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Filipe V de Espanha

Filipe V, apelidado de "o Animoso" e "Rei Anfíbio, foi Rei da Espanha em duas ocasiões diferentes, primeiro de 1700 até sua abdicação em janeiro de 1724 em favor de seu filho Luís I, e depois ao assumir o trono novamente em setembro de 1724 até sua morte. A soma de seus dois reinados, 45 anos e 21 dias, é a mais longa da história da monarquia espanhola.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/07/2026
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Personalidade

Sobre Filipe, sua tia-avó a Duquesa de Orleães escreveu: Ele parece um dos Áustria, com a boca sempre aberta, já lhe disse isso milhares de vezes. Quando você o alerta, ele a fecha, porque é muito dócil, mas assim que você lhe da as costas ele tem-na aberta outra vez... Se o colocássemos diante de cem bocas de fogo dizendo-lhe "fique aí", ele se manteria firme como uma parede. Por outro lado, se uma das pessoas com quem ele está acostumado lhe dissesse: “Saia daí”, ele iria embora. Ele não tem confiança em si. Tudo o que você manda ele fazer, ele faz, mas nada mais. A chegada do jovem e vigoroso Filipe à Espanha trouxe consigo um sentimento de renovação aos espanhóis apáticos ao seu predecessor, o rei Carlos II, da Casa de Habsburgo, malformado e enfermo. Segundo Francisco Alonso-Fernández, Filipe chegou para substituí-lo com muitas virtudes: era bonito, falava devagar e alto, era contra a inquisição, era doce, simples e tímido. E o mais importante: "Havia se tornado um verdadeiro espanhol".

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Início de vida

Filipe de Anjou nasceu em 19 de dezembro de 1683, no Palácio de Versalhes, na França, como o segundo filho de Luís, Delfim da França, primogénito de Luís XIV e herdeiro do trono da França, e de sua esposa Maria Ana Vitória da Baviera. Foi batizado no dia de seu nascimento por Emmanuel-Théodose de La Tour d'Auvergne, Cardeal de Bouillon e por Nicolas Thibault, padre da Igreja de Saint-Julien em Versalhes, na presença de seu avô, o rei Luís XIV, e seu tio-avô, Filipe, Duque de Orleães. Ele viveu seus primeiros anos sob a supervisão da governanta real Louise de Prie e, depois, foi tutelado com seus irmãos, Luís e Carlos, por François Fénelon, Arcebispo de Cambrai. Os três irmãos também foram educados por Paul de Beauvilliers. Sua mãe, Maria Ana Vitória, morreu quando Filipe tinha apenas sete anos. Seu pai decidiu se casar secretamente com uma mulher plebeia, Marie Émilie de Joly de Choin, e, portanto, vivia longe da corte francesa. No entanto, Filipe continuou a viver com os irmãos e o avô em Versalhes. Luís XIV nutria tanto afeto pelo neto que muitos na corte passaram a pensar que o rei estaria interessado em que ele o sucedesse, pulando a linha hereditária.

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Reivindicação ao trono espanhol

Em 1700, o rei Carlos II de Espanha, o último Habsburgo a governar a Espanha, morreu sem filhos. Seu testamento nomeou Filipe, neto da meia-irmã de Carlos, Maria Teresa, esposa de Luís XIV, como sucessor. Em caso de possível recusa, a coroa da Espanha seria oferecida ao irmão mais novo de Filipe, o Duque de Berry, e, depois, ao arquiduque Carlos da Áustria. Filipe tinha a reivindicação mais forte ao trono, porque sua avó e bisavó eram primogénitas de reis da Espanha. No entanto, os austríacos sustentaram que a avó de Filipe havia renunciado ao trono espanhol para si e seus descendentes como parte de seu contrato de casamento. Essa renúncia dependia do pagamento de seu dote. A reivindicação francesa à Espanha se devia ao fato de o dote nunca ter sido pago. Além disso, enquanto Filipe tinha uma reivindicação remota ao trono da França, o arquiduque Carlos era o primeiro na linha de sucessão ao trono austríaco e sua ascensão e potencial união das coroas da Espanha e Áustria desestabilizaria o equilíbrio de poderes na Europa.

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Guerra da Sucessão Espanhola

Em dezembro de 1700, Luís XIV emitiu cartas patentes para Filipe, antes do neto deixar a França, preservando seu status como régnicole (um francês natural) e, por extensão, sua reivindicação ao trono francês, apesar de sua saída permanente da França. Os documentos concederam ainda aos herdeiros masculinos de Filipe o status de régnicoles e, portanto, príncipes franceses, independente de nascimento no exterior. À vista disso, temendo uma união das coroas francesa e espanhola sob um único monarca, o desequilibraria os poderes na Europa o Reino da Grã-Bretanha, os Países Baixos e a Áustria reagiram imediatamente invalidando a reivindicação de Filipe ao trono da Espanha em favor do arquiduque Carlos da Áustria, uma movimentação que fez eclodir a Guerra da Sucessão Espanhola. Dentro da Espanha, a Coroa de Castela apoiou Filipe de França. Por outro lado, o sentimento antifrancês era forte em Aragão e alguns membros de sua nobreza se uniram a Carlos da Áustria, filho de Leopoldo I, Sacro Imperador Romano-Germânico e pretendente ao trono espanhol por herança de sua avó Maria Ana da Espanha. O apoio do imperador influenciou uma parcela significativa da população espanhola a apoiar o arquiduque.

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Abdicação

Em 14 de janeiro de 1724, Filipe abdicou do trono espanhol para seu filho mais velho, Luís, de dezessete anos. Como a abdicação ocorreu pouco mais de um mês após a morte do Duque de Orleães, que havia sido regente de Luís XV de França, muitos na época acreditavam que era uma tentativa de Filipe de contornar o Tratado de Utrecht, que proibia a união das coroas francesa e espanhola, permitindo-lhe, portanto, reivindicar a primeira caso seu jovem sobrinho morresse sem filhos. No entanto, a verdadeira razão para a abdicação foi que Filipe, que exibiu muitos elementos de instabilidade mental durante seu reinado, não desejava mais governar devido ao seu crescente declínio mental. Luís morreria em 31 de agosto em Madrid de varíola, tendo reinado apenas sete meses e não deixando descendentes. Seis dias depois, após muita persuasão, Filipe foi restaurado ao trono espanhol, de modo a evitar uma regência para seu segundo filho, Fernando, que tinha apenas dez anos na época.

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Segundo reinando

Filipe ajudou seus parentes Bourbon a obter ganhos territoriais na Guerra da Sucessão Espanhola e na Guerra da Sucessão Austríaca, reconquistando Nápoles e Sicília da Áustria e Orã dos Otomanos. Finalmente, no final de seu reinado, as forças espanholas defenderam seus territórios na América do Norte de uma grande invasão britânica durante a Guerra da Orelha de Jenkins (1739–1748). Durante o reinado de Filipe, a Espanha começou a se recuperar da estagnação que havia sofrido durante o crepúsculo da dinastia espanhola dos Habsburgos. Embora a população da Espanha tenha crescido, os sistemas financeiro e tributário eram arcaicos e o tesouro tinha déficits. O rei empregou milhares de servidores altamente pagos em seus palácios; não para ajudar a governar o país, mas para cuidar da família real. Enquanto isso, o exército e a burocracia passaram meses sem pagamento. Foram apenas as remessas de prata do Novo Mundo que mantiveram o sistema funcionando. A Espanha suspendeu os pagamentos de sua dívida em 1739; efetivamente declarando falência.

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Morte

Filipe foi atingido por um derrame e morreu em 9 de julho de 1746, no Palácio do Bom Retiro, em Madrid, mas foi enterrado em seu palácio favorito, o Palácio Real de La Granja de San Ildefonso, perto de Segóvia. Foi sucedido por Fernando VI, filho do seu primeiro casamento com Maria Luísa de Saboia.

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Legado

Os historiadores geralmente são pouco simpáticos com o reinado de Filipe de Bourbon. Michael Lynch diz que Filipe V avançou o governo apenas marginalmente sobre o de seus predecessores e foi mais passivo do que Carlos II. Quando surgia um conflito entre os interesses da Espanha e da França, ele geralmente favorecia a França natal. No entanto, Filipe fez algumas reformas no governo e fortaleceu as autoridades centrais em relação às províncias. O mérito se tornou mais importante, embora a maioria das posições seniores ainda fosse para a aristocracia fundiária. Abaixo do nível de elite, a ineficiência e a corrupção que existiam sob Carlos II eram tão generalizadas como sempre. As reformas iniciadas por Filipe V culminaram em reformas muito mais importantes de Carlos III. A economia, no geral, melhorou ao longo do meio século anterior, com maior produtividade e menos fomes e epidemias. O governo promoveu a indústria, a agricultura e a construção naval. Após a destruição da principal frota de prata em Vigo em 1702, a marinha foi reconstruída. No entanto, a nova frota ainda era muito pequena para sustentar o vasto império mundial.

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Vida pessoal

Primeiro casamento

Em 2 de novembro de 1701, Filipe, com quase dezoito anos, casou-se com Maria Luísa de Saboia, de treze anos, escolhida por seu avô, o rei Luís XIV. Ela era filha de Vítor Amadeu II, duque de Saboia e de sua esposa Ana Maria de Orleães, prima de Filipe em segundo grau. O duque e a duquesa de Saboia também eram pais da princesa Maria Adelaide de Saboia, duquesa da Borgonha, cunhada de Filipe. Houve um casamento por procuração em Turim, capital do Ducado de Saboia, e outro presencial em Versalhes em 11 de setembro. Maria Luísa provou ser muito popular como rainha da Espanha. Ela serviu como regente para seu marido em várias ocasiões. Seu mandato de maior sucesso foi quando Filipe estava viajando por seus domínios italianos por nove meses em 1702, quando ela tinha apenas catorze anos. Em 1714, Maria Luísa morreu aos vinte e seis anos de tuberculose, um golpe emocional devastador para seu marido.

Segundo casamento

Pouco depois da morte da rainha Maria Luísa em 1714, o rei decidiu se casar novamente. Sua segunda esposa foi Isabel Farnésio, filha de Eduardo Farnésio, príncipe hereditário de Parma e Doroteia Sofia de Neuburgo. Em 24 de dezembro de 1714, Isabel, na altura com vinte e dois anos, casou-se por procuração, em Parma, com Filipe, de trinta e um anos. O casamento foi arranjado pelo cardeal Giulio Alberoni, com a concordância da Princesa de Ursinos, a Camarera mayor de Palacio ("chefe da casa") do rei da Espanha.

Saúde mental

O rei sofria de depressão grave e transtorno bipolar, com sintomas psicóticos como alucinações e delírio. Ele tinha crises que deixavam-no em um estado negligenciado, com higiene pessoal precária. Em certa ocasião, ele pensou que era um sapo e coaxava e pulava ao redor do Palácio de La Granja (o que lhe rendeu o apodo de "Rei Anfíbio"), bem como pensou que membros de seu corpo estavam faltando ou que ele estava morto. Ele também alucinava que estavam tentando envenená-lo e não trocou de roupa por dias. Por esse motivo, ele foi confinado em seus aposentos, sob constante monitoramento e com guardas para impedi-lo de escapar. A rainha Isabel Farnésio mantinha um controle rigoroso sobre sua saúde.

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