Feredum
Feredum, Fereidum, Faridum, Afridum, Fredom ou Traetaona é um herói da mitologia iraniana. Como outros heróis iranianos antigos, foi identificado em fontes islâmicas com figuras bíblicas e corânicas como Noé, Abraão e Ninrode. A introdução de elementos semíticos na lenda também pertence ao período islâmico, como por exemplo a história de que era gêmeo e seu nascimento milagroso, que são adaptações da história de Jacó e Esaú.
Feredum é comumente referido no Avestá pelo epíteto de Āθβiiāni ou "da casa de Atebia" (Āθβiia), que se alega ter sido seu pai (Iasna 9.7). Atebia pode ser comparado ao védico Apetia (Āptya), com ambos os nomes derivando do indo-iraniano *Atepias (*Atpḭas). O védico Trita (Θrita) Apetia e o avéstico Traetaona derrotaram os dragões Visvarupa e Daaca respectivamente e eram médicos. Por esse motivo, segundo Aḥmad Tafażżolī, num passado remoto ambos (Trita e Traetaona) eram irmãos da casa de Atepias, mas só o segundo se tornou proeminente no mito iraniano e foi identificado como guerreiro e médico. Seus nomes deriva de θri- ("três") e Traetaona pode originalmente ter sido um patronímico de Trita, significando assim "filho de Trita", e tanto Trita como Traetaona podem ser um reflexivo de um anterior *Trito.
Guerreiro
Na Épica dos Reis, Feredum é associado ao filho de Abetim e Faranaque, a filha de Jã. Segundo o Avestá, nasceu em Varana (Varəna), que foi associada nas fontes posteriores com Var, uma vila em Larijão. Tabari, no entanto, mencionou Damavande como seu local de nascimento. Imediatamente após o assassinato de seu pai por Daaca, Faranaque levou seu filho a uma floresta, onde foi nutrido pela vaca Barmaia. Quando Feredum tinha três anos, fugiu com ele ao Monte Alborz por temor. Depois, Cava/Cabi se rebelou contra Daaca e levou seu exército ao castelo onde Feredum estava escondido. Com sua assistência, ainda só com 16 anos (ou nove segundo o Dencarde), Feredum preparou sua vingança pela morte de Abetim. Atravessou o Arvande (Tigre) e foi a Jerusalém, onde Daaca tinha seu palácio. Depois de intensa batalha, o derrotou e resgatou duas das mulheres de Jã, Arnavaz (Arənauuāči) e Xarnaz (Saŋhauuāči); nessa versão, parecem substituir o gado libertado no mito indo-iraniano original. De acordo com D. H. Bivar, num amuleto sassânida no Museu Britânico, em Londres, um herói com maça com cabeça de touro na mão direita é retratado subjugando um demônio e ele possivelmente retrata a batalha de Feredum e Daaca.
Outros atributos
Segundo a literatura avéstica e pálavi, ele também era médico. Numa tradição do Dencarde, diz-se que o aspecto agrícola da glória de Jã, ligado à terceira classe social iraniana, foi transferido a Feredum, embora se esperasse que a porção dos guerreiros seria devotada a ele. Diz-se que foi capaz de repelir a praga e outras doenças, lhe rendendo o epíteto de purbesar (purr-bēšaz), ou seja, "muito curativo". Para Tafażżolī, no mito original, ou pelo menos numa versão dele, a porção dos agricultores havia sido atribuída a Trita, mencionada no Avesta como médico; depois, deve ter sido associada a Feredum, junto com a identificação de Trita como médico. No fragmento preservado de um texto avéstico, provavelmente um encantamento, Traetaona é invocada contra poderes do mal. Numa joia parta da coleção Falkiner de Londres, provavelmente um amuleto para servir a um propósito médico, um herói iraniano é retratado subjugando um demônio, o que poderia representá-lo lutando contra um demônio de doença grave. Sua popularidade como médico também se reflete num encantamento maniqueísta persa médio associado a outros "nomes de poder". Há vários amuletos e encantos inscritos em pálavi, pazande e persa nos quais é invocado para curar doenças; alguns deles ainda são usados pelos zoroastrianos da Pérsia e Índia. Há também um encantamento contra criaturas nocivas e outros poderes malignos em pálavi e persa. Em outro encantamento pálavi, o nome de Feredum é mencionado; seu objetivo era fazer uma primavera seca fluir novamente. Em fontes do período islâmico, a invenção da medicina e dos amuletos e a introdução de antídotos lhe são atribuídos.


