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Fidel Castro

Fidel Alejandro Castro Ruz ( audio) foi um político e revolucionário cubano que governou a República de Cuba como primeiro-ministro de 1959 a 1976 e depois como presidente de 1976 a 2008. Politicamente, era nacionalista e marxista-leninista. Também serviu como Primeiro Secretário do Partido Comunista de Cuba de 1961 até 2011. Sob sua administração, Cuba tornou-se um Estado socialista unipartidário, a indústria e os negócios foram nacionalizados, e reformas socialistas foram implementadas em toda a sociedade. Castro morreu em Havana na noite de 25 de novembro de 2016, aos 90 anos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
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Juventude e carreira

Juventude: 1926–1947

Castro nasceu num relacionamento extramatrimonial, na quinta do seu pai, a 13 de agosto de 1926. O seu pai, Ángel Castro y Argiz, um veterano da Guerra Hispano-Americana, era um migrante da Galiza, no noroeste de Espanha. Tinha-se tornado financeiramente bem-sucedido ao cultivar cana-de-açúcar na quinta de Las Manacas em Birán, província de Oriente. Após o colapso do seu primeiro casamento, levou a sua empregada doméstica, Lina Ruz González — de ascendência canária — como sua amante e mais tarde segunda esposa; juntos tiveram sete filhos, entre eles Fidel. Aos seis anos, Castro foi enviado para viver com o seu professor em Santiago de Cuba, antes de ser batizado na Igreja Católica Romana aos oito anos. Ser batizado permitiu a Castro frequentar o internato de La Salle em Santiago, onde se comportava regularmente mal; foi enviado a seguir para a Escola Dolores, gerida por Jesuítas, em Santiago, com financiamento privado.

Rebelião e Marxismo: 1947–1950

"Juntei-me ao povo; agarrei-me a uma espingarda numa esquadra de polícia que caiu quando foi abalroada por uma multidão. Testemunhei o espetáculo de uma revolução totalmente espontânea... [E]ssa experiência levou-me a identificar-me ainda mais com a causa do povo. As minhas ainda incipientes ideias marxistas nada tiveram a ver com a nossa conduta - foi uma reação espontânea da nossa parte, como jovens com ideias Martíanas, anti-imperialistas, anticolonialistas e pró-democráticas". Em junho de 1947, Castro tomou conhecimento de uma expedição planeada para derrubar o governo de direita de Rafael Trujillo, um aliado dos EUA, na República Dominicana. Sendo Presidente do Comité Universitário para a Democracia na República Dominicana, Castro juntou-se à expedição. A força militar consistia em cerca de 1.200 soldados, na sua maioria cubanos e dominicanos exilados, que pretendiam navegar a partir de Cuba em julho de 1947. O governo de Grau impediu a invasão sob pressão dos EUA, embora Castro e muitos dos seus camaradas tenham evitado a prisão. De regresso a Havana, Castro assumiu um papel de liderança nos protestos estudantis contra a morte de um aluno do ensino secundário por guarda-costas do governo. Os protestos, acompanhados por uma repressão contra os considerados comunistas, levaram a violentos confrontos entre ativistas e polícias em fevereiro de 1948, nos quais Castro foi severamente espancado. Nesta altura, os seus discursos públicos assumiram uma inclinação explicitamente de esquerda, condenando a desigualdade social e económica em Cuba. Em contraste, as suas anteriores críticas públicas tinham-se centrado na condenação da corrupção e do imperialismo americano.

Carreira em direito e política: 1950–1952

Castro foi cofundador de uma parceria legal que atendia principalmente aos cubanos pobres, embora tenha provado ser um fracasso financeiro. Preocupando-se pouco sobre dinheiro ou bens materiais, Castro falhou no pagamento das suas contas; os seus móveis foram reapoderada e a eletricidade cortada, angustiando a sua esposa. Participou num protesto numa escola secundária em Cienfuegos em novembro de 1950, lutando com a polícia para protestar contra a proibição das associações estudantis pelo Ministério da Educação; foi preso e acusado de conduta violenta, mas o magistrado retirou as acusações. As suas esperanças para Cuba ainda se centravam em Chibás e no Partido Ortodoxo, e esteve presente no suicídio de Chibás por motivos políticos, em 1951. Vendo-se herdeiro de Chibás, Castro quis candidatar-se ao Congresso nas eleições de junho de 1952, embora os membros seniores do Ortodoxo temessem a sua reputação radical e recusaram-se a nomeá-lo. Em vez disso, foi nomeado como candidato à Câmara dos Representantes por membros do partido nos distritos mais pobres de Havana, e começou a fazer campanha. O Ortodoxo teve um apoio considerável e previa-se que se saísse bem nas eleições.

