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Eussocialidade

A Eussocialidade é um sistema de organização social caracterizado por três aspectos fundamentais: divisão reprodutiva do trabalho, gerações sobrepostas e cuidado cooperativo dos jovens. Essa estrutura promove harmonia dentro da colônia e maximiza a aptidão genética do grupo como um todo. Espécies eussociais passam por um longo processo evolutivo até atingirem um ponto de organização irreversível, conhecido como "ponto de não retorno", onde os indivíduos não podem mais retornar ao comportamento solitário, devido à existência de castas com diferenças anatômicas específicas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 24/07/2026
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Evolução da Eussocialidade

Apesar de ser um comportamento comumente observado, a eussocialidade é um fenômeno raro na natureza. Charles Darwin considerava a eussocialidade como um grande problema na idealização de sua teoria da seleção natural, declarando que a existência de castas estéreis como “uma dificuldade especial, que a princípio me pareceu insuperável, e realmente fatal para a minha teoria”. No entanto, Darwin conseguiu chegar bem perto de “solucionar” esse problema quando teorizou que se o traço de esterilidade for herdado por alguns indivíduos, e esses indivíduos estéreis passem a auxiliar os parentes reprodutivos, o traço de esterilidade pode se fixar na população e evoluir. Infelizmente Darwin não levou em conta que não são todos os animais eussociais que apresentam indivíduos estéreis. Apesar disso, essa percepção serviu como guia para a composição de novas teorias que visam explicar a eussocialidade.

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Hymenoptera

A eussocialidade aparece em muitos animais da ordem hymenoptera, principalmente em formigas, abelhas e vespas As castas são divididas de maneira geral, em uma rainha reprodutiva, machos (em geral somente tem a função de reprodução), operárias (podendo ou não ser estéreis) e soldados. Em abelhas o comportamento eussocial apareceu de forma em convergente, sendo os membros das famílias Apidae e Halictidae os principais os que em geral é associado esse comportamento. Estas sociedades são compostas por uma rainha reprodutora com a função de postura de ovos, zangões e operárias (geralmente inférteis), a rainha tem a função de postura de ovos, as operárias fazem o forrageamento construção de ninhos e outros trabalhos, e os zangões têm como função a reprodução fazendo com que não sobrevivem mais que essa época. As abelhas operárias têm sua origem de ovos fertilizados (diploides) e os zangões têm origem de ovos não fertilizados (haploides).

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Isópteros

Cupins são o grupo de animais mais antigo a apresentar este comportamento eussocial, surgindo no início do cretáceo. Sua casta é dividida em rei e rainha reprodutores, trabalhadores que tem a função de forrageio e expansão da colônia, e soldados que tem a função de defender a colônia. Suas larvas são capazes de se diferenciar em qualquer classe da casta, sendo todas de origem diploide, assim podem se derivar em qualquer nível da casta. Em algumas espécies as operárias mantêm está característica podendo substituir o casal reprodutor ou os soldados estéreis, caso necessário, os soldados não mantêm essa característica.

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Rato-toupeira-pelado

A eussocialidade nos rato-toupeira-pelado (Heterocephalus glaber) foi descoberta por Jarvis. Nem todas as espécies possuem essa organização social, podendo também ser solitários, que não possuem as adaptações necessárias para a vida em grupo. A hipótese aceita atualmente é a que indica que essas adaptações resultam da demanda do nicho subterrâneo, como especializações neurológicas e fisiológicas. Essas alterações foram resultado das pressões ambientais, por viverem em ambientes de extremos climáticos, o que afeta a distribuição de alimentos (raízes e tubérculos subterrâneos) e os custos/resultados associados ao forrageamento, dispersão e formação de novas colônias. Assim, com a nova forma de organização, os custos energéticos da escavação são distribuídos e aumenta a probabilidade de encontrar alimento. Em contrapartida, alguns cientistas discordam dessa teoria, argumentando que a eussocialidade nos rato-toupeira-pelado é resultado de uma tendência ancestral para a "monogamia cooperativa", reforçada por um estilo de vida subterrâneo que restringe a dispersão.

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Chifre-de-veado

Além do reino Animalia, também é conhecido em Plantae uma forma primitiva da eussocialidade. Na samambaia Platycerium bifurcatum (Polypodiaceae), os indivíduos clones vivem em colônias. Cada indivíduo se especializa da melhor maneira para a manutenção da colônia, como a diferenciação do tamanho e formato das folhas: para coleta e retenção de água, as folhas no topo da colônia são pregueadas em forma de leque; para a canalização da água, tem folhas em formato de “calha"; para melhor fixação e sustentação da colônia, na parte inferior tem folhas em formato de “ninho”. Dessa forma, cada indivíduo possui uma função distinta na colônia, havendo divisão de trabalho. Em espécies não eussociais, essa diferenciação das folhas não ocorre.

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Crustáceos

Em crustáceos, a eussocialidade evoluiu três vezes independentemente no gênero Synalpheus, pequenos crustáceos que habitam esponjas. Neste grupo, algumas espécies possuem uma sociedade composta por apenas uma fêmea reprodutora, enquanto existe uma casta de machos e fêmeas não reprodutores, que tem função de defesa e manutenção da colônia. Por outro lado, não existe uma diferença morfológica muito grande entre os indivíduos não reprodutores. É demonstrado que essa organização dá vantagem competitiva contra grupos menos organizados onde eles têm seu estabelecimento na esponja dificultado.

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Afídeos

Imagem: Aleledias · BY · Openverse

Em certos grupos de pulgões que induzem galha como colônia, há o desenvolvimento de machos estéreis partenogenéticos como soldados, sendo uma casta de soldados tendo como função a defesa da colônia e dos outros pulgões reprodutores. Estes, são ninfas não completamente desenvolvidas, e são produzidos a partir da necessidade da colônia.

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