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Anthony Garotinho

Anthony William Matheus de Oliveira, mais conhecido como Anthony Garotinho ou somente Garotinho, é um radialista e político brasileiro, filiado ao Republicanos. Ex-deputado estadual do Rio de Janeiro, serviu como o 51º governador do Rio de Janeiro e foi candidato à Presidência da República em 2002.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 12/07/2026
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Carreira radialista

Imagem: Leonardo Prado/Câmara dos Deputados · BY · Openverse

Começou sua carreira no rádio em Campos dos Goytacazes, no norte do estado Rio de Janeiro. Trabalhou na Rádio Nacional e na Rádio Tupi AM. Ganhou o apelido de "Garotinho" como radialista ao narrar, com apenas quinze anos de idade, preliminares de jogos de futebol na Rádio Cultura de Campos, imitando o radialista José Carlos Araújo, o "Garotinho", da Rádio Globo do Rio de Janeiro. Ao entrar no ar, o locutor apresentava-o desta maneira: "Agora, com vocês, o garotinho Anthony Matheus". O apelido pegou, mas rendeu a ele processo na Justiça movido por José Carlos Araújo, que havia se consagrado com aquele apelido a ponto de registrá-lo como sua marca.[carece de fontes?] Após ingressar na política, Garotinho continuou a trabalhar no rádio, com destaque para as inserções na Rádio Melodia, de cunho político e religioso.[carece de fontes?]

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Carreira política

Nas eleições de 2010, tudo indicava que Garotinho seria novamente candidato ao governo do Rio de Janeiro. Em 2009, matérias publicadas em seu blog e comentários feitos em seu programa na rádio davam a entender que Garotinho seria novamente candidato a governador. Especulou-se na época seu ingresso no PTB, o que não aconteceu. Em setembro de 2009, Garotinho filiou-se ao PR. Até a véspera da convenção partidária Garotinho ocupava o 2º lugar nos principais institutos de pesquisa. Mas para a surpresa de muitos, Garotinho anuncia sua candidatura a deputado federal e lança o presidente do Instituto Republicano Fernando Peregrino que havia ocupado diversos cargos no governo do casal Garotinho como candidato ao governo estadual. A desistência por parte de Garotinho da candidatura ao governo do estado do Rio de Janeiro se deveu a decisão por parte do TRE do Rio de Janeiro no sentido de declará-lo inelegível por abuso de poder econômico nas eleições municipais de 2008. Como o mérito da questão não tinha sido apreciado pelo TSE, Garotinho optou por concorrer ao cargo de deputado federal com a finalidade de minimizar eventuais prejuízos com a campanha eleitoral caso a mesma fosse impugnada.[carece de fontes?]

Início

Ingressou na política, inicialmente no PCB e, em seguida, como filiado ao PT, mas logo transferiu-se para o PDT em 1983. No partido, ele atuaria na Juventude Socialista, sendo eleito Coordenador Nacional no V Congresso Nacional da JS, realizado em Brasília no dia 23 de junho de 1989. Como radialista, em Campos dos Goytacazes, adquiriu fama por um programa assistencialista. Foi prefeito de Campos dos Goytacazes, cidade do interior fluminense, por duas vezes: 1989–1992 e 1997–1998 (abandonou o cargo em 1998 para se candidatar a governador). Na ocasião, a recém-descoberta riqueza petrolífera da Bacia de Campos e o apoio político de Leonel Brizola, de quem foi Secretário de Estado de Agricultura, alavancaram sua carreira política.

Governador do Rio de Janeiro

Em 1994, Garotinho concorreu ao governo estadual do Rio de Janeiro, sendo o segundo candidato mais votado (o eleito, na ocasião, foi o ex-prefeito da capital Marcello Alencar). Quatro anos depois, concorreu novamente e, com uma ampla coalizão de partidos de esquerda (incluindo PDT, PT, PSB e PCdoB), foi eleito no segundo turno, derrotando Cesar Maia. Em seu governo, diversos programas sociais foram instituídos destinados a atender a população de baixa renda. Dos principais programas, destacam-se: Propôs à Assembleia Legislativa lei que criava a autonomia de gestão das verbas do Poder Judiciário, iniciativa inédita no Brasil e que mereceu reconhecimento público do presidente do Tribunal e Desembargador Miguel Pachá em matéria na IstoÉ, em 11 de janeiro de 2003.

Candidatura à presidência

Deixou o PDT em novembro de 2000, por divergências com Brizola "principalmente sobre as eleições municipais daquele ano", passando para o PSB. Por este partido, concorreu à presidência da República em 2002 e lançou a candidatura de sua esposa Rosinha Garotinho à própria sucessão, no mesmo ano. Como resultado, Garotinho se tornou o terceiro mais votado do país, com 15 milhões de votos, enquanto sua esposa foi eleita governadora no primeiro turno.

Secretário de Segurança

Em abril de 2003, assumiu o cargo de secretário de Segurança do Rio de Janeiro. Em agosto do mesmo ano, mudou novamente de partido, ingressando no PMDB.

Secretário estadual de Governo

Em 2006, exerceu o cargo de secretário estadual de Governo do Rio de Janeiro e se tornou presidente do PMDB no estado. Garotinho foi escolhido no dia 19 de março como candidato do partido à presidência da República por meio de uma consulta, aprovada pela Direção do Partido, apesar da polêmica judicial sobre sua realização. Porém, com a decisão do TSE em favor da verticalização das coligações partidárias, o partido optou por não lançar candidato à presidência e se aliar ao então presidente Lula. Com isso, Garotinho apoiou a candidatura de Heloísa Helena no primeiro turno, e de Geraldo Alckmin no segundo. Em junho de 2009 Garotinho deixou o PMDB por divergências com o governador Sérgio Cabral Filho e optou pelo PR, assumindo a presidência regional desta legenda.

Deputado federal

Garotinho foi candidato a deputado federal, sendo eleito com a maior votação já registrada para o cargo de deputado federal no Estado do Rio. Garotinho obteve 694 862 votos (8,69%), sendo o 2º mais votado do Brasil, ficando atrás apenas do humorista Tiririca, também do PR na eleição daquele ano.

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Vida política, social e familiar

Garotinho e sua esposa são frequentemente considerados políticos populares, pois mantêm forte base eleitoral entre as camadas de baixa renda da população – sendo, supostamente, o herdeiro político do eleitorado histórico trabalhista de Leonel Brizola. Alguns dos seus críticos, utilizando-se da tese estruturalista da USP ou de concepções clássicas do liberalismo conservador, o intitulam de "populistas" (ou como seguidores do populismo) por conta de suas políticas sociais voltadas aos estratos marginalizados, através do assistencialismo estatal – uma das marcas do trabalhismo. Tornou-se uma marca registrada das ações políticas de Garotinho os chamados "programas de um real", isto é, programas pelos quais serviços públicos são fornecidos a preços subsidiados à população – por exemplo: os restaurantes populares, onde uma refeição é vendida a um real; o hotel de pernoite para trabalhadores de baixa renda que não possam deslocar-se diariamente a uma moradia na periferia, com uma diária também de um real e o desjejum a 35 centavos vendido em algumas estações ferroviárias. É necessário que se diga que as aplicações em tais programas tem-se realizado através de recursos orçamentários do fundo de pobreza, de saúde pública e de proteção ao meio ambiente.[carece de fontes?]

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Controvérsias

Imagem: · BY · Openverse

Brigas com Leonel Brizola e saída do PDT

Após ter vencido as eleições para governador do Estado do Rio em 1998 e ter tomado posse no ano seguinte, Garotinho começou a ter conflitos com o então Presidente Nacional do PDT e ex-governador do Estado do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, sobretudo por não consultar a legenda na formação da gestão e em decisões consideradas estratégicas. Efetuando alianças com políticos de centro-direita e lideranças neopentecostais, aos poucos, Garotinho foi acusado pelos segmentos do partido alinhados ao Brizola de atuar à revelia das decisões do PDT, traindo a imagem de trabalhista que o consagrara dentro de seu partido desde os idos da Juventude Socialista (JS). As brigas políticas com Brizola se acentuaram no decorrer de 1999, o que resultou em sua expulsão no final de 2000, filiando-se ao PSB posteriormente.

Greve de fome em 2006

Garotinho também foi acusado de recebimento de dinheiro impróprio para as suas campanhas, devido a isso, ele se declarou vítima de parte da imprensa (Veja e Globo e do próprio "governo Lula"), que, diz ele, não deram o mesmo espaço para a sua defesa como o que é dado para as denúncias. Em protesto, Garotinho resolveu entrar em uma greve de fome, iniciada em 30 de abril, que durou 11 dias. O processo contra Garotinho tramita na justiça.

Uso indevido de meios de comunicação social

Em maio de 2010, Garotinho foi considerado inelegível por abuso de poder econômico e uso indevido de meios de comunicação social nas eleições de 2008. O TRE-RJ também cassou o mandato de Rosinha Garotinho, prefeita da cidade de Campos dos Goytacazes, por abuso do poder econômico. O TRE entendeu que ela teria sido beneficiada por publicações e por programas favoráveis na rádio O Diário. A decisão tornou inelegíveis a prefeita, o ex-governador e mais três radialistas. Em 28 de junho de 2010, o TRE-RJ manteve a decisão de deixar o casal inelegível até 2011, após julgar os embargos interpostos que buscavam modificar a decisão do colegiado do próprio tribunal. Dois dias depois, Garotinho desistiu de ser candidato ao governo do Rio De Janeiro e foi substituído por Fernando Peregrino.

Condenação por formação de quadrilha

Em 29 de maio de 2008, o ex-chefe de polícia de seu governo, o deputado Álvaro Lins, foi preso pela Polícia Federal em seu apartamento, tendo o MPF pedido o indiciamento de Garotinho por formação de quadrilha armada. Em agosto de 2010, Garotinho foi condenado por formação de quadrilha, junto com o ex-deputado estadual Álvaro Lins. A Justiça Federal aplicou uma pena de dois anos e meio de prisão, convertidos em serviços à comunidade e suspensão de direitos políticos. Álvaro Lins foi condenado a vinte e oito anos de prisão por formação de quadrilha armada, corrupção passiva e lavagem de bens.

Acusação a Rodrigo Pimentel e posterior condenação

Em 2012, Garotinho publicou em seu blog uma acusação de que o ex-capitão do BOPE, PM Rodrigo Pimentel teria se aposentado por invalidez com um laudo falso e que teria "urinado nas calças de medo" durante uma operação. No texto, afirmou ainda que "Todos no BOPE conhecem essa história lembrada como um exemplo de covardia e desonra para a unidade de elite." Pimentel processou o ex-governador na esfera cível e obteve em 2018 decisão favorável, sendo Garotinho considerado culpado por calúnia e condenado a um ano a quatro meses de detenção, pena que foi substituída por uma multa de R$ 50 mil (revertida ao Instituto Nacional do Câncer) e prestação de sete horas semanais de serviços comunitários.

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Prisões

Novembro de 2016

No dia 16 de novembro de 2016, Anthony Garotinho foi preso por agentes da Polícia Federal em seu apartamento, situado no bairro do Flamengo, na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro. A prisão, no âmbito da Operação Chequinho, a princípio era de caráter preventivo, ou seja, sem prazo para libertação. A prisão de Garotinho aconteceu um dia antes da prisão de outro ex-governador do estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, suspeito de receber propina a fim de fechar contratos públicos. O mandado de prisão foi expedido pelo juiz Glaucenir Silva de Oliveira, da 100ª Zona Eleitoral, situada em Campos dos Goytacazes. Na sentença, Glaucenir relata que os crimes, supostamente cometidos por Garotinho, que exercia o cargo de Secretário Municipal de Governo na Prefeitura de Campos dos Goytacazes, e por outros denunciados consistiam em inscrições fraudulentas de campistas no programa Cheque Cidadão, que dava R$ 200 por mês a cada beneficiário. Em troca, os beneficiários prometiam que iriam votar, nas eleições de 2016, em candidatos operadores do esquema. De acordo com a Justiça, foram realizados cerca de 18 mil novos cadastros no programa Cheque Cidadão com fins eleitoreiros.

Setembro de 2017

Em 13 de setembro de 2017, Anthony Garotinho foi novamente preso pela Polícia Federal, que cumpria um mandato de prisão domiciliar contra o ex-governador. Na ocasião, Garotinho apresentava seu programa diário de rádio, na Super Rádio Tupi. Segundo o juiz que decretou a prisão, o grupo comandado por Garotinho estaria obstruindo as investigações da Operação Chequinho mediante ameaças a testemunhas e destruição de provas. Na mesma decisão, o juiz condenou Garotinho a 9 anos, 11 meses e 10 dias de prisão em regime fechado por suposta compra de votos nas eleições de 2016. No dia 21 de setembro de 2017, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP) comunicou à Polícia Federal que Garotinho poderia ter saído de casa e violado a prisão domiciliar. No mesmo dia, a SEAP informou que houve um problema técnico na tornozeleira eletrônica utilizada pelo radialista, ou seja, que a prisão não foi violada. A prisão de Garotinho, bem como o uso de tornozeleira e as medidas restritivas, foram revogadas dias depois após decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tomada por quatro votos a dois.

Novembro de 2017

No dia 22 de novembro de 2017, Garotinho foi novamente preso em uma ação da Polícia Federal, no âmbito da Operação Caixa D'Água, que investiga crimes eleitorais. No mesmo dia, também foi decretada a prisão de sua esposa, Rosinha Garotinho, e do presidente do Partido da República (PR), Antonio Carlos Rodrigues. A ação apura os crimes de corrupção, concussão, participação em organização criminosa e falsidade na prestação de contas eleitorais. Inicialmente, Garotinho foi levado para a unidade operacional do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro situada no bairro do Humaitá, entretanto no mesmo dia foi transferido para a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, após determinação da Vara de Execuções Penais.

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Depoimento na CPI do Crime Organizado

Em 16 de dezembro de 2025, prestou depoimento na CPI do Crime Organizado. Denunciou que Cláudio Castro, então governador do Estado do Rio de Janeiro e Rodrigo Bacellar, então presidente afastado da ALERJ seriam os chefes de uma organização criminosa, com braços respectivamente no executivo e legislativo fluminense, com cobrança de propina para aprovação de projetos nas áreas de energia, combustíveis, bem como incentivos fiscais. Afirmou que 47 dos 70 deputados estaduais na Alerj receberiam uma "mesada" do crime organizado, informação que teria sido obtida através de celulares apreendidos pela Polícia Federal na casa de Rui Bulhões, chefe de gabinete de Bacellar, através da operação Unha e Carne. Indicou uma suposta ligação do executivo com organizações criminosas, citando uma trégua negociada para "sete dias sem guerras e roubos" durante a realização do encontro do G20 no Rio de Janeiro. Relatou ainda um caso aonde o Exército Brasileiro teria feito um acordo de cavalheiros com o Comando Vermelho, negociando a devolução de fuzis que foram roubados de uma base militar, o que foi confirmado pelo general de quatro estrelas e hoje senador Hamilton Mourão, vice-presidente da CPI.

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