista. Mudando de gravadora lançou em 1924, pela Odeon, gravações de samba e marchas, mas não alcançou bom resultado, como o samba Miúdo, de Sebastião Santos Neves e marchas carnavalescas como Não me passo prá você e Mademoiselle cinema, de Freire Júnior. Almirante contava que, a partir de 1928, Alves lançou suplementos pela Parlophon, paralelos aos discos pela Odeon; enquanto nesta usava o nome real, naquela usava o apelido de Chico Viola; isto gerou confusão mesmo em pessoas do ramo artístico, que debatiam qual dos dois cantores seria o melhor: uns diziam ser Francisco, outros o Chico — discutindo sobre a mesma voz e o mesmo cantor.
Em 1931 deu uma demonstração de falta de educação e sensibilidade, que a muitos revoltava: estavam vários amigos ao lado do jovem pianista Nilton Bastos, prestes a morrer da tuberculose que o vitimou, e Alves teria entrado no quarto a cantar: "Quando eu morrer, não quero nem choro nem vela..." — fato narrado por Mário Reis. Em 1932 integrou, junto a Carmen Miranda, Gastão Formenti, Mozart Bicalho, Patrício Teixeira e Elisa Coelho o cast exclusivo da Rádio Mayrink Veiga. Em maio deste ano Alves, já então consagrado como artista e ídolo popular, junto aos iniciantes Noel Rosa (então com apenas 21 anos), Mário Reis e dos dois músicos Pery Cunha (bandolinista) e Romualdo Peixoto, formam um grupo que ele denominou "Ases do Samba" e realizam uma excursão pelo Sul; no Rio Grande do Sul passaram por Porto Alegre, Caxias do Sul, São Leopoldo, Cachoeira do Sul, Pelotas e Rio Grande — indo para lá a bordo do navio Itaquera, numa viagem de sete dias. O cronista pelotense Mário Osório Magalhães registra que Alves fora peremptório na vestimenta que deveriam usar nas apresentações: apenas smoking; já na primeira, contudo, Noel apareceu com um terno branco que pegara de um garçom, para desespero do cantor, que foi então acalmado por Mário Reis dizendo que o público certamente pensaria que a diferença seria "bossa". Na passagem pela capital gaúcha, eles conheceram, num bar, o então jovem artista Lupicínio Rodrigues, a quem Noel previra que "este moço vai longe".
Em 1942, com o surgimento das primeiras radionovelas e a participação do Brasil na II Guerra Mundial, os cantores perderam momentaneamente a condição de protagonistas do rádio; o radialista Oswaldo Luiz, a respeito, escreveu que "só quem mora fora do Rio pode aquilatar do prestígio, da popularidade e da curiosidade que um 'astro' do microfone pode causar"; a respeito disto, ele assinalou que, embora ainda recebendo grandes salários, astros como Carmen Miranda, Chico Alves, Carlos Galhardo, Sílvio Caldas ou Orlando Silva já não atraíam mais tanto fãs como antes, com o surgimento das radionovelas, e os noticiários que falavam da guerra. No ano seguinte, a revista A Cena Muda repetia: "Que é feito dos famosos ídolos? Chico Alves, Orlando Silva, Galhardo, Silvio Caldas... O fim do ano está batendo à porta e esses rapazes – vá lá... – não dão um ar de sua graça nem procuram variar o repertório. Por isso mesmo – falta de esforço – foi que os grandes cartazes de outros tempos foram se eclipsando até ninguém mais se lembrar deles..."
O retorno de Ceci
Chico cuidava bem dos negócios: tinha vários imóveis, uma loja em Miguel Pereira e os cavalos de corrida em parceria com o sócio Mário de Almeida (conhecido como "Mário Português"). Ele ainda adquiriu vários apartamentos no Rio. Em 1950 sua primeira esposa — Perpétua Guerra Tutoia, ou "Ceci" — reapareceu em sua vida, de forma inusitada e inesperada: Chico Alves foi citado para responder a um processo que ela lhe movia, dizendo ser o pai de dois filhos adolescentes — Cristiano (de quinze anos) e Teresa (treze). O processo foi um choque para o cantor que, diante da repercussão que o mesmo ganhara na imprensa, e o fato de ter de recorrer para serem suas testemunhas aos mesmos amigos cujos conselhos recusara trinta anos antes, pensou mesmo em abandonar a carreira. A imprensa dava destaque ao caso e o processo se arrastava, avançando pela década seguinte.
