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Filosofia da ciência

Filosofia da ciência é o campo da pesquisa filosófica que estuda os fundamentos, pressupostos e implicações filosóficas da ciência, incluindo as ciências naturais como física e biologia, e as ciências sociais, como psicologia e economia. Neste sentido, a filosofia da ciência está intimamente relacionada à epistemologia e à ontologia. Mais do que tentar explicar, tenta problematizar os seguintes aspectos:a natureza das afirmações e conceitos científicos; a forma como são produzidos; os meios para determinar a validade da informação; como a ciência explica, prediz e, através da tecnologia, domina a natureza; a formulação e uso do método científico; os tipos de argumentos usados para chegar a conclusões; as implicações dos métodos e modelos científicos para a sociedade e para as próprias ciências.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Natureza das afirmações e conceitos científicos

A ciência tira conclusões sobre o modo que o mundo é, e o modo que a teoria científica se relaciona a esse mundo. Tira-as por meio de evidências de experimentação, dedução lógica, e pensamento racional a fim de examinar o mundo e os indivíduos que existem dentro da sociedade. Em fazer observações dos indivíduos e seus arredores, a ciência procura explicar os conceitos que estão envolvidos com a vida diária.

Empirismo

Um conceito central em filosofia da ciência é o empirismo, ou dependência da evidência. Empirismo é a visão de que o conhecimento deriva da experiência do mundo. Nesse sentido, afirmações são sujeitas e derivadas de nossas experiências ou observações. Hipóteses científicas são desenvolvidas e testadas através de métodos empíricos consistindo de observações e experimentos. Uma vez reproduzidos o bastante, a informação resultante conta como evidência sobre as quais a comunidade científica desenvolve teorias que se propõem a explicar fatos sobre o mundo. Observações envolvem percepção, e então se tem os actos cognitivos propriamente ditos. Isto é, observações não são por si só enquadradas em nossa compreensão de como o mundo funciona; conforme esta compreensão mude, as observações por elas mesmas podem aparentemente mudar.

Realismo científico e instrumentalismo

O realismo científico, ou empirismo ingênuo, é a visão de que o universo é explicado da forma que realmente é pelas afirmações científicas. Realistas defendem que coisas como elétrons e campos magnéticos realmente existem. É ingênuo no sentido de tomar modelos científicos como sendo a verdade. Em contraste ao realismo, o instrumentalismo defende que as nossas percepções, ideias e teorias científicas não necessariamente refletem o mundo real com precisão, mas são instrumentos úteis para explicar, predizer e controlar nossas experiências. Para um instrumentalista elétrons e campos magnéticos podem ou não podem existir de fato. Para os instrumentalistas, o método empírico é usado para fazer não mais do que mostrar que teorias são consistentes com observações. O instrumentalismo é grandemente baseado na filosofia de John Dewey como também Pierre Duheme, de um modo mais geral, o pragmatismo, o qual foi influenciado por filósofos como Willian James e Charles Sanders Peirce.

Construtivismo social

Uma área de interesse entre historiadores, filósofos, e sociólogos da ciência é a extensão na qual teorias científicas são moldadas por seus contextos políticos e sociais. Esse conceito é usualmente conhecido construtivismo social. O construtivismo social é em um sentido uma extensão do instrumentalismo que incorpora os aspectos sociais da ciência. Em sua forma mais forte, vê a ciência como um mero discurso entre cientistas, com o fato objetivo desempenhando pouco papel, se desempenhar algum. Uma forma mais fraca da posição construtivista pode defender que fatores sociais desempenham um grande papel na aceitação de novas teorias científicas. Do lado mais forte, a existência do planeta Marte é irrelevante, desde que tudo o que realmente temos são observações, teorias e mitos, os quais são por si só construídos por interação social. Deste lado, as afirmações científicas são a respeito de uma sobre a outra, e o teste empírico é não mais que algo para verificar a consistência entre diferentes conjuntos de teorias sociologicamente construídas. Esse lado rejeita o realismo. Torna-se difícil, então, explicar como a ciência se difere de qualquer outra disciplina; igualmente, contudo, torna-se difícil dar um parecer do extraordinário sucesso da ciência em produzir tecnologia aplicável.

