Fonoaudiologia
A Fonoaudiologia (português brasileiro) ou Terapia da fala e Audiologia (português europeu) é a ciência que tem como objeto de estudo as funções biológicas e comportamentais envolvidas na comunicação humana. Elas incluem funções neurovegetativas e neurológicas, no que se refere ao seu desenvolvimento, aperfeiçoamento, distúrbios e diferenças, em relação aos aspectos envolvidos nas funções auditivas periférica e central, na função vestibular, na função cognitiva, na linguagem oral e escrita, na fala, na fluência, na voz, nas funções estomatognáticas, orofaciais e na deglutição.
No século IV a.C., o filósofo Demóstenes realizou exercícios com a boca para amenizar suas dificuldades com a oratória e articular sua gagueira. Assim, segundo Danuello (2014), o pensador pode ser considerado o precursor da Fonoaudiologia. A história do surgimento da Fonoaudiologia como área da Medicina enfrentou diversos processos. De acordo com Berberian (2001), no início da miscigenação do Brasil, houve uma mistura das línguas causada pela união de pessoas de diferentes países, o que dificultou a compreensão entre todos. Então, a soberania nacional valorizou a a língua portuguesa e determinou que o ensino da língua deveria ser responsabilidade das escolas, não das famílias, determinando que os professores realizassem um apagamento de expressões de outras línguas. No século XX, professores capacitados pelo Dr. Augusto Linhares, que desenvolvia estudos na área de voz e fala, eram responsáveis por prevenir, identificar e corrigir desvios de voz, fala e linguagem dos alunos. Nas décadas de 1940 e 1950, o trabalho repercutiu e, após cursos com duração de cerca de três meses, professores especializados passaram a ser chamados de terapeutas da palavra ou logopedistas. Na década seguinte, foi marcado o início da graduação de tecnólogos com a criação dos cursos de Logopedia da Universidade de São Paulo (1961). Em 1971, foi fundado o curso de Fonoaudiologia da Universidade Federal de Santa Maria, primeiro a ser reconhecido pelo Brasil 5 anos depois. O primeiro currículo mínimo foi regulamentado pela Resolução nº 54/76, do Conselho Federal de Educação em 1977 e, no mesmo ano, o curso da Universidade de São Paulo foi o primeiro a ter seu funcionamento autorizado.
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No Brasil, existem 114 cursos de Fonoaudiologia cadastrados pelo MEC. O curso denominado Fonoaudiologia tem duração média de quatro anos contendo as disciplinas básicas da área de Medicina, Psicologia e Pedagogia, além de matérias específicas da área de Física, como Acústica, e aulas de Fonética e Linguística. Para saber quais são os cursos existentes é aconselhável visitar o site do Conselho Federal de Fonoaudiologia. No total, há 59.661 fonoaudiólogos registrados no CFFa em fevereiro de 2026. A Lei que rege a profissão de Fonoaudiólogo no Brasil é a Lei nº 6.965, sancionada em 9 de dezembro de 1981, tendo sido regulamentada pelo Decreto nº 87.218, de 31 de maio de 1982. A referida legislação, além de determinar as competências do fonoaudiólogo, também criou o Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa) e os Conselhos Regionais de Fonoaudiologia (CRFa) que possuem como principal função realizar a fiscalização e avaliação do exercício profissional.
A atuação em fonoaudiologia escolar/educacional contempla ações de promoção de saúde, assessoria, orientação e identificação de características/alterações na área de voz, linguagem, comunicação oral e escrita e audição, tendo como população-alvo alunos, professores, pais, auxiliares em educação, demais profissionais que atuam no ambiente escolar e gestores de instituições públicas e privadas. É de competência do fonoaudiólogo desenvolver ações de consultoria, assessoria e gerenciamento, com participação direta ou indireta em equipe de orientação e planejamento escolar, inserindo aspectos preventivos ligados a assuntos fonoaudiológicos. Porém, é importante salientar que, em consonância com a Lei no 9.394/1996 (LDB) e com a Lei no 8.080/1990 (Sistema Único de Saúde), o Conselho Federal de Fonoaudiologia determina que fonoaudiólogos não podem realizar atendimento clínico dentro do espaço escolar. O capítulo II, artigo 3º da Lei 6 965 de 9 de dezembro de 1981 estabelece sua atuação dentro do ambiente educacional e a publicação "Fonoaudiologia na Educação".
1 - Audiologia
A audiologia é um ramo da ciência que estuda a audição, seu equilíbrio e distúrbios relacionados. Os profissionais com formação em fonoaudiologia tratam pessoas com perda auditiva e, de forma proativa, evitam possíveis danos a audição. O Audiologista é o fonoaudiólogo especialista que se dedica ao estudo do sentido audição, desde a recepção das ondas sonoras pelo ouvido até o completo processamento das informações auditivas pelo córtex do sistema nervoso central, dedicando-se ao estudo da anatomia, da fisiologia, da neurofisiologia e das patologias de todo o aparelho auditivo. Este profissional sem dúvida, é o mais capacitado para diagnosticar, atestar e tratar os distúrbios da audição e suas consequências no dia-a-dia do indivíduo por eles acometido, daí o porquê vem sendo muito requisitado na esfera do poder judiciário para que realize perícias nas questões que envolvem a audição, pois, para o judiciário, não basta saber que há lesão e o seu grau, é fundamental para a decisão do Juiz saber de que forma aquela lesão afeta a vida do cidadão.
2 - Linguagem
Acompanha o desenvolvimento do bebê desde o nascimento, e a partir daí em consultas regulares, nos aspectos relacionados ao processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem. Estuda problemas relacionados com a aquisição e o desenvolvimento da linguagem, faz diagnósticos de atrasos ou alterações de linguagem, estabelece o tratamento para a habilitação dessas crianças. Faz avaliação, diagnóstico, prognósticos e estabelece tratamentos para pacientes que adquiriram a linguagem mas a perderam ou passam a apresentar algum distúrbio ou anormalidade por algum motivo, a exemplo de quem sofreu derrame cerebral, também chamado de AVE (acidente vascular encefálico), traumas cranianos, isquemias cerebrais, doenças degenerativas do sistema nervoso central (esclerose múltipla, mal de Alzheimer, degeneração olivopontocerebelar, mal de Parkinson, etc.), tumores intracranianos, sequelas de neurocirurgias e outras condições clínicas. Essas dificuldades na aquisição da linguagem, interferem também no desenvolvimento da escrita.
3 - Motricidade Orofacial
É a área que estuda a musculatura da face, bochecha, boca e língua. Além do estudo, pesquisa, diagnostica e soluciona problemas relacionados a sucção, mastigação, deglutição, respiração, posicionamento da língua de modo errado, dificuldade ou impossibilidade de deglutir alimentos de forma segura, que são chamadas de disfagias, em todo o sistema estomatognático. Realiza avaliações, diagnóstico, prognósticos e estabelece tratamentos para pacientes com comprometimento de alguma das funções primeiramente descritas e que afetam a região da cabeça e pescoço. Também atua na área de estética para quem quer um rosto mais redondo, quadrado ou musculoso, quem tem rugas no canto dos olhos e em outras partes do rosto, através de exercícios musculares, e pode atuar no aleitamento materno.
4 - Disfagia
Anteriormente, a disfagia era considerada uma das áreas de atuação do Fonoaudiólogo especialista em Motricidade Orofacial, porém, atualmente se constitui em uma nova especialidade da Fonoaudiologia. A disfagia pode ser definida como dificuldade de deglutição de alimento ou líquido. Podendo afetar a qualidade de vida do paciente. Caracteriza-se por um sintoma comum de diversas doenças. Pode ser causada por alterações neurológicas como o acidente vascular cerebral (AVC), ou derrame, outras doenças neurológicas e/ou neuromusculares e também alterações locais obstrutivas, como as doenças tumorais do esôfago. Disfagia temporária é comumente observada em pacientes submetidos a cirurgia da coluna cervical via anterior, traumas e pequenos acidentes vasculares cerebrais. O propósito fundamental da identificação da causa da disfagia consiste em selecionar o melhor tratamento, que pode variar desde o tratamento de reabilitação fonoaudiológico, a alteração de consistência dos alimentos para evitar a aspiração do conteúdo para o pulmão e pode ter um foco completamente diferente como o cirúrgico no caso de doenças neoplásicas do esôfago.Medidas adicionais paralelas ao diagnóstico das causas seria o de evitar, o máximo possível, as complicações da disfagia: desidratação, infecções pulmonares e subnutrição. Assim, buscando a melhora do paciente e a retomada da deglutição sem alterações.
5 - Voz
Voz é o campo da Fonoaudiologia voltado para o estudo e a pesquisa da voz, a promoção da saúde vocal, a avaliação e o aperfeiçoamento da voz; assim como a prevenção, o diagnóstico e o tratamento das alterações vocais, quer sejam na modalidade de voz falada como voz cantada. O profissional que atua nessa área pode não só prevenir os distúrbios da voz como melhorá-la, atuando no aperfeiçoamento e promoção da saúde vocal, tanto na fala como no canto, até a reabilitação das disfonias, com preocupação especial na prevenção dos problemas de voz. Como quando se torna áspera, rouca ou de difícil emissão. A fononcologia, por exemplo, atua em todos os aspectos e possibilidades de reabilitação do indivíduo que tenha sido acometido por câncer de cabeça e pescoço, assim como promove a inserção do fonoaudiólogo em equipes hospitalares multiprofissionais.
6 - Saúde Coletiva
A Saúde Coletiva é um campo da Fonoaudiologia voltado a construir estratégias de planejamento e gestão em saúde, no campo fonoaudiológico, com vistas a intervir nas políticas públicas, bem como atuar na atenção à saúde, nas esferas de promoção, prevenção, educação e intervenção, a partir do diagnóstico de grupos populacionais. O domínio do fonoaudiólogo, especialista em Saúde Coletiva, inclui aprofundamento em estudos específicos e atuação em situações que impliquem em: efetuar diagnóstico de grupos populacionais com base em estudos epidemiológicos, que contribuam na construção de indicadores de saúde e de identificação das necessidades da população, de ações no campo fonoaudiológico, bem como situacionais buscando identificar os elementos sanitários, assistenciais, ambientais, geopolíticos e socioculturais de territórios locais que compõem os processos de saúde/doença; também deve planejar, coordenar, gerenciar e assessorar políticas públicas ligadas à saúde e à educação, bem como às ações de Vigilância à Saúde e ações articuladas interdisciplinar e intersetorialmente dentro do contexto coletivo.
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O salário médio do terapeuta da fala é cerca de R$ 21 696,00 por ano. Um grande número de outros fatores determinam o salário do fonoaudiólogo e vai mudar de acordo com a área de trabalho, a demanda, o local de trabalho, o ambiente (urbano ou rural), a educação e derivados dos anos de experiência. O salário inicial de um terapeuta da fala é, aproximadamente, de R$ 1 808,00, mas com o progresso dos anos e mais anos de experiência adquirida, o salário sobe também. Com mais anos de experiência, a faixa salarial de um fonoaudiólogo vai continuar a aumentar.
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Com a regulamentação da profissão de Fonoaudiólogo no governo do Presidente João Figueiredo, as atividades do Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa) tiveram início em 1983. Em 15/09/84, pela Resolução CFFa n° 010/84, foi aprovado o primeiro Código de Ética da profissão, que elencava os direitos, deveres e responsabilidades do Fonoaudiólogo, inerentes às diversas relações estabelecidas em função de sua atividade profissional. Com as expansões e disseminação da fonoaudiologia pelo Brasil, foram criadas 9 Conselhos Regionais de Fonoaudiologia (CRFa), tendo autarquias com a principal incumbência de fiscalizar o exercício profissional. Os Conselhos Regionais são divididos pelo número de fonoaudiólogos distribuídos pelo território nacional, sendo eles:
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Os símbolos emblemáticos da Fonoaudiologia foram oficializados pela Resolução Nº 278, de 07/07/2001, do Conselho Federal de Fonoaudiologia, sendo que o heráldico da Fonoaudiologia, é constituído da seguinte forma: Heráldico: Um círculo contendo em sua parte superior o nome da profissão – “Fonoaudiologia” em cor azul royal; ao centro a letra “F” estilizada, na cor vermelha; ao fundo e ao redor da letra “F” duas figuras geométricas, de forma côncava, raiadas e em sua parte inferior, losangos na cor vermelha, conforme matriz à disposição na sede dos Conselhos de Fonoaudiologia. A forma estilizada no centro do heráldico tem dupla significação e referencia-se à emissão e recepção do som pelo corpo humano. O “F”, de Fonoaudiologia, em primeiro plano no heráldico, lembra o despertar da serpente em movimento ascensional. Esse movimento nas práticas derivadas da sabedoria oriental, desperta o homem para a compreensão mais ampla da vida e do universo. Nesse sentido é também força de cura, de vivificação e os raios do outro referenciando-se à emissão e recepção do som pelo corpo humano.
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A atividade do Audiologista é a avaliação e a reabilitação da função auditiva e vestibular a pacientes/utentes de todas as idades. Assim, a atividade do Audiologista divide-se em quatro grandes áreas: prevenção, diagnóstico, habilitação/reabilitação e inserção social e formação. O Audiologista utiliza técnicas acústicas, psicoacústicas e electrofisiológicas, tanto na criança como no adulto, a fim de estudar o funcionamento dos sistemas auditivo e vestibular. Para tal recorre a inúmeros exames, tais como: A atividade do Terapeuta da Fala é a prevenção, avaliação, intervenção e estudo científico das perturbações da comunicação humana, englobando não só todas as funções associadas à compreensão e expressão da linguagem oral e escrita mas também outras formas de comunicação não verbal. O Terapeuta da Fala intervém, ainda, ao nível da deglutição (passagem segura de alimentos e bebidas através da orofaringe de forma a garantir uma nutrição adequada).