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Início da carreira política

Depois de graduado, dedicou-se de modo especial à defesa dos opositores ao governo, trabalhadores e sindicatos, denunciou as corrupções e atos ilegais do governo de Carlos Prío através do diário Alerta e das emissoras Radio Álvarez e COCO e se vinculou estreitamente ao Partido do Povo Cubano (Ortodoxo) que era liderado por Eduardo Chibás, partido pelo qual seria candidato a Representante nas eleições de 1952. O golpe de estado em 10 de março de 1952 por Fulgencio Batista, ao qual Fidel condenou no diário La Palabra e pretendeu levar aos tribunais, o convenceu da necessidade de buscar novas formas de ação para transformar a sociedade cubana.[carece de fontes?] Nos dias que se seguiram ao golpe, imprimiu em mimeógrafo e distribuiu clandestinamente sua denúncia. Uniu-se a jovens que editavam o periódico mimeografado clandestino, Son los Mismos, sugeriu a troca de seu nome pelo de El Acusador e foi coeditor desse novo órgão, onde assinou seus trabalhos apenas com seu segundo nome, Alejandro. Este mesmo pseudônimo utilizaria mais tarde em suas correspondências e mensagens.[carece de fontes?]

A história me absolverá

No julgamento que se seguiu pelas ações, assumiu sua própria defesa e defendeu o direito dos povos de lutarem contra a tirania. Condenado a quinze anos de prisão, começou a cumprir a pena na prisão de Boniato (Santiago de Cuba) e depois foi transferido ao Presídio Modelo (Isla de Pinos), onde reelaborou sua autodefesa que levou o nome de A História me Absolverá, e teve sua primeira publicação e distribuição clandestinas em 1954 e desde então foi editada numerosas vezes em Cuba, como em muitos outros países e traduzido nos mais diversos idiomas.[carece de fontes?]

Anistia

Após ser anistiado em maio de 1955 graças a um amplo movimento popular, ocorreu uma intensa tarefa periodística de caráter político através do diário La Calle e do semanário Bohemia e em aparições radio-auditivas e televisivas enquanto estruturava o movimento 26 de julho em escala nacional e internacional.[carece de fontes?]

Novo exílio no México

Porém, ao começarem a censurar seus artigos e cerrar as vias e meios legais de expressão de suas ideias, decidiu seguir, apenas dois meses depois ao seu exílio no México onde trabalhou na preparação dos homens que o acompanhariam em seu intento de iniciar a luta insurrecional em Cuba, participou em atividades políticas, escreveu o Manifesto número um do Movimento 26 de Julho ao povo de Cuba que circulou clandestinamente na Ilha e firmou, com José Antonio Echeverría, presidente da FEU, o Pacto do México a favor da unidade das forças que se opunham à ditadura de Fulgencio Batista.[carece de fontes?]

Preparação da revolução

Em 1955, viajou aos Estados Unidos em busca de apoio dos emigrados cubanos neste país. Pronunciou discursos em Nova Iorque e Miami. Ao fim de novembro de 1956, partiu do porto mexicano de Tuxpan, a bordo do Iate Granma, com várias dezenas de combatentes e em 2 de dezembro desembarcaram na praia Las Coloradas, próxima a Niquero (Oriente), e se abrigaram em Sierra Maestra onde permaneceu por mais de dois anos à frente do Exército Rebelde Cubano, do qual era comandante-em-chefe.[carece de fontes?] Neste ínterim, desenhou e guiou a tática e a estratégia da luta contra a ditadura batistiana, financiada e apoiada pela unidade de ação das forças opositoras revolucionárias. Comandou diversos combates que culminaram em vitórias de suas tropas, orientou a criação de novas frentes guerrilheiras em Oriente e Las Villas, trabalhou na preparação de leis fundamentais que deveriam promulgar-se uma vez alcançada a vitória e divulgou suas ideias nacional e internacionalmente, através de meios improvisados na própria Sierra Maestra como o periódico El Cubano Libre, a emissora Radio Rebelde — ainda atuante — e mediante entrevistas realizadas por periodistas cubanos e estrangeiros.[carece de fontes?]