Análise e reducionismo

Análise é a atividade de quebrar uma observação ou teoria em conceitos mais simples a fim de compreendê-los. A análise é tão essencial para a ciência quanto para todos os empreendimentos racionais. Seria impossível, por exemplo, descrever matematicamente o movimento de um projétil sem separar a força da gravidade, o ângulo de projeção e a velocidade inicial. Apenas depois dessa análise é possível formular uma teoria do movimento adequada. Reducionismo em ciência pode ter vários diferentes sentidos. Um tipo de reducionismo é a crença que todos os campos de estudo estão em última instância sujeitos a explicação científica. Talvez um evento histórico possa ser explicado em termos sociológicos e psicológicos, os quais por suas vezes poderiam ser descritos em termos de psicologia humana, a qual por sua vez poderia ser descrita em termos de química e física. O evento histórico foi reduzido a um evento físico. Isso poderia ser visto como implicação de que o evento histórico não é nada porém evento físico, negando a existência de um fenômeno emergente.

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A justificação de afirmações científicas

Imagem: colacaoufg · BY-NC · Openverse

As mais poderosas afirmações em ciência são aquelas com as mais amplas aplicabilidades, A terceira lei de Newton — "para cada ação há uma reação igual e em sentido contrário" — é uma afirmação poderosa porque se aplica a cada ação, em qualquer lugar, e em qualquer tempo. Porém não é possível para os cientistas ter testado cada incidência de uma ação, e encontrar uma reação. Como é, então, que eles podem afirmar que a Terceira Lei é em algum sentido verdadeira? Eles têm, é claro, testado muitas, muitas ações, e em cada uma foram capazes de encontrar a reação correspondente. Mas poderemos ter certeza que da próxima vez que testarmos a Terceira Lei, ela se confirmará?

Indução

Uma solução para esse problema está em confiar na noção de indução. O raciocínio indutivo mantém que se uma situação se sustenta em todos os casos observados, então a situação se sustenta em todos os casos. Então depois de completar uma série de experimentos que suportam a Terceira Lei, está justificado manter que a lei se sustente em todos os casos. Explicar o porquê de a indução comumente funciona tem sido um tanto problemático. Não se pode usar dedução, o processo usual de se mover logicamente de premissa à conclusão, porque não há um simples silogismo que permite tal movimento. Não importa quantas vezes os biólogos do século XVII observaram cisnes brancos, e em quantas diferentes localizações, não há nenhuma via dedutiva que leve à conclusão de que todos os cisnes são brancos. Isto é assim também, desde que a conclusão teria sido errada, como se tornou mais tarde. Similarmente, é ao menos possível que uma observação será feita amanhã que mostre uma ocasião em que uma ação não é acompanhada por uma reação; o mesmo é verdade para qualquer lei científica.

Falseabilidade

A outra forma de usar lógica para justificar afirmações científicas, pela primeira vez formalmente discutida por Karl Popper, é a Falseabilidade. Esse princípio afirma que a fim de ser útil (ou mesmo completamente científica), uma afirmação científica ("fato", teoria, "lei", princípio, etc.) tem de ser falseável, isto é, capaz de ser provada como errada. Sem essa propriedade, seria difícil (se não impossível) testar a afirmação científica contra a evidência. A meta da falsificação é reintroduzir o raciocínio dedutivo dentro do debate. Não é possível deduzir uma afirmação geral de uma série de afirmações específicas, mas é possível para uma afirmação específica provar que uma afirmação geral é falsa. Encontrar um cisne negro pode ser suficiente para mostrar que a afirmação geral de que "todos os cisnes são brancos" é falsa.