1951 foi o ano em que sua disputa contra a ex-mulher ganhou feições de verdadeiro drama público, e os detalhes eram expostos na imprensa; Perpétua se apresentava com o nome de casada – Perpétua de Morais Alves – uma vez que nunca se separou do marido; ela alegava que os dois filhos (Cristiano, nascido em 26 de abril de 1937 e Teresa, nascida em 12 de setembro de 1938) eram fruto de "encontros furtivos" que mantinha com o cantor, enquanto este contraditava que ela tinha "vida alegre" – fato que Perpétua não contestava. A ação de negativa da paternidade seguiu e em setembro soube-se que Alves alegava que seu casamento durara apenas nove dias: de 20 de maio a 2 de junho de 1920; para comprovar esta última data disse que a mulher deixara duas cartas ao abandoná-lo — uma dirigida a ele e outra à sua (dele) família; o cantor declarou então à imprensa que, além de anular os registros dos supostos filhos, entraria finalmente com uma ação de desquite. O caso estava nas mãos do juiz Paula Alonso; no dia 20 de novembro uma audiência ouviu como testemunhas de Chico os amigos Mário Reis e David Nasser; Ambos confirmaram a impossibilidade de Chico Alves ser o pai dos menores; nova audiência foi então marcada para o dia 26 daquele mês. O juiz, à luz das provas e testemunhas, finalmente deu-lhe ganho de causa; Ceci, derrotada, voltaria novamente a aparecer após a morte do cantor e novo drama viria a se desenrolar na disputa pelos bens que ele deixou.
"Dizem que a gente deve saber a hora em que é bom abandonar o palco, mas eu não sei, eu não posso e eu não quero. Bem que eu gostaria, meu caro amigo, de fazer coincidir o último alento de vida com o último agudo de minha garganta." Alves dirigia seu Buick voltando de São Paulo para onde fora se apresentar na Rádio Nacional, pela rodovia Presidente Dutra, ao lado do amigo Haroldo Alves, quando no atual km 102,5 Norte (antigo km 275,5), apenas 500 metros após a ponte sobre o Rio Una (que marca a divisa de Taubaté com Pindamonhangaba), por volta das 18:30 horas do dia 27 de setembro de 1952 (algumas fontes indicam 17:23 horas), vindo em sentido contrário, um caminhão Austin dirigido por João Valter Sebastiani, do Rio Grande do Sul, chocou-se violentamente contra ele; com a pancada, o amigo foi jogado para fora do veículo do cantor e sobreviveu em estado grave, mas o artista sofreu morte imediata e, logo em seguida, o carro se incendiou e seu corpo ficou totalmente carbonizado, praticamente irreconhecível.
Velório e sepultamento
Seguindo para o Rio, o corpo do artista foi velado na Câmara Municipal; uma multidão de fãs e curiosos acorreu ao lugar, para se despedir da celebridade desaparecida, além de artistas, autoridades e um representante do então presidente Getúlio Vargas; mesmo durante a madrugada do domingo para a segunda-feira as filas diante do legislativo municipal não deixavam de crescer. No dia 29 de setembro, segunda-feira pouco após as 11 h da manhã, o cortejo seguiu rumo ao Cemitério de São João Batista, seguido por multidão cujo número não pode ser aferido; no registro do cronista do jornal O Dia: "Era impossível ter-se uma ideia exata do número de pessoas que formavam aquela fabulosa onda humana, que provocou colapso no trânsito, acompanhando os funerais de Francisco Alves. Cem, duzentas mil pessoas? Quem sabe ao certo, se a vista do repórter se perdia ao longo de ruas e avenidas da zona sul? Foi um espetáculo comovente, o coroamento das manifestações de dor popular pela morte trágica do Rei da Voz. Durante as últimas 48 horas, a cidade se transformou de tal modo, ligando-se ao destino de um artista por vinculo do mais profundo sentimentalismo, que até parecia não ter morrido apenas um seresteiro de alta classe, mas um místico de poderosa influência sobre multidão deslumbrada."