Pós-revolução

Depois do desmonte do regime ditatorial pela fuga de Batista em 1 de janeiro de 1959, convocou generais para consolidar a vitória da Revolução e marchou até Havana, onde entrou em 8 de janeiro. O Governo revolucionário instaurado o designou primeiramente Comandante em Chefe de todas as forças armadas e depois, em meados de fevereiro, Primeiro Ministro.[carece de fontes?] Fidel Castro visitou, após a vitória, os Estados Unidos. A URSS deu apoio econômico e militar ao novo governo de Castro, comprando a maioria do açúcar cubano. A partir de então, Cuba passou a sofrer um embargo econômico por parte dos Estados Unidos.[carece de fontes?] Imediatamente começou a impulsionar a criação de um novo aparato estatal, escreveu leis a favor dos setores mais desfavorecidos, entre essas leis encontra-se a lei de Reforma Agrária, que firmou ainda em Sierra Maestra em 17 de maio. Também fundou órgãos de novo tipo como o Instituto Nacional de Reforma Agrária (INRA, do qual foi seu primeiro presidente) e instituições culturais como a Imprensa Nacional de Cuba e o Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica (ICAIC). O anúncio de sua renúncia ao cargo de primeiro-ministro em meados de julho de 1959 pelos obstáculos colocados pelo presidente Manuel Urrutia às leis e medidas revolucionárias, motivou uma massiva exigência popular para que se reincorporasse ao mesmo e forçou a renúncia do presidente.[carece de fontes?]

Relações mundiais

A partir de 1959 viajou a uma infinidade de países da América Latina, Europa, África e América do Norte, para representar Cuba em congressos e conferências dos mais diversos tipos e organizações, assim como em outras atividades oficiais e visitas amistosas. Em 1959 foi ao Brasil, onde foi recebido pelo presidente Juscelino Kubitschek. Anteriormente já havia se encontrado com o deputado Jânio Quadros (que depois viria a ser presidente do Brasil).[carece de fontes?] Foi durante a era Castro que houve oferecimento de tratamento gratuito de mais de 124 mil vítimas do acidente nuclear de Chernobil, participação direta na luta pelo fim do Apartheid na África do Sul, treinamento de médicos do Timor-Leste, entre outros.

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Ideologia política

Castro proclamou ser "um socialista, marxista e leninista" e se identificou publicamente como um iniciante marxista-leninista em dezembro de 1961. Como um marxista, Castro procurou transformar Cuba, que era um estado capitalista dominado pelo imperialismo estrangeiro, em uma sociedade socialista e consequentemente uma sociedade comunista. Influenciado por Guevara, sugeriu que Cuba poderia ultrapassar a maioria dos estágios do socialismo e progredir diretamente para o comunismo. O governo de Castro também era nacionalista, com Castro declarando: "Não somos apenas marxista-leninistas, mas também nacionalistas e patriotas". O historiador Richard Gott observou que uma das chaves do sucesso de Castro era sua capacidade de utilizar os "temas gêmeos do socialismo e do nacionalismo" e os manter "intermináveis no jogo". Castro descreveu Karl Marx e o nacionalista cubano José Martí como suas principais influências políticas, embora Gott acreditasse que Martí, em última instância, permaneceu mais importante do que Marx na política de Castro. Castro descreveu as ideias políticas de Martí como "uma filosofia da independência e uma filosofia humanista excepcional", e seus partidários e apologistas repetidamente alegaram que havia grandes semelhanças entre as duas figuras.

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Vida pessoal

Família

Com sua primeira esposa, Mirta Díaz Balart, Fidel Castro teve um filho chamado Fidel "Fidelito" Castro Díaz-Balart em 1 de setembro de 1949. Mirta e Fidel divorciaram-se em 1955, tendo ela se casado novamente e, após uma temporada em Madrid, teria voltado a residir em Havana para viver com Fidelito e sua família. Fidelito cresceu em Cuba e por um período dirigiu a comissão para a energia atômica do país, tendo sido retirado do posto por seu pai. Em 1 de fevereiro de 2018, com 69 anos suicidou-se. Fidel tem outros cinco filhos com sua segunda esposa, Dalia Soto del Valle: Alexis, Alexander, Alejandro, Antonio e Ángel. Durante seu casamento com Mirta, Fidel teve uma amante, Naty Revuelta, que lhe deu uma filha, Alina Fernández-Revuelta, que deixou Cuba em 1993 fazendo-se passar por uma turista espanhola e pediu asilo nos Estados Unidos, onde foi uma ferrenha crítica das ações políticas de seu pai.