Coerentismo

Ambas indução e falsificação tentam justificar afirmações científicas por referência a outras afirmações científicas. Ambas tentam evitar o problema do critério, no qual qualquer justificação precisa ser por sua vez justificada, resultando em uma regressão infinita. O argumento da regressão tem sido usado para justificar um modo de sair da regressão infinita, o fundamentalismo (Fundacionismo). De acordo com ERNEST SOSA, in Routledge Encyclopedia of Philosophy, Version 1.0, London: Routledge, alguns fundacionistas podem até ser racionalistas, outros empiristas, mas todos defendem um ponto comum: a existência de crenças especiais, certas e que, de algum modo, não necessitariam de justificação fornecida por crenças anteriores, interrompendo assim o eterno regresso.

A Navalha de Occam

A navalha de Occam é outra notável lapidadora na filosofia da ciência. William of Ockham (Ockhegm, Occam, ou outras muitas grafias) sugeriu que a mais simples contabilização do fenômeno é para ser preferida. Ela não sugere que ela poderia ser verdade, ou ainda provável de ser verdade, embora "mais simples" tenha muitas vezes se tornado mais provável de estar certo (em entender a natureza do evento depois que ele aconteceu) do que "mais complexo". A Navalha de Occam tem sido frequentemente usada como regra de eliminação para escolher dentre hipóteses igualmente explanatórias (isto é, teorias) sobre um ou mais fenômenos observados. Porque, geralmente para cada teoria existe um infinito número de variações que são igualmente consistentes com a informação atual, mas predizem diferentes desenrolares em algumas circunstâncias, a Navalha de Occam está implícita em cada instância da pesquisa científica. Como um exemplo, considere a famosa teoria de Newton "para toda a ação há uma reação igual e em sentido contrário". Uma teoria alternativa poderia dizer que "para toda a ação há uma reação igual e em sentido contrário, exceto em 12 de janeiro de 2055 quando a reação terá metade da intensidade". Isso é virtualmente uma adição absurda, viola o princípio da Navalha de Occam principalmente porque é uma adição gratuita, junto com uma infinidade de outras teorias alternativas. Com certeza sem uma regra como a Navalha de Occam jamais haveria alguma justificação filosófica ou prática para os cientistas avançarem qualquer teoria além de suas infinitas competidoras, e a ciência não teria poder preditivo algum.

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Contabilidade social

Imagem: colacaoufg · BY-NC · Openverse

Infalibilidade científica

Uma questão crítica em ciência é, até que grau o atual corpo do conhecimento científico pode ser tomado como indicador do que é realmente "verdade" a respeito do mundo físico em que vivemos. A aceitação do conhecimento como se ele fosse absolutamente "verdadeiro" e inquestionável (no sentido da teologia ou a ideologia) é chamada cientificismo. Entretanto, é comum para os membros do público geral terem a visão oposta de ciência — muitas pessoas leigas acreditam que os cientistas estão fazendo afirmações infalíveis. A ciência serve no processo de tomada de decisões por consenso por pessoas de diversos pontos de vistas éticos e morais vêm para concordarem. Em sociedades seculares e tecnológicas, sem qualquer concepção mais forte de realidade baseados em quaisquer outros terrenos religiosos ou morais, a ciência vem a servir como uma árbitra primária em disputas. Isso pode levar ao abuso do diálogo científico para fins políticos ou comerciais. No entanto, a metodologia científica é hoje a melhor forma de se conhecer e de averiguar a realidade.

Críticas da ciência

Paul Feyerabend argumentou que nenhuma descrição de método científico pode ser abrangente o bastante para incorporar todos os conceitos e métodos usados pelos cientistas. Feyerabend objetou ao método científico prescritivo nos campos que tal método poderia sufocar e barrar o progresso científico. Feyerabend afirmou: "o único princípio que não inibe o progresso é: tudo vale (anything goes)".

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