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Vale de Fergana

O vale de Fergana, ou simplesmente Fergana, é uma região fértil e histórica da Ásia Central que se estende por cerca de 22 000 km² no leste do Usbequistão, sul do Quirguistão e norte do Tajiquistão. É limitado a norte pela cordilheira de Chatkal e a sul pela de Alai, ambas parte do Pamir. Tem aproximadamente 300 km de comprimento por 70 km de largura e é habitado por aproximadamente dez milhões de pessoas, um quinto da população total da Ásia Central. É a região mais densamente povoada daquela parte do mundo.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/10/2026
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Nomes

O topónimo é por vezes transliterado como Fargana, Farghana e Ferghana. Noutras línguas regionais é:[carece de fontes]?

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Geografia e geologia

O vale de Fergana é uma depressão entre montanhas na Ásia Central situado entre as cordilheiras de Tian Shan e de Gissar-Alai. Ocupa aproximadamente 22 000 km², ao longo de cerca de 300 km de comprimento e 70 km de largura. A sua localização torna-a uma região geográfica separada. A fertilidade da região deve-se aos dois principais rios do vale, o Kara Darya e o Naryn, cuja confluência, perto de Namangã, forma o Sir Dária. Estes rios têm numerosos afluentes no vale, nomeadamente o Sokh. Os cursos de água e os seus afluentes que nascem nas montanhas, além de abastecerem água para irrigação, trazem também vastas quantidades de areia, que se deposita ao longo dos leitos, especialmente no trecho do Sir Dária que atravessa a cumeada Cujanda-Ajar para formar o vale, onde existe uma vasta área de areias movediças que cobre cerca de 1 900 km² onde sopram ventos de sudoeste.[carece de fontes]? A parte central da depressão que forma o vale é caraterizado por blocos de subsidência, originalmente com profundidades entre 6 e 7 km, em grande parte enchidos com sedimentos cuja idade chega a remontar à extinção do Permiano-Triássico (cerca de 252 milhões de anos). Alguns dos sedimentos são carbonatos marinhos e argilas. As falhas geológicas são cavalgamentos. Os anticlinais associados a estas falhas formam depósitos de petróleo e gás natural, que foram descobertos em 52 pequenos campos petrolíferos.

Clima

O clima do vale é seco e quente. Em março, a temperatura máxima média é 20 °C, subindo rapidamente para 35 °C em junho, julho e agosto. Durante os cinco meses a seguir a abril, há muito pouca precipitação, mas aumenta em frequência a partir de outubro. Em dezembro e janeiro, quando ocorre neve e gelo, a temperatura chega a descer aos -20 °C.[carece de fontes]?

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História

Fergana está na rota por ocidente para a bacia do Tarim, na China, e foi zona fronteiriça de vários impérios da Antiguidade Clássica. Durante o século VIII, Fergana assistiu a confrontos entre a Dinastia Tang chinesa e a expansão do poderio islâmico, que originou a Batalha de Talas em 751, que terminou com a vitória dos muçulmanos e provocou o abandono da Ásia Central por parte da China. Nas batalhas precedentes, ocorridas em 715 e 717, os chineses tinham prevalecido sobre as forças árabes e turcas. A seguir à vitória de Talas, Fergana teve uma série de governantes muçulmanos árabes, persas e mais tarde túrquicos. O Império Samânida, surgido no início do século IX, avançou para o que então era chamado Grande Coração (Khorasan), que incluía a Transoxiana e o vale de Fergana, a partir de ocidente. Em 819, Gassane ibne Abade, governador do Grande Coração nomeado pelo califa abássida Almamune, deu a autoridade sobre a cidade de Fergana a Amade ibne Açade, filho de Açade ibne Samane e neto do fundador da dinastia samânida, como recompensa pelo seu apoio contra o rebelde Rafi ibne Alaite. A seguir à morte do seu irmão Nu ibne Açade, que governou em Samarcanda, a autoridade desta cidade foi dada a Amade e a outro irmão, Iáia ibne Açade, pelo governador de Coração. Quando Amade morreu, em 864 ou 865, era o governante da maior parte da Transoxiana, Bucara e Corásmia. Samarcanda e Fergana ficaram nas mãos do seu filho Nácer I.

Império Aqueménida

No final do século VI a.C., as partes ocidentais do vale de Fergana faziam parte de Soguediana, a qual era governada desde ocidente e no reinado de Dario, o Grande (r. 522–486 a.C.) estava dependente do Império Aqueménida. A independente e aguerrida Soguediana [a] formou uma região fronteiriça que isolava os persas aqueménidas dos nómadas citas a norte e a leste.[b] A Rocha de Soguediana, uma fortaleza em Soguediana, foi capturada em 327 a.C. pelas tropas de Alexandre; depois duma extensa campanha para acabar com com a resistência soguediana e da criação entrepostos militares guarnecidos por gregos veteranos, Alexandre uniu Soguediana e a Báctria numa única satrapia.[carece de fontes]?

Cidade helenística

Em 329 a.C., Alexandre, o Grande fundou a cidade grega de Alexandria Escate ("a mais longínqua"), na parte sudoeste do vale de Fergana, na margem sul do rio Sir Dária (antigo Jaxartes em grego), onde atualmente se situa Cujanda, no Tajiquistão. Mais tarde, a cidade foi governada pelos selêucidas, antes da secessão da Báctria.[carece de fontes]? Depois de 250 a.C., é provável que a cidade tivesse mantido contacto com o Reino Greco-Báctrio, centrado na Báctria, especialmente quando o rei greco-bactriano Eutidemo (ca. 260–200 a.C.) estendeu o seu controlo sobre Soguediana. Há indicações que a partir de Alexandria Escate foram lançadas expedições até locais como Casgar e Ürümqi, no Turquestão chinês, conduzindo aos primeiros contactos entre a China e o Ocidente circa 220 a.C. A norte das montanhas Tian Shan, na soleira da China, foram encontradas várias estatuetas e outras representações de soldados gregos, que estão atualmente em exposição no Museu de Xinjiang em Ürümqi,[carece de fontes]? nomeadamente a tapeçaria de Sampul[c] Acerca dos greco-bactrianos, Estrabão escreveu «estenderam o seu império até sítios tão longínquos como os dos seres (chineses) e dos frinos».

Dinastia Han

Na obra Shiji (Memórias Históricas), baseada nas viagens de Zhang Qian e publicada cerca de 126 a.C., a região de Fergana aparece como o país dos daiuãs, possivelmente descendentes de colonos gregos (dayuan pode ser uma transliteração de "gregos jónicos"). A região foi famosa pelos seus "cavalos celestes", que os chineses tentaram obter dos daiuãs sem grande sucesso até terem empreendido uma guerra contra eles em 104 a.C.[carece de fontes]? Os daiuãs era descritos pelos chineses como tendo caraterísticas incomuns e com uma civilização urbana sofisticada, similar à dos bactrianos e partos — «O Filho do Céu ao ouvir tudo isso raciocinou assim: Fergana (Daiuã) e as possessões da Báctria e da Pártia são grandes países, cheios de coisas raras, com uma população que vive em residências fixas, dada a ocupações de certa forma forma idênticas às do povo chinês, mas com exércitos fracos, e dão muita importância aos ricos produtos da China» (Hou Hanshu [Livro dos últimos Han]; século V d.C.).[carece de fontes]?

Cuchanas

O Império Cuchana foi formado pelos mesmos iuechis que tinha conquistado a Fergana helenística. Os cuchanas espalharam-se a partir do século I d.C. da confederação iuechi nos territórios da antiga Báctria em ambos os lados do curso médio do rio Oxo (Amu Dária) no que é hoje o Afeganistão, sul do Tajiquistão e Usbequistão. Os cuchanas conquistaram a maior parte do que é atualmente norte da Índia e o Paquistão, avançando para leste a partir de Fergana. O poderio cuchana também consolidou o comércio a longa distância, ligando a Ásia Central tanto à China Han como ao Império Romano.[carece de fontes]?

Sassânidas

Os cuchanas governaram a região como uma parte do seu império até ao século III, quando o império persas zoroastrista Sassânida invadiu os territórios cuchanas a partir de sudoeste. Fergana trocou várias vezes de mãos entre governantes locais e transoxianos a partir daí. Em alguns períodos nos séculos IV e V, o Império Sassânida controlou diretamente a Transoxiana e Fergana, na sequência das conquistas de Sapor II (r. 309–379) e Cosroes I (r. 531–579) aos cuchanas e aos heftalitas.[carece de fontes]?

Heftalitas, goturcos e Dinastia Tang

O domínio sassânida de Fergana foi interrompido pelos heftalitas. Por sua vez, estes foram suplantados pelos goturcos em meados do século VI. Os goturcos dominaram a região, ou parte dela, até ao primeiro quartel do século VIII. Seguiu-se um período de domínio da Dinastia Tang, durante o qual a região integrou o Protetorado das Regiões Ocidentais, que durou de 659 a 790.[carece de fontes]?

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Economia

Agriculture

No período czarista, havia aproximadamente 1 200 000 ha de terras cultivadas, das quais cerca de um terço era permanentemente irrigada e as restantes eram parcialmente irrigadas. No início do século XX, a Encyclopædia Britannica descrevia o vale como admiravelmente cultivado, sendo as principais culturas o algodão, trigo, arroz, cevada, milho, milhete, alfafa, tabaco, hortaliças, legumes e fruta. A produção pecuária também era importante, havendo numerosos cavalos, bovinos, ovelhas e camelos. Havia mais de 6 900 ha de culturas em latadas e 140 000 ha de algodão.[carece de fontes]? Na mesma altura, havia cerca de 400 000 ha de florestas e o governo mantinha um viveiro florestal em Marguilã de onde todos os anos eram distribuídas gratuitamente entre 120 e 200 mil árvores jovens entre os habitantes do vale. A criação de bicho-da-seda, anteriormente uma atividade próspera, estava em decadência, apesar de ter sido criada uma quinta estatal para o seu incentivo em Margilã.[carece de fontes]?

Indústria

No vale há ou houve no passado explorações de carvão, ferro, enxofre, gipsite, sal-gema e nafta, mas só as duas últimas tiveram relevância. NO final do século XIX havia alguns pequenos poços de petróleo em Fergana, mas atualmente já não funcionam. No período czarista, as únicas empresas industriais eram cerca de 70 a 80 fábricas que faziam limpeza de algodão. Os principais produtos da indústria doméstica além das relacionadas com o algodão eram a correaria, papel e cutelaria. Durante o período soviético a situação industrial não mudou significativamente, tendo-se concentrado a industrialização nas cidades de Samarcanda e Bucara.[carece de fontes]?

Comércio

O vale de Fergana foi um importante entreposto na Rota da Seda para mercadorias e pessoas que viajavam entre da China para o Médio Oriente e a Europa. Após atravessarem os passos de montanha de Casgar em Sinquião (Xinjiang), os mercadores encontravam um alívio bem vindo na abundância fértil de Fergana, além de terem a possibilidade de comprarem seda de alta qualidade fabricada em Margilã.[carece de fontes]? A exportação mais famosa da região eram os "cavalos que suavam sangue" ou "cavalos celestes" que capturaram a imaginação dos chineses durante a Dinastia Han, embora seja quase certo que esses animais eram criados nas estepes a oeste de Bucara ou a norte de Tasquente e eram levados para Fergana para serem vendidos. No século XIX, como seria de esperar, o comércio com a Rússia era considerável; algodão e seda não tratadas, tabaco, peles e peças de couro eram exportadas, sendo importados bens manufaturados, têxteis, chá e açúcar, que em parte eram reexportados para Casgar e Bucara.[carece de fontes]?

Transportes

Até ao final do século XIX, Fergana, como era comum em toda a Ásia Central, dependia dos camelos, cavalos e burros para os transportes, havendo poucas estrada e as que havia eram de má qualidade. No início da década de 1870, os russos construíram uma trakt (espécie de estrada) que ligava Andijã, Cocande, Marguilã e Cujanda com Samarcanda e Tasquente. Em 1898 a Ferrovia Trans-Caspiana foi estendida até ao vale, até Andijã, e em 1906 foi aberta a Ferrovia Trans-Aral, que liga Oremburgo a Tasquente.[carece de fontes]? Até à era soviética e à construção da Estrada do Pamir entre Osh e Khorugh na década de 1920, as estradas para Casgar e as montanhas Pamir mais não eram que caminhos nas montanhas, que passavam por passos a grande altitude. Por exemplo, na rota de Marguilã para Vale de Racht (vale de Racht) e para o Pamir, passa-se pelos passos de Kara-kazyk (4 389 m de altitude) e Tenghiz-bai (3 413 m), ambos transitáveis durante todo o ano; a rota para Casgar passava por Osh, Gulcha e pelos passos de Terek-davan (3 720 m), Taldyk (3 505 m), Archat (3 536 m) e Shart-davan (4 267 m). Outros passos que para sair do vale são os de Jiptyk (3 798 m, a sul de Cocande), Isfairam (3 657 m, que vai dar ao vale do Surkhob) e Kavuk (3 962 m, nas montanhas Alai).[carece de fontes]?

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Demografia histórica

A edição de 1911 da Encyclopædia Britannica mostra todos os dados do censo russo de 1897, o único realizado no Império Russo antes de 1917 e ajuda a clarificar uma situação que foi tornada confusa pelos caprichos das políticas de nacionalidades soviéticas nas décadas de 1920 e 1930. O vale tinha 1 571 243 de habitantes em 1897, 707 132 (45%) deles mulheres e 286 369 (18,3%) residentes em cidades. A população estimada em 1906 era 1 796 500; dois terços eram sartes[f] e usbeques. Viviam maioritariamente no vale, sendo as encostas das montanhas habitadas por quirguizes, parte deles nómadas and pastoris e outra parte agricultores não nómadas. Outras etnias presentes eram casgares, quipechaques, judeus bukharan e ciganos. Os governantes eram principalmente russos, que também constituíam a maior parte dos comerciantes e opeários industriais. No Turquestão Ocidental havia também uma classe de comerciantes, usualmente conhecidos como andijanis, da cidade de Andijã do vale de Fergana. A maioria da população era muçulmana (1 039 115, 66%, em 1897).[carece de fontes]?

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Divisões administrativas

Em 1911 a província estava dividida em cinco distritos, com capitais em Fergana, que também era a capital provincial (8 977 habitantes em 1897), Andijã (49 682 hab. em 1900); Cocande (86 704 hab. em 1900); Namangã (61 906 hab. em 1897) e Osh (37 397 hab. em 1900). Outras cidades importantes eram Marguilã (42 855 hab. em 1900) e Chust (13 686 hab. em 1897).[carece de fontes]? Atualmente o vale está dividido entre o Usbequistão, Quirguistão e Tajiquistão. A parte do vale deste último país faz parte da província de Sughd. No Quirguistão está dividido entre as províncias de Batken, Jalal-Abad e Osh; a capital desta última é a principal cidade do sul do país. No Usbequistão, o vale integra as províncias de Namangã, Andijã e Fergana.[carece de fontes]?

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Disputas fronteiriças

As negociações das fronteiras no vale de Fergana estão entre as mais complicadas da Ásia Central, onde teimam em existir vários enclaves. Os três países com territórios no vale — Usbequistão, Quirguistão e Tajiquistão — reclamam ter direitos históricos e económicos sobre a região, nomeadamente as rotas de transportes e recursos naturais. As negociações entre os três países são frequentemente tensas e propensas a conflitos. Após o colapso da União Soviética, as negociações de fronteiras deixaram uma parte substancial de populações usbeques fora do Usbequistão. No sudoeste do Quirguistão estalou um conflito étnico violento em larga escala entre quirguizes e usbeques por causa de terras em 1990. O mesmo voltou a ocorrer em 2010. A política soviética de criação de delimitações nacionais através do estabelecimento de unidades políticos monoétnicas numa região onde vários povos há muito que viviam lado a lado lançou as sementes das tensões étnicas atuais.

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Fontes consultadas

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