Missas
No dia 3 de outubro foram mandadas celebrar várias missas em memória do cantor; o bispo de Santos D. Idílio Soares se recusara a fazê-lo, por ouvir dizer que o artista não tinha uma vida reta mas, consultando a Cúria Metropolitana do Rio, esta lhe respondeu que ele levara uma vida "normal" e assim poderia receber as exéquias católicas — o que o fez reconsiderar a negativa; em São Paulo mais de mil pessoas compareceram à cerimônia na Igreja de Nossa Senhora da Consolação ao final da qual a orquestra da Rádio Nacional executou A Voz do Violão, canção cuja letra fazia lembrar o cantor; já no Rio de Janeiro as missas ocorreram no dia 4: na tradicional Candelária teve início às 11:30 h com a participação dos corais da Rádio Nacional ("Cantores do Céu") e do Teatro Municipal, que também apresentou sua orquestra, com transmissão ao vivo por várias emissoras de rádio da capital e do interior do país.
Chora Estácio, Salgueiro e Mangueira, Todo o Brasil emudeceu, Chora o mundo inteiro, O Chico Viola morreu. – Antonio Nássara, Wilson Batista, "Chico Viola" Tanto a Rádio Nacional como o patrocinador do programa que Chico Alves mantinha ao meio-dia dos domingos decidiram mantê-lo, apesar de sua morte; na sua primeira irradiação a cantora Linda Batista, carregada de emoção, entoou a canção "Chico Viola", fruto da parceria de Nássara com Wilson Batista. Em Belo Horizonte a fã "Maria da Conceição", que caíra em depressão após a notícia, no dia 30 de setembro ateou fogo às próprias roupas; apesar de socorrida ainda com vida, veio a falecer no pronto-socorro. Neste mesmo dia o carona do acidente, Haroldo Alves, foi finalmente transferido de ambulância para o Rio com a melhora de seu estado de saúde; ele ainda não sabia que o cantor tinha falecido. Os jornais indicavam que ocorria uma peregrinação de pessoas de todas as classes sociais ao cemitério de S. João Batista ao túmulo 519 da ala 5, onde fora sepultado o cantor; os discos do artista nas lojas haviam acabado, dado o volume de vendas. Foi neste mesmo dia que Perpétua de Morais Alves, a "Ceci", deu entrada no foro ao pedido de abertura do inventário dos bens deixados por Chico Alves. Teria início ali mais um drama que se arrastaria nos próximos anos, percorrendo todas as instâncias do poder judiciário.
Disputa pela herança, revelações do passado
Após ingressar com o pedido do inventário junto à 4ª Vara de Órfãos e Sucessões onde fora nomeada inventariante, Perpétua também não descuidou do processo perdido pelo reconhecimento dos filhos como sendo do marido, e recorreu da sentença proferida na primeira instância. David Nasser, o repórter que chamara para si a defesa da memória do amigo cantor, também não ficou infenso aos ataques: foi divulgado que ele devia uma importância superior a um milhão de cruzeiros ao amigo e ele atribuiu isto a uma campanha para o "desacreditar perante a opinião pública"; Nasser reagiu divulgando que possuía doze músicas em parceria com o cantor e que estas renderiam dois milhões mas, para que a metade deste valor não fosse para Ceci, jamais as deixaria serem gravadas. Ele reiterava a ameaça de que divulgaria o nome do verdadeiro pai dos filhos atribuídos a Chico Alves.
Segundo a pesquisadora Egly Colina Marín, "Francisco Alves deixou centenas de canções que, no presente, são objeto de atenção por estudiosos e investigadores culturais de todas as latitudes."[nota 8] Sua longa carreira como artista foi de importância capital para a formação de muitos dos gêneros da música popular brasileira; sua trajetória coincide com o desenvolvimento no país de várias novas tecnologias até então inexistentes, e com momentos sociais importantes que se refletem na manifestação musical: surge o rádio como fenômeno de divulgação de massa e também a indústria fonográfica; no plano cultural o rápido crescimento das cidades do período faz com os ritmos musicais tipicamente urbanos venham a se formar, impulsionados ainda mais pelas festas populares (como o carnaval) e pelo sucesso do teatro de revista e do cinema — tudo isto a sobrelevar seu papel na história musical do Brasil.
Discografia
Alves gravou canções de vários compositores célebres, como Herivelto Martins, Catulo da Paixão Cearense, Lamartine Babo, Grande Otelo, Dorival Caymmi entre outros, e cantou em parceria com Dalva de Oliveira vários sucessos, além da dupla formada com Mário Reis. Em 1987 várias de suas gravações foram relançadas, antecipando o centenário de nascimento do cantor, no ano seguinte; pela BMG Ariola várias de suas músicas compunham a caixa de clássicos da MPB; A Collector's do Rio de Janeiro relançou parte de sua obra em seis CDs; e o selo da cidade de Curitiba Revivendo outros três.
Filmografia
A Enciclopédia Itaú Cultural dá como Francisco Alves tendo participado do filme de 1931, "Coisas Nossas"; Isto contudo não se repete na biografia do autor, de Ronaldo Aguiar, nem na ficha catalográfica do filme da Cinemateca Brasileira que, entretanto, reporta seu nome como integrante do elenco segundo Araken Campos Pereira Júnior (com a ressalva de que o autor não indica suas fontes). A Cinemateca diz ser este um filme musical, e cita Jean-Claude Bernardet que disse ter a película inaugurado "...no Brasil o filme revista e marca o início do relacionamento rádio-cinema, tornando-se pioneiro de um filão importante que se desenvolveria nos anos 30 no Rio de Janeiro".
Teatro
Participou, no teatro musical, da peça "Da Favela ao Catete", de autoria de Freire Júnior. A apresentação burlesca estreou em 1935 e teve as músicas compostas por Hervé Cordovil.
Autobiografia
Em 1936 Chico publicou uma autobiografia intitulada "Minha Vida", publicada no Rio de Janeiro pela Editora Brasil Contemporâneo.
Já nos dias seguintes ao acidente a Câmara de Vereadores de São Paulo apreciou projetos alterando o nome da antiga "rua 16" para Francisco Alves, e outro autorizando fosse feito um busto do cantor numa das praças da cidade. Colonizada a partir da década de 1950, ainda pertencendo a Iporã, em 24 de agosto de 1972 a lei estadual paranaense nº 6.314 emancipou o município com o nome que homenageia o cantor, sendo instalada apenas em 1 de fevereiro de 1977; Francisco Alves é também chamada pelas pessoas de "Chico Viola"; o nascidos ali são os "alvenses". Em 1974 foi inaugurado o Museu Francisco Alves em uma edificação popularmente conhecida como "Castelinho", em Miguel Pereira, cidade onde Francisco Alves possuia uma residência para seus momentos de descanso. Situado no centro da cidade, dentro do Jardim Municipal Francisco Marinho Andreiolo, o museu traz importantes peças pessoais do artista, dentre as quais em destaque está seu violão. Uma rua da cidade também recebeu o seu nome.
Músicas
Além de "Chico Viola" de Nássara e Wilson Batista lançada pouco após sua morte, o samba-canção "Uma Cruz na Estrada" foi composto para homenagear o cantor, de autoria de Irany de Oliveira e Ari Monteiro; foi gravada por Carlos Galhardo em 1953, mas só foi lançada no ano seguinte. Também em 1954 foi lançada, na voz de Nelson Gonçalves, o samba "Francisco Alves" de autoria de David Nasser e Herivelto Martins, cuja letra dizia: "Até a lua do Rio/ Num céu tranqüilo e vazio/ Não inspira mais amor/ O violão desafina/ Porque chora em cada esquina/ A falta do seu cantor". Também de Herivelto e Nasser é "O Maior Samba do Mundo" em cujos versos dizem que se tivessem o piano de Ary Barroso, um violão de Noel Rosa, a pena de Orestes Barbosa ou o "vozeirão" de Nelson Gonçalves, concluem: "E o Chico Alves/ Voz de pássaro cantor/ O maior samba do mundo/ Eu faria pro meu amor", gravado por Linda Batista em 1959, e depois por Dora Lopes e outros.
Cinema, televisão e teatro
O filme Chico Viola não Morreu já em 1955, com roteiro de Gilda de Abreu, traz a biografia do artista, que é interpretado por Cyll Farney, numa atuação que lhe rendeu os prêmios de melhor ator em dois festivais de cinema brasileiros da época. Farney dubla sete canções de Alves, seus maiores sucessos; a atriz Eva Wilma também foi premiada com um Saci por sua atuação e foi a melhor fotografia, no Festival do Distrito Federal daquele ano. O documentário "Uma Cruz na Estrada", dirigido por Jorge Ileli em 1970, reconta a carreira e a morte do cantor, em curta-metragem. A Cinemateca voltou a exibi-lo, em 2005. Em 1998, ano do centenário do cantor, o musical "Chico Viola" foi exibido de 2 a 27 de setembro (data da morte), trazendo o ator Jandir Ferrari no papel do cantor; o espetáculo foi apresentado no Centro Cultural do Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, sob direção de Luiz Arthur Nunes.


