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Eurico Miranda

Eurico Ângelo de Oliveira Miranda foi um político, fisioterapeuta, jurista e cartola esportivo brasileiro. Foi o mais conhecido e emblemático dirigente da história do Club de Regatas Vasco da Gama, exercendo o mandato de presidente por duas vezes, de janeiro de 2001 a junho de 2008, e de dezembro de 2014 a janeiro de 2018. Também ocupou os cargos de diretor de futebol e vice-presidente de futebol do Vasco entre 1986 e 2000, tendo participado diretamente de um dos períodos mais vitoriosos da história do clube. Além disso, foi diretor de futebol da CBF em 1989. Entre as principais conquistas de sua carreira, estão o Campeonato Brasileiro de 1989, a Copa América de 1989, o Campeonato Brasileiro de 1997, a Libertadores de 1998, o Campeonato Brasileiro de 2000 e a Copa Mercosul de 2000.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 21/07/2026
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Biografia

Eurico Miranda era filho de portugueses, Álvaro e Alexandra, naturais do concelho de Arouca, concelho da Grande Área Metropolitana do Porto, que, na década de 1930, emigraram para o Brasil, fugindo do regime de António Salazar. Criado na zona sul do Rio de Janeiro, estudou no Colégio Santo Inácio, em Botafogo, um colégio jesuíta frequentado por boa parte da elite carioca. Acabou por ser convidado a se retirar do colégio por causa de brigas e por sempre ir com a camisa do Vasco por cima do uniforme, o que não era permitido. Passou no vestibular para Fisioterapia. Eurico formou-se em fisioterapia e chegou a exercer a profissão antes de decidir ingressar na Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Foi casado com Sylvia Miranda, com quem teve quatro filhos: Mário Angelo Brandão de Oliveira Miranda, Eurico Angelo Brandão de Oliveira Miranda (conhecido como Euriquinho), Álvaro Brandão de Oliveira Miranda e Sylvia Alexandra Brandão Miranda Salviano Gomes.

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O início de Eurico no Vasco

Imagem: Bernardo1989 · BY-SA · Openverse

Foi durante o curso de direito que Eurico, então com 23 anos, ingressou nas atividades administrativas do Club de Regatas Vasco da Gama, sendo Diretor de Cadastro em 1967. Em 1969, o presidente do Vasco da Gama era Reinaldo de Matos Reis, que não agradava à maioria dos conselheiros, mas que era defendido por Eurico, então já vice-presidente de Patrimônio. Foi realizada uma reunião na sede náutica do clube, na Lagoa Rodrigo de Freitas, para decidir a cassação do seu mandato. Porém houve uma falha de energia e a reunião foi então adiada. No dia seguinte, o jornal O Globo publicou uma fotografia que mostrava uma mão desligando o quadro de energia. O título da reportagem era: "A mão de Eurico". Eurico entrava assim, de forma polêmica, para a política ativa do clube. Apesar do episódio, Reinaldo de Matos Reis acabou por perder a presidência. Assumiu Agathyrno da Silva Gomes, então vice-presidente, em mandato interino até o fim de 1970. Eurico mais tarde passou a participar da administração de Agarthyno, apoiando-o. Porém em 1976 passou para a oposição do clube e apoiou a candidatura de Medrado Dias. O seu candidato acabou perdendo as eleições. Nesta época, Eurico ainda mantinha um escritório de advocacia, mas cada vez mais se dedicava à política do clube.

A participação de Eurico na volta de Roberto Dinamite (1980)

Antes do início da temporada de 1980, o ídolo vascaíno foi vendido para o Barcelona da Espanha, apesar da discordância de Eurico Miranda, então assessor especial da presidência. O dirigente fez de tudo para que Roberto Dinamite não fosse e tinha especial cuidado em transmitir para os espanhóis cada exigência de Jurema, mulher do artilheiro, torcendo por uma contestação para melar negócio. Tudo, no entanto, foi aceito e Roberto partiu para a Europa. A passagem do artilheiro por lá, entretanto, foi prejudicada pela saída do treinador que o havia indicado, o húngaro László Kubala, e a pouca disposição de seu substituto Helenio Herrera, em aproveitá-lo no elenco. Sabedor das dificuldades pelas quais goleador passara no Velho Mundo, o Flamengo partiu para a sua contratação. Roberto firmou um pré-contrato com o rubro-negro.

