Forró
Forró é uma festa e um gênero musical originário da Região Nordeste do Brasil, bastante popular e comum, especialmente, nas festas juninas. O nome da festa "forró" é usado para nomear distintos gêneros musicais como o xote, baião, arrasta-pé e o xaxado, por isso quem não conhece suas histórias, as confundem com um gênero único. As músicas são executadas tradicionalmente por trios instrumentais com acordeão ("sanfona"), zabumba e triângulo.
O termo "forró", segundo o filólogo pernambucano Evanildo Bechara, é uma redução de forrobodó, que por sua vez é uma variante do antigo vocábulo galego-português forbodó, corruptela do francês faux-bourdon, que teria a conotação de desentoação. O elo semântico entre forbodó e forrobodó tem origem, segundo Fermín Bouza-Brey, na região noroeste da Península Ibérica (Galiza e norte de Portugal), onde "a gente dança a golpe de bumbo, com pontos monorrítmicos monótonos desse baile que se chama forbodó". Na etimologia popular (ou pseudoetimologia) é frequente associar a origem da palavra "forró" à expressão da língua inglesa for all (para todos). Para essa versão foi inventada uma engenhosa história: no início do século XX, os engenheiros britânicos, instalados em Pernambuco para construir a ferrovia Great Western, promoviam bailes abertos ao público, ou seja for all. Assim, o termo passaria a ser pronunciado "forró" pelos nordestinos. Outra versão da mesma história substitui os ingleses pelos estadunidenses e Pernambuco por Parnamirim (Rio Grande do Norte) do período da Segunda Guerra Mundial, quando uma base militar dos Estados Unidos foi instalada nessa cidade.
Os bailes populares eram conhecidos em Pernambuco por "forrobodó" ou "forrobodança" ou ainda "forrobodão" já em fins do século XIX. O forró tornou-se um fenômeno pop em princípios da década de 1950. Em 1949, Luiz Gonzaga gravou "Forró de Mané Vito", de sua autoria em parceria com Zé Dantas e em 1958, "Forró no escuro". No entanto, o forró popularizou-se em todo o Brasil com a intensa imigração dos nordestinos para outras regiões do país, especialmente, para as capitais: Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Nos anos 60, além de Luiz Gonzaga, destacaram-se artistas como Marinês, Ary Lobo, Zito Borborema, Luiz Wanderley, Sebastião do Rojão, Jacinto Silva e muitos outros. Nos anos 1970, surgiram, nessas e em outras cidades brasileiras, "casas de forró". Foi nessa década que surgiu a moda do forró de duplo sentido, consagrada pelas composições e interpretações de João Gonçalves. Outros grandes cantores do período foram Zenilton e Messias Holanda. No fim dessa década, intrumentos como a bateria, o baixo elétrico e a guitarra elétrica já eram introduzidos nas gravações de discos de vários artistas, como Dominguinhos, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino, Genival Lacerda e Alcymar Monteiro.
Modernização
A modernização musical do forró iniciou no final da década de 1970, quando a bateria passou a ser utilizada de forma sutil em disco de artistas como Trio Nordestino, Os 3 do Nordeste, Genival Lacerda, Alcymar Monteiro e outros. Na década de 1980, a bateria, guitarra elétrica e baixo elétrico faziam parte oficialmente da instrumentação dos discos de forró. Luiz Gonzaga passou a fazer uso constante desses instrumentos a partir do seu álbum de 1980, "O homem da terra". No início da década de 1990, surgiu no Ceará um novo meio de produzir músicas de forró, com a introdução de instrumentos como o teclado e o sax e a retirada da zabumba, mesclando com elementos da lambada, música pop e axé music, o movimento ficou conhecido como forró eletrônico ou estilizado. Seu precursor foi o produtor musical e empresário Emanuel Gurgel, responsável pelas bandas Mastruz com Leite, Forró Cavalo de Pau, Mel com Terra e Catuaba com Amendoim. O principal meio de divulgação foi a rádio Som Zoom Sat e a gravadora Som Zoom Estúdio, pertencentes a Gurgel. Tal pioneirismo recebeu críticas por transformar o forró num produto.
Revitalização
No fim da década de 1990 e início da de 2000 em São Paulo, as músicas do forró pé-de-serra foram revitalizadas na grande mídia com o surgimento de grupos e artistas solo como o Rastapé, Bicho-de-pé e o Falamansa. O estilo desses artistas ficou conhecido como "forró universitário", o nome é devido a se apresentarem em festas universitárias paulistanas. Ele executa gêneros musicais do forró original com acréscimos ou mudanças instrumentais. O estilo musical pé-de-serra e universitário são na prática muito parecidos e são geralmente diferenciados pela localização geográfica dos artistas e pelo período histórico. Forró pé-de-serra, também conhecido como forró tradicional, é a expressão utilizada para designar os estilos mais tradicionais (xote, baião e arrasta-pé), que possuem como instrumentos característicos o sanfona, zabumba e triângulo, diferentemente dos estilos mais estilizados que usam instrumentos elétricos, como o forró eletrônico.
O "forró de favela" e o novo forró romântico da década de 2010
Na década de 2010 surgiu uma nova geração de bandas de forró que apostaram em um ritmo mais lento do que o que se conhecia no forró até então, ( o xote) e em letras que falavam de romantismo e de temas considerados mais populares entre as populações das periferias das cidades do Nordeste brasileiro. Embora a existência de letras românticas não fosse nenhuma novidade no forró desde a sua criação, e nas bandas da década de 1990 como Limão com Mel, Mastruz com Leite e Calcinha Preta, entre outras, esta nova geração de bandas se destacou por representar uma "retomada" do romantismo após um período em que esta temática esteve em baixa entre as bandas de forró de maior sucesso entre o público, e principalmente pela inovação do ritmo mais lento.
A pisadinha e o piseiro
No começo dos anos 2000 também surge no interior do Nordeste brasileiro uma nova vertente do forró conhecida como "pisadinha". A pisadinha é inicialmente um fenômeno inerente às zonas rurais e às pequenas cidades do interior nordestino, em contraste com o forró de favela, o qual nasceu e se desenvolveu nas grandes capitais. Rapidamente, no entanto, a pisadinha começa a alcançar sucesso comercial e a chegar às grandes metrópoles da região tendo como pioneiros nessa vertente os cantores: Nelson Nascimento (Rei da Pisadinha), Forró 100 Preconceito e Cintura de Mola. Já no fim dos anos 2010 surge mais uma modernização e acréscimo de equipamentos e tecnologia nas produções , composições , shows e eventos. Com uma nova coreografia e jeito de dançar surge o "Piseiro". Com artistas na linha de frente como: Barões da Pisadinha , Eric Land, João Gomes e Zé Vaqueiro.
O "forró das antigas"
Em meados da década de 2010, a partir da realização de festivais e coletâneas postadas no YouTube usando o nome comercial Forró das Antigas, tornou-se comum o uso deste rótulo para se referir a bandas de forró romântico conhecidas antes de 2010, como por exemplo Limão com Mel (1993), Mastruz com Leite (1990), Calcinha Preta (1995), Magníficos (1995), Desejo de Menina (2003), Cavaleiros do Forró (2001), Moleca 100 Vergonha (1999), Banda Styllus (1989), Brucelose.
Forró e religiosidade popular
Estudiosos tem apontado para a importância do gênero no âmbito religioso. Observa-se uma transversalidade religiosa quando o forró passa a utilizado de forma mais ou menos intensa na religiosidade popular brasileira, principalmente no Catolicismo, no Pentecostalismo e na Umbanda. No catolicismo, o forró é muito comum em quermesses, festas populares como as festas juninas, bem como é utilizado nas missas, através de grupos de músicas que fazem adaptações dos cânticos de missa para o gênero. Observa-se uma presença muito forte do gênero nas comunidades pentecostais. O forró está presente desde os primórdios da religião no Brasil. Como expressão de fé de uma parcela marginalizada da população, o forró passou a ser para os pentecostais uma forma de afirmação e disseminação de suas doutrinas. Atualmente, os pentecostais chamam o ritmo de "corinho de fogo".
O forró é dançado em pares, e evoluiu para vários estilos que têm raízes em diversos outras danças, adaptadas para o molde e a estética que a cultura e a música do forró apresenta. O estilo de música, bastante abrangente dentro do forró, também irá variar com as danças. O forró é dançado ao som de vários gêneros musicais brasileiros tipicamente nordestinos, além do gênero musical forró, entre os quais destacam-se: o xote, o baião, o arrasta-pé, o xaxado, a marcha (estilo tradicionalmente adotado em quadrilhas) e coco, e algumas vezes, o maracatu. Todos esses gêneros musicais são próximos, mas não são o mesmo que música forró. Surgiram no fim dos anos 90 em escolas de dança profissional. A partir de misturas da dança do xote/forró com outras danças. Elas acompanham alguns gêneros musicais como o xote, baião, forró (gênero musical), coco, rojão e toada. As principais danças são:


