Pesquisa · Mapa mental

Guiana Francesa

Guiana Francesa é um departamento ultramarino e região da França, na costa do Atlântico Norte da América do Sul, nas Guianas. Faz fronteira com o Brasil a leste e sul e com o Suriname a oeste. Desde 1981, quando Belize se tornou independente do Reino Unido, a Guiana Francesa tem sido o único território continental na América que ainda está sob a soberania de um país europeu. Com uma área de 83 534 km², a Guiana Francesa é a segunda maior região da França e a maior região ultraperiférica dentro da União Europeia. Tem uma densidade populacional muito baixa, com apenas 3,6 habitantes por km². Metade de seus 301 099 habitantes em 2022 viviam na área metropolitana de Caiena, sua capital. Desde dezembro de 2015, tanto a região como o departamento têm sido governados por uma assembleia única no âmbito de uma nova coletividade territorial única, a Coletividade Territorial da Guiana Francesa. Essa assembleia, a Assembleia da Guiana Francesa, substituiu o antigo conselho regional e o conselho departamental, ambos desmembrados. A Assembleia da Guiana Francesa é responsável pelo governo regional e departamental.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 26/07/2026
01

História

Povos nativos colonização europeia

A Guiana Francesa foi originalmente habitada por indígenas: calinas, aruaques, palicures, tekos, oiampis e uaianas. Antes da colonização europeia, o território era originalmente habitado por nativos americanos, a maioria falando a língua aruaque, da família linguística aruaque. O primeiro estabelecimento francês é registrado em 1503, mas a França não estabeleceu uma presença durável até que os colonos fundaram Caiena em 1643. A Guiana foi desenvolvida como uma sociedade escravista, onde os proprietários importavam africanos como trabalhadores escravos em grandes plantações de cana-de-açúcar e outras plantações em número que chegava a aumentar a população. O sistema de escravidão na Guiana Francesa continuou até a Revolução Francesa, quando a Convenção Nacional votou pela abolição do tráfico de escravos e da escravidão na nas colônias ultramarinas da França em fevereiro de 1794, meses depois de haitianos escravizados iniciarem uma rebelião de escravos na colônia de Saint-Domingue (atual Haiti). No entanto, o decreto de 1794 só foi implementado em Saint-Domingue, Guadalupe e Guiana Francesa, enquanto as colônias do Senegal, Maurícia, Reunião, Martinica e Índia Francesa resistiram à imposição dessas leis.

Séculos XX e XXI

O território de Inini consistia na maior parte do interior da Guiana Francesa quando foi criado em 1930. Foi abolido em 1946, ano em que a Guiana Francesa como um todo foi formalmente estabelecida como um departamento ultramarino da França. Em 1936, Félix Éboué, de Caiena, se tornou o primeiro homem negro a servir como governador em uma colônia francesa. Durante a Segunda Guerra Mundial e a queda da França para as forças alemãs nazistas, a Guiana Francesa tornou-se parte da França de Vichy. A Guiana se uniu oficialmente à França Livre em 16 de março de 1943. Abandonou seu status de colônia e mais uma vez se tornou um departamento francês em 19 de março de 1946.

02

Geografia

A Guiana Francesa está situada ao norte da América do Sul, sua extensão territorial é de 89 150 km² (dos quais 12 500 km² são a Guiana propriamente dita, o restante forma o território interno de Inini). Esse departamento delimita ao norte com o oceano Atlântico, ao sul e ao leste com o Brasil e a oeste com o Suriname. O perímetro de suas fronteiras soma 1 183 km e sua faixa litorânea mede 378 km. A Guiana Francesa é uma região plana com poucas colinas, a máxima altitude ocorre em Bellevue de Inini e é de 851 m. O relevo eleva-se desde a faixa costeira até as terras altas do sul, passando por uma planície de transição (situada no centro do departamento), onde se combinam os granitos do escudo guianês (ou maciço das Guianas) e os depósitos fluviais. No extremo sul, estão localizadas as cadeias montanhosas Eureupogcigne e Oroye. Os rios são de escassa longitude, bastante caudalosos, de vital importância para chegar ao interior do departamento e desembocam no oceano Atlântico. Os rios mais importantes são: Mana, Sinnamary, Approuague e Oiapoque.

Clima

O clima é tropical, portanto, bastante chuvoso, quente e úmido na grande maior parte do ano. Os furacões que são gerados no oceano atlântico dificilmente chegam à Guiana Francesa. A temperatura média do território é de 27 °C e as precipitações superam os 3 000 mm anuais. Um dia típico na floresta da Guiana Francesa é muito quente durante o dia e chuvoso no final da tarde. Tem clima equatorial de montanha (clima que se caracteriza por sua maior facilidade de percepção das estações, diferenciando-se assim do clima equatorial comum). A temperatura tem uma variação pequena, chegando a 30 °C e 25 °C no verão e no inverno respectivamente. A chuva ocorre nesse território durante todo o ano (mais frequentemente no verão), mas diferentemente do clima equatorial comum, que tem em média 3 100 mm/ano, com esse clima equatorial de montanha, vê-se apenas 1 200 mm/ano (um volume bem menor).

Biodiversidade

A flora é característica da floresta tropical, quer dizer, extremamente diversificada e densa (como acontece no Brasil). A maior parte do departamento (mais de 90% da superfície) está coberta por uma floresta tropical densa que fica ainda mais impenetrável na proximidade dos rios. Calcula-se que existam na floresta equatorial mais de 60 000 espécies de árvores (algumas delas centenárias, como o ébano), com alturas que podem ultrapassar os 80 m. Os manguezais cobrem grande parte do litoral e, por tratar-se de um ecossistema extremamente frágil, o ecoturismo tem se desenvolvido lenta e planejadamente na região costeira. Existem quatro tipos diferentes de manguezais no departamento, dentre os quais o vermelho e o branco. Atrás do mangue, a planície litorânea alberga a palmeira tucum, seus frutos permitem a elaboração de caldo tradicionalmente consumido na época do Natal.

03

Demografia

A população da Guiana Francesa de 301 099 habitantes (segundo estimativas de 2022), a maioria dos quais vivem próximas do litoral, é muito diversificada etnicamente. No censo de 2014, 57,3% dos habitantes da Guiana Francesa nasceram na região, 9,3% nasceram na França metropolitana, 3,0% nasceram nos departamentos e coletividades do Caribe francês (Guadalupe, Martinica, São Martinho, São Bartolomeu). e 30,2% nasceram em países estrangeiros (principalmente Brasil, Suriname e Haiti). A expectativa de vida média é 79,8 anos.

Línguas e religião

O francês é a língua oficial e é o idioma predominante do departamento, mas outras línguas também são faladas. A principal língua falada pela sociedade franco-guianense é o Crioulo da Guiana Francesa, que é baseado no francês, inglês, português, espanhol e outros dialetos africanos e ameríndios. Seis línguas ameríndias, quatro dialetos quilombolas, bem como hmong. Outros idiomas falados incluem o português, hacá (um dialeto chinês), crioulo haitiano, espanhol, holandês e inglês. A principal religião praticada na Guiana Francesa é o catolicismo romano; os quilombolas e o povos ameríndios ainda mantêm suas próprias religiões tradicionais. Os hmong também são em grande parte católicos devido à influência de missionários que ajudaram a trazê-los para a Guiana Francesa.

04

Política

A Guiana Francesa, como um coletividade da França, faz parte da União Europeia — é considerada o maior território da UE fora da Europa desde que a Groenlândia deixou a Comunidade Europeia em 1985, com uma das mais longas fronteiras externas da UE. É um dos três únicos territórios da União Europeia fora da Europa que não estão localizados em uma ilha (os outros são as cidades autônomas espanholas na África, Ceuta e Melilla). Como parte integrante da França, seu chefe de Estado é o presidente da França e seu chefe de governo é o primeiro-ministro da França. O governo francês e suas agências são responsáveis por uma ampla gama de questões reservadas ao poder executivo nacional, como a defesa e as relações externas. O Presidente da França nomeia um prefeito como seu representante para chefiar o governo local da Guiana Francesa. Há um órgão executivo local eleito, a Assembleia da Guiana Francesa (Assemblée de Guyane). A Guiana Francesa elege dois deputados para a Assembleia Nacional da França, um representando as comunas de Caiena e Macouria, e o outro representando o restante da Guiana Francesa. Este último eleitorado é o maior da República Francesa por área terrestre. A Guiana Francesa também elege dois senadores para o Senado francês. O Partido Socialista Guianês dominou a política na Guiana Francesa até 2010.[carece de fontes?]

05

Divisões administrativas

A Guiana Francesa é ao mesmo tempo uma região e um departamento francês de ultramar cuja prefeitura tem sede em Caiena. É dividida em três arrondissements (Caiena, São Jorge do Oiapoque e Saint-Laurent-du-Maroni), dezesseis cantões e 22 comunas. Arrondissement de Saint-Laurent-du-Maroni

06

Economia

A economia da Guiana Francesa é baseada principalmente na pesca e na extração mineral, principalmente aurífera. O departamento registra notável imigração ilegal, principalmente de brasileiros, haitianos e surinameses, atraídos pela possibilidade de obter renda em euros. Na segunda metade do século XX, a Guiana Francesa desenvolveu uma economia florescente, estimulada pela atividade no centro espacial de Kourou, conhecida por hospedar a base de lançamento de foguetes e satélites da Agência Espacial Europeia (ESA). O aluguel da base de lançamento rende dividendos à administração local. O Centro Espacial de Kourou, construído a partir de 1968 pela Agência Espacial Europeia, contribuiu decisivamente para o desenvolvimento econômico da Guiana Francesa, não só por gerar empregos, mas também por introduzir tecnologia de ponta e informática à região. O sistema de transportes concentra-se no litoral. Há um aeroporto internacional em Rochambeau, perto de Caiena.

07

Cultura

Festivais

O Carnaval é um dos eventos mais importantes da Guiana Francesa. Considerado o mais longo do mundo, acontece na tarde de domingo, entre Epifania no início de janeiro e quarta-feira de cinzas em fevereiro ou março. Grupos vestidos de acordo com a temática do ano desfilam em carros alegóricos decorados, ao ritmo de percussão e metais. A preparação dos grupos dura meses antes do carnaval. Os grupos desfilam diante de milhares de espectadores que se aglomeram nas calçadas e arquibancadas dispostas para a ocasião. Grupos de brasileiros idênticos aos do carnaval carioca, também são apreciados por seus ritmos e trajes sedutores. A comunidade chinesa de Caiena também participa dos desfiles dando seu toque característico, com os dragões. Depois, no início da noite, os Touloulous, personagens típicos do carnaval guianense, vão à discoteca para participar dos famosos Bailes de máscaras.

Culinária

A culinária guianense é rica nas diferentes culturas que se misturam na Guiana Francesa. A arte culinária local originalmente reunia as culinárias Crioulo, Bushinengue e Indígena. Todas essas cozinhas têm vários ingredientes em comum: Na Páscoa, o povo guianense come um prato tradicional chamado Caldo de awara.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando