Flávio Bolsonaro
Flávio Nantes Bolsonaro GOMN • GORB é um empresário, advogado e político brasileiro, filiado ao Partido Liberal (PL) e atual senador da República pelo Rio de Janeiro. É o filho mais velho do ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.
Concluiu curso técnico em eletrônica pela Escola Técnica Rezende Rammel, no Rio de Janeiro. Graduou-se em direito pela Universidade Candido Mendes e concluiu especializações em ciências políticas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em políticas públicas pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro e em empreendedorismo pela Fundação Getulio Vargas.
Deputado estadual
Foi eleito para seu primeiro mandato em 2002. Reelegeu-se deputado estadual em 2006, 2010 e, na sua última candidatura, em 2014, para o mandato 2015–2019. Em abril de 2015, votou a favor da nomeação de Domingos Brazão para o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, nomeação que foi muito criticada na época. No segundo mandato, foi presidente da Comissão Especial de Planejamento Familiar. Votou contra a privatização da CEDAE em 2017. Durante sua atuação como deputado, Flávio Bolsonaro reiteradamente mostrou-se próximo de Adriano da Nóbrega, policial que viria a ser revelado como membro da milícia conhecida como Escritório do Crime. Em 2003, o então deputado estadual fez uma moção de louvor ao na época tenente por sua atuação como policial. No ano seguinte, Adriano foi preso por assassinar um guardador de carros e no ano seguinte, 2005, com Adriano ainda preso, Flávio concedeu a ele a Medalha Tiradentes.
Candidatura à Prefeitura do Rio de Janeiro (2016)
Nas eleições de 2016, Flávio Bolsonaro disputou a Prefeitura do Rio e ficou em 4º lugar com 424.307 votos, que representaram 14% dos votos válidos, ficando fora do segundo turno disputado por Crivella (PRB) e Freixo (PSOL), porém à frente de candidatos como os deputados federais Indio da Costa (PSD), Jandira Feghali (PCdoB) e Alessandro Molon (REDE), além de outros quatro. Apesar da derrota, conseguiu eleger seu irmão, Carlos Bolsonaro, como o vereador mais votado do Rio de Janeiro. No dia 25 de agosto, durante o segundo bloco do primeiro debate entre os candidatos à prefeitura, realizado na Band, Flávio Bolsonaro passou mal e teve que deixar o debate. Na ocasião, mesmo após um princípio de desmaio e tendo sido acometido por diarreia, recusou ajuda médica da então deputada Jandira Feghali.
Senador da República (2019–presente)
Nas eleições de 2018, Flávio Bolsonaro foi candidato a senador pelo estado do Rio de Janeiro pelo Partido Social Liberal (PSL). A candidatura do então deputado estadual foi anunciada na convenção nacional do PSL, realizada no dia 22 de julho de 2018 em um centro de convenções situado na cidade do Rio de Janeiro. No mesmo evento, foi oficializada a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência da República. No pleito, Flávio obteve 4.380.418 votos (31,36% do total de votos válidos), sendo eleito para a 56.ª legislatura (2019–2023) do Senado Federal do Brasil. No dia 06 de fevereiro de 2019, foi eleito 3º Secretário da Mesa Diretora do Senado Federal.
Em 5 de dezembro de 2025, Flávio Bolsonaro anunciou publicamente sua pré-candidatura à Presidência da República nas eleições de 2026, afirmando ter recebido a indicação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, durante uma visita à prisão onde este se encontra detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Em comunicado divulgado em suas redes sociais, o senador declarou: "É com grande responsabilidade que confirmou a decisão da maior liderança política e moral do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, de me conferir a missão de dar continuidade ao nosso projeto de nação". A decisão foi comunicada previamente ao Partido Liberal (PL) e ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que até então era o principal cotado a ser o candidato apoiado por Jair Bolsonaro nas eleições, sinalizando que Flávio disputará o Planalto enquanto Tarcísio deve se concentrar na reeleição. O anúncio gerou reações positivas entre aliados bolsonaristas, incluindo o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que manifestou apoio ao irmão, e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que endossou a escolha.
Flávio Bolsonaro é conhecido, assim como o pai, por posições polêmicas. Em entrevista de abril de 2011, na qual defendia as posições controversas do pai, Flávio disse que a resposta do pai no programa CQC valorizava conceitos de "família", valores éticos e morais. O deputado estadual também defendeu a ditadura militar brasileira em entrevista publicada pelo Estadão em abril de 2011. Segundo ele, "Naquele tempo havia segurança, havia saúde, educação de qualidade, havia respeito. Hoje em dia a pessoa só tem o direito de quê? De votar. E ainda vota mal." Bolsonaro afirmou que não teria havido ditadura no Brasil, pois a época teria sido "um período de transição para a democracia". Flávio Bolsonaro é definido como ligado à direita e à extrema-direita. Embora tente se apresentar como representante de um "bolsonarismo moderado" ou de "conservadores", ideologicamente se alinha com próceres da extrema-direita, inclusive internacional. Em 2026, na pré-campanha presidencial, teve encontros na França com a eurodeputada Marion Maréchal, sobrinha de Marine Le Pen, com Benjamin Netanyahu em Israel (onde, acompanhado do deputado cassado Eduardo Bolsonaro, afirmou que Jair Bolsonaro está preso "por causa de lawfare") e com a família real do Bahrein. Na América do Sul, acompanhado por Eduardo Bolsonaro, compareceu à posse de José Antonio Kast, novo presidente do Chile, e também manteve contatos com Javier Milei.
Política interna
Principal nome do bolsonarismo depois da prisão de Jair Bolsonaro, Flávio viu-se transformado em herdeiro político deste, embora não possua uma trajetória legislativa digna de nota. Conforme definido num artigo do Congresso em Foco, "sua candidatura parece frágil e pouco consistente, marcada mais pela herança política do pai, Jair Bolsonaro, do que por realizações próprias". Mais adiante, é destacado: Como deputado estadual, Flávio Bolsonaro teve quatro mandatos sucessivos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ), ocupando "cargos estratégicos em comissões de Segurança Pública, Defesa Civil, Legislação Constitucional e Direitos Humanos", onde pugnou pelo punitivismo (redução da maioridade penal, adoção da pena de morte), em defesa da ditadura militar brasileira, contra "políticas assistencialistas" que "criariam dependência e dificultariam a autonomia das populações mais vulneráveis" e contra "cotas raciais em universidades" por supostamente produzir "injustiças". Seu maior destaque neste período teria sido a criação da Comissão Especial de Planejamento Familiar, que contribuiria para a "redução do ciclo da pobreza e ao fortalecimento da liberdade individual".
Religião
Declaradamente evangélico (batizado em 2024 na Igreja Comunidade das Nações de Brasília, juntamente com sua esposa, Fernanda), Flávio Bolsonaro se fez batizar no rio Jordão por duas vezes: em 2016, pelo Pastor Everaldo, juntamente com o pai, Jair Bolsonaro, e em 2026, durante visita de campanha à Israel, ocasião em que foi fotografado orando no Muro das Lamentações em Jerusalém. Flávio Bolsonaro recebeu manifestações de apoio de líderes de denominações evangélicas em sua campanha pela presidência da república em 2026, supostamente pelo seu "discurso moderado". Como parte deste discurso, ele emprega termos como "guerra espiritual", "resgate de almas" e em comemorar a "vitória do bem sobre o mal" (referindo-se à possibilidade de vencer as eleições presidenciais de 2026). Flávio Bolsonaro também procurou reforçar seus vínculos com os assim denominados "cristãos sionistas" e com a comunidade judaica, emulando o que foi feito por Trump nos Estados Unidos.
Segurança pública
Não contraditoriamente, ainda que defensores do populismo penal, Flávio Bolsonaro e seu pai nunca esconderam sua simpatia por paramilitares e milicianos. Em seu segundo mandato na ALERJ, o então deputado Flávio Bolsonaro planejava "apresentar um projeto regulamentando a atividades das 'polícias mineiras'". Segundo suas próprias palavras: Flávio e o restante da família Bolsonaro também adotam uma posição armamentista, defendendo a flexibilização das normas para posse e porte de armas de fogo por civis. Também é a favor da diminuição da maioridade penal, mas afirma não mais defender a pena de morte.
Política externa
Segundo Eduardo Bolsonaro, a política externa num eventual governo Flávio Bolsonaro seria guiada "por princípios simples, mas que têm sido sistematicamente ignorados: primazia dos interesses nacionais clara e objetivamente identificados, priorização de parcerias estratégicas que beneficiem o Brasil no curto, médio e longo prazo, respeito aos valores democráticos e ao estado de direito, e fortalecimento das relações com os países que compartilham esses valores, sem ceder nem um milímetro da soberania e da autonomia estratégica nacionais". O próprio Flávio disse defender uma interlocução internacional "sem barreiras ideológicas", após comparecer à posse de José Antonio Kast como presidente do Chile, ocasião em que agradeceu a Javier Milei da Argentina por ter concedido asilo político a um dos condenados pelos ataques de 8 de janeiro em Brasília.
Questões sociais
O deputado é acusado de homofobia por suas declarações, como, por exemplo, "o normal é ser heterossexual" e "duvido que algum pai tenha orgulho de ter um filho gay". A fala, que reitera a posição de Jair Bolsonaro na televisão, foi repudiada por vários segmentos da sociedade brasileira. Marcelo Tas, apresentador do CQC, afirmou que sente orgulho de sua filha homossexual e criticou as posições dos Bolsonaros. De acordo com entrevista publicada no Jornal do Brasil, o deputado, que nega as acusações de racismo feitas ao pai, endossa a posição do pai em relação aos homossexuais. Em 2018, foi alvo de uma representação devido a vídeos em que afirmava que um "kit gay" contendo o livro Aparelho Sexual e Cia. havia sido distribuído pelo MEC a escolas, o que foi considerado pelo TSE como "difusão de fato sabidamente inverídico ... com prejuízo ao debate político".
É casado com Fernanda Bolsonaro, com quem tem duas filhas. É irmão de Carlos e Eduardo Bolsonaro, filhos do primeiro casamento de Jair Bolsonaro com Rogéria Nantes Braga. Possui ainda como meio-irmãos Jair Renan Bolsonaro, filho do segundo casamento de Jair Bolsonaro com Ana Cristina Valle, e Laura Bolsonaro, filha do casamento coma ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Flávio é por vezes chamado de 01, por ser o filho mais velho de Jair Bolsonaro. A numeração foi adotada pelo ex-presidente para organizar os filhos homens na ordem de nascimento (01: Flávio, 02: Carlos, 03: Eduardo, 04: Renan), uma prática comum no ambiente militar para designar hierarquia ou ordem.
Tiroteio
No dia 12 de abril de 2016, Flávio Bolsonaro e seu segurança, que também é policial militar, trocaram tiros com dois assaltantes que praticavam roubo em um carro à sua frente na zona oeste do Rio de Janeiro, um dos bandidos ficou ferido e fugiu de moto.