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Eurico no futebol do Vasco

Imagem: LonEMedia · BY-SA · Openverse

A aliança com Calçada (1986)

Em 1986, Antônio Soares Calçada, na intenção de apaziguar o clube, decidiu convidar Eurico Miranda - opositor até então - para assumir o cargo de vice-presidente de futebol. Eurico aceita o convite, porém exige que tenha total autonomia na gestão do departamento, sem interferência externa. Calçada aceita, e Eurico passa a ser o responsável por gerir o futebol do Vasco da Gama.

Os primeiros anos (1986–1990)

Logo no ano seguinte, em 1987, o Vasco conquista o Campeonato Carioca em cima do Flamengo, após 5 anos de jejum. Em 1988, consegue o Bicampeonato Carioca, algo que não acontecia desde os anos 1950, novamente vencendo o Flamengo na final. Essa partida ficou marcada pelo gol do jogador Cocada, marcado no fim do jogo. Em 1989, o Vasco volta a vencer o Campeonato Brasileiro após 15 anos, vencendo o São Paulo no Morumbi por 1 a 0, com um gol de Sorato. Esse ano também ficou marcado pela participação da dupla Eurico e Calçada na transferência do atacante Bebeto, do Flamengo, para o Vasco. Muitos consideram esta uma das maiores contratações da história do futebol brasileiro. Também em 1989, Eurico tornou-se diretor de futebol da Seleção Brasileira e conquistou a Copa América, título que tirou o Brasil de um jejum de quarenta anos sem conquistar o mesmo. Em certo momento, a CBF exigiu que Eurico deixasse o Vasco da Gama para continuar como diretor de futebol da seleção. O dirigente, entretanto, optou continuar no Vasco, e deixou a Seleção Brasileira.

A era de ouro (1992–2000)

Em 1994, o Vasco conquista o Tricampeonato Carioca, algo inédito na história do clube. No ano de 1996, Eurico conseguiu a oficialização do título Sul-Americano de 1948 na CONMEBOL. Por isso, o clube disputou a Supercopa Libertadores 1997, mesmo ainda sem ter conquistado o título da Libertadores propriamente dito. Também em 1996, Eurico anuncia a contratação de Edmundo, antiga prata da casa. O atacante foi comprado por US$ 5 milhões de dólares. Nesse ano, o Vasco aplicou uma goleada no Flamengo, vencendo o rival por 4 a 1. Edmundo fez três gols. Em 1997, o Vasco volta a ser Campeão Brasileiro pela terceira vez, sendo Edmundo, em grande fase, o artilheiro isolado do campeonato, marcando 29 gols em 27 jogos e superando o recorde do atleticano Reinaldo, que já durava 20 anos. Na semifinal, repetiu a dose do ano anterior: hat-trick contra o Flamengo, em mais uma vitória por 4 a 1. No primeiro jogo da final, contra o Palmeiras, no Morumbi, Edmundo havia sido expulso e não poderia jogar o segundo jogo no Maracanã. Entretanto, Eurico, nos bastidores, conseguiu achar uma brecha no regulamento e reverteu a decisão. Sendo assim, o craque vascaíno pôde atuar. Com a saída de Edmundo (para a Fiorentina, da Itália) e Evair (de volta para o Palmeiras), Eurico anunciou, em janeiro os jogadores Donizete e Luizão, a nova dupla de ataque do Vasco para a disputa da Libertadores.

Eurico alcança a presidência do Vasco (novembro/2000 – junho/2008)

No seu primeiro mandato, Eurico enfrentou uma forte crise financeira, especialmente devido ao rompimento com o Bank of America, principal investidor do clube, e ao embate com a Rede Globo. O banco norte-americano descumpriu o contrato com o Vasco da Gama e deixou de investir U$ 12 milhões de dólares no final de 2000. O Vasco, então, acionou a justiça para romper o acordo, e conseguiu vencer a ação contra o banco. Entretanto, a elevada folha salarial não pôde ser mantida e parte do time foi desmontada já em 2001. Além disso, o dirigente gerou um atrito com a Rede Globo ao questionar o calendário do futebol de dezembro de 2000. Para não atrapalhar programação de fim de ano da emissora, o Vasco, que disputava, naquele momento, as fases finais da Copa Mercosul e do Campeonato Brasileiro, teria que chegar a fazer cinco jogos em dez dias. Segundo Oswaldo de Oliveira, treinador do clube na época, caso essa situação se mantivesse, o Vasco "deveria escolher um título para disputar e abrir mão do outro", tamanho o desgaste que o elenco sofreria. Eurico não concordou com tal situação e conseguiu mudar a data das partidas, prejudicando o programação da Globo. A cada problema que surgia, ficava evidente a ausência de Calçada. Visivelmente, Eurico já era o presidente de facto e de direito, como já havia sido nos últimos anos, apesar de ainda não ter tomado posse.

A volta ao Vasco (2015–2017)

Em novembro de 2014, foi eleito para seu 4º mandato como presidente do Vasco com mais de 50% dos votos em eleição com recorde de participantes. A situação financeira do Vasco era extremamente crítica, com uma dívida que beirava os R$ 700 milhões, praticamente triplicada pela gestão Roberto Dinamite, que, segundo a própria, encontrou uma dívida de R$ 250 milhões em julho de 2008. O patrimônio do clube estava completamente abandonado, os salários estavam atrasados e o Vasco precisava quitar uma dívida de R$ 12 milhões com a Caixa Econômica Federal, referente a certidão negativa de débito. Por ser uma estatal, a Caixa exigia isso para renovar o patrocínio. Ainda no ano de 2014, o assunto foi tratado como prioridade. Eurico conseguiu a verba imediatamente e renovou o contrato até 2017.

Relacionamento com a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro

A partir da ascensão de Eurico Miranda no Vasco e de Eduardo Viana (apelidado de "Caixa D'água") na Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro em 1986, parte da imprensa (mais comumente o jornalista Renato Maurício Prado) tem afirmado uma ligação entre ambos os citados, o que supostamente teria resultado em benefícios ao Vasco no Campeonato Carioca de Futebol durante este período. Porém, nada jamais foi provado. O grupo Casaca! (que apoia Eurico Miranda) contestou a teoria de que o Vasco seria beneficiado pela Federação em função de Eurico, fazendo um levantamento sobre o período de 1986 a 2006 (em que tanto Eurico esteve à frente do Vasco quanto Eduardo Viana à frente de Federação), mostrando que neste período o Vasco foi decisivamente prejudicado pela arbitragem nos Campeonatos Cariocas de 1986, 1996, 1999, 2000, 2001, 2004 e 2005, anos em que o Vasco não conseguiu o título, e citando erros da arbitragem contra o Vasco também em anos em que o Vasco acabou sendo campeão (1987, 1988, 1992, 1994, 2003).

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Vida política

Imagem: A.Davey · BY-NC-ND · Openverse

Em 1990, Eurico decidiu se candidatar a deputado federal pelo PL, apesar de já ter o cargo de vice-presidente do Vasco da Gama. Não conseguiu ser eleito, mas nas eleições de 1994 voltou a se candidatar, agora pelo PPB, e conseguiu ser eleito para deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro. Em 1998 foi novamente eleito, mas em 2001 foi pedida a cassação do seu mandato por efetuar uma operação de câmbio não autorizada. Eurico foi acusado de promover evasão de divisas do país. Apesar disso, Eurico voltou a concorrer nas eleições de 2002, porém não foi eleito, perdendo assim a imunidade parlamentar. Em 2006, Eurico teve a sua candidatura indeferida pelo TRE do Rio de Janeiro. Segundo o argumento da juíza Jaqueline Montenegro, por falta de condições morais para exercer um mandato. Porém Eurico recorreu da decisão e no mês seguinte teve a sua candidatura confirmada pelo TSE. Eurico, enquanto deputado federal, afirmava que as pessoas não teriam o direito de cobrá-lo "saúde, moradia e educação", pois o mesmo foi eleito apenas prometendo defender os interesses do Vasco da Gama. "Eu não sou representante do povo. Sou representante do Vasco", dizia.

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Processos judiciais

Imagem: MichelAngelo▲ · BY · Openverse

Ao longo da sua vida pessoal e política, Eurico esteve sempre envolvido em processos judiciais contra si. Em audiência em 1977, confessou ter se apossado indevidamente de uma quantia do condomínio Serra da Amazônia, onde morava e era síndico. Um laudo pericial, exigido pelo síndico que o sucedeu, concluiu que a administração do dirigente deixara o condomínio deficitário em 43 365 cruzeiros, o equivalente, em 2008, a cerca de 60 mil reais. Eurico concordou em saldar o débito. Em 2001, Eurico foi multado em 150 salários mínimos pelos incidentes ocorridos num jogo do Campeonato Brasileiro entre Vasco da Gama e Gama. O ano de 2004 foi particularmente cheio de processos judiciais para Eurico. Em Fevereiro foi decretada a sua prisão por não ter comparecido a um julgamento sem dar explicações. No mês seguinte foi condenado a seis meses de prisão por ter agredido o jornalista Carlos Monteiro, porém recorreu e teve a prisão convertida em multa a ser paga ao agredido. Em abril foi a vez de Eurico processar um jornalista, mas também perdeu a ação movida. Eurico alegou que se sentiu ofendido pelas expressões "pernicioso" e "euricadas" usadas pelo jornalista Juca Kfouri na sua coluna no jornal LANCE!. Em outra ação contra a imprensa, agora a Infoglobo, Eurico pediu uma indenização pela notícia publicada em 21 de julho de 2002 pelo jornal Extra que o acusava de desviar 20 milhões de reais do patrimônio do Vasco da Gama. Além de perder o caso, Eurico foi ainda obrigado a pagar os custos processuais e honorários dos advogados.

CPI do Futebol

Em 2001, Eurico Miranda foi alvo de uma série de denúncias na imprensa sobre diversas irregularidades em sua administração como vice-presidente e depois como presidente do Vasco. Houve uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar irregularidades na administração do futebol brasileiro e Eurico Miranda foi um dos acusados no relatório final da CPI. Foi aberto um processo de cassação contra ele, mas sua cassação não foi aprovada. Como Eurico não foi reeleito deputado em 2002, perdeu a imunidade parlamentar e teve abertos vários processos contra si na justiça. Em 2006 foi aberto um novo processo judicial contra Eurico, agora por apropriação indébita. A acusação foi o resultado das investigações feitas pela CPI. De acordo com o Ministério Público, Eurico Miranda, enquanto presidente do Vasco da Gama, deixou de recolher contribuições previdenciárias, lesando o INSS. Além de Eurico, também foram acusados Antônio Soares Calçada, ex-presidente vascaíno, e Amadeu Pinto da Rocha, vice-presidente. Em 2007 foi conhecida a decisão do tribunal e Eurico foi condenado a 10 anos de prisão e ao pagamento de uma multa de 53 mil reais. Entretanto ele tem o direito de recorrer em liberdade e o processo está de volta aos tribunais.

Briga com a Globo

Desde o acidente ocorrido na final da Copa João Havelange, onde 168 pessoas ficaram feridas, que Eurico Miranda tem tido problemas com a Rede Globo. Eurico acusa a emissora de formar opiniões, jogando as pessoas contra ele. A Rede Globo por sua vez alega que Eurico, através da VGL, deve à empresa 19 milhões de reais, referente a um empréstimo feito ao clube. Como provocação, no último jogo da Copa João Havelange, Eurico fez o clube entrar em campo com o logotipo do SBT, emissora concorrente da Rede Globo. Isso aumentou ainda mais a briga entre a emissora e Eurico. Eurico brigou com a emissora depois que a mesma deixou de cumprir suas obrigações com o clube referente aos direitos de transmissão durante quase um ano.

Período afastado do Vasco

Após sua chapa ser derrotada nas eleições para o Conselho Deliberativo nas eleições de 2008, Eurico passou um período afastado do Vasco, clube no qual esteve presente nos últimos 40 anos. Após a posse da nova diretoria, sua presença em São Januário tornou-se rara, apesar de possuir o título de Grande Benemérito do clube. Neste período Eurico retomou suas atividades no ramo da advocacia, já que possuía um escritório no centro da cidade do Rio de Janeiro. Sem a pesada rotina de dirigente esportivo, Eurico passou mais tempo junto à sua família e viajava com frequência para sua casa em Angra dos Reis.

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Morte

Imagem: Cristiano Casado · BY-NC-ND · Openverse

Morreu no dia 12 de março de 2019, aos 74 anos. Eurico faleceu em um hospital na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, vítima de câncer no cérebro. Nos últimos meses, o dirigente não havia feito aparições públicas. Seu estado de saúde se agravou, inclusive com dificuldade para se alimentar. Seu corpo foi velado na Capela de Nossa Senhora das Vitórias, dentro do Complexo Esportivo de São Januário, e contou com a presença de torcedores e dirigentes esportivos. O enterro de Eurico Miranda foi no cemitério São João Batista, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro. Ele deixou quatro filhos e sete netos.

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