Patrimônio

Em julho de 2014 foi publicado o livro "A vida Secreta de Fidel", escrito por Juan Reinaldo Sanchez um ex-guarda-costas de Fidel. Sanchez, que fora preso em Cuba e acusado de traição exilou-se nos Estados Unidos em 2008, onde conheceu o jornalista francês Axel Gyldén que o ajudaria a escrever o livro. O autor afirma que Fidel nunca abandonou o capitalismo e cita entre seus bens algumas extravagâncias como a posse de uma ilha particular, uma reserva pessoal de caça, uma marina com quatro iates de alto luxo, um barco de pesca e pelo menos 20 residências igualmente recheadas de conforto. O livro ainda afirma que Fidel teria um enorme aquário cheio de golfinhos e tartarugas, que gosta de exibir a familiares e a amigos mais próximos.

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Morte

Fidel Castro morreu em Havana na noite de 25 de novembro de 2016, aos 90 anos. A morte do líder cubano foi anunciada pela TV estatal cubana. Castro morreu às 22h29 e o corpo do ex-presidente de Cuba será cremado, "atendendo a seus pedidos", informou Raúl Castro, na TV estatal. A última vez que Fidel havia sido visto publicamente foi em 15 de novembro, quando recebeu o presidente do Vietnã, Tran Dai Quang. O governo de Cuba decretou nove dias de luto nacional pela morte do líder da Revolução Cubana e anunciou que o funeral de Fidel ocorreria no dia 4 de dezembro, no cemitério Santa Ifigenia, na cidade de Santiago de Cuba.

Reações

A notícia da morte de Fidel Castro gerou reações variadas de personalidades e líderes mundiais. O presidente Raúl Castro anunciou na televisão estatal: "O comandante-em-chefe da revolução cubana morreu esta noite às 22h29." E no final de seu pronunciamento disse: "¡Hasta la victoria siempre!" A opositora Yoani Sánchez afirmou que Castro deixou "um país em ruínas onde os jovens não desejam viver". O presidente russo Vladimir Putin descreveu Fidel como o "símbolo de uma era" e afirmou que o líder cubano estaria sempre "no coração do povo russo". Em nota, Michel Temer, presidente do Brasil, afirmou que "Fidel Castro foi um líder de convicções. Marcou a segunda metade do século XX com a defesa firme das ideias em que acreditava". Ainda no Brasil, políticos de centro e de esquerda celebraram o legado do líder cubano. O senador Cristovam Buarque declarou que "ele foi o herói da minha geração na América Latina: tanto como líder de revolução, quanto como líder da resistência às forças imperialistas, e sobretudo como líder de um governo comprometido com a justiça social, sem perder o vigor transformador".[carece de fontes?]

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Críticas

Opositores

Milhares de cubanos deixaram o país durante e depois da revolução que levou Fidel Castro ao poder, fosse por razões políticas ou econômicas. Após 35 anos da instalação do governo revolucionário, estima-se que cerca de 32 mil cubanos deixaram a ilha em direção aos Estados Unidos. De acordo com o jornal francês L'Humanité, a cada ano, 20 mil cubanos solicitam vistos de permanência em solo norte-americano. Milhares deles envolveram-se em menor ou maior grau em organizações apoiadas pelo governo dos EUA, a fim de derrubar ou pelo menos para desafiar o seu governo mas, as ações violentas dos anos 1960 falharam. Jacobo Machover estima em várias centenas de milhares o número de adversários de Fidel Castro.

Presos políticos

Opositores afirmam que presos políticos morrem em prisões cubanas, dentre os quais o mais famoso é o poeta católico Pedro Luis Boitel. Muitos escritores também foram perseguidos durante suas vidas sem poder sair livremente de Cuba como o homossexual Reinaldo Arenas (que conseguiu fugir de Cuba, mas suicidou-se nos Estados Unidos), José Lezama Lima e Virgilio Piñera. No entanto, segundo a Anistia Internacional, a repressão continua a ser muito forte: "Durante 2006, houve um aumento do assédio do público e intimidação dos críticos do regime e dissidentes políticos por grupos semioficiais em operações chamado de "repúdio". Atos de repúdio ou manifestações de partidários do governo contra de dissidentes políticos ou críticos do regime aumentaram.

Perseguição aos homossexuais

Fidel admitiu que seu governo perseguiu homossexuais nas décadas de 1960 e 1970. Na época, gays e lésbicas foram exonerados de cargos públicos, presos ou enviados a campos de trabalho forçado. Questionado sobre se o Partido Comunista ou alguma entidade específica foi responsável pela injustiça, Fidel negou, e se assumiu como único responsável.

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Fontes consultadas